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CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

Monopólio infinito
A liberdade de mercado tão difundida nos governos do PSDB não passou pelo estado do vice-presidente Marco Maciel, no quesito transporte intermunicipal de passageiros. Em Pernambuco a Auto Viação Progresso Ltda dá as cartas. Impera um sistema de exclusividade que joga por terra as regras de concorrência e competitividade.
Antes de criticar talvez fosse o caso de termos acesso ao teor do convite do Governador Agamenon Magalhães, realizado em 1952, conforme narra o site oficial de empresa. De repetente nele há uma cláusula de exclusividade eterna.
Sou do tempo que podíamos utilizar o misto de Zé de Preta, o ônibus de Jola, a Realeza de seu Pedro e a Princesa do Agreste de Seu Louro. Quando começou o império da Progresso eu já estava no Ceará, somente quando volto em Pernambuco sofro com a qualidade dos serviços.
Na última semana de março comprei uma passagem para o trecho Recife/São José do Egito, com intuito de descer em Jabitacá. Por não ter feito as perguntas certas ao comprar o bilhete na hora do embarque fui informado que o coletivo após Albuquerque Né tomaria o rumo de Afogados da Ingazeira-Tabira-São José do Egito. Neste caso a culpa é minha. Na compra da passagem eu deveria ter indagado o funcionário sobre o trajeto.
Como o horário de embarque apontava 12h30min, quinze minutos antes desci a plataforma, com alguns minutos de atraso embarcamos. Um contumaz usuário do sistema tranquilizou-me: “É assim mesmo, nunca sai no horário”. Quando o ônibus deu partida uma nuvem de muriçoca, carapanã no Pará, fez um passeio sobre nossas cabeças. Como o veículo era dotado de ar condicionado e tinha os vidros vedados deduzi que o criatório pertencia ao coletivo, portanto, produção própria sem risco de ser mosquito da dengue.
Do Recife até Arcoverde o coletivo fez paradas somente nas rodoviárias de Caruaru e Arcoverde, sem qualquer informação sobre o tempo de parada. Depois de saída da rodoviária de Arcoverde veio a parada quem ninguém merece. Ponto de apoio da empresa sem a menor condição de higiene, com ofertas de produtos aquém das necessidades dos usuários. Este tipo de parada, principalmente em áreas urbanas, configura-se como venda casada. 
Ficam estas indagações: Os marcos regulatórios relacionados com o assunto estão sendo observados em tempo hábil? No vencimento de referida concessão de serviços público a empresa citada é mais competente que as demais no atendimento das exigências dos editais? Estão comparecendo outros concorrentes?   
Os usuários merecem algo melhor, concorrência quase sempre é sinônimo de competitividade e bons serviços.  

