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CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Municipalização do trânsito.

Em passado recente o Ministério da Justiça estimulou a municipalização do trânsito, chegando a criar um manual para instruir os municípios. Tal documento afirmava categoricamente: “A municipalização do trânsito é o processo legal, administrativo e técnico, por meio do qual o município assume integralmente a responsabilidade pelos seguintes serviços: Engenharia, Fiscalização, Educação de trânsito, Levantamento, análise e controle de dados estatísticos e Juntas Administrativas de Recursos de Infrações – Jaris”.
Vários municípios brasileiros pensando na indústria da multa para aumentar as receitas municipais criaram os Departamentos Municipais de Trânsito, cujos agentes munidos de um treinamento, tão relâmpago como aqueles das escolas de formação de condutores, de uma caneta e um bloquinho foram para as ruas.
Percebemos, contudo, que a integralidade é “estória pra boi dormir”. Algumas localidades, entre elas Marabá, Estado do Pará, onde resido, enfrentam situações engraçadas, para não classificar com palavra proibida.
Por motivos diversos, entre os quais mesquinhos interesses políticos, o Estado e a União, por meio dos órgãos que controlam a Polícia Rodoviária Estadual e Polícia Rodoviária Federal não firmaram os convênios necessários para que os Agentes Municipais assumissem integralmente os serviços.
Como a área urbana de algumas destas cidades é cortada por rodovias estaduais e federais, por motivo da inexistência de convênios, mais de um agente atua simultaneamente  numa mesma superfície, negando a lei da física segundo a qual o mesmo espaço não poder ser ocupado por mais um corpo.
Enquanto os agentes dos municípios multam por estacionamentos em locais proibidos e outros delitos caseiros, os agentes estaduais aplicam multas relacionadas com IPVA em atraso e Carteiras de Habilitação vencidas e os agentes federais emitem multas relacionadas com “dirigir depois de ter tomado umas”, em muitos locais somente eles usam o bafômetro – nos outros é claro -, ultrapassagens irregulares e outros.
E o cinto? Sinto em muito em dizer: Os três aplicam multas neste quesito.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Quem te viu quem te ver?
Posso até ser qualificado como saudosista, mas, tenho a obrigação de fazer este registro com a devida vênia de tricolores como Pedro de Expedito Araújo, Júnior Finfa, Biu de Zeca, Luiz Alves, Magno Martins, Leni e tantos outros.
Sou do tempo que Ivan Lima, na Rádio Clube, narrava gols de Ramon, Luciano e Fernando Santana, destacava desarmes de Gena e Givanildo e gritava com defesas de Gilberto. O famoso locutor também teve o que contar com os elencos posteriores, compostos por jogadores como Carrasco, Betinho e Nunes.
Ao lado de Luís Alves assisti, no Arruda, a um jogo entre o Santa Cruz e o Internacional pelo campeonato brasileiro de 1979, ano em que o time gaúcho foi campeão invicto. Falcão, Batista e Mário Sérgio formavam um trio de altíssimo nível, contudo, o tricolor de Pernambuco não fez feio na noite daquela quarta-feira (26.09.79). O Santa Cruz jogou com Joel Mendes, Lula Pereira, Zé do Carmo, Paranhos, Pedrinho, Carlos Alberto Barbosa, Cidinho, Givanildo Oliveira, Hamilton Rocha, Ademar e Joãozinho, o resultado 2 x 1 para o Internacional.
Neste domingo, após degustar uma galinha caipira numa fazenda, entre amigos, fui ao Zinho de Oliveira assistir Santa Cruz e Águia de Marabá.
Honestamente deu pena ver as camisas do glorioso Santa Cruz vagarem pelo estádio “no lombo” de um bando de atletas que se dizem jogadores de futebol. O time pernambucano achou um gol numa falha clamorosa de veterano volante Arnaldo e tomou um gol numa jogada boba, isto foi tudo. 
Para um torcedor que suporta Hulk como titular de seleção brasileira ver este elenco do Santa Cruz não é para morrer de susto. O que me incomodou foi ver o time da capital de Pernambuco segurando a bola depois que o Águia empatou. É duro ver um time da envergadura do Santa Cruz brigar por empates na Série C. Por esta e outras é que o Santa ficou uns anos “fora de série” e busca, numa luta inglória, voltar para elite do futebol brasileiro. A estrada é longa e o veículo é muito ruim.. 
É torcida demais para time de menos.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

Inflação, caminho único?

