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Crônica de Ademar Rafael

JOSÉ VANDERLEY GALDINO MARQUES

Este sertanejo, ora incluso na galeria “Pessoas do meu sertão”, poderia entrar para história como a pai de Yane Marques, destacada atleta do pentatlo moderno, medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres, ouro em duas versão es dos jogos Pan Americanos e vencedora de várias competições nacionais e internacionais. No entanto, além deste merecido destaque, vamos dar clareza para outras habilidades de Vanderley Galdino.

Vários leitores e várias leitoras desta coluna semanal não tiveram o privilégio de assistir nos campos e nas quadras a performance de Vanderley. Garanto era um espetáculo de categoria nos desarmes, sem dar pancadas, nos passes perfeitos e em finalizações impecáveis. Jogou em praticamente todos os times de Afogados da Ingazeira, com dedicação, classe e muita correção no quesito ética esportiva. Com certeza ele tem outros momentos de destaque em sua carreira futebolística. Vou limitar minha narração em duas situações.

A primeira a sua estreia no fabuloso time do Guarany, em jogo realizado no Estádio Romeirão em Juazeiro do Norte. Foi um partida para entrar na história, jogou como gente grande, demonstrou o jogador perfeito que era e calou a boca de muitos torcedores e da crítica esportiva da época. Para este cronista Vanderley jogava um futebol que transitava entre o sentido de marcação de Ardiles, campeão mundial pela Argentina e a condução de bola de Falcão, do Internacional, Roma, São Paulo e Seleção.

A segunda foi jogando futebol de salão pelo Barcelona, time que treinei, em jogo realizado na cidade de Iguaraci. Os jogadores do time base do Barcelona eram Bartó Garcia, Alex, Vanderley e Pé de Banda e seu banco de reserva era uma “grife”: Miranda, Chumbinho de Mestre Biu, Dinga de Everaldo, Dedé de Ninô, Bui de Zeca, Alírio, Dinamério. Em referida partida não podíamos contar com Alex, que não gostava de jogar fora, Bartó Garcia e Pé de Banda que faziam parte do elenco do Guarany. Vanderley e o goleiro seriam os únicos titulares. Chagamos em Iguaraci e percebemos a fria que estávamos metidos. O time era composto por quatro jogadores da cidade de Sertânia e apenas um da localidade. Ganhamos o jogo com belas exibições do nosso goleiro, de Miranda, de
Dinga de Everaldo e uma partida exuberante de Vanderley, deu um aula.

Fora dos campos e das quadras Vanderley também é craque como comunicador e narrador de jogos de futebol e circuitos de vaquejada. É, de fato e de direito, um homem com habilidades múltiplas. Conduziu com muito sucesso o programa “Pajeú Super Show” em nossa querida Rádio Pajeú. Atualmente comanda o festejado “Fim de Tarde na Fazenda”, pelas ondas da Afogados FM.

Dentre as outras muitas qualidades de Vanderly eu destaco sua dedicação e compromisso com o que se dispõe a e fazer, sua educação e suas ações em defesa do esporte e da cultura regional. Poucos pessoas conheci com tanto zelo por nossa terra e pela sua gente. Obrigado amigo.

Crônica de Ademar Rafael

ESCOLHAS

Tenho poucas dúvidas sobre a extinção da prudência provocada pela ação devastadora do mundo dos “ismos”, representado pelo consumismo, imediatismo, fanatismo, individualismo e outros. Seguido este raciocínio os ensinamentos dos nossos avós, dos quais extraímos as partículas “um pé atrás” e “de orelha em pé”, são realmente coisas do passado. Para este tipo de posicionamento não tem espaço no mundo atual.

Não temos tempo para pensar, medir os riscos e decifrar o binômio custo x benefício. Hoje é comum decidir em cima do que enxergamos como certo, não interessa a base superficial, interessa o resultado que vemos ao fazermos as escolhas. Para que estudar se as redes socias tem todas as respostas? Se a comunicação virtual decifra todos os enigmas?

