Ex-prefeito de Flores por quatro mandatos percorreu todos os sertões de Pernambuco. Afirma ter apoio nos 17 municípios da região e diz que a população o enxerga como a liderança capaz de preencher o espaço deixado por Patriota. Na avaliação do governo estadual, foi elogioso a Raquel Lyra.
Marconi Santana é um dos políticos que mais cedo colocou as barbas de molho para as eleições de outubro. Ex-prefeito de Flores por quatro mandatos e ex-presidente do Cimpajeú, ele percorreu o São Francisco, o Sertão Central e o Araripe antes de chegar ao Pajeú — sua região de origem — para apresentar a candidatura a deputado estadual. A estratégia, segundo ele, foi deliberada: construir reconhecimento fora do reduto antes de consolidar em casa.
Em entrevista ao Blog do Finfa, Marconi apresentou um currículo extenso para embasar a candidatura: vereador desde 1988, presidente da Câmara Municipal, quatro mandatos como prefeito, presidência do consórcio intermunicipal do Pajeú e passagens pelas secretarias estaduais de Cidades, Agricultura e Planejamento — o que, diz ele, lhe deu o conhecimento de todos os municípios pernambucanos, inclusive Fernando de Noronha.
Um dos pontos centrais da narrativa de Marconi é José Patriota, referência histórica do Sertão do Pajeú na Assembleia Legislativa, e que nos deixou há dois anos. Para o ex-prefeito, a ausência de Patriota deixou a região sem uma voz ativa nas pautas que mais afetam o interior: agricultura, segurança pública e saúde.
“Com a perda do nosso querido José Patriota, ficou o vácuo de uma liderança que veja a deficiência na questão da agricultura, a falta de segurança pública, a questão da saúde pública. Quem é que luta? Quem é essa voz?” Santana deixa clara sua resposta ao longo de toda a entrevista: ele se apresenta como o candidato natural para ocupar esse papel.
Diz ter apoio nos 17 municípios do Pajeú — em diferentes escalas — e que a pré-campanha já avançou para a Região Metropolitana do Recife, com presença em bairros como Casa Amarela, Nova Descoberta e Alto de Santa Isabel, além de Olinda, Jaboatão, Paulista e Cabo de Santo Agostinho. “Hoje Marconi Santana é Pernambuco”, resumiu, ao falar da receptividade fora do Sertão.
Flores: legado e base eleitoral
No município de Flores, onde governou por quatro mandatos, destaca como principal legado a implantação de 286 sistemas de abastecimento d’água num território de mil km², além de melhorias em educação, saúde e infraestrutura. Seu sucessor, Gilberto Ribeiro — eleito com quase 70% dos votos —, mantém a agenda de obras e inaugurações, e Santana afirma ter articulado cerca de 50 milhões de reais em investimentos federais e estaduais que estão chegando ao município.
A base construída ao longo dos anos em Flores é o principal trunfo que espera converter em votos expressivos em outubro. “A população de Flores não me deixará só”, afirmou, confiante na fidelidade do eleitorado onde consolidou sua trajetória política.
Avaliação positiva de Raquel Lyra
Ao ser questionado sobre o governo estadual, Marconi foi elogioso à gestão de Raquel Lyra. Elencou avanços em segurança pública, saúde, assistência social — com destaque para as 300 cozinhas comunitárias — e obras de infraestrutura que chegam ao Sertão: a adutora de Negreiros para Araripina e Parnamirim, uma barragem de seis milhões de metros cúbicos em Santa Filomena, ETAs em Petrolina e mais de 1.500 km de estradas asfaltadas, além de vicinais com rolo compactador para escoamento da produção do interior.
“Raquel Lyra é merecedora da continuidade como governadora de Pernambuco, por tudo que tem se dedicado com exclusividade ao povo e ao governo do estado”, encerrou. 
ENTREVISTA NA ÍNTEGRA
Finfa: Marconi Santana, o senhor foi um dos primeiros pré-candidatos a iniciar sua trajetória no estado de Pernambuco. Como se encontra a pré-campanha atualmente?
Marconi Santana: Obrigado pela entrevista. Quero dizer que hoje estamos bem, em Pernambuco todo, principalmente no Sertão Pernambucano, onde iniciamos nossa pré-campanha há um ano e dois meses. Procurei me fortalecer fora do âmbito do Pajeú — no São Francisco, no Sertão Central, no Sertão do Araripe — e só então cheguei ao Pajeú, onde moro, onde nasci e onde convivo com todos.
Quando percebi o anseio da população em ter um pré-candidato filho do Pajeú, alguém que as pessoas pudessem ver, se dirigir, estar ao lado — essa pessoa foi eu. Estou no cotidiano da Feira de Afogados da Ingazeira, nas festividades de Zé Dantas em Carnaíba, em Iguaracy, nas festividades de Jatiúca. As pessoas creditaram em Marconi Santana a pessoa ideal para fortalecer o Pajeú e o Sertão de Pernambuco.
Com a perda do nosso querido José Patriota, ficou o vácuo de uma liderança que veja as deficiências na agricultura, na segurança pública, na saúde. Quem é que luta? Quem é essa voz? A população tem nos visto como essa voz futura na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Caminhei por todos os municípios sertanejos, estou entrando agora no Agreste e mostrando essa nova identidade: um pré-candidato que foi vereador, presidente da Câmara, prefeito, presidente do Cimpajeú, com passagem por três secretarias estaduais. Me credenciei a essa pré-candidatura diante de tudo que servi à população da minha cidade e do estado.
Finfa: O Pajeú é composto de 17 municípios. O senhor percorreu e tem apoio nos 17 municípios do Sertão do Pajeú?