Existe uma lei na economia que todos sabem de “cor e salteado”. A inflação aparece quando a procura por determinado produto ou serviço é maior que a oferta. Isto vale para os produtos agrícolas, os produtos industrializados, importados e os serviços, nos últimos meses o governo brasileiro viu-se novamente ameaçado pelo temido dragão.
Em nosso país o governo teima em combater a inflação com uma medida também de conhecimento da maioria da população, a alta dos juros. Parece cantiga de uma nota só. A medida pode até servir para reduzir da inflação, mas, causa outros estragos na economia.
Como para alguns o ditado acima deriva da forma com que se decorava a tabuada, vamos fazer algumas contas. 
Pegando somente a variável indústria de fundos de investimentos que, após crescimento próximo de 16% no ano, alcançou 2,13 trilhões de reais no final do ano passado, isto representa 48% do PIB (4.403 trilhões de reais).
Considerando que a soma dos títulos públicos, inseridos no montante dos fundos, na virada de 2012 representavam 1,2 trilhão de reais quando o governo via COPOM aumenta a taxa SELIC em 1% está desembolsando 12 bilhões de reais/ano e se aplicarmos a taxa atual de 8,5% haverá uma remuneração de 102 bilhões/ano, isto é igual a 2,32% do PIB.
Uma sangria desta reduz a capacidade de investimento em áreas abandonadas pelo poder central. Seguindo o coro dos críticos: Há sempre dinheiro para bancos e especuladores. Falta, porém, para investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
Quem enxergar um pouco de economia sabe que o fenômeno atual é alimentado pela lei maior e por outras variáveis. Destacamos duas delas: A oferta irresponsável de crédito e concessão de ganhos reais de salários sem o correspondente aumento da produção de bens e serviços.
Destacados economistas há muito tempo alertam o governo sobre ganho real em alta e a produção em baixa, quando a casa cair o povo volta para rua. 
Por: Ademar Rafael 

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

LRF, a atadura gessada?

Quando a Lei Complementar 101/2000, famosa Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF) foi sancionada em 04.05.2000, os legalistas de plantão asseguravam que o Brasil tomaria jeito, nunca mais um gestor público faria “arruaça” com recursos sob sua responsabilidade. Os parâmetros, os limites e as penas previstas na regra enquadrariam todos.
Passados treze anos é perceptível que a Lei ajustou muita coisa mais não zerou os desmandos. Os motivos são vários, os gestores, especialmente dos municípios, reclamam que o teto de comprometimento da receita corrente com despesas de pessoal é irreal, não há como cumprir.
Nesse ponto, com algumas exceções, os prefeitos tem razão. A conta não fecha. O limite é fixo, a coluna das despesas com pessoal cresce com os aumentos concedidos e com as contratações necessárias para melhor atender a demanda por serviços públicos e a coluna das receitas correntes é reduzida toda vez que o governo central reduz impostos que compõem os repasses e por outras variáveis que impactam negativamente na arrecadação.
A solução não é somente flexibilizar a lei, passa por medidas corretivas para os casos onde o gestor nada pôde fazer para ajustar o nível de comprometimento e isto não é feito pela incapacidade do Estado para fiscalizar tempestivamente.
Em 11.06.13 o “yahoo”, replicou texto de Felipe Recondo e Fábio Fabrini, publicado originalmente no Jornal Estado de São Paulo, que aponta dificuldades enfrentadas pelo Ministro Joaquim Barbosa para cumprir referida Lei no Conselho Nacional de Justiça. 
O estouro, segundo o texto, advém do aumento das despesas com pessoal em virtude de contratações de servidores aprovados em concurso público, na forma do edital. 
Enquanto o assunto não é resolvido perdurará o choro dos gestores, muitos deles com certa razão. No entanto, quando se trata do cumprimento de uma regra legal o fato isolado perde o sentido, vale a regra geral. O engessamento continuará por muito tempo em nome da moralidade. 
Viva a legalidade!

