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CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

É muito desperdício.
Em outubro de 1985, às margens do piscoso Rio Coxim no município de São Gabriel do Oeste – Mato Grosso do Sul, enquanto comíamos um Jaú assado na brasa com direito a umas “bicadas” de Velho Barreiro o anfitrião, empresário rural descendente de alemão, falou: “Ademar, você sabe por que vocês brasileiros natos desperdiçam tanto?” Ele mesmo respondeu: “É porque vocês nunca enfrentaram a escassez de uma guerra”.
Nunca esqueci esta conversa, utilizo seu conteúdo em diálogos com clientes e alunos e a cada dia vejo como a observação está presente no cenário brasileiro, especialmente em obras públicas.
Uma semana de crônica não daria para expor todas as obras abandonadas, não iniciadas, inacabadas, concluídas sem utilização e dimensionadas equivocadamente. Os recursos jogados fora, muitas vezes de propósito, são dos contribuintes e vieram dos cofres da União, dos Estados e dos Municípios.
De norte a sul, de leste a oeste existem sangradouros de recursos públicos, é normal encontramos obras em todos os estágios que configuram desperdícios.
São viadutos, pontes, estradas, linhas férreas, escolas, hospitais e outras construções a espera de novos recursos, a indústria de aditivos segue em ritmo acelerado. As torneiras não podem parar de derramar reais nos ralos da negligência, da incompetência, da corrupção e tantos outros.
Para os gestores públicos e suas empreiteiras “amigas” nada melhor do que quatro ou cinco lotes de uma obra paralisados. Um lote em funcionamento rende menos, então para que concluir?
Existem diversos casos em que foram feitas as licitações, assinados os contratos, iniciados os trabalhos e os serviços paralisados por falta de licenças que deveriam ter sido providenciadas antes da primeira fase, outros em que as licenças venceram, os entraves burocráticos impediram o início das obras tempestivamente.

Tais fatos atestam a veracidade da fala do empresário.

Por: Ademar Rafael


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