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Crônica de Ademar Rafael

SÃO O QUE DIZEM SER?

Nesta data que comemoramos duzentos e quatro anos da pseuda independência, cujo “ator principal” Dom Pedro I nos deixou menos de nove anos depois em função da alta rejeição aqui e crise em seu país de origem, vamos falar sobre “patriotas”. O que nos leva a refletir sobre esse tema é que nos últimos anos temos vistos muitos brasileiros que se auto declaram como tal, juram amor pelo Brasil enrolados na bandeira verde e amarelo durante o dia e à noite, agarrados numa bandeira com treze listras e cinquenta estrelas brancas, flertam com regimes de exceção e atiram pedras nas frágeis instituições nacionais.

Para testar se esse grupo é realmente o que diz ser fomos buscar no dicionário, no GOOGLE e na Inteligência Artificial – IA o significado de “patriota”. As respostas obedecem a ordem da citação das fontes: “Pessoa que ama sua pátria, seu país de nascimento, que se esforça para lhe ser útil, agindo em seu favor ou em sua defesa: os patriotas normalmente não enxergam defeitos em seu país.” – “Pessoa que tem amor pelo próprio país, identificação com este e preocupação com os nossos compatriotas” e “Patriota significa uma pessoa que ama, defende e tenta ser útil à sua pátria. A palavra vem do grego antigo ‘patriōtēs – compatriota’, passando pelo latim patriota, derivado de ‘patris – terra natal’ e ‘pater – pai’”.

Se estas terminologias estão corretas ao comparamos o que narram com as ações dos nossos “patriotas” encontramos muito “gato por lebre ou leão por cordeiros”. A propósito vejam o que pensa a maior autoridade chinesa sobre o tema. “É uma norma universal no mundo que o poder político tem que estar nas mãos de patriotas. Nenhum país ou região do mundo irá permitir forças e personalidades antipatriotas ou mesmo traidoras ou traiçoeiras”, trecho de discurso de Xi Jinping em 2022, extraído do livro “Tudo sobre Xi – O que precisamos de saber sobre o líder mais poderoso do mundo”, de autoria Michael Dillon,  historiador e escritor britânico especializado em política, história e cultura chinesa. Defendo a tese que para seguirmos o conselho do líder chinês faltam-nos “patriotas.”

Crônica de Ademar Rafael

ESFORÇO X OBJETIVO

 A tese que utilizaremos em nosso diálogo de hoje parte do princípio que o esforço aplicado em uma ação deve tem compatibilidade com as habilidades uma vez que é com o resultado dessa junção que os objetivos são alcançados e/ou superados.

Como referência usaremos o motivo que sempre surge como principal fato motivador dos seguidos insucessos da Seleção Brasileira de Futebol. Desde a conquista do penta depois de todos fracassos dos grupos de jogadores que os patrocinadores vestem com a camisa da CBF – Confederação Brasileira de Futebol e nos apresentam como defensores da “pátria das chuteiras” analistas de plantão afirmam: “Faltou esforço.”

Com todo respeito que tais defensores dessa hipótese merecem eu discordo. Para mim faltou futebol, talento, habilidades. Para defender meu ponto de vista utilizo o conceito de que os esforços de um inábil não o torna vencedor diante de um adversário hábil e adiciono que a ausência do esforço pode, em algumas circunstâncias raras, jogar uma derrota no colo de um elenco com maior habilidade.

Até na mitologia encontramos eco para a tese de que o esforço vale menos que o talento. Vejamos os doze trabalhos de Hércules: “1. O Leão de Nemeia, 2. A Hidra de Lerna, 3. A Cerva de Cerineia, 4. O Javali de Erimanto, 5. Os Estábulos de Augias, 6. As Aves do Estinfale, 7. O Touro de Creta, 8. Éguas de Diomedes, 9. O Cinto de Hipólita, 10.Os Bois de Gerião, 11. As Maçãs de Ouro das Hespérides e  12. A Captura de Cérbero.” Numa análise isenta podemos afirmar o esforço físico foi utilizado como fator determinante nas ações relacionadas com “O  Leão de Nemeia, O Javali de Erimanto, O Touro de Creta e A Captura de Cérbero”. Nos demais trabalhos o famoso herói da mitologia greco-romana fez uso das suas habilidades.