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Caixa sobrando
Recebi do site www.administradores.com.br, uma relação contendo os 100 maiores anunciantes de 2012. Nela encontrei pérolas sobre as verbas “torradas” pela Caixa Econômica Federal. Desde a época de Getúlio Vargas as “contas” de publicidade das estatais são usadas para fins impublicáveis nesta coluna. Em função disto, resolvi fazer este breve cruzamento de dados.
Mesmo com a visibilidade que tem com as lotéricas a gloriosa Caixa Econômica Federal, segundo a relação acima citada, gastou em 2012 R$ 676,5 milhões de reais, ficando em terceiro lugar, abaixo somente das Casas Bahia (R$ 1,3 bilhão) e da Unilever Brasil (R$ 1,1 bilhão). O valor da Caixa supera a soma das verbas de Bradesco (R$ 290,8 milhões) e Itaú (R$ 222,7 milhões) além de superar os gastos do Banco do Brasil (R$ 292 milhões) – também outro exagero – em 131,7%.
A importância gasta pela CEF em 2012 supera o valor gasto em 2011 (R$ 429,5 milhões) em 58%. Quanto buscamos o lucro no mesmo período encontramos R$ 5,2 bilhões em 2011 e R$ 6,1 bilhões em 2012, ou seja, crescimento de 17,1%, desproporcional ao aumento da verba publicitária. Em 2011 a verba publicitária representou 8,3% do lucro e em 2012 11,1% do lucro foi para publicidade. 
Na relação em estudo existem ainda “investimentos” em publicidade em nome da Caixa Capitalização nos valores de R$ 107 milhões em 2012 e de R$ 203 milhões em 2011, neste caso com redução significativa.
Se entrarmos no “DNA” destes gatos vamos encontrar peças publicitárias da Caixa Econômica Federal em veículos de comunicação de aliados, de credibilidade duvidosa, de matrizes ideológicas discutíveis e, principalmente, com zero por cento de retorno de imagem. Neste jogo as agências que “cuidam” das contas estão acima de qualquer suspeita e os contratos estão dentro das regras
Os programas sociais tocados pela Caixa Econômica Federal e os serviços por ela prestados devem justificar os gastos. Jamais devemos esquecer: “Propaganda é a alma do negócio” e o Brasil é um país sem miséria.

Por: Ademar Rafael 

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

Já somos minoria.

