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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

O QUE VIRÁ?

 Se vivo estivesse hoje meu saudoso pai o poeta Quincas Rafael estaria completando cento e cinco anos de vida. Ao serem levados para numerologia o “um” e o “cinco” formam “seis”, número que tem como referência entre outros fatores a “harmonia” e o “equilíbrio”. Estes dois fatores serão abduzidos  do espaço onde está inserido o nosso país neste ano em função do pleito eleitoral para cargos do executivo e legislativo da União, do Distrito Federal e dos Estados.

 É sobre “isso” que falaremos no diálogo desta data. Utilizarei como  base apenas o cargo de Presidente de República,  partindo de uma lógica utilizada quando buscamos interpretar cenários principalmente para análise de investimentos futuros. Esta estrutura formada pelas variáveis : “Otimista, Realista e Pessimista”, denominada de “Tríade clássica”, passou a ser largamente utilizada na década de 1970 para tentar antecipar visões sobre o futuro e servir de base para tomada de decisões.

 Considerando que em nosso país é impossível surgir alguém descolado dessa nefasta polarização entre o “bem” x “mal”; “direita” x “esquerda” e/ou “honesto” x “desonesto”, fica prejudicado qualquer comentário sobre o cenário representado pela variável “Otimista”.

 Tendo presente que neste país sempre há espaço para piorar o que já é muito ruim, deixarei de apresentar situações que nos levem para a situação “Pessimista”, em respeito a cada leitora e cada leitor.

 Resta-nos a hipótese “Realista”. Para este cronista o que virá após o pleito é a manutenção da política amparada na pseuda inclusão social pela qual migalhas são jogados para grande massa trabalhadora e a fartura ficará para os “donos do poder” e seus aliados de plantão ou a volta dos que defendem o método em que os “excluídos” aplaudem a própria segregação que banca o favorecimento de “restrito grupo”  que sataniza tudo que existe no outro extremo. Pobre Brasil! Até quando suportarás?

Crônica de Ademar Rafael: Gratidão

GRATIDÃO

Ontem completei sessenta e nove anos de idade, desde minha saída de Jabitacá em 1971 até esta data procurei alimentar minha alma com poesia, busquei no universo musical as mensagens necessárias para ser uma pessoa direcionada para o convívio harmonioso. Entre tantas melodias que me auxiliaram nessa busca divido com cada leitora e cada leitor que me acompanham toda segunda-feira os quatro recortes abaixo transcritos  possuem perfeito alinhamento com o que penso e tento fazer.

 O primeiro recorte são as duas primeira estrofes de “Esses moços”, de Lupicínio Rodrigues: “Esses moços, pobres moços/Ah! Se soubessem o que eu sei/Não amavam, não passavam/Aquilo que eu já passei – Por meus olhos, por meus sonhos/Por meu sangue, tudo enfim/É que eu peço a esses moços/Que acreditem em mim…”

 O segundo são as estrofes cinco e seis de “Tocando em frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira: “…Penso que cumprir a vida/Seja simplesmente/Compreender a marcha/E ir tocando em frente – Como um velho boiadeiro/Levando a boiada/Eu vou tocando os dias/Pela longa estrada, eu vou/Estrada eu sou…”

 O terceiro são as estrofes finais de “Como nossos pais”, de Belchior: “…E hoje eu sei que quem me deu a ideia/De uma nova consciência e juventude/Está em casa guardado por Deus/Contando os seus metais – Minha dor é perceber que apesar de termos feito/Tudo, tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos e vivemos/Ainda somos os mesmos e vivemos/Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.”

O quarto e último recorte é a primeira e a última estrofe de “Traduzir-se” , de Ferreira Gullar: “Uma parte de mim/É todo mundo/Outra parte é ninguém/Fundo sem fundo… – Traduzir-se uma parte/Na outra parte/Que é uma questão/De vida ou morte/Será arte?”. Gratidão meu DEUS por ensinar-me como extrair a essência de letras que ajudam a seguir.

Crônica de Ademar Rafael: Fantasias

FANTASIAS

Quando recorremos ao dicionário vamos encontrar a definição de fantasia como “obra criada pela imaginação” e “faculdade de imaginar, de criar pela imaginação”, caso o campo de pesquisa seja a psicanálise entre outras definições encontramos que a “fantasia não é entendida como uma simples evasão da realidade, mas como um meio pelo qual o sujeito lida com suas frustrações e constrói representações simbólicas de seus desejos mais profundos”.

No carnaval, festa recém encerrada, é comum o uso desta vestimenta e seus adereços, é normal o uso de tais disfarces nas ruas e nos salões para expressar criatividade e esconder nosso rosto e/ou nossos sentimentos. Hoje nossa reflexão será sobre outro tipo de fantasia. Falaremos sobre  a fantasia que nossos políticos usam para ganhar pleitos eleitorais, para ludibriar os eleitores e para esconder o que de fato pensam.