O térreo fértil desse universo, quase sempre composto de areia movediça, acolhe fundamentos apresentados pelos economistas George Arthur Akerlof e Robert James “Bob” Shiller no livro “Pescando tolos – A economia da manipulação e fraude”. George e Robert, ganhadores do prêmio Nobel de Economia em 2001 e 2013, respectivamente, apontam como as pessoas estão sendo facilmente induzidas ao consumo por meio de mensagens esteticamente desenvolvidas para atrair ‘tolos’ e que representam verdadeiras “iscas”. Tais mensagens alcançam pescarias vinculadas a alimentos, medicamentos, cigarro e álcool, consumo de bens duráveis e ativos financeiros.

Na ligação entre o enunciado do início deste texto e mensagem principal do livro encontramos: “…histórias que as pessoas estão contando para si mesmas.”. Simplificando, diríamos que em nome da modernidade estamos ouvindo e seguindo apenas o que nos interessa, estamos deixando de lado o julgamento aprofundado. Damos atenção a mídia e aos especialistas em marketing de massa. A hora nos remete ao lema dos escoteiros: “Sempre alerta” ou o ditado popular “Prudência e caldo da galinha não fazem mal a ninguém”. As escolhas são suas, os prejuízos também.

Crônica de Ademar Rafael

ANALFABETISMO

Muito próximo de comemorar dois séculos da sua independência o Brasil tem, entre outras, aquela que considero a sua maior dívida social: O analfabetismo crônico. Em todas as campanhas políticas o tema educação entra na pauta, depois da posse ficam os projetos para o setor jogados na última gaveta dos ricos gabinetes. A prioridade some.

Todas as tentativas fracassadas foram anunciadas como a solução definitiva para este problema que gera muitos outros. Quando o regime militar instalado em 1964 criou o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, por meio da Lei 5.379, de 15.12.1967, prometeu “… a alfabetização funcional e a educação continuada de adolescentes e adultos.” Muita propaganda oficial, muito dinheiro gasto e pouco resultado. Ao ser extinto em novembro de 1985 o MOBRAL deixa a cena como enorme fracasso. Segundo dados oficiais durante sua existência o Programa alfabetizou de forma superficial apenas 37,5% da meta original que era de 40 milhões de brasileiros, esbarrou em 15 milhões.

Para não correr o risco de ficar retido na malha burocrática citarei alguns outros nomes que o poder central deu aos diversos programas de alfabetização. Com a extinção do MOBRAL o Governo Sarney criou o Projeto Educar, 25.11.1985. Fernando Collor por meio da Lei 8.209,de 12.04.1990, colocou um ponto final no programa criado pelo seu antecessor. Em 2003 foi criado o Programa Brasil Alfabetizado – PBA, seu objetivo: “Promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos e contribuir para a universalização do ensino fundamental no Brasil.” O fracasso continua.

Provando que é possível a Fundação Banco do Brasil criou o Programa BB-Educar, com ele mais de 100 mil brasileiros deixaram a escuridão do analfabetismo. Porque tal programa não é replicado pelo governo. Dizem os pessimistas que não há interesse dos “donos do poder” na solução do problema. Alegam que o analfabetismo mantém a dependência. Será?

Crônica de Ademar Rafael

ALÉM DO DINHEIRO

A literatura nos brindava com uma relatório da lavra de Graciliano Ramos direcionado ao Governador de Alagoas, narrando fatos da sua gestão como Prefeito de Palmeiras dos Índios – AL (07.01.1928/10.04.1930).

Em recente viagem ao Pajeú recebi a obra “Pedro Pires Ferreira, Meu pai”, de autoria de Nevinha Pires e editado pela família, neste ano. Na publicação encontrei uma prestação de contas de mandato do eterno prefeito tabirense. A seguir alguns pontos para que determinados políticos deixem de invocar a falta de dinheiro e que com ações corretas cumpram suas obrigações. Com atitudes corretas o dinheiro deixa de ser o foco único.

Podemos aprender muito sobre humildade, honestidade, atenção, limites, prioridade, etc. com estas citações: “Se cometi faltas contrariando os princípios da democracia, do direito e da ética administrativa é porque ignorei a maneira certa e legal de proceder”; “Uma coisa não se dirá: é que eu tenha me aproveitado do poder para perseguições mesquinhas ou com ele me beneficiado para enriquecimento de meu patrimônio particular”; “Sei que não solucionei os problemas da minha terra, todavia, não os deixei relegados ao esquecimentos” e “Procurei sempre aplicar a
prática administrativa, atendendo em primeiro lugar