Quando foram criados dispositivos legais e convencionais visando conceder benefícios às minorias, excluídas à época, todas as pessoas com vocação para questões coletivas aplaudiram. Não sabiam elas que o conceito tomaria as dimensões que tomou.
Hoje convivemos com um lastro enorme de prioridades que beira o caos. Ao entramos em bancos ou em outros prestadores de serviços massificados nos deparamos com extensa lista de atendimentos priorizados. Existem filas para idosos, filas para gestantes, filas para pessoas com dificuldade de locomoção, fila para pessoas com criança e por aí vai. Não há injustiça nenhuma na prática, o que está havendo são fragmentações improdutivas de atendimentos em nome de conquistas sociais.
Bom mesmo são os aeroportos. Na hora do embarque os passageiros são convocados em ordem de preferência. Começa com os idosos a as pessoas que conduzem crianças, depois os detentores de cartões azul, preto, vermelho, amarelo entre outros.
As cotas das universidades, os assentos de coletivos, as vagas de estacionamento também, corretamente, visam reparar direitos negados durante séculos, os excessos e as cobranças por mais direitos é que estão causando o estrangulamento dos sistemas.
Jamais seríamos contrários às práticas que geram justiça social, nunca ficaríamos em posição divergente de ações reparadoras de segregação social, queremos somente alertar para os limites. Nunca é demais lembramos que os direitos necessitam de uma convivência harmônica, quando um começa esmagando o outro deixa de ser um direito. 
São tantos os mecanismos para atendimentos das minorias que a soma desses grupos supera, com larga margem, o número dos “normais”, assim classificados os que não pertencem às legiões catalogadas como minorias. Se não estivesse próximo de entrar para o grupo dos idosos, tenho 57 anos, iniciaria uma campanha para conquistar direitos para os “normais”, essa parte da sociedade já é minoria. A equação inverteu-se.


Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Ai que saudades que tenho…
Fui um sortudo ao nascer (1957) no Pajeú, ter morado (1982-1992) no Cariri do Ceará e voltado ao Pajeú (1992). Períodos que pude me divertir e como me diverti nas festas de Santo Antônio, São João, São Pedro, Missa do Vaqueiro e tantas outras manifestações folclóricas com traços profanos e religiosos.
O trabalho fez de mim um retirante, as passagens pelo Pará, por Minas Gerais e pela Bahia tiraram-me o direito de participar em referidas festas. Na Bahia havia um meio termo, nos demais estados nem isto.
Quando entra o mês junho aparece a doença tão bem cantada pelo poeta Antônio Pereira de Itapetim, a danada da saudade. Para combater utilizo muita música e poesia de autores que fazem do ciclo junino a base de sua obra, base porque não há limite na criação do sertanejo, o sofrimento faz dele um ser sobrenatural. É assim defino nossos expoentes culturais.
Chico Arruda, Val Patriota, Bia Marinho, Lostiba, Flávio José, Maria da Paz, Diomedes Mariano, Manoel Filó, João Paraibano, Alexandre Morais e tantos outros produzem os remédios usados para minimizar os efeitos da saudade.
Desconfio que a mesma força que atrai a tartaruga para praia onde nasceu também atrai os seres humanos para seu torrão depois de certo tempo fora, negar isto é impossível. Sem a rapidez da saída, estou começando a arrumar as malas até porque no caminho da volta ninguém se perde.
Você que permaneceu na região, não se deixou a atrair por oportunidades externa parabéns. Minha opção tinha preços a serem pagos. A dívida será resgatada em breve.
A cada ano vejo mais perto a hora voltar ao nordeste, minha missão fora do meu “roçado” está perto do fim, tenho muito para aproveitar perto do meu povo. Pouco tenho a reclamar, fui e sou muito bem tratado, especialmente em Marabá onde resido, aqui tenho amigos para toda hora. 
Esta certeza da volta próxima tem feito com que a saudade mantenha-se em níveis suportáveis pelo coração de menino das Varas de Quincas Flor, os estragos têm sido absorvidos pelo organismo do caboclo tão sonhador como o criado por Maciel Melo, conterrâneo que colabora muito no tratamento da doença que insiste em ser mais aguda no mês das festas juninas.
Neste período o nordeste fica mais alegre, as dificuldades trazidas pela estiagem muitas vezes reduz o tamanho das festas jamais interfere na alegria de um povo que pode ser rústico como a casca do angico, duro como miolo da baraúna, mas também é receptivo como o colo de uma mãe e tão natural como o cheiro da umburana.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

