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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

ELZA SOARES

Nesta semana comemora-se o “Dia Internacional de mulher” e nesta crônica quero render homenagens para uma mulher para a qual não apenas tiro o chapéu, bato palmas e presto continência.

Elza da Conceição Soares prestes a completar 90 anos no dia 23.06.2020 continua cantando com intensidade. No final de janeiro último, no programa Sr. Brasil da TV Cultura, apresentado por Rolando Boldrin, a filha da favela “Moça Bonita” interpretou canções de Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins, Ary Barroso e outros consagrados compositores de forma exemplar.

De acordo com informações disponíveis na rede mundial de computadores e discografia de Elza Soares teve início em 1960 com o álbum “Se acaso você chegasse”, gravado pela Odeon. Entre este trabalho e o último “Planeta fome”, da Descdisc, mais de trinta discos foram gravados em uma dezena de gravadoras. Constam ainda as seguintes coletâneas: Grandes Sucessos de Elza Soares (1978); Salve a Mocidade (1997); Meus Momentos – Volumes 1 & 2 (1994); Elza Soares – Raízes do Samba (1999); Sambas e mais sambas – vol. 2 (Raridades)
(2003); Deixa a nega gingar – 50 anos de carreira (2009).

Mesmo tendo recebido o “Grammy Latino” nos anos de 2003, 2016 e 2018, ganho vários prêmios no Brasil e no exterior, sido homenageada por blocos carnavalescos e escolas de samba, inclusive com o samba enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2020, julgo que o samba “Bola pra frente”, feito para ela por Luiz Ayrão tem simbologia marcante. Fala da sua origem, da sua garra e do seu amor por Garrincha.

Poucas pessoas no mundo suportariam os solavancos impostos pela vida, as injustiças e o preconceito que Elza suportou e teria fôlego para ser eleita a cantora brasileira do século pela BBC de Londres, em 1999.
Viva a “Deusa da Vila Vintém”.

Crônica de Ademar Rafael

QUINCAS RAFAEL

Com a devida vênia dos leitores e das leitoras deste blog hoje falarei sobre Quincas Rafael, meu saudoso pai que nos deixou há 243 meses e que nesta data faria 99 anos.

Nasceu em Afogados da Ingazeira e ainda jovem mudou-se para o Sítio Quixaba em Jabitacá em companhia do seu pai Antônio Rafael da Cruz e da sua mãe Ana Rafael de Freitas, filha do lendário Quincas Flor.

Morou na casa sede da Quixaba até o final dos anos 1960 época que passou a residir no povoado de Jabitacá na famosa Casa Amarela. Nos anos 1970 residiu em Iguaraci e em Afogados da Ingazeira para acompanhar os filhos nos estudos. No final dos anos 70 mudou-se definitivamente para Jabitacá e passou a residir na histórica Casa de Pedra aonde veio a falecer na noite de 28.11.1999.

Era detentor de três grandes habilidades: Escrever poesias, contar histórias e colocar apelidos. Em Jabitacá tem muita gente que perdeu o nome de batismo e assumiu o apelido dado por Seu Quincas, tendo em vista e coerência entre “nome novo” a figura de quem o recebia.

Sobre as duas primeiras habilidades nos deixou dois livros “Afogados deu de tudo” e “JABITACÁ Segundo Quincas”. Do poema “Cinquenta anos completa que minha mãe faleceu”, escrito em 23.01.1997, inserido no segundo livro, registro: “O céu não tem endereço/Só vai lá quem é chamado/O retorno não é dado/Lá não tem fim nem começo/A caridade é o preço/Que ajuda no transporte/Só depois da nossa morte/Deus traça nosso destino/No tabernáculo divino/Tem nosso nome e a sorte”.

Nos próximos 360 dias vamos dar vida a uma associação com seu nome, que será a mantenedora de um espaço cultural na Casa de Pedra, tudo para honrar um sonho que ele acalentou em vida.

Crônica de Ademar Rafael

LUIZ TADEU DE MORAIS PESSOA

Derivada das apartações, cuja origem advém da época em que nossas áreas de criação de gado tinham poucas divisas, a vaquejada é uma das manifestações folclóricas mais importantes do nordeste.

O Quinteto Violado imortalizou a vaquejada de Surubim e em conjunto com Luiz Gonzaga eternizaram a Missa do Vaqueiro, na Fazenda Cedro, em Serrita, criada em homenagem a Raimundo Jacó que fora assassinado nas caatingas do Sítio Lages.

Tadeu Cordeiro foi um dos atores principais neste esporte centenário, fez parte de uma elite de vaqueiros que para não ficarem entre os primeiros colocados seria necessário um acidente com suas montarias, tirá-lo da premiação de um certame de outra forma era ficção.

Tinha uma capacidade extrema para colocar “o boi na faixa” e promover para o público o espetáculo de ver o “mocotó passar”, ou seja, o animal ficar de pernas para o ar. Trazido para o mundo do futebol uma puxada de boi, Tadeu Cordeiro tinha a precisão de uma cobrança de falta de Rivelino, um lançamento de Gerson ou uma finalização de Romário.