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Os extremos em Recife.
Numa área em que o Brasil para ficar ruim tem que melhorar bastante a capital de Pernambuco dispõe de um aeroporto acima da média. Localizado em espaço urbano com boa disponibilidade de hotéis, shopping e restaurantes. Pena que os motoristas de táxi ficam disputando corridas com maior retorno financeiro de forma incompatível com a boa pratica de turismo receptivo.
As linhas de metrô em operação no Recife superam as ofertas da esmagadora maioria das capitais brasileiras, algumas delas sem este modelo de transporte urbano. Os arredores das estações carecem de uma melhor estrutura, especialmente relacionadas com segurança e acessibilidade. Câmaras de monitoramento, postos policiais, pisos e escadas rolantes minimizariam tais deficiências. 
No sentido contrário das estruturas do aeroporto e metrô encontramos o Terminal Rodoviário de Recife. O TIP como é conhecido está muito abaixo do aceitável. Utilizar os serviços na rodoviária da capital pernambucana é desaconselhável. 
Nos restaurantes as áreas onde são manipulados os alimentos não estão á vista dos usuários, como determina as normas sobre fornecimento de refeições, façamos justiça à simpatia dos atendentes. Uma visita da ANVISA, do Corpo dos Bombeiros e prepostos do PROCON, mesmo com excesso de boa vontade, seria sinônimo de interrupção dos serviços.
Banheiros, escadas rolantes, terminais eletrônicos, acessos às plataformas de embarques, acesos as linhas do metrô e guichês de vendas de passagem estão muito distante do ideal.
Seria importante que a SOCICAM, empresa que assume administração do Terminal rodoviário do Recife, encontrasse uma forma de retribuir com serviços os valores cobrados dos usuários do sistema de transporte que opera no TIP. A competência dos funcionários que recolhem os tíquetes das taxas de embarque precisa ser transportada para os encarregados de reformar o terminal que se encontra em estado terminal, coma profundo.  
Deixo um conselho para os governantes do querido Pernambuco que adoram sair pelo Brasil dando exemplo de gestão pública: “Numa dessas viagens passem por Goiânia, capital de Goiás, e vejam que é possível receber bem através de um Terminal Rodoviário decente”.
Fui usuário da rodoviária do Bairro de Santa Rita em Recife e vibrei com a construção do Terminal no Curado, hoje tenho saudades da antiga rodoviária.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Da janela do metrô
Em viagem para participar de encontro das famílias Filomeno, Menezes e Bernardo na cidade de Tuparetama pernoitei em Recife no dia 28.03.13. Na manhã do dia seguinte peguei o metrô na Estação Shopping, ao lado do Geraldão com destino ao Terminal Rodoviário de Recife – TIP.
Até a Estação Largo da Paz foi possível ver quanto nossa capital foi agredida pela ocupação desordenada. São prédios magistrais ao lado de residências simples numa estética criada e mantida pela especulação imobiliária. Sebastião Dias, atual prefeito de Tabira, certa vez falando sobre o pavão disse: “… e a beleza das penas, não encobre as pernas feias.” Isto vale para referido cenário. A ostentação presente em alguns edifícios não faz desaparecer a simplicidade de outros. Este mosaico faz parte das grandes cidades, Recife apenas segue o modelo. 
No trajeto entre as estações Joana Bezerra e Afogados notei que o programa “Minha casa minha vida” tem muito espaço para ocupar. A ordem pode até ser invertida, em ambiente de pobreza extrema a vida digna antecipa-se à moradia.
No trecho Ipiranga/Rodoviária encontrei vastas áreas com matagais, verdadeiras comunidades urbanas com cara do interior. Espaço muitas vezes maior do que a famosa Floresta Negra da Alemanha, lá seria tratado como “imensa floresta”, nós o percebemos de outra forma. Quem possui a Amazônia áreas deste tipo não passam de “lotes com matagal”.
As mangueiras, os coqueirais e os cajueiros circundados por residências de alvenaria, madeira, flandres e papelões remetem nossa atenção para um mundo diferente. A música “Gente humilde” traça o perfil dos habitantes destas localidades. Como é bom sabermos que o Brasil da Avenida Paulista, da Avenida Vieira Souto e da Avenida Boa Viagem convive com agrupamentos urbanos desprovidos de requinte, porém, cheios de outros atrativos.  
A viagem de metrô, cortado a cidade de Recife, para este catingueiro residente em Marabá funcionou como um colírio que deu clareza aos olhos para fazer uma releitura da Veneza brasileira. A distância muitas vezes provoca um afastamento das nossas raízes e o reencontro é salutar, devolve-nos a certeza que não pertencemos ao universo onde moramos, estamos ali emprestados. 
Os nomes Barro, Tejipió, Alto do Céu e Curado ao serem lidos no vagão e nas estações fazia o nordestino voltar para seu mundo, é possível viver fora do nosso torrão, contudo, ao pisarmos na terra natal somos revestidos por um imã que nos prende ao chão e munidos de uma voz interior que grita: “Vale a pena ser nordestino, pernambucano e sertanejo”. 
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

A quem interessa o caos.

Na penúltima semana de março os telejornais das grande redes de televisão abertas apresentaram o caos nas rodovias localizadas nos entornos dos principais portos do Brasil. As matérias foram centralizadas nos portos de Santos, São Paulo e Paranaguá, Paraná e vincularam a situação ao escoamento da super safra de soja.
Para melhor entendermos o tamanho do problema é necessário fazermos um cálculo. Com uma produção estimada em 80 bilhões de toneladas se exportarmos somente 40% (32 bilhões de toneladas) necessitaríamos de 1 milhão, isto mesmo 1 milhão de caminhões, cada um com 32 toneladas.