A ceva e a cultura, tudo haver?
O ribeirinho da Amazônia sabe corretamente onde ficam os pontos mais frequentados pelos peixes da região. Os locais e os horários melhores para fisgar um piau ou um tucunaré são reserva de mercado dos moradores da região.
Mas, ao receberem uma comitiva de pescadores não se incomodam em levá-los aos locais onde colocoram as cevas dos piaus e os trechos por onde os tucunarés costumam “passear”. Não ficam com as informações retidas por egoísmo. Algumas vezes deixam que os visitantes fiquem tentando pegar um piau fora de hora ou perder iscas de tucunarés em situações adversas.
O educador com “E” maiúsculo também sabe onde fisgar informações de extrema importância para o aprendizado e não esconde isto dos seus alunos, pelo contrário incentiva a busca permanente de tais registros para ampliação saberes.
Com estes dois fundamentos nasce esta crônica, contudo seu foco é na direção de dois programas televisivos que classifico como verdadeiras reservas. Ambos aos domingos, um na sequência do outro na TV Cultura. O primeiro é “Viola minha viola”, com Inezita Barroso e o segundo “Sr. Brasil”, com Rolando Boldrin. Quem joga seus anzóis e seus olhares para estes programas com certeza encontrará peixes culturais fartos e conteúdos lastreados em rica cultura.
É possível que alguém possa dizer são programas muitos “caipiras” é neste ponto que encontramos o diferencial. A música e a poesia são produtos que depois de concebidos ganham o mundo, mesmo estando fincadas em certas regiões correm espalhando sua infinda essência.
Quando morei no Mato Grosso do Sul gostava de frequentar uma Churrascaria de Campo Grande onde um conjunto regional apresentava polcas, vanerões e outros ritmos da região. Sempre que possível fazia pedidos de músicas nordestinas e era prontamente atendido. Luiz Gonzaga, Fagner, Alceu Valença e Zé Ramalho eram tocados com intensidade.
Certa vez às margens do Rio Apa, em Bela Vista – MS ouvi de um violeiro local a seguinte sentença: “Bichinho – era assim que eles me tratavam -, uma música pode até ter raiz o problema é que quando nasce deixa de pertencer ao local onde foi produzida ela passa a ser de domínio público”.
Isto fez com que eu passasse a ter outra visão sobre as produções regionais. Gonzagão, Noel Rosa e Gaúcho da Fronteira, dentre outros jamais podem ser lidos e ouvidos com artistas regionais, são entes culturais do mundo. Respeito às opiniões contrárias e mantenho a indicação dos dois programas. Curtam e procedam como os ribeirinhos e os educadores, não escondam.
Por Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

