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Crônica de Ademar Rafael

RANCOR? TOLERÂNCIA ZERO!

Neste dia de finados vamos falar sobre algo que nos deixa tristes, amargos e nos impede de perdoar na forma sugerida por Jesus Cristo, forma esta defendida por muitos. Aqui citarei a influente filósofa alemã Hannah Arendt uma vez que entre suas ponderações encontramos: “…e o rancor são reações automáticas que mantêm as pessoas acorrentadas aos mesmos conflitos” e o humanista indiano Mahatma Gandhi que afirmava textualmente: “…guardar rancor é um sinal de fraqueza.”

Pela relação que tem com esta data e com o tema hoje em reflexão regatamos a última estofe do poema ‘DIA DE FINADO” de autoria de João Batista de Siqueira – Cancão: “Vamos deixar o rancor/E viver sem ambição/Colocar no coração/Só pensamentos de amor/Orar com todo fervor/Desejando sempre o bem/Não odiar a ninguém/Pedir a Deus boa sorte/E esperar pela morte/Que com certeza ela vem.” Também transcrevemos o que nos indica a Bíblia Sagrada em Eclesiástico 27,33: “O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las”.

Considerando que a “raiva” por ser uma emoção universal do ser humano, provocada pela percepção de uma ameaça, uma injustiça, uma frustração e tantas outras variáveis externas e a “ambição” também pode ser gerada por estímulos externos serão abolidas do nosso diálogo que focará no “rancor”, sentimento que sob meu ponto de vista precisa ser abolido da nossa vida, com ele sofremos muito.

O rancor pode ser definido como um ressentimento sobrevivente. Ele passa pelo trauma, recusa-se a morrer e passa a morar na nossa memória. Esta definição entendo como próxima da realidade uma vez que não controlamos seu surgimentos, porém temos responsabilidade sobre sua manutenção muitas vezes alimentada por hábito equivocado de não perdoar tempestivamente, do costume de darmos mais destaque do que o caso merece. Por isto nossa provocação hoje é: Vamos desalojar o rancor da nossa mente e em seu lugar vamos colocar algo leve? Quem topa?

Crônica de Ademar Rafael

AÇÃO DE EXTREMA NOBREZA

Sensibilizado pela mensagem recebida do amigo Agenor músico de primeira grandeza e filho de Pelo Sinal – Solidão – PE – sobre a doação de órgão do seu amado filho Rafael Lima que nos deixou recentemente -, entendi ser importante hoje dialogarmos sobre o gesto humanitário que é a doação de órgãos. Vejo neste ato a nobreza em seu formato extremo.

Na minha percepção o verso inicial da música do Padre José Weber que diz: “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão” é elastecida no gesto da doação, afinal são muitas outras vidas mudadas para melhor ao receber um ou mais órgãos doados.

Em nosso país esse tema é normatizado pela Lei nº 9.434/1997 – Lei dos Transplantes, que define regras rígidas sobre a condução do assunto, inclusive quanto o resguardo da identidade dos doadores e receptores,
nos temos do Decreto nº 9.175/2017, que em seu Artigo 52 determina: “Na hipótese de doação post mortem, será resguardada a identidade dos doadores em relação aos seus receptores e dos receptores em relação à
família dos doadores.” Este conceito de anonimato absoluto vigente no Brasil é tratado de forma diferente nos Estados Unidos, naquele país é utilizado o modelo de anonimato condicional.

A Igreja Católica Apostólica Romana ver doação de órgãos como um ato de amor, caridade e solidariedade, defende no entanto que seja praticada no formato voluntário e gratuito. A Doutrina Espírita percebe a doação de órgãos como um ato de amor ao próximo, caridade e desapego material, e incentiva amplamente, vários mentores do espiritismo apontam a doção como uma oportunidade de estender a vida física de um irmão
necessitado.

Sejamos, portanto, doadores. Ao copiarmos o exemplo de Rafael estaremos oportunizando qualidade de vida e saúde para portadores de doenças cuja cura depende de transplante. Viemos ao mundo para fazer o bem, e dar vida plena a outra pessoa para mim é FAZER O BEM.

