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Crônica de Ademar Rafael

MANSIDÃO

Aquele que eu classifico como o mais humano entre os altos executivos do Banco do Brasil com quem trabalhei no seu discurso de posse como Superintendente Estadual da Bahia inseriu a seguinte frase: “Não confundam mansidão com frouxidão…” este recorte encontra perfeita sintonia com uma definição comum para os executivos “mansos” que atesta: “Um líder manso demite, cobra meta e diz não. Só não humilha no processo.” Esta versão deriva exatamente de necessidade de nunca confundirmos “mansidão” com “omissão” e “leniência” exatamente pelo primeiro ser um qualidade e os demais serem desvio de conduta.

Na história da humanidade podemos identificar, em escala mundial, como pessoas mansas Jesus Cristo, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi e Martin Luther King. No Brasil sem susto podemos mencionar Dom Hélder Câmara, Irmã Dulce, Chico Xavier, Luislinda Valois e Ailton Krenak. Cada uma dessas pessoas com mansidão lutaram em favor das causas que defendiam e deixaram legados para as gerações futuras.

Como de costume transcrevo a seguir frases sobre mansidão, com aos respectivos autores: “Mansidão é a marca registrada do homem dominado por Deus – Geoffrey B. Wilson; O homem manso é alguém que acredita em defender com tal empenho a verdade que se dispõe até a morrer por ela, se for necessário – Martin Lloyd-Jones e Um espírito manso e sereno é um ornamento incorruptível, muito mais valioso do que o ouro – Thomas Brooks.” Estas ponderações servem para compararmos tais visões com as obras dos personagens citados anteriormente e percebemos a estreita relação entre seus conteúdos e as práticas das
personalidades citadas.

Portanto, nestes tempos em que o enfrentamento está ocupando o lugar do diálogo e a competição esmaga a cooperação agir em consonância com princípios da mansidão é o caminho a ser percorrido. Não temos dúvidas que ações alinhadas com “tranquilidade, brandura, serenidade, suavidade, etc.” podem promover a harmonia que o mundo carece.

Crônica de Ademar Rafael: Abnegação

ABNEGAÇÃO

A “Agenda Reforma Íntima – Exercitando a Caridade”, editada pela Editora Auta de Sousa no corrente ano sugere para um dos meses o desenvolvimento de “Abnegação, Renúncia e Solidariedade”. Hoje pretendo fazer nossa reflexão sobre a primeira atitude.

Para reforçar o poder e a força da abnegação transcrevo três frases a ela dedicadas, com os respectivos autores: “Há almas assim, que Deus apura no crisol da abnegação, e forma para se derramarem como a luz, o ar, o perfume, de José de Alencar; A abnegação traz a verdadeira transformação e conversão, não apenas uma adesão ou convencimento, de Anderson Cássio de Oliveira e A mulher, quando ama, tem heroísmos e abnegações de que o homem – o ser mais egoísta do reino animal – é incapaz., de Camilo Castelo Branco.”

Enquanto ação a abnegação pode ser entendida como uma renúncia em favor de outra pessoa ou de uma causa, abandono voluntário dos seus próprios interesses e virtude com estreita relação com altruísmo, desprendimento e superação do egoísmo. Um dos exemplos práticos em nossa vida cotidiana encontro a postura das mães em relação aos filhos. Muitas vezes são tão abnegadas com a formação de filhas e filhos que praticamente abdicam dos seus direitos.

Nos deparamos com uma invocação que exige abnegação total na frase de Jesus encontrada em Lucas 9:23: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.” Com ela o Redentor diz com clareza as condições únicas para sermos seguidores dele em plenitude, não há meio termo.

 Como exemplos práticos de ações em que a abnegação se faz presente podemos citar, entre outros, o trabalho voluntário; a escuta empática e o desapego material. Este último exemplo encontra eco em teses do budismo que nos remete à renúncia práticas egoístas em busca de iluminação.