Assim sendo o verdadeiro campeão coloca o esforço a serviço do talento e não o contrário. Minha escala de valor talento 70%, esforço 30%.

Crônica de Ademar Rafael: Onde não devemos voltar

ONDE NÃO DEVEMOS VOLTAR

Recebi em um Grupo de Amigos texto que apontava os locais que não devemos voltar por terem as seguintes características: “Não fomos aceitos, ampliam nossas fraquezas e neles fomos infelizes”. Cabe esclarecer previamente que o gesto de evitar tais ambientes não nos coloca no rol dos reféns de medos ou dos que praticam a omissão deliberadamente, mas que nos protege via autovalorização.

Muitas vezes, talvez com a intenção de apresentarmo-nos como pessoas fortes, insistimos em sermos aceitos e subestimamos nossas fraquezas e infelicidades. Isto, de acordo com a lógica inicialmente citada, é um erro a ser evitado. Seguir no sentido contrário é bater em portas fechadas e deixarmos de caminhar em busca das portas abertas que insistimos em não ver por teimosia.

Com sua sabedoria infinita Jesus sugere aos seus discípulos, em Matheus 10:14, o seguinte: “E, se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela casa ou cidade, sacudi o pó dos vossos pés.” Percebe-se com clareza no texto que o Redentor recomenda o afastamento do ambiente hostil e o caminhar em direção aos locais onde sua mensagem é aceita, respeitada e não causa desconforto ao mensageiro.

 Cabe ressaltar que caso aconteça uma mudança no ambiente quanto ao nosso acolhimento e nossa importância a harmonia local nunca devemos deixar de darmos nossa contribuição. Nestas hipóteses as portas antes fechadas encontram-se abertas e por elas devemos passar. Para isto precisamos usar a flexibilidade para trilharmos caminhos antes infestados de obstáculos, sendo felizes.

Defendo, contudo, a preservação da nossa dignidade. Insistir na permanência onde não somos aceitos é deixar nossa autoestima mas mãos de terceiros e não legitimarmos nossas forças onde são requeridas. O termo “Só entro onde me cabe”, tem perfeita adequação, assim penso.

Crônica do Ademar Rafael

A FORÇA DO LAÇO

Da vastidão da obra do poeta gaúcho Mário Quintana retiro os fragmentos a seguir transcritos, para alicerçar nossa reflexão de hoje. “Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… Uma fita… dando voltas – Enrosca-se, mas não se embola. Vira, revira, circula e pronto: está dado o laço – É assim que é o abraço:  coração com coração, tudo isso cercado de braço – É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço…Ah, então, é assim o amor, a amizade – Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita…Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade – E quando alguém briga, então
se diz: romperam-se os laços…Então o amor e a amizade são isso…Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam…”

Isso mesmo, falaremos sobre laços. Para mim o local onde um laço com o enfoque material se apresenta com maior beleza é na cabeça de uma criança ao ser colocado para prender tranças e/outros arranjos em seus cabelos, tem um simbolismo que ultrapassa a estética.

No mundo das organizações um bom líder é o que consegue criar laços com seus liderados. Entendo que o laço faz nascer a confiança e não o contrário. Por meio dos laços criados é que a confiança nasce e cresce
sem imposição e sim pela germinação em solo fertilizado de bons exemplos e boas práticas.

Em nossos relacionamentos os laços como afirma o poeta não devem prender, devem ligar e movidos pela união que provoca ajudar na caminhada como verdadeira alavanca para remover obstáculos.

Reiteradamente tenho afirmado que a família e os amigos são meus maiores tesouros, nestes dois universos os laços são primordiais, como eles aparece o cenário ideal para exibição do filme da vida, cujo enredo é criado sob o manto da harmonia, da cumplicidade com total ausência de atos ou gestos com sintomas de imposição ou dependência.

Crônica de Ademar Rafael

UM GRANDE RISCO?