Crônica de Ademar Rafael

CULTURA RAIZ

A cidade de Tabira – PE, conhecida merecidamente como a “Terra das Tradições” e da poesia sertaneja, berço de uma relação de poetas que este espaço seria insuficiente para nominar mais uma vez prova seu compromisso com a cultura raiz e com aqueles que deram a vida pala preservação das manifestações culturais da região do Pajeú.

No dia treze de setembro foi palco de Festival em homenagem ao poeta Sebastião Dias, tabirense por devoção que emprestou seu talento como grande poeta e como cidadão em favor da terra de Gonçalo Gomes e Pedro Pires. Neste ano o evento também rendeu honras para Raimundo Borges que nos deixou recentemente.

Este festival que, assim como a “Missa do Poeta” louvou em favor da memória de Zé Marcolino, está inserido na calendário sociocultural representa a gratidão de uma comunidade com personalidades que deram legitima contribuição em prol da cultura regional. É um gesto nobre de gratidão.

Sebastião Dais um caboclo potiguar que trocou o seu Seridó pelo Pajeú sempre esteve disponível para elevar nossos valores culturais até a mais alta altura possível. Fomo amigos e ele esteve presente em todos os momentos que o invocamos em relação a eventos ligados ao meu saudoso pai, o poeta Quincas Rafael e ao Instituto Cultural Quincas Rafael – ICQR.

Cantou com Rogério Meneses no lançamento do livro “Afogados deu de tudo” em Afogados da Ingazeira, com Diomedes Mariano nos lançamentos do mesmo livro e de “Jabitacá, segundo Quincas”, em Jabitacá e com Zé Carlos Pajeú na premiação dos vencedores do Concurso de Redação sobre o centenário do velho Quincas Rafael.

Em nome do ICQR e dos apologistas nordestinos parabenizo Tabira e seu povo por estas ações que promovem o que temos de melhor: CULTURA RAIZ. Exemplo como estes precisam ser seguidos.

Crônica de Ademar Rafael

DIGNIDADE, NÃO TOQUEM!

Esta palavra pode ser definida como um valor correspondente a honra, a autoridade moral, aos direitos e o respeito aos valores próprios. Ela será o tema da nossa reflexão desta primeira do semana do mês dedicado as crianças e aos professores e muito caro para nós católicos para ser o mês da padroeira do Brasil Nossa Senhora Aparecida e diríamos o mês em que os paraenses dedicam suas orações para Virgem de Nazaré.

Com nossa alma entregue aos preceitos religiosos vamos conversar sobre a dignidade humana que sob meu ponto de vista vem sendo atacada de diversas formas. Seu valor tem sido negligenciado com muita facilidade por nós e por terceiros, inclusive pelo estado opressor.

Esta negligência ocorre da nossa parte quando aceitamos jornadas de trabalho acima da nossa capacidade laboral, na hora que normalizamos a violência e fechamos os olhos para as injustiças e nos momentos que permitimos ser manipulados pelos linchamentos virtuais e suas nefastas regras comportamentais, em nome do “politicamente correto”.

O mesmo fenômeno ocorre por ações de terceiros em hipóteses normalizadas pelas omissões citadas acima, a saber: negação de direitos, a discriminação, preconceito e utilização de vulnerabilidades socias e/ou financeiras em favor de outrem.

O estado, por meio de ações de governantes indignos, faz sua parte no rol das negligências quando nega acessos e bens e serviços essenciais para uma vida digna, nos atos que sucateia a educação e desqualifica a ação nobres dos professores, na seletividade para aplicação das leis e criar barreiras burocráticas também seletivas para acesso aos benefícios conquistados pelo esforço e pelas contribuições ou por fatores temporários que impede trabalhar.

A soma de tais negligências obriga-nos a agir e preservar nossa dignidade.

Crônica de Ademar Rafael

POETAS NÃO MORREM!