Crônica de Ademar Rafael: Prioridades nunca, prioridade sempre

Se buscarmos o sentido da frase “Quem tem muitas prioridades não tem nenhuma.” em qualquer livro ou artigo que trate do assunto iremos encontrar enunciados que nos remete a entender que quando tentamos focar em diversos temas simultaneamente perderemos eficiência ao dividirmos a energia. Muitos autores, entre eles o filósofo e professor Mário Sérgio Cortella, dizem: “Prioridade não deveria ter plural uma vez que é o que vem primeiro”. Eu particularmente prefiro ter flexibilidade para aceitar até duas e concordar com o limite imposto pela linha de pensamento a seguir: “Ter mais de três prioridades costuma ser equivalente a não ter prioridade nenhuma, tornando-as apenas tarefas acumuladas.” 

No livro sagrado em Mateus 6:24 e Lucas 16:13 aprendemos que é impossível servir a “dois senhores”, sabemos que a abordagem dos dois evangelistas são relacionadas com a lealdade e devoção a Deus em primeiro. Portanto, no caso dos versículos bíblicos  a linha a ser seguida é a mesma pregada por Cortella. Assim sendo é melhor seguir o caminho onde o plural inexiste.

Em nosso país, por conveniência e para poder justificar e não entrega, os detentores de cargos públicos eleitos ou não adoram priorizar várias coisas ao mesmo tempo. Essa prática nunca foi condenada porque todos fazem. Como para eles promessas não significam dívidas nem compromissos seguem priorizando saúde, educação, segurança, etc. quando na realidade a única prioridade são seus interesses. Neste caso o plural é muito bem-vindo.

Na condição de administrador, profissional que precisa equilibrar muitos pratos ao mesmo tempo para dar conta das obrigações cotidianas, percebo a cada minuto a importância de priorizarmos o que de fato contribui para o êxito da nobre missão de administrar com assertividade e superarmos uma etapa por vez. Quem tenta ser o “super executivo” uma hora cai juntamente com a tese irreal que o faz pensar que prioridade tem plural.

Crônica de Ademar Rafael: Quando o pouco é muito

QUANDO O POUCO É MUITO

Desconheço a razão central que nos leva a não agir tempestivamente com pequenas ações e esperar que o estoque de energia seja grande para priorizarmos ações dedicadas a processos maiores. Quase sempre a fragmentação das ações reduzem nossa capacidade de solucionar muita coisa em tempo hábil. A psicologia tem algumas respostas em sua maioria diferentes do estoque de desculpas de usamos para justificar e falta de ação no hora exata. Seguidamente deixamos de dar um abraço ou dispensar um sorriso para alguém por achar que é um gesto insignificativo, mas, em alguns casos era exatamente isto que a pessoa precisava naquele momento. No campo da solidariedade também somos omissos ao negar o repasse de algo que não nos fará falta, porém, resolveria a situação imediata de uma pessoa desprovida daquele bem.

A ditado popular “O pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada“, nos remete para percepção do fato onde a presença de Deus eleva o valor da doação. Entendo que os textos encontrados em Marcos 12:41-44 e Lucas 21:01-04 que falam sobre a oferta de viúva pobre servem para demostrar com extrema clareza a importância de agirmos em solidariedade sem preocupação com o quanto e sim como e quando.

 Existe um caso muito utilizado em eventos motivacionais que narra a ação de um menino de rua em uma lanchonete. Aqui a sua transcrição com adaptações. “Em uma lanchonete de uma grande cidade um menino de rua entrou e perguntou para garçonete: – Quanto custa uma fatia de pizza? Ela respondeu: – Doze reais. Ele contou todo dinheiro e perguntou: – E uma coxinha custa quanto? A garçonete impaciente respondeu: – Dez reais. O menino então falou: – Traga uma coxinha. A garçonete trouxe lanche e nota a ser quitada no caixa. Após consumir o salgado e tomar o suco fornecido gratuitamente o menino foi ao caixa, pagou e saiu. A garçonete ao voltar para pegar o prato  descobriu que havia uma cédula de R$ 2,00. Isto mesmo, ele tinha o valor do lanche maior e preferiu consumir a coxinha e dar a gorjeta.”  Neste caso o valor foi elevado pelo gesto nobre do menino.