“Quando o mês de agosto se anuncia, o vento do Sertão parece soprar mais leve sobre Jabitacá. Entre os dias 06 e 15, a igrejinha de Nossa Senhora dos Remédios vira o coração de Iguaracy, vestindo-se de luz e fitas para receber seus filhos. É o tempo sagrado em que a rotina da caatinga cede espaço ao badalar do sino,  convocando a alma sertaneja para celebrar sua padroeira. Mais que um evento do calendário, as noites de agosto são o altar das grandes reuniões familiares. Parentes que a seca ou a busca por trabalho distanciaram cruzam estradas poeirentas para o reencontro no pátio da matriz. Ali, entre um abraço apertado e o cheiro de milho assado, as gerações se renovam e as velhas histórias da comunidade ganham vida nova sob o céu estrelado. Na procissão de encerramento, os passos lentos revelam a força de uma fé inabalável, moldada pela esperança e pelo respeito ao sagrado. Olhos marejados fitam a imagem da Virgem, enquanto os cânticos tradicionais ecoam como preces coletivas de agradecimento pelas graças alcançadas. Naquele chão de terra batida, a religiosidade do sertanejo se mostra em sua forma mais pura: humilde, terna e profundamente unida.”

Cara leitora e caro leitor essa é talvez a mais preocupante reflexão que faço em todo esse período que estamos juntos cada segunda-feira. O texto acima transcrito não foi produzido por mim nem por outro ser humano, é fruto da Inteligência Artificial – IA que se auto intitula como: “… campo da ciência da computação que desenvolve sistemas e máquinas capazes de aprender, raciocinar e tomar decisões de forma semelhante aos humanos.” No texto apenas duas incoerências Nossa Senhora dos Remédios é de fato a copadroeira e a época do milho assado normalmente acaba em junho.

Para encerrar apresento preocupação do jornalista e pesquisador Felipe Vilicic que na matéria “Sinais de Alerta com a IA”, revista Veja Negócio nº 26 nos aponta que tais ferramentas “…em mãos mal-intencionadas ampliam risco à cibersegurança e abrem espaço para ameaças que vão de golpes em escala industrial ao bioterrorismo.” Todo cuidado é pouco.

Crônica de Ademar Rafael

SEJAMOS LIVRES

O ativista/empreendedor social, economista e escritor Eduardo Moreira ao concluir seu livro “A intenção Primeira – Um ensaio sobre a natureza do real” cita um frase atribuída a Mahatma Gandi que aqui transcrevo: “A prisão não são as grades e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão.”

É com este pensamento do grande líder da Índia que pretendo fazer a reflexão desta data. De início gostaria de apresentar um entendimento sobre o que nos disse o pacifista indiano. Para este cronista esta frase cabe sem deixar espaço nenhum no caso de Mandela. O líder sul-africano enquanto esteve preso expurgou totalmente o ódio para libertar seu povo das grades impostas pelos britânicos ao assumir a presidência, cargo
sempre negado aos seus compatriotas.

Ainda sobre o tema veio em minha mente um diálogo que mantive com meu saudoso pai há muitos anos. Ao ler a estrofe a seguir “Não tenho arrependimento/De tudo que se passou/Pois admirador sou/Da Liberdade
do vento/Eu com tudo me contendo/Vou morrer sem vaidade/Eu nunca quis ter bondade/Nem espírito de grandeza/ Eu dou valor a pobreza/Porque tem mais liberdade.”, parte integrante do poema “Tudo que fiz foi perdido”, perguntei de onde ele havia tirado o que diziam os dois últimos versos. Ele me levou até a porta da Casa de Pedra, apontou para duas crianças que brincavam sentadas no meio da rua e perguntou: “Se fossem filhos de ricos estavam ali brincando daquela forma?”.

Ao respondermos a indagação de Quincas Rafael, o poeta das Varas, encontramos sentido pleno na frase inicialmente citada. O que nos prende não são as estruturas e sim a forma que modulamos a liberdade. Portanto invoco cada leitora e cada leitor a nos libertamos, a sermos protagonistas no filme das nossas vidas e nunca nos deixarmos ser manipulados por quem quer que seja, em hipótese nenhuma e sob qualquer argumento. Nesta dura empreitada Deus estará conosco, ele nos quer livres.