Na condição de ouvinte assíduo de rádios e admirador declarado da poesia popular hoje falarei, com tristeza, sobre os poetas candores Heleno da Silveira e Raimundo Borges, que partiram para outra dimensão. Ambos transformaram os programas radiofônicos Em aliados para divulgar seus trabalhos e os trabalhos de outros poetas de forma exemplar. A soma do tempo que tais poetas utilizaram microfones de emissoras no Pajeú, ambos e na região de Cajazeiras – PB, no caso de Raimundo, ultrapassa setenta anos. Sempre atuaram como defensores da cultura popular representada pela cantoria de improviso. Foram mestres exemplares nessa missão.

Contemporâneos, tive o privilégio de conviver com os dois. Raimundo Borges foi um grande conselheiro na época que eu cometia alguns excessos nas farras. Sempre teve o cuidado de não me alertar em público, sempre reservadamente deu-me sábio conselhos. No final dos anos 1970 mostrei-lhe um poema. Ele guardou no bolso e dias depois sentenciou: “Você leva jeito, com humildade aprenda mais sobre rimas e métrica e siga o caminho que seu pai conhece como poucos.” Heleno da Silveira com sua fidalguia costumeira certa vez me disse: “Tenho muita admiração pelo seu pai Quincas Rafael, ele respeita todos os cantores é diferente de muitos que falam somente dos grandes nomes da profissão.” De fato assim agia o poeta das Varas.

Na crônica “SEM RONCO NEM SONHO” publicada no dia 09.09.26 o cronista paraibano Hayton Jurema da Rocha escreveu: ”Há uma ideia antiga à qual o tempo vem me fazendo dar razão: toda pessoa morre duas vezes. A primeira, quando recebe sepultura e epitáfio. A segunda, na última vez em que seu nome é pronunciado entre os vivos.” Esta linha de raciocínio guarda perfeito alinhamento com uma frase repetida pelo escritor e poeta egipsiense Toinzé: “Os poetas não morem”. De fato por terem suas obras declamadas reiteradas vezes por anos serão lembrados por várias gerações. Que Deus receba os poetas e que não deixemos de citar seus nomes e continuarmos dando razão ao genro de Lourival Batista.

Crônica de Ademar Rafael

NÃO SOMOS IGUAIS

 Costumo afirmar com insistência que nossa Constituição Federal, cantada em verso e prosa como “exemplar quanto a cidadania” tem muito artigo para inglês ver, ou seja apenas existe e não é observado no dia a dia e descumprido sem cerimônia. Vejamos seu Artigo 5º que assim começa: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…”

Este enunciado servirá para provarmos que existem desigualdades alarmantes. Na nossos conversa de hoje vamos mostrar que enquanto o cidadão comum sofre horrores com seus Planos de Saúde, custos elevados e coparticipação cada dia maior – sob a inerte fiscalização da Agência Nacional de Saúde Complementar – ANS algumas vezes um “puxadinho” dos grandes gestores do setor -, existem grupos de brasileiros não expostos ao mesmo sofrimento do cidadão comum.

Nesta data falaremos sobre os nossos nobres “Senadores”, pessoas por nós eleitas para mandatos de oito anos. Para estes o atendimento médico-hospitalar não segue a regra geral. Recebem atendimento muito superior por custo muito menor. Esta pratica fere de morte o preceito constitucional acima. Para atender o resumido número de 629 beneficiários, dados de 2025, sendo 79 senadores em exercício, 187 ex-senadores e 363 dependentes, destes apenas 12,56% exercem mandatos os demais estão sob o manto das regalias que o nosso sistema político cria e mantém. Considerando que o custo anual foi 40,4 milhões cada beneficiário teve custo médio mensal de R$ 5.362,00, no Sistema Único de Saúde – SUS o custo médio mensal é R$ 116,50.

 O tratamento desigual não é escancarado apenas com os dados acima e sim com participação de cada privilegiado para o custo do sistema do Senado. As minúsculas contribuições mensais, abaixo de R$ 1.000,00 para um parlamentar e dois dependentes cobriu R$ 5,1 milhões o restante  R$ 35,3 significa o rombo a ser pago pelos brasileiros. Somos iguais? Claro que não. O cidadão normal paga muito mais e tem menores benefícios.