Crônica de Ademar Rafael: A palavra

A PALAVRA

 Em uma das suas participações em programas matinais de rádios no Pajeú o professor Saulo Gomes comentou sobre o poder da “palavra” principalmente quando  revestida de “sinceridade”, nosso diálogo de hoje será sobre a junção destes fatores que formam uma equação poderosa.

Antes permitam-me transcrever conceitos extraídos de sites de buscas, com auxílio da Inteligência Artificial – IA, sobre as duas variáveis. Começamos pelas com autoria indicada como ‘ditado popular/domínio público’:  “Palavras, leva-as o vento” – “Para bom entendedor, meia palavra basta” e “As ações são mais sinceras que as palavras.”. Agora transcrevo cada frase com seu autor: “As palavras verdadeiras não são agradáveis e as agradáveis não são verdadeiras – Lao-Tsé” – Os homens de poucas palavras são os melhores – William Shakespeare” – “A palavra é prata, o silêncio é ouro – “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida – Provérbios árabe” – “Pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal – Oscar Wilde” – A sinceridade e a generosidade se não forem temperadas com moderação conduzem infalivelmente à ruína – Tácito e “Embora a sinceridade, por ela mesma, não seja nada, ela é a condição de tudo – Michel Houellebecq”.

De posse dos enunciados acima cabe-nos refletir sobre a importância que devemos dar a cada “palavra” proferida em todo e qualquer ambiente, vinculando-a às nossas ações e sempre revestindo-a com “sinceridade”. Temos plena ciência que a palavra dita pode nos custar caro e que existem momentos que sugerem o silêncio.

Nesta época do “politicamente correto” da divulgação irresponsável de tudo em redes socias nunca devemos perder de vista os ditados populares que dizem: “Quem fala o que quer, ouve o que não quer” e “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Mesmo quem possui o dom da palavra deve se policiar, todos nós estamos expostos quando falamos demais.

Crônica de Ademar Rafael: Luzes vermelhas

LUZES VERMELHAS

No último mês do primeiro quadrimestre deste ano foram publicadas várias matérias sobre a quantidade de brasileiros com problemas nos cadastros restritivos, relacionados com endividamento. Mesmo sabendo que pode ter exagero nas informações cabe-nos citar que estamos com mais de oitenta milhões de CPFs e quase nove milhões de CNPJs negativados.

 Os principais credores são bancos, financeiras e administradoras de cartões. Estes dados não surpreendem afinal estamos em um país pobre onde o mercado financeiro tem céu de brigadeiro e vive no que podemos chamar de paraíso. Tudo isto sob o incentivo do governo que estimula o financiamento do consumo com dinheiro oriundo de empréstimos. Este caminho não tem como ser salutar para finanças de assalariados.

Assusta-nos quando lemos que quarenta e oito por cento dos inadimplentes ganham até um salário mínimo e que nos últimos dez anos o número dos inadimplentes cresceu em torno de trinta e oito por cento, destes sete por cento são pessoas com mais de sessenta anos. Segundo alguns estudos existem duas causas principais.

 A primeira é a falta de gestão financeira. Este fato poderia ser combatido com a educação financeira negligenciada pelas escolas regulares e pela população. A médica psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva publicou o livro “Mentes Consumistas – Do consumismo à compulsão por compras” e nesta obra detalha muitas escolhas inadequadas de consumidores  brasileiros e aborda estudos alarmantes sobre o Transtorno de Compras Compulsivas – TCC,  perturbação chamada “oniomania”.

 A segunda trata-se do vício em apostas online. Pesquisas indicam que mais de cinquenta por cento dos inadimplentes são adeptos deste tortuoso caminho. Para este caso, como em todos eventos relacionados com vícios, cabe uma decisão do viciado, o tratamento ajuda mas não resolve.  Fiquemos atentos, fuga imediata do consumismo e das BETs.