Crônica de Ademar Rafael

O SEGREDO E A SOLUÇÃO

Tenho acompanhado nos últimos anos, em vários momentos, a renúncia sistemática de pais e/ou responsáveis legais quanto a responsabilidade direta na formação de jovens com idades que variam de três a dez anos. Este papel tem sido terceirizado para escolas, babás e redes sociais. Esta é a verdade em determinadas situação chega a extrapolar todos os limites da lógica presente em práticas anteriormente utilizadas.

Por entender que podemos nos apropriar de diretrizes defendidas por regras originárias em preceitos religiosos, filosóficos de outras vertentes para nos auxiliar na difícil tarefa de educar nossos filhos e netos, contesto a linha de pensamento que defende a inaptidão dos pais em virtude dos avanços sociais. Tudo baseado nas frases: “Não pode ser como era em seu tempo, o mundo mudou.” e “As crianças são protegidas
por legislação que proíbe cerceamentos dos seus direitos”.

Ora se o formato antigo perdeu o efeito e os direitos superando os deveres no sistema em vigor não tem dado respostas adequadas a quem recorrer? Na busca de responder essa difícil indagação coloco no debate o modelo defendido por Dom Bosco que viveu entre nós de 1815 até 1888. Esta linha de pensamento que é tratada como o “Segredo de São João Bosco”, foi por ele denominado como “Sistema preventivo” é tinha como base sustentação três pilares: “Razão, religião e amor.”

Em diversas publicações encontramos que o “Sistema preventivo” é portador da lógica de que em vez de corrigir com punições procurar prevenir os erros com a presença, a orientação e o diálogo e criar ambiente de confiança propício para correção de rumos inadequados. Nesta perspectiva entendo que com a presença dos pais com orientações em conjunto com os educadores e a prática insistente do diálogo entre pais, jovens e educadores o “breu” pode ser convertido em caminho iluminado pela luz. Portanto o “segredo” revelado pode ser a “solução” procurada, cabe-nos acreditar e praticar.

Crônica de Ademar Rafael

MANSIDÃO

Aquele que eu classifico como o mais humano entre os altos executivos do Banco do Brasil com quem trabalhei no seu discurso de posse como Superintendente Estadual da Bahia inseriu a seguinte frase: “Não confundam mansidão com frouxidão…” este recorte encontra perfeita sintonia com uma definição comum para os executivos “mansos” que atesta: “Um líder manso demite, cobra meta e diz não. Só não humilha no processo.” Esta versão deriva exatamente de necessidade de nunca confundirmos “mansidão” com “omissão” e “leniência” exatamente pelo primeiro ser um qualidade e os demais serem desvio de conduta.

Na história da humanidade podemos identificar, em escala mundial, como pessoas mansas Jesus Cristo, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi e Martin Luther King. No Brasil sem susto podemos mencionar Dom Hélder Câmara, Irmã Dulce, Chico Xavier, Luislinda Valois e Ailton Krenak. Cada uma dessas pessoas com mansidão lutaram em favor das causas que defendiam e deixaram legados para as gerações futuras.

Como de costume transcrevo a seguir frases sobre mansidão, com aos respectivos autores: “Mansidão é a marca registrada do homem dominado por Deus – Geoffrey B. Wilson; O homem manso é alguém que acredita em defender com tal empenho a verdade que se dispõe até a morrer por ela, se for necessário – Martin Lloyd-Jones e Um espírito manso e sereno é um ornamento incorruptível, muito mais valioso do que o ouro – Thomas Brooks.” Estas ponderações servem para compararmos tais visões com as obras dos personagens citados anteriormente e percebemos a estreita relação entre seus conteúdos e as práticas das
personalidades citadas.

Portanto, nestes tempos em que o enfrentamento está ocupando o lugar do diálogo e a competição esmaga a cooperação agir em consonância com princípios da mansidão é o caminho a ser percorrido. Não temos dúvidas que ações alinhadas com “tranquilidade, brandura, serenidade, suavidade, etc.” podem promover a harmonia que o mundo carece.