Nos anos 80 tive oportunidades várias de assistir suas exibições. Lembro-me especialmente de uma em Tavares quando Zé de Glória, organizador da festa, teve que praticamente “fabricar” bois para desempatar uma disputa entre Tadeuzão e outro vaqueiro de alto nível. O público das arquibancadas vibrava em cada rodada.

Ser esteira de Tadeu Cordeiro era a garantia que sair na foto dos campeões, mas, com a certeza que seria coadjuvante. Foi assim com todos, até Jailson Cordeiro seu irmão e grande vaqueiro.

(*) – Adaptação de crônica publicada originalmente no site www.afgadosdaingazeir.com.br, como Pessoas do
meu sertão XXIII.

Crônica de Ademar Rafael

Por: Ademar Rafael

TRANSBRAZ 50 ANOS

Numa economia onde empresas encerram suas atividades em curto espaço de tempo quanto vemos uma organização comemorar 50 de atividades com o vigor de um atleta de alto nível temos que mergulhar em suas práticas e com elas aprendermos e transformá-las em um modelo a ser seguido.

Este é o caso da TRANSBRAZ, empresa sediada em São José do Egito – PE, criada a partir do sonho do jovem Antônio Braz Filho “Toinho Braz”. Tudo teve início em abril de 1970 com o transporte de passageiros entre o povoado de Grossos e a sede do município de São José do Egito. Logo o trajeto Tuparetama/São José do Egito foi absorvido e não parou mais.

A tenacidade do fundador, sua imensa capacidade empreendedora e o sonho em proporcionar transporte seguro, dentro dos horários e com um atendimento compatível que o que o comandante Rolim prestava na TAM foram os pilares que deram sustentação ao projeto. Toinho Braz era a cara da TRANSBRAZ e a TRANSBRAZ era a lógica do seu fundador. Os registros e as anotações encontradas pela família em documentos antigos comprovam que Toinho Braz, mesmo com todos os encargos que se propôs assumir, tinha preocupação com controle total das operações, registros de conquistas e cumprimento pleno dos compromissos.

O crescimento veio e muitas dificuldades foram superadas. Em 2013, vítima de um acidente no interior da Bahia o empresário nos deixou. De uma hora para outra a empresa passa para mãos dos herdeiros. Entra em cena o jovem Aureo Braz, filho do fundador que teve seu cordão umbilical amarrado na história da TRANSBRAZ.

Mesmo com os obstáculos naturais de uma empresa familiar o jovem imprimiu seu ritmo. Preservou os valores iniciais, ouviu, contratou consultores e renovou todos os dias. Renovação das práticas gerenciais, da frota e da estrutura negocial. Praticas que credenciam a empresa a ser utilizada por agremiações esportivas regionais, órgãos públicos e empresas. Hoje, como o pai que durante o dia conduzia passageiros nas linhas que assumiu e a noite transportava estudantes para faculdades da região, Aureo dedica toda sua energia para o Grupo TRANSBRAZ.

O leque de serviços prestados é cuidadosamente medido e ampliado, a performance da BRAZTUR é um dos exemplos. Nos dias atuais é comum vermos veículos da TRANSBRAZ cruzando o Brasil de norte a sul, de leste a oeste por meio de linhas convencionais, fretamentos, excursões e outros modelos de transporte de pessoas e encomendas. Com uma frota regularmente renovada, com prestação de serviços de alto nível e uma administração de vanguarda a TRANSBRAZ mudou o conceito de transporte no estado de Pernambuco e pode ser copiada por outras empresas do ramo. Que venha o centenário, fôlego sobra e sua resistência é compatível com a fibra do agave.

Crônica de Ademar Rafael

NEGÓCIO DA CHINA

A edição de dezembro de 2019 da revista Época Negócios é praticamente dedicada para China. Nos artigos e nas reportagens a revista busca respostas para os fatores que levam aquele país para o topo da economia mundial. Nos conteúdos apresentados e em outras fontes encontramos alguns fatores que direcionam e sustentam o sucesso do país asiático. Planejamento de longo prazo, educação, inovação e trabalho.

No tocante ao Planejamento de longo prazo o mundo tem muito para aprender com os chineses. A preocupação com este assunto faz parte do pensamento chinês e é bancado por iniciativas do governo.

A Educação no formato desenhado pelo governo da China o absorvido pela população extrapola a questão ensino x aprendizado e alcança o sentido pleno de formação.

A inovação é histórica na China, as novas tecnologias hoje disponíveis apenas facilitaram a capacidade criativa do chinês. A valorização da criatividade é uma prática milenar. Faltaria espaço para nominar os inventos da China.

E o trabalho a soma de tudo. Na China o trabalho não é somente meio de ganhar a feira como equivocadamente dizemos no Brasil. Os chineses fazem do trabalho uma das formas que conduzirão a China para o primeiro lugar da economia mundial, mesmo com o “coronavírus” e outros obstáculos que surgirão. O jeito chinês de ser incomoda as potências que se seguram no poder bélico e na exploração dos demais.

O Brasil continua com políticas de prazo zero, focadas no pensamento do governante do momento. Não planejamos, jogamos a educação no fundo de uma gaveta, não incentivamos a inovação e cultuamos a preguiça. Resultado? A China caminha para o primeiro lugar e o Brasil no sentido contrário. (Por: Ademar Rafael)