Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

VAMOS DAR UMA PARADA?

Que fique bem claro: “O propósito deste texto não é criticar ninguém, julgar benefícios de produtos ou interferir na educação de crianças, é, acima de tudo fazer uma reflexão sobre os excessos”.

Augusto Cury, escritor e médico psiquiatra, em entrevista concedida para Revista Família Cristã de maio-20 ao responder uma pergunta sobre a Síndrome do Pensamento Acelerado – SPA, disse: “A Síndrome do Pensamento Acelerado é causada pelo excesso de informações que vêm das mídias sociais, dos smartphones, da TV, bem como do excesso de atividades e de videogames. Uma das teses que tenho levantado em minhas conferências para juízes é de que as crianças vivem uma espécie de cárcere mental” e conclui: “O gatilho cerebral dispara freneticamente diante de cada estímulo das telas de Smartphone, abrindo milhares de arquivos ou janelas no córtex cerebral. Isso faz com que sejam lidos milhões de dados, que geram uma hiper construção de pensamentos jamais vistos na história, resultando na SPA”.

Sobre o assunto recebi, por meio de redes sociais, dois posicionamentos extremo de amigos. O primeiro ao pegar o filho na residência da ex-esposa durante o final de semana criou uma regra: “Enquanto estão juntos nenhum dos dois utilizam o celular”. O segundo descartou um presente que o filho recém-nascido ganhou. O que era o presente? Um produto multimídia que promete transformar a criança em um “ser superdotado”, por meio de práticas interativas.

Amados leitores e amadas leitoras, não tenho capacidade para ser referência neste assunto, mas, julgo-me na obrigação de expor meu ponto de vista a cada um de vocês, com o intuito de provocar reflexões. Nosso contato semanal tem esta finalidade.

Cada um tem plena liberdade de criar da forma que melhor entender, mas, deixar as crianças expostas é um perigo. Assim eu penso.

Crônica de Ademar Rafael

ANICETO ELIAS DE BRITO

Na data de hoje, no ano de 1977, eu assumia o emprego no Banco do Brasil e deixava de pertencer ao quando de funcionários do “Bazar das Miudezas”, depois transformado em “Borbão”, por isto quero registrar minha gratidão ao ex patrão, meu grande e imortal mestre.

Na segunda metade da década de setenta pelas mãos de Dimas Mariano, funcionário da empresa de produtos agropecuários (CRC) que funcionava em frente à Panificadora de Severino Lolô e ao lado da Peixaria de Minéu, cheguei ao “Bazar das Miudezas” para a missão impossível de substituir Danizete.

Durante o período de longo aprendizado contei com apoio do proprietário o que inspirou o jovem poeta Elais – irmão de Danizete e Diomedes – a criar esta pérola: “Tem Evandro que é péssimo camarada/Diomedes que
ali nada resolve/Tem Elias que nunca desenvolve/Vilani que é tonta e azoada/Geraldina que não sabe de nada/E Luzia que não presta atenção/Diomedes é ruim que só o cão/E Evandro além de ruim é analfabeto/Prá fazer o gosto de Tio Aniceto/Só Ademar, Danizete e outro não.”

As viagens para Tavares – Paraíba, invariavelmente depois do “Qual é a música?” nas noites de domingo eram sempre uma aula para este cronista. Aniceto não perdia oportunidade de dar bons exemplos, contar histórias sobre figuras de relevo no mundo político.

Numa destas viagens, durante uma crise de diabetes, Aniceto perguntou se eu sabia dirigir. Como já havia conduzido carros de Quincas Rafael anos antes disse que sim. Ele prontamente passou para o bando do carona e mandou que levasse a Brasília. Naquele trajeto fiz todas as barbeiradas possíveis e imagináveis, dava para perder um duzentos pontos na carteira e pagar valor expressivo de multas. O trecho Entrada do Sítio Matalotagem/Princesa Isabel – com chuva, meu estado etílico e estrada ruim -, permitiu que o lema: “Dirigido por mim e guiado por Deus” fosse aplicado na integra. Chegamos vivos por obra e graça de DEUS. De Princesa para Tavares ele retomou direção, poupando novas vidas.

Na última viagem, antes de assumir o emprego no Banco do Brasil, Aniceto deu-me o seguinte conselho: “Seja você mesmo, respeite a todos e seja honesto em todos os seus atos”.

Nos anos 70 Aniceto pregava o que de mais contemporâneo existe na relação empresa x cliente, destaco aqui os seguintes pontos: “Chame o cliente pelo nome; crie uma relação de confiança; seja consultor do cliente, apresente alternativas; demonstre boa vontade ao expor os produtos; não permita que o cliente saia sem comprar algo; cumpra tudo que prometer; gere motivos para que o cliente volte e compre SEMPRE…”

Adaptado da crônica Pessoas do meu sertão XXV – www.afgoadosdaingazeira.com.br

Crônica de Ademar Rafael

O DEVER DE CASA

Se existe uma coisa sobre a qual eu não tenho dúvida é que a convivência harmônica entre a produção e a preservação do meio ambiente tem pouco da situação econômica ou financeira dos envolvidos e tem muito da
noção exata de cidadania e do pensamento coletivo.

Conheci em Barra do Choça – BA um pequeno agricultor, graduado em agronomia com muito esforço pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, provedor de família digna com a renda de uma pequena
propriedade onde cultivava café na sombra, milho, feijão, mandioca, forragem para gado de leite, aplicava a técnica sustentável de corte seletivo de madeira nobre e criava pequenos animais e peixes.