Crônica de Ademar Rafael: Abnegação

ABNEGAÇÃO

A “Agenda Reforma Íntima – Exercitando a Caridade”, editada pela Editora Auta de Sousa no corrente ano sugere para um dos meses o desenvolvimento de “Abnegação, Renúncia e Solidariedade”. Hoje pretendo fazer nossa reflexão sobre a primeira atitude.

Para reforçar o poder e a força da abnegação transcrevo três frases a ela dedicadas, com os respectivos autores: “Há almas assim, que Deus apura no crisol da abnegação, e forma para se derramarem como a luz, o ar, o perfume, de José de Alencar; A abnegação traz a verdadeira transformação e conversão, não apenas uma adesão ou convencimento, de Anderson Cássio de Oliveira e A mulher, quando ama, tem heroísmos e abnegações de que o homem – o ser mais egoísta do reino animal – é incapaz., de Camilo Castelo Branco.”

Enquanto ação a abnegação pode ser entendida como uma renúncia em favor de outra pessoa ou de uma causa, abandono voluntário dos seus próprios interesses e virtude com estreita relação com altruísmo, desprendimento e superação do egoísmo. Um dos exemplos práticos em nossa vida cotidiana encontro a postura das mães em relação aos filhos. Muitas vezes são tão abnegadas com a formação de filhas e filhos que praticamente abdicam dos seus direitos.

Nos deparamos com uma invocação que exige abnegação total na frase de Jesus encontrada em Lucas 9:23: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.” Com ela o Redentor diz com clareza as condições únicas para sermos seguidores dele em plenitude, não há meio termo.

 Como exemplos práticos de ações em que a abnegação se faz presente podemos citar, entre outros, o trabalho voluntário; a escuta empática e o desapego material. Este último exemplo encontra eco em teses do budismo que nos remete à renúncia práticas egoístas em busca de iluminação.

Crônica de Ademar Rafael: Prioridades nunca, prioridade sempre

Se buscarmos o sentido da frase “Quem tem muitas prioridades não tem nenhuma.” em qualquer livro ou artigo que trate do assunto iremos encontrar enunciados que nos remete a entender que quando tentamos focar em diversos temas simultaneamente perderemos eficiência ao dividirmos a energia. Muitos autores, entre eles o filósofo e professor Mário Sérgio Cortella, dizem: “Prioridade não deveria ter plural uma vez que é o que vem primeiro”. Eu particularmente prefiro ter flexibilidade para aceitar até duas e concordar com o limite imposto pela linha de pensamento a seguir: “Ter mais de três prioridades costuma ser equivalente a não ter prioridade nenhuma, tornando-as apenas tarefas acumuladas.” 

No livro sagrado em Mateus 6:24 e Lucas 16:13 aprendemos que é impossível servir a “dois senhores”, sabemos que a abordagem dos dois evangelistas são relacionadas com a lealdade e devoção a Deus em primeiro. Portanto, no caso dos versículos bíblicos  a linha a ser seguida é a mesma pregada por Cortella. Assim sendo é melhor seguir o caminho onde o plural inexiste.

Em nosso país, por conveniência e para poder justificar e não entrega, os detentores de cargos públicos eleitos ou não adoram priorizar várias coisas ao mesmo tempo. Essa prática nunca foi condenada porque todos fazem. Como para eles promessas não significam dívidas nem compromissos seguem priorizando saúde, educação, segurança, etc. quando na realidade a única prioridade são seus interesses. Neste caso o plural é muito bem-vindo.

Na condição de administrador, profissional que precisa equilibrar muitos pratos ao mesmo tempo para dar conta das obrigações cotidianas, percebo a cada minuto a importância de priorizarmos o que de fato contribui para o êxito da nobre missão de administrar com assertividade e superarmos uma etapa por vez. Quem tenta ser o “super executivo” uma hora cai juntamente com a tese irreal que o faz pensar que prioridade tem plural.