Considerando que o estoque é muito grande vamos focar somente nos candidatos ao cargo de maior importância nessa republiqueta de nona categoria chamada Brasil. Os postulantes ao cargo de presidente, em tempos de redes sociais, utilizam as fantasias que seus marqueteiros sugerem e com elas desfilam pelo país mostrando a cara não possuem, dizendo frases que não acreditam e jurando fidelidade às causas que atendem aos anseios dos eleitores.

Nenhum deles tem coragem de enfrentar as ruas com cara limpa. Preferem reproduzir frases e tomar atitudes politicamente corretas sem quaisquer coerência com o que pretendem fazer ao assumir o sonhado posto. Para sair vitoriosos se unem a todo tipo de gente com utilização da fantasia mais adequada no momento. Assim tem sido e assim será. As promessas feitas durante o pleito eleitoral e as fantasias usadas são descartadas após a diplomação. Tudo perde o sentido após a vitória. Nos cargos seguem fazendo acordos espúrios, dando dinheiro a quem tem muito dinheiro e explorando quem os elegeu. A receita é a mesma: “ENGANAR SEMPRE.”

Crônica de Ademar Rafael: Entrelaçados

Recentemente um amigo enviou-me uma matéria sobre o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e sua vinculação com  autoridades dos três poderes da república. Na oportunidade eu lhe respondi que se tratava de mais um entre tantos outros e que o entrelaçamento entre milionários delinquentes e gestores públicos é um fenômeno recorrente em nosso país.

 Se mergulharmos no submundo onde ocorreram os fenômenos abaixo apontados em busca dos fatores que os motivaram vamos encontrar de braços dados “a omissão, a conivência e o compadrio”. Os escândalos “Coroa-Brastel, 1985; Banco Econômico, 1995; Banco Bamerindus, 1997; Bancos Marka e Fonte Cindam, 1999; Construtora Encol, 1999; Lojas Americanas, 2023 e Banco Master, 2025” e outros que virão são rotineiros  em função das ligações dos seus autores com autoridades brasileiras. Sem exceção os órgãos fiscalizadores estavam em mãos amigas, os sistemas de controle estavam sob controle dos criminosos, nada é por acaso. Fomos, somos e seremos o país da falcatrua.

 Após os problemas com bancos no final do século passado ouvimos e lemos que tais fatos nunca mais aconteceriam no Brasil. As autoridades diziam que o Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB, colocando em operação nos primeiros anos do século vinte e um seria capaz de “reduzir o risco sistêmico, minimizando a contaminação do sistema financeiros por  problemas em um banco ou instituição financeira;  aumentar a eficiência, com agilização das transações e redução dos custos, melhorar a segurança,  ao proteger dados dos usuários e aproximar-se de padrões internacionais, seguindo as melhores práticas globais.”

 Como podemos detectar com facilidade nada disto aconteceu o Banco Master fez suas estripulias sob o olhar inerte dos órgãos fiscalizadores, a sistema está contaminado por um  vírus criado pela união fraterna e perene “da omissão, da conivência e do compadrio.” Viva a impunidade!

Crônica de Ademar Rafael: No terreiro de casa

NO TERREIRO DE CASA

Nesta data utilizo este espaço para parabenizar os poetas Flávio Leandro e Delmiro Barros pelos gestos coerentes com a obra de cada um ao valorizar o “terreiro de casa” na gravação dos seus DVDs. Qualquer um deles pela importância da obra em relação à cultura raiz poderia escolher uma grande cidade para realização dos eventos.

Flávio Leandro não traiu Bodocó ao vir gravar o DVD “Fuá do Poeta” em São José do Egito-PE. Antes dele seu vizinho Luiz Gonzaga veio beber água na região para dar fama às letras dos poetas Zé Dantas e Zé Marcolino que mesmo tendo nascido no cariri paraibano carregava o Pajeú em seu matulão. Sua festa na cidade do imortal Cancão entrou para história. Suas músicas são hinos cantados e recantados por todos da região, seremos eternamente gratos pelo seu gesto.

Delmiro Barros escolheu Santa Terezinha como local para realizar sua festa, ali com os olhos direcionados para Borborema e os pés fincados nas areais do Rio Pajeú deu vida a um DVD excepcional em todos os sentidos. A sentida ausência de Dudu Morais trouxe energia para festa, Delmiro e Dudu não têm somente em comum a primeira letra dos nomes, foram amigos leais.

 Tenho pela obra dos dois cantores/compositores uma admiração ilimitada, identifico-me com cada letra e música da dupla. Sem ordem de preferência destaco seis sucessos de cada um, sabendo que muita coisa boa fica de fora. Cada uma leitora e cada um leitor tem uma lista maior, disto não tenho dúvidas. Flávio Leandro destaco:  “De Mala e Cuia”, “Chuva de Honestidade”, “Quem Ama, Cuida”, “Mundança”, “Fulô de Paz”, “Parte da Minha Vida”…; Delmiro Barros: trago para relevo: “Meu ex Amor, “Uma Chuva de Saudade”, “Paixão Pra Mais de Mil” “Só Quero Quem Me Quer”, “Herói Vaqueiro”, “Alegria Presa”.  Todos nós que amamos o que é bom fomos agraciados pelas escolhas dos poetas, que este gesto sensibilize as autoridades para que talentos regionais sejam valorizados.