Não há infra-estrutura que consiga conviver com uma situação destas sem estrangulamento e criá-la seria pouco inteligente, na maior parte do ano ficaria obsoleta uma vez que o escoamento da soja é sazonal. Se buscarmos as causas encontraremos três grandes motivos.

Motivo um: A opção pelo transporte rodoviário que os governos desde JK impuseram ao Brasil, movidos por interesses da indústria de veículos pesados.  A construção de grandes estruturas de armazenagem nas áreas portuárias e a utilização de ferrovias e hidrovias seriam boas alternativas.

Motivo dois: A ausência de uma correta política de armazenagem de produtos agrícolas, nas áreas produtivas, gera uma situação perversa para os produtores. Como não existem armazéns suficientes os produtos são vendidos antes da colheita e as grandes empresas multinacionais deitam e rolam sem correr os riscos inerentes à atividade, ou seja, o agricultor corre o risco e é obrigado a vender seus produtos “na folha” por preços abaixo do que conseguiria se pudesse armazenar.

Motivo três: Falta de uma política de crédito rural e de controle da produção, como fazem os países desenvolvidos. Lá a produção é induzida através de uma política onde a preservação do produtor “nativo” está acima de qualquer outra variável interna ou externa. Em tais países os produtores muitas vezes ganham para não produzir, por estas bandas produzem para tentar sobreviver. A solução para este motivo é mais complexa, envolve recursos que não existem e a questão cultural, somos bons em produção e deixamos a desejar em estratégias.

Fazer alardes sobre as deficiências da infra-estrutura do Brasil, sem detalhar os motivos, é prestar informações incompletas. Muitas vezes isto ocorre sob orientação de organizações com alto interesse na área e na perenidade da dependência dos produtores. Ser atravessador, inclusive no mercado externo, é um grande negócio.

Por: Ademar Rafael 

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

 FALTAM LÍDERES DE VERDADE

No final da década de noventa numa prova de direito internacional o professor solicitou numa questão aberta que fizéssemos um texto sobre um líder mundial da atualidade. Escrevi sobre Gandhi e ele questionou a não citação de alguém vivo, justifiquei que não via outro líder a ser destacado.

Durante o dialogo chegamos ao nome de Mandela e após leitura mais profundados feitos de líder sul-africano vi que havia sido muito exigente. Mandela podia sim ter sido destacado em meu texto.

Recentemente vendo a reação dos venezuelanos diante da morte do Presidente Hugo Chávez veio uma indagação. Se a prova fosse agora eu citaria Chávez? A resposta é não.

Mesmo tendo conhecimento dos esforços do venezuelano em favor da universalização do ensino, eliminação do analfabetismo e distribuição de renda, com todo respeito às opiniões contrárias, não percebo Chávez como líder mundial.

Meu crivo para identificar um líder mundial passa por dois posicionamentos básicos. O primeiro é antes de ser contra  algo ser a favor de uma causa e no bom combate enfrentar os opositores, tornando-os defensores dos seus ideais, com a paciência de um monge e garra, muita garra. O segundo é que a causa defendida possa servir ao mundo e não a uma nação isolada.

No auto proclamado herdeiro de Simon Bolívar faltava a paciência e a causa mundial.  A sua insistência por novos mandatos e não formação de um seguidor confiável também contribuem para o afastamento da minha lista de líderes mundiais.

Estaria eu tentando ser mais “sabido” que esmagadora maioria do povo do país vizinho e das autoridades mundiais que tanto defendem Chávez? Pode ser. Cada um cria seus critérios os meus são estes, podem ser contestados, isto faz parte da convivência harmônica em grupo. É na discordância que crescemos.

Caso a avaliação fosse feita agora em 2013 eu não iria até a Índia para buscar o líder procurado, escreveria sobre Mandela. Depois dele ninguém teve estatura para figurar na galeria que criei com os defeitos naturais do julgamento humano.

