
Assessores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmaram à TV Globo que ele não participará do debate presidencial promovido pela emissora antes do primeiro turno das eleições. Em participação no programa O Grande Debate Eleições 2026, na quarta-feira (30), analistas avaliaram os possíveis impactos eleitorais da ausência.
A emissora prevê manter uma cadeira vazia no lugar que seria ocupado por Lula, com a possibilidade de perguntas serem dirigidas ao ausente. Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença e, segundo sua campanha, concentrará as falas em segurança pública e custo de vida.
Impacto negativo para Lula, segundo analistas
Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel, avaliou que o impacto da ausência é relevante e tem potencial de ser bastante negativo. “Diferente de 2022, quando o presidente retornou trazendo aquele legado, aquele histórico, aquela lembrança que parte do eleitorado tinha das suas primeiras gestões, ele não precisava apresentar um balanço”, afirmou.
Segundo o especialista, a situação atual é diferente: “A gente tem um presidente que está em final de mandato, então ele precisa trazer um balanço, uma justificativa, ele precisa mostrar para as pessoas o que ele fez”.
Sanches destacou ainda que um debate presidencial representa uma oportunidade de conexão com o eleitorado, inclusive como forma de transparência para defender as entregas do governo e responder sobre promessas não cumpridas.
Para ele, a ausência “abre um questionamento que é bastante importante, ela não é trivial” e representa “um erro estratégico na reta final da campanha do primeiro turno”.
Oportunidade para Flávio Bolsonaro
O head de análise política da AtlasIntel lembrou o episódio do primeiro debate presidencial da Band, do qual nem Lula nem Flávio participaram, e que acabou “catapultando” Augusto Cury ao conectá-lo com um eleitorado “estafado da polarização”.
Na visão de Sanches, a ausência de Lula abre margem para que outras candidaturas, especialmente a de Flávio Bolsonaro, se conectem com eleitores indecisos. “É uma oportunidade que ele tem de se apresentar, de endereçar o que são vistas como fraquezas suas e apresentar aquilo que ele tem e que ele vem buscando construir”, disse.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, concordou com a análise e acrescentou que, nos últimos dez dias, a narrativa da campanha havia se mostrado mais favorável ao governo, com temas como reajuste do Bolsa Família e proibição de apostas dominando o noticiário.
“E a campanha do Flávio não está conseguindo pautar temas”, observou. Ao abrir mão do debate, Lula cede o espaço para que seu principal adversário possa pautar temas considerados pontos sensíveis do governo atual, como custo de vida e segurança pública.
Debate mais cedo aumenta o alcance
Tokarski chamou atenção para uma novidade deste ano: o debate será transmitido às 21h30, e não às 23h como em edições anteriores. “A audiência tende a ser maior”, avaliou, o que tornaria o evento “possivelmente ainda mais relevante”.
Em uma eleição disputada, ele pondera que mesmo uma variação de um ou dois pontos percentuais pode influenciar o resultado final.
Sobre a imagem da cadeira vazia com o nome de Lula, o analista foi direto: “Certamente essa ausência vai ser muito atacada e depois vai ser muito usada nos dois dias seguintes pelos seus adversários e principalmente pela campanha do Flávio”.