Crônica de Ademar Rafael: Trio da perfeição

TRIO DA PERFEIÇÃO

Durante curso realizado recentemente deparei-me com conteúdo relacionado com o conceito de “Bom Trabalho” que é  largamente abordado em estudos desenvolvidos por Howard Gardner, psicólogo americano famoso pela “Teoria das Inteligências Múltiplas”;  Mihaly Csikszentmihalyi psicólogo húngaro-americano, mundialmente conhecido por criar o conceito de Flow – “Fluxo  e William Damon, psicólogo americano, pesquisador de temas relacionado com “Projeto de Vida”. Com tais fundamentos os autores sugerem a aplicação da “excelência”, do “engajamento” e da “ética” para alcançar o êxito nos processos.

Ao debruçar-me sobre o assunto passou um filme em minha cabeça. Nele vi com extrema clareza que quando eu consegui aplicar a boa técnica englobada pela “excelência”, colocar significado pessoal alicerçado no “engajamento” e utilizar a escala moral contida na “ética” os processos desenvolvidos superaram as  expectativas.

Esta lógica redescoberta serviu para dar amparo a uma linha de pensamento que repito há muitos anos. Quem comigo convive, exerceu  trabalhos conjuntos ou participou de atividades acadêmicas  já ouviu várias vezes o seguinte: “As melhores coisas que fiz foi na condição de voluntário.” Nos momentos em que a ação voluntária por mim desenvolvida mereceu destaque é possível ver nitidamente a presença da “excelência”, do “engajamento” e da “ética”.

 Esta percepção em nenhuma hipótese invalida outras atividades que desenvolvi profissionalmente, mas indica que nas ações desenvolvidas com vínculos empregatícios, por motivos diversos, a trinca aqui chamada de “Trio da Perfeição” não estiveram presentes da mesma forma que compareceram em processos do voluntariado. Esta descoberta remete minha atenção para que doravante em todas as situações eu devo aplicar os conceitos de “Bom Trabalho”, dando com isto ao profissional as mesmas ferramentas entregues ao voluntário.

Crônica de Ademar Rafael

MISERICÓRDIA

Nosso propósito na conversa desta data é deslocarmos a força e importância dessa nobre escolha do campo divinal para prática cotidiana. Saindo do entendimento de que misericórdia é o amor infinito de Deus em relação a cada um de nós ao acolher, aliviar o sofrimento e perdoar nossas falhas para agirmos com misericórdia em um mundo onde a competição toma o lugar da cooperação seguindo o conselho de Jesus
Cristo em Lucas “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”.

Para esta missão vamos partir da tese que a misericórdia, enquanto prática de cada um, pode ser traduzida como compaixão plena, empatia, solidariedade e outras práticas que nos leva às ações promotoras de bem-estar das pessoas que necessitam destes atos misericordiosos. Em nossa caminhada precisamos ampliar os conceitos sobre “compaixão”, “empatia” e “solidariedade”.

Ter compaixão não é sentir pena é ter a disponibilidade de ajudar o outro a superar a dificuldade quantas vezes for necessário. Ser empático extrapola a tese simplista de “sentir a dor do outro” é também utilizar a
escuta ativa para entender as causas do problema e conjuntamente encontrar caminhos que as elimine. Agir com solidariedade é não se limitar ao ato da doação material é respeitando a dignidade alheia ter o compromisso ético e moral para mitigar cada um dos fatores que geram o impasse, dando ao outro ferramentas para superar os obstáculos. Percebam que ao trilharmos os caminhos sugeridos estaremos
eliminando a indiferença e dando luz para métodos humanitários.

Após as reflexões que podem ser extraídas do parágrafo anterior, vamos tentar responder a seguinte indagação: “Como, sem sermos egoístas, podemos ser misericordiosos conosco?” A minha resposta é: Praticando o auto perdão, não exigindo a perfeição em tudo, reconhecendo os limites
e aprendendo com os erros. Escolha a sua forma.