Lideres de causas próprias e de questões locais sobram, estão em falta lideres de alto alcance, que possam ser copiados em favor de causas mundiais. Neste quesito teremos que recorrer ao passado. Que as gerações futuras não encontrem a dificuldade que ora enfrento.

Por: Ademar Rafael 

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

OS ANIMAIS TAMBÉM CHORAM?

No dia 03.03.13 este blog expôs uma foto e relatou o episódio do “choro” de uma jumenta ao ver o filhote ser tragado pela seca na Paraíba e fez uma invocação a sensibilidade da presidenta Dilma em direção ao sofrimento dos nordestinos em outra grande estiagem.

A cena trágica do sofrimento de animais está presente no cotidiano de quem habita na zona rural. Ver a luta de uma ave em defesa dos seus filhotes, colocando a vida em risco ao enfrentar o predador é de “cortar coração”, como dizia Quincas Rafael. Uma vaca lambendo a cria após o nascimento e seus movimentos em torno do corpo inerte no caso da morte prematura é um espetáculo inarrável.

Nós os humanos é que, em nome da correria atual, não temos tempo para observar o sofrimento alheio. Interessamo-nos muito mais pelo próximo lançamento tecnológico, pelo eliminado do BBB ou pela mais recente denúncia de corrupção do que pelo sofrimento de um animal abandonado nas ruas, nas estradas e nos campos. Quando muito reclamamos quando um destes animais atrapalha nossos potentes veículos.

A arte e o cancioneiro ensinam que “o jumento é nosso irmão”, que “as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti” e que “os brutos também amam”, difícil é termos a capacidade de sentir, na prática, estas mensagens. Talvez a resposta esteja na música do Padre Fábio de Melo, “somos humanos demais”.
Quanto ao apoio político invocado é muito bom atentarmos para o fato que o coração do político normalmente tem duas versões. A versão “manteiga” durante as campanhas eleitorais e a versão “granito” ao tomar posse. Outro ponto a ser destacado é que o modelo de gestão imperante em nosso país é o da “esmola” uma vez que a dependência alimenta o sistema.

Somente quando alguém tiver coragem para alterar o pensamento em voga e tratar os fenômenos naturais secas, enchentes, alagamentos, deslizamentos, entre outros, de forma preventiva veremos menos “choro” de animais e de pessoas carentes os invisíveis aos olhos da classe dominante, especialmente pelos políticos após a posse.

Não podemos esquecer que existem animais que recebem afagos negados aos empregados das casas de “grã-finos”, enquanto os primeiros recebem tratamento de primeira em “pet shops” os segundos são tratados nas filas do SUS.

Resta-nos lutar por justiça social, um dia ela bate em nossa porta..

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

 O XERIFE VIROU INSPETOR DE QUARTEIRÃO.

Os americanos do norte durante anos conseguiram perpetuar seus heróis em filmes que, de forma ufanista, retratavam eventos como a conquista do oeste com direito a matança de búfalos, índios e bandidos. Seguiram o mesmo caminho ao criarem os conhecidos super-heróis.

Em cada filme e na vida real os ianques depois da segunda guerra mundial assumiram o papel de xerife do mundo. Montados no tripé dólar, moeda de troca em todas as transações comercial entre os países; armas, de todos os formatos, inclusive nucleares e tecnologia de ponta deram as cartas e impuseram modelos econômicos e sociais.

As fraudes contábeis, a crise de 2008 e a lenta recuperação da economia somaram-se ao poder econômico da China para criar rupturas inimagináveis. Para muitos os Estados Unidos da América deixaram de ser “donos da terra”, países que sempre dependeram do apoio americano criaram caminhos próprios.

O filme Lincoln traz em seu enredo detalhes sobre a abolição da escravatura e encerramento da guerra entre sulistas e nortistas. Os métodos utilizados, pouco recomendados para quem sempre tentou dar lição ao mundo, mostram as vísceras de um sistema baseado em um bipartidarismo idiota. O modelo que até hoje permanece é campo fértil para o confronto. Uma ideia dos democratas é repelida pelos republicanos e vice versa. 

Marcos Valério e sua turma ao assistirem o filme devem ter ficado frustrados. A compra de votos no parlamento para aprovar propostas do executivo não foi um produto gerado nas Minas Gerais, durante a eleição de Azeredo. Nasceu nos EUA, país que deu lição de democracia e ética por décadas.