Além de um certificado
Recebi convite para abrir um ciclo de palestras para acadêmicos de administração e de ciências contábeis no inicio de maio. Como o tema principal foi “Perspectivas e tendências no mercado de trabalho para administradores” resolvi entregar mais que a encomenda, levando o debate para algo além dos certificados e dos currículos.
Apresentei, extraindo da Revista Administradores de 02/03.13, dados relativos as 4,8 milhões de empresas existentes no Brasil, sobre o número de 1,3 milhões de estudantes matriculados nos cursos de administração e as três áreas com maiores percentuais de ocupação, Administração Geral, com 28,8%, Administração Financeira com 13,3% e Administração em Recursos Humanos com 9,5%. Na sequência coloquei no centro das discussões  os sistemas ABCD e RSTU, dando ênfase a cada variável, conforme abaixo.
Atitude – Motivação social acima da motivação biológica. Habilidade aprendida/adquirida para responder de forma consistente a um objeto social.  Observadas as atitudes de um sujeito, pode-se prever a forma como se irá comportar. 
Bom senso – Ligado às noções de sabedoria e de razoabilidade que define a capacidade de uma pessoa para se adequar a regras e costumes visando promover julgamentos e escolhas. Segundo Aristóteles: ”O bom senso é elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta”. 
Compromisso – Deriva do termo latim compromissum e refere-se a uma obrigação contraída ou à palavra que se honra. Compromisso é como uma promessa ou uma declaração de princípios
Disponibilidade – Presentes e prontos – acessível – qualificados e dispostos a servir ou auxiliar. Colocar o interesse pessoal abaixo do interesse coletivo, sem eliminá-lo.
Respeito – Sua presença torna salutar a convivência em busca dos objetivos comuns entre empresa, clientes internos e clientes externos. Sua ausência faz nascer uma selva onde uns mandam e outros obedecem, em um clima onde a criatividade e a participação são aniquiladas pelo medo.
Simplicidade – Deve estar presente nas ações administrativas. Coisas muito complicadas emperram o crescimento dos negócios, inibem a participação das pessoas e geram desconfiança entre os agentes. 
Transparência – Ambiente onde os líderes escondem informações dos liderados e vice-versa não pode haver empatia e não havendo empatia inexiste o círculo virtuoso representado pela soma de energias positivas rumo aos mesmos objetivos.
União – A base de tudo. Imaginar uma empresa onde a união não esteja presente em seu cotidiano é imaginar um bando de pessoas agrupadas, sem foco em nada, cada um por si. Espaço onde o “eu” é mais forte que o “nós”.
Por entender que os posicionamentos e as habilidades inseridas nos dois sistemas extrapolam o ambiente profissional, resolvi trazê-los para este espaço, que sejam úteis. 
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Capital, a grande jogada.
Na década de 80, em Barbalha no Ceará, um grande comerciante daquela região disse-me em conversa informal que não havia juros caros havia sim negócios mal arquitetados e com geração de riqueza em escala inferior aos investimentos.
Com o tempo, diante do crescimento das minhas responsabilidades no Banco do Brasil e na iniciativa privada, descobri que o barbalhense tinha razão. Enquanto defensor da corrente desenvolvimentista que estimula a produção, com inserção ao consumo, distribuição de renda e proteção da espiral que gera riqueza permanente, vejo preocupado a especulação sugar a capacidade produtiva de muitas empresas e países.
O capital sem fronteiras, dependendo do local em que está sendo movimentado, pode tomar o café da manhã na Europa, almoçar na América e jantar na Ásia. Um “enter” de um analista de mercado, famoso agiota cibernético, é mais importante que a produção.
Para ter uma ideia do estrago, no início dos anos 80 o PIB mundial era de US$ 10 trilhões e a soma dos ativos financeiros representava US$ 12 trilhões, em plena crise de 2008 o PIB do mundo estava orçado em US$ 50 trilhões e os ativos financeiros alcançava a marca de US$ 300 trilhões. Isto é a riqueza cresceu cinco vezes e a especulação cresceu 25 vezes. A ditadura financeira esmaga projetos de países e a aproxima de zero a autonomia das nações. A roleta russa do capital segue o caminho da destruição em massa.
No Brasil a gangorra da Bolsa de Valores e as aventuras de investidores estilo Eike Batista têm causado muitos danos à economia nacional e independência financeira de “sócios” amadores. As empresas do Grupo “X” chegaram a ser avaliadas em trono de R$ 100 bilhões, hoje estão valendo de 15 a 20 por cento daquele valor. A perda ficará para os compradores das suas ações e para o governo via BNDES uma vez que os recursos do especulador estarão muito bem protegidos. Esta é a regra, os amadores geram as riquezas dos profissionais da engenharia financeira especulativa.
Ativos da VALE e PETROBRÁS estão de ladeira abaixo, os arranjos especulativos e os investimentos em áreas com retorno abaixo do esperado são os agentes motivadores.
O mundo a cada dia fica mais ficção e menos realidade. As crises da Europa e dos Estados Unidos derivam da negligência e da omissão de gestores das nações envolvidas, muitos deles com os pés e as mãos no mercado de capitais. Silvio Berlusconi, que mandou na Itália por muitos anos,dá sustentação a esta afirmativa. Capital especulativo extermina a capacidade produtiva das nações. O dia da China chegará, é uma questão de tempo. 
Por: Ademar Rafael