Crônica de Ademar Rafael

Rotineiramente lemos em publicações impressas e/ou versões eletrônicas e ouvimos em redes de televisão abertas e fechadas e/ou plataformas das redes de comunicação social notícias cujo teor guardam similaridades com: “Segundo relatórios do COAF foram identificadas movimentações atípicas nas contas de fulano de tal.” Inicialmente é preciso dizer que ao publicar uma notícia com este tipo de conteúdo o veículo de comunicação teve acesso à informação quase sempre por meio de vazamento praticado por quem deveria preservar o dado até apuração final do fato.

Esta linha de raciocínio é amparada pela regra dada na Lei 9.613/98 e suas alterações e que classifica o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF como Unidade de Inteligência Financeira – UIF, criada com a finalidade de desenvolver atividades que promovam a prevenção e combate à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa – PLD/FTP, por meio de detecção de irregularidades e repasse dos seus achados às autoridades encarregadas da apuração e penalização aos praticantes de atos ilícitos.

Não existe, até onde consigo enxergar, entre as atribuições do COAF uma que autorize “vazar” informações sobre apurações em andamento. Neste sentido transcrevo na íntegra o que dizem os incisos terceiro e quatro do artigo oitavo da Lei 13.974, de 07 de janeiro de 2020: “Art. 8º Aos integrantes da estrutura do Coaf é vedado:…III – manifestar, em qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento no Coaf; IV – fornecer ou divulgar informações conhecidas ou obtidas em decorrência do exercício de suas funções a pessoas que não disponham de autorização legal ou judicial para acessá-las.”

Os vazamentos ocorrem porque os órgãos públicos não pertencem Estado e sim a governos. Portanto são vazamentos para prejudicar adversários. Cabe ainda registrar que: “Nem toda movimentação atípica é ilícita, cabe a quem de direito esclarecer a origem dos recursos.” Pobre Brasil.

Crônica do Ademar Rafael

POPULISMO BARATO

Em uma mensagem que enviei ao titular deste blog, comentando ações de detentores do cargo do executivo no corrente ano eu escrevi: “Caro amigo Finfa apenas a possibilidade reeleição é capaz de transformar o
coração de mármore dos nossos gestores públicos em gelatina.” Isto mesmo, nossos governantes passam três anos esmagando direitos dos seus eleitores e no ano da eleição soltam os “pacotes do bondades”.

Estes fatos são corriqueiros porque nessa republiqueta de nona categoria chamada Brasil inexistem políticas públicas de estado e proliferam programas de governos de plantão. O orçamento da união, estados e municípios não passam de peças de ficção aprovadas após negociatas impublicáveis. São colchas de retalhos apodrecidos no esgoto onde repousa nosso sistema tripartite que sugere separação e independência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Aqui, seguindo teses petrificadas, o populismo não tem lado. Quando praticado pelo que poderíamos chamar de direita trazem consigo traços de conservadorismo social, nacionalismo, liberalismo, etc. Se o populismo é de esquerda carrega no matulão demandas sociais em favor das minorias, inclusão social, distribuição de renda, etc. De forma destoante com o que prega a literatura sobre o tema quando a situação requer misturam tudo desde que a mistura possa ser traduzida em votos que permitam a perpetuação do governante ou do seu grupo no poder.

O que não falta em nosso país são os tais “líderes populistas” que praticam o populismo ao seu modo com o escasso dinheiro público. Ficam com os cargos e a marca de “bonzinhos” enquanto nós pagamos a conta. Poderia citar perto de dez mas pouparei as leitoras e os leitores do sacrifício de ler referidos nomes. Existe solução? Sim. Acabar com o instituto da reeleição e tornar inelegível o gestor que não cumprir as políticas públicas registradas em programas de governo protocolados juntamente com as candidaturas. Utopias? Talvez não. Faltam coragem e vergonha na cara.