Crônica de Ademar Rafael

PACIENTE TERMINAL

Como de costume, respeitando todas opiniões contrárias, nesta data vamos falar sobre o falido sistema político dessa republiqueta de nova categoria que chamamos Brasil. Dentro desta lama podre encontramos esse formato de eleições de dois em dois anos que sangra o mirrado orçamento da união e tira a paciência de um monge tibetano.

O sistema atual tem como base normas da Constituição de 1988, aclamada como cidadã, sob meu ponto de vista esmaga alguns princípios nela apresentados como soluções definitivas para problemas centenários.

 O primeiro a indicação  que vivemos numa democracia onde temos direito de escolha. É difícil alguém me convencer que o voto obrigatório não restringe a liberdade que deve estar presente em todo e qualquer regime democrático. Portanto, se não posso optar pela não presença nos pleitos eleitorais não tenho liberdade. Sou tutelado por regras impostas pelo “sistema”.

O segundo é essa mistura de modelos. Temos eleições majoritárias em turno único ou dois turnos para cargos do executivo. Considerando que a definição do número de turnos decorre do quantitativo de eleitores  a meu nega o princípio que todos são iguais perante a lei. Cabe a seguinte pergunta. Por qual motivo o eleitor da grande cidade pode errar duas vezes no mesmo pleito e da pequena cidade apenas uma vez? Para mim unificar seria um caminho justo. Segue a mesma lógica quando avaliamos os sistemas majoritário e proporcional para cargos no parlamento. Entendo que proporcionalidade com o puxadinho “quociente eleitoral” também nega a princípio de igualdade. Julgo que o correte seria teve mais votos ganhou.

Mas, para quem já viu  “Pacote de Abril”, o “Voto vinculado” e/outras aberrações nos cabe ter a certeza de que os políticos possuem capacidade de piorar o que já muito ruim. O sistema ruiu, os privilégios não.

Crônica de Ademar Rafael

SÃO O QUE DIZEM SER?

Nesta data que comemoramos duzentos e quatro anos da pseuda independência, cujo “ator principal” Dom Pedro I nos deixou menos de nove anos depois em função da alta rejeição aqui e crise em seu país de origem, vamos falar sobre “patriotas”. O que nos leva a refletir sobre esse tema é que nos últimos anos temos vistos muitos brasileiros que se auto declaram como tal, juram amor pelo Brasil enrolados na bandeira verde e amarelo durante o dia e à noite, agarrados numa bandeira com treze listras e cinquenta estrelas brancas, flertam com regimes de exceção e atiram pedras nas frágeis instituições nacionais.

Para testar se esse grupo é realmente o que diz ser fomos buscar no dicionário, no GOOGLE e na Inteligência Artificial – IA o significado de “patriota”. As respostas obedecem a ordem da citação das fontes: “Pessoa que ama sua pátria, seu país de nascimento, que se esforça para lhe ser útil, agindo em seu favor ou em sua defesa: os patriotas normalmente não enxergam defeitos em seu país.” – “Pessoa que tem amor pelo próprio país, identificação com este e preocupação com os nossos compatriotas” e “Patriota significa uma pessoa que ama, defende e tenta ser útil à sua pátria. A palavra vem do grego antigo ‘patriōtēs – compatriota’, passando pelo latim patriota, derivado de ‘patris – terra natal’ e ‘pater – pai’”.

Se estas terminologias estão corretas ao comparamos o que narram com as ações dos nossos “patriotas” encontramos muito “gato por lebre ou leão por cordeiros”. A propósito vejam o que pensa a maior autoridade chinesa sobre o tema. “É uma norma universal no mundo que o poder político tem que estar nas mãos de patriotas. Nenhum país ou região do mundo irá permitir forças e personalidades antipatriotas ou mesmo traidoras ou traiçoeiras”, trecho de discurso de Xi Jinping em 2022, extraído do livro “Tudo sobre Xi – O que precisamos de saber sobre o líder mais poderoso do mundo”, de autoria Michael Dillon,  historiador e escritor britânico especializado em política, história e cultura chinesa. Defendo a tese que para seguirmos o conselho do líder chinês faltam-nos “patriotas.”