A forma que os americanos estão tratando os estrangeiros, inclusive que estão no país de forma ilegal, pode ser a senha que o xerife está virando inspetor de quarteirão. Os latinos, antes tratados como insetos, estão sendo recebidos com tapetes vermelhos, os brasileiros antes responsabilizados por tudo que dava errado estão sendo atraídos como importantes consumidores. O mundo realmente dá voltas.

Pelas minhas contas até 2030 veremos o muro construído para separar os EUA do México transformado em atração turista e a China construirá um trem bala sobre o mar do caribe ligando a costa americana à Havana.

Todos os impérios da antiguidade ruíram em função da prepotência e da certeza que eram inatingíveis pelos inimigos. Qualquer semelhança é mera coincidência.
O mapa do mundo esta mudando, os americanos sabem disto.  

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

CONTROLE SOCIAL
Dotados de amparo jurídico previsto na Constituição Federal e em dispositivos legais da União, Estados e Municípios os controles sociais materializados pelos Conselhos Tutelares, de Saúde, da Educação e do Idoso tem ocupado espaço na fiscalização de atos administrativos do setor público.

Quando mergulhamos no funcionamento de referidos colegiados notamos que os Conselhos Tutelares ocupam o pódio na execução dos encargos sob sua responsabilidade, os demais com raras exceções patinam, deslizam na burocracia e deixam lacunas.

Nos casos dos Conselhos de Saúde e Educação identificamos três fatores que inibem a atuação plena, cada um deles com maior ou menor intensidade, tem presença isolada ou conjunta em várias situações.

O primeiro fator é a ingerência de gestores públicos na escolha dos conselheiros. Existem casos em que a forma indicação extrapola os caminhos convencionais. Os membros impostos passam a figurar como verdadeiros representantes do poder público em um ambiente que deveriam fiscalizar com total isenção.

O segundo fator, não menos nocivo, advém da capacitação dos conselheiros. É perceptível o desconhecimento de conselheiros acerca dos assuntos debatidos na plenária. Seus votos seguem o direcionamento dos mais esclarecidos que podem manipular informações e aprovar os assuntos em debate, muitas vezes sob orientação externa.

O terceiro fator, quase unanimidade, decorre do uso inadequado da condição de conselheiro para ganhar visibilidade na disputa de cargos eletivos, principalmente para vereador. Este fenômeno se faz presente na esmagadora maioria dos conselhos espalhados pelo nosso país.

Somada a tais fatores a dependência dos conselhos de “favores” dos fiscalizados uma vez que despesas básicas como aluguel, material de expediente e consumo dependem de recursos repassados pelos públicos e criam uma relação que fragiliza a ação plena.

Nos conselhos de idosos além dos fatores acima existe uma dependência da vontade de setores privados uma vez que vários benefícios amparados por lei são ignorados por prestadores de serviços o que levam os conselheiros a procurar o Ministério Público para que os direitos sejam respeitados.
A transparência e a justiça social pretendida com a criação dos conselhos serão atendidas quando os entraves acima foram expurgados e os gestores públicos perceberem a importância do controle social para melhor aplicação dos recursos nas finalidades previstas originalmente.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

DIPLOMA, PARA QUE SERVE?

Sou do tempo que para um recém-formado ingressar no mercado de trabalho bastava registrar seu diploma na entidade que representava a categoria, hoje a situação é outra.

Várias categorias profissionais, após a colação de grau, enfrentam o dilema da aprovação em certame definido como pré-requisito para exercício da profissão. Enquadra-se nessa situação o Exame da Ordem dos Advogados para os acadêmicos de direito e o Exame de Suficiência para os contabilistas. No caso dos operadores do mercado financeiro existem as temidas certificações, fato que ocorre também para auditores independentes.

O que está por baixo do tapete destas “qualificações extras”? Sem muito esforço encontraremos o baixo nível do ensino em grande parte das entidades públicas e privadas, ou seja, muitas delas não passam de fornecedores de um papel como nome de DIPLOMA. Os profissionais que detém seus registros viram-se na obrigação de “proteger” suas categorias dos invasores sem a devida qualificação.