Testemunhei na Amazônia a nociva pratica de colonos que ao receberem um lote em assentamento do INCRA a primeira coisa que faziam era retirar a madeira, inclusive de castanheiras, para vender por preço de banana. Outros vendiam hastes do açaí para retirada do palmito, também por preço aviltado. Cabe registrar que a maioria dos colonos criticavam o procedimento inadequado dos seus pares e preservaram seus lotes.

A revista época negócios de março-2020, na série de reportagem sob o título “Capitalismo em transe”, apresenta estudo do grupo canadense Corporate Knights com base em dados de sete mil organizações mundiais sobre sessenta e cinco indicadores ambientais, sociais e econômicos. As duas empresas classificadas como mais sustentáveis no mundo são da Dinamarca. A primeira é a Osted A/S, do setor de energia; a segunda é a Chr. Hansen Holding A/S, do setor de alimentos. A terceira colocada é a Neste Oyj, do setor de petróleo da Finlândia.

Cabe registrar que a Dinamarca começou investir em energia eólica nos anos 1970, nós estamos pensando em tributar o setor. Sim, o Banco do Brasil aparece na nona posição, a Cemig em décima nona e a Natura em
trigésima. A convivência harmônica é possível? Decida.

Crônica de Ademar Rafael

NÃO VOU SAIR

Por: Ademar Rafael

Na época do regime instalado no Brasil após movimento de 1964, que cada um denomina como melhor lhe convém, o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o” era repetido e estampado todo momento.

Hoje, no auge dos meus 63 anos, tenho uma percepção que muito foram amando o Brasil e outros tantos ficaram sem amar a pátria. O resultado é este país que temos, onde “patriotas” traem os interesses de nação e “traidores” defendem até a morte atitudes que agregam valores as causas nacionais.

A música e a poesias são dois dos poucos remédios, sem custo, que reduzem os impactos que as dualidades acima mencionadas causam em mentes de pessoas do bem.

Neste sentido transcrevo na íntegra a letra de uma música do final dos anos 1980, da lavra de Celso Viáfora, intitulada “Não vou sair”: “A geração da gente/Não teve muita chance/De se afirmar, de arrasar, de ser feliz/Sem nada pela frente pintou aquele lance/De se mudar, de se mandar desse país/E aí você partiu pro Canadá/E eu fiquei no ‘já vou já’/ Pois quando tava me arrumando/Pra ir/Bati com os olhos no luar/E a lua foi bater no mar/E eu fui que fui ficando… – Distante tantas milhas/São tristes os invernos/Não vou sair, tá mal aqui, mas vai mudar/Os velhos de Brasília/Não podem ser eternos/Pior que foi, pior que está, não vai ficar/Não vou sair/Melhor você voltar pra cá/Não vou deixar esse lugar/Pois quando tava me arrumando/Pra ir/Bati com os olhos no luar/E a lua foi bater no mar/E eu fui que fui ficando…”

Como é real a letra de “Não vou sair”. Omissos nos agarramos na beleza do luar, no mar, na esperança que as coisas vão melhorar, na renovação dos “velhos de Brasília”. Ficando e agindo individualmente, esquecendo o Brasil nada muda. Vamos decidir verdadeiramente: “Amar ou deixar”?

Crônica de Ademar Rafael

A MÚSICA DA MINHA INFÂNCIA

Por: Ademar Rafael

Um dos meus vícios é ouvir rádio, aprendi com meu saudoso pai na época que morávamos na Quixaba – Jabitacá – PE. Era sagrado ouvirmos cantorias na Borborema de Campina Grande – PB, Espinharas de Patos – PB e Pajeú de Afogados da Ingazeira – PE. Na calçada da casa onde nasci os moradores ficavam em silêncio para ouvir a “Voz do Brasil” e outros programas que meu pai sintonizava no velho ABC, “A voz de Ouro”.

Na época que deixei meu sertão para andar pelo Brasil, na condição de funcionário do Banco do Brasil perdi o contato com tais emissoras, no entanto, o Programa “Adelzon Alves o amigo da madrugada”, na Rádio Globo – Rio de Janeiro –RJ foi meu companheiro muitas noites.

Quando voltei para o nordeste em 2015, já com o advento da internet, voltei a ouvir regularmente a Rádio Pajeú. Recentemente da inquietude poética de Alexandre Morais fez nascer o “Palco Pajeú”, programa que tive a honra de participar no último sábado de 2019.

É o que de melhor apareceu nos últimos anos. A quarentena da COVID-19 não interrompeu sua apresentação, Alexandre Morais e Ney Gomes se viram nos 120 – a atração tem duas horas de duração – para levar aos ouvintes o “Palco Pajeú”.

O programa de 24.04.20 trouxe como tema “A música de minha infância”. Ao sintonizar a Rádio Pajeú 99,3 naquela tarde de sábado rodou um filme em minha memória para resgatar a música da minha infância. Foi fácil localizar não apenas uma, mas, três: “Coração de Luto”, de Teixeirinha; “Serrote Agudo”, de Luiz Gonzaga e Zé Marcolino e “Índia”, de Manuel Ortiz Guerrero e José Asunción Flores, versão de José Fortuna e imortalizada nas vozes de Cascatinha & Inhana.

Hoje, cinquenta anos depois, tenho certeza que em um filme sobre minha vida as três músicas acima estariam na trilha sonora.