Crônica de Ademar Rafael

ESFORÇO X OBJETIVO

 A tese que utilizaremos em nosso diálogo de hoje parte do princípio que o esforço aplicado em uma ação deve tem compatibilidade com as habilidades uma vez que é com o resultado dessa junção que os objetivos são alcançados e/ou superados.

Como referência usaremos o motivo que sempre surge como principal fato motivador dos seguidos insucessos da Seleção Brasileira de Futebol. Desde a conquista do penta depois de todos fracassos dos grupos de jogadores que os patrocinadores vestem com a camisa da CBF – Confederação Brasileira de Futebol e nos apresentam como defensores da “pátria das chuteiras” analistas de plantão afirmam: “Faltou esforço.”

Com todo respeito que tais defensores dessa hipótese merecem eu discordo. Para mim faltou futebol, talento, habilidades. Para defender meu ponto de vista utilizo o conceito de que os esforços de um inábil não o torna vencedor diante de um adversário hábil e adiciono que a ausência do esforço pode, em algumas circunstâncias raras, jogar uma derrota no colo de um elenco com maior habilidade.

Até na mitologia encontramos eco para a tese de que o esforço vale menos que o talento. Vejamos os doze trabalhos de Hércules: “1. O Leão de Nemeia, 2. A Hidra de Lerna, 3. A Cerva de Cerineia, 4. O Javali de Erimanto, 5. Os Estábulos de Augias, 6. As Aves do Estinfale, 7. O Touro de Creta, 8. Éguas de Diomedes, 9. O Cinto de Hipólita, 10.Os Bois de Gerião, 11. As Maçãs de Ouro das Hespérides e  12. A Captura de Cérbero.” Numa análise isenta podemos afirmar o esforço físico foi utilizado como fator determinante nas ações relacionadas com “O  Leão de Nemeia, O Javali de Erimanto, O Touro de Creta e A Captura de Cérbero”. Nos demais trabalhos o famoso herói da mitologia greco-romana fez uso das suas habilidades.

Assim sendo o verdadeiro campeão coloca o esforço a serviço do talento e não o contrário. Minha escala de valor talento 70%, esforço 30%.

Crônica de Ademar Rafael: Onde não devemos voltar

ONDE NÃO DEVEMOS VOLTAR

Recebi em um Grupo de Amigos texto que apontava os locais que não devemos voltar por terem as seguintes características: “Não fomos aceitos, ampliam nossas fraquezas e neles fomos infelizes”. Cabe esclarecer previamente que o gesto de evitar tais ambientes não nos coloca no rol dos reféns de medos ou dos que praticam a omissão deliberadamente, mas que nos protege via autovalorização.

Muitas vezes, talvez com a intenção de apresentarmo-nos como pessoas fortes, insistimos em sermos aceitos e subestimamos nossas fraquezas e infelicidades. Isto, de acordo com a lógica inicialmente citada, é um erro a ser evitado. Seguir no sentido contrário é bater em portas fechadas e deixarmos de caminhar em busca das portas abertas que insistimos em não ver por teimosia.

Com sua sabedoria infinita Jesus sugere aos seus discípulos, em Matheus 10:14, o seguinte: “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” Percebe-se com clareza no texto que o Redentor recomenda o afastamento do ambiente hostil e o caminhar em direção aos locais onde sua mensagem é aceita, respeitada e não causa desconforto ao mensageiro.

 Cabe ressaltar que caso aconteça uma mudança no ambiente quanto ao nosso acolhimento e nossa importância a harmonia local nunca devemos deixar de darmos nossa contribuição. Nestas hipóteses as portas antes fechadas encontram-se abertas e por elas devemos passar. Para isto precisamos usar a flexibilidade para trilharmos caminhos antes infestados de obstáculos, sendo felizes.

Defendo, contudo, a preservação da nossa dignidade. Insistir na permanência onde não somos aceitos é deixar nossa autoestima mas mãos de terceiros e não legitimarmos nossas forças onde são requeridas. O termo “Só entro onde me cabe”, tem perfeita adequação, assim penso.