Aprofundando a busca encontraremos uma verdadeira indústria que fornece cursinhos, material impresso e dicas, algumas combinadas com os aplicadores das provas e neste caso com elevado custo para os candidatos. A cada ano crescem as denúncias sobre a manipulação de gabaritos.

Fica a indagação: Se as instituições de ensino superior não estão dando conta de formar os profissionais durante os cursos regulares um cursinho e uma prova repararão as deficiências? Tenho muitas dúvidas.

No campo da medicina o problema é agravado com a convivência durante o curso regular com aulas de entidades fornecedoras de conteúdos para aprovação nas provas de residência. Já ouvi de um bom médico que neste tipo de aula há maior aprendizado do que nas atividades acadêmicas. Como aceitar que a carga horária de um acadêmico de medicina com aula convencional, estágio, internato, trabalhos tenha a concorrência de um verdadeiro curso paralelo? 

Já ouvi em roda de acadêmicos que a saída a deixar o curso regular de lado e dedicar-se com maior afinco ao curso paralelo uma vez que a residência é determinante para exercer a profissão na área desejada, isto é, na condição de especialista.
Com a falta de médicos, principalmente no interior, não seria o caso de reformular o modelo atual, ampliando a carga horária e criando estruturas regionais para que o formando possa  sair do curso com a bagagem necessária para o exercício pleno da atividade e na especialização escolhida?

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

AGORA A REDE

Por ser adepto de uma rede armada em um alpendre virado para o nascente em tarde chuvosa ou numa pousada às margens do oceano atlântico, gostei muito do nome do novo partido de Marina Silva. Excluído o emblemático direcionamento para modernidade via “redes sociais” o nome tem perfeita aderência com o perfil dos defensores da sustentabilidade. Nada melhor que uma rede para debatermos o futuro da humanidade.

No lançamento ao lado de Marina Silva estava a minha eterna senadora Heloisa Helena, mulher combativa vitima do jeito alagoano da fazer política. Não tivesse ela optado pelo caminho da coerência estaria no PT e possivelmente teria chegado ao governo da terra de Graciliano Ramos. Participou ativamente da criação do PSOL, não se encontrou e na nova sigla buscará o espaço que merece. Juntas formam uma boa dupla, uma bate a outra sopra.

Os que sonham com a saída do PT do trono presidencial Marina Silva é uma opção. Esta pesquisa que a coloca em segundo lugar no momento e a ratificação do último pleito. Não fosse a força monetária e midiática do PSDB a candidata do PV teria tirado Serra do segundo turno. A pergunta é quais as cartas da Dilma?

Na condição de socialista desenvolvimentista que sou, tenho preocupação com os destinos do Brasil deitado na REDE. Sustentabilidade para este cronista é o convívio harmonioso das pessoas com o ambiente na geração de riquezas para o conjunto da sociedade. Este não é o modelo que a REDE defende.

Até outubro de 2014, dependendo da posição de Marina Silva na disputa presidencial, muitos virarão ecologistas e as politicas ditas sustentáveis entrarão de vez na pauta nacional. Minha parte de Mãe Diná enxerga a turma anti PT jogando Marina Silva contra Dilma para tentar virar o jogo no segundo turno com a que sobrar. O perigo é o segundo tempo do jogo ser decidido pelas duas e esta oposição não ser bem recebida em nenhum dos palanques.

Com a personificação verificada os últimos mandatos é possível que com a subida da REDE ao poder o hino nacional tenha sua letra alterada. Em lugar de “Deitado eternamente em berço esplêndido” teríamos “Deitado eternamente em rede esplêndida”.

É muito cedo para sabermos que tipo de peixe a REDE vai pegar. Uma coisa é certa o programa do partido traz algumas novidades sem qualquer sintonia com os costumes nacionais. Limitar valores e excluir doadores tem sentido até a hora da verdade. Quando um grande pleito estiver em risco pela falta de recursos é possível que tais restrições sejam colocadas em segundo plano.

É pureza demais em um ambiente onde não há espaço para inocentes. 

Por: Ademar Rafael