Marconi Santana: Tenho, em todos os 17 municípios temos apoio — pequenos, médios e grandes apoios. Todos são bem-vindos. Creditar em mim essa força nova do Pajeú significa buscar alternativas para o homem do campo, para a saúde, para a geração de emprego e renda. Não temos grandes indústrias na região. Precisamos manter um diálogo forte com o governo estadual e federal para trazer investimentos para o Sertão Pernambucano, que sempre fica por último — esquecido em favor da Região Metropolitana, da Mata Sul e da Mata Norte. Essa será a pauta prioritária assim que a gente assentar a cadeira na Assembleia.
Finfa: Como Marconi Santana, como pré-candidato, vê a aceitação do seu nome em regiões e cidades que não conhecia?
Marconi Santana: Pernambuco, no todo, eu conheço. Já estive em todas as cidades pernambucanas — na Secretaria das Cidades, na Secretaria de Agricultura, na Secretaria de Planejamento, percorri quase todos os municípios, inclusive a ilha de Fernando de Noronha. Então já criava identidade naquele tempo. Depois, as pessoas me conheceram como gestor municipal, um gestor que teve destaque. Melhoramos muito Flores: partimos de quase zero e elevamos o município a um patamar muito bom, principalmente em educação, saúde, segurança pública e infraestrutura hídrica. Implantamos 286 sistemas de abastecimento em Flores, um município de mil km². Essa intervenção nos tornou conhecidos em todo o estado como bons gestores. Onde eu chego, a primeira palavra que uso é o fortalecimento do Sertão Pernambucano. Tínhamos Osvaldo Coelho, Nilo Coelho, Inocêncio Oliveira — tantos que lutaram pelo Sertão. Hoje não temos essa voz, e o povo está se identificando em Marconi Santana como a voz que vai perdurar e lutar pelos interesses do Sertão na Assembleia Legislativa.
Finfa: O senhor usa um termo que já postei no meu blog e que chama atenção: “Eu sou candidato do povo”. Isso pegou de verdade no estado todo?
Marconi Santana: Por que do povo? Porque eu vim do povo. Me qualifiquei, mas a primeira eleição em que me submeti foi de vereador, em 1988, e fui pelo povo — não pelo sobrenome, não porque me queriam. Os políticos não me queriam como candidato: foi o povo quem me lançou. Porque eu abraço o povo, eu cheiro o povo, eu tenho a cara do povo, eu sou do povo. Estou muito próximo, não só do Pajeú, mas de Pernambuco. Fizemos incursões na Região Metropolitana — em Recife, em Casa Amarela, Nova Descoberta, Alto de Santa Isabel; em Olinda, em Jaboatão, em Paulista, no Cabo de Santo Agostinho. Hoje Marconi Santana é Pernambuco, porque as pessoas estão me identificando como a voz do povo na Assembleia Legislativa. E é isso que vamos fazer: servir ao povo de Pernambuco.
Finfa: O senhor saiu da gestão de Flores com uma super aprovação. Seu sucessor, Gilberto Ribeiro, vem mantendo o cotidiano de obras e inaugurações. O senhor tem certeza de que o florense vai dar uma votação expressiva ao senhor em outubro?
Marconi Santana: Olha, espero que sim — até porque sempre servi à população de Flores, e ela continua sendo servida. Tanto que temos quase 50 milhões de investimento chegando ao município: recursos articulados por mim em nível federal e estadual, muita obra, muita ação para o povo de Flores. E queremos estender isso para o estado todo. Sinto-me muito agraciado: foram quatro legislaturas como prefeito, e meu sucessor eu elegi com quase 70%. Tenho a certeza de que a população de Flores não me deixará só nesse momento em que queremos fazer pelo Sertão e por Pernambuco. A população é detentora de uma pessoa que faz por ela. Embora não sejamos mais secretário, temos um amor fraterno por todos os florenses. É isso que nos traz felicidade — saber que eles também sentem isso por mim, por minha esposa. Temos elevado nossa cidade com muito amor e dedicação, e creio que não nos faltarão nesse momento.
Finfa: Com sua experiência de gestor e político, como o senhor avalia o momento do governo Raquel Lyra?
Marconi Santana: Momento ímpar. Pernambuco cresceu — o PIB do estado é um dos maiores do Brasil. A segurança pública é destaque, a saúde é destaque, a assistência social é destaque, o fomento à alimentação e a segurança alimentar também — são 300 cozinhas comunitárias. A governadora está no melhor momento de governar Pernambuco e merece a continuidade por tudo que tem entregue à população. Os pernambucanos, que tinham uma saúde debilitada, hoje têm atendimento de qualidade. Os hospitais foram todos reformados, houve a entrega do Hospital de Paulista, do Alfa, em Boa Viagem. E fora os investimentos na nossa região do Pajeú e no Sertão: obras hídricas, a adutora de Negreiros levando água para Araripina e para a região de Parnamirim; em Santa Filomena, uma barragem de seis milhões de metros cúbicos em construção; as ETAs de Petrolina, que enfrenta grave deficiência de água potável nas áreas de irrigação; mais de 1.500 km de estradas asfaltadas e as vicinais que estão sendo implantadas em Afogados, em Flores, Carnaíba, Triunfo — vicinais feitas com rolo compactador, garantindo o escoamento da produção do interior como nunca antes. Também há o fortalecimento financeiro dos municípios, com crédito para calçamento, asfalto, escolas e creches. Raquel Lyra é merecedora da continuidade como governadora de Pernambuco, por tudo que tem se dedicado com exclusividade ao povo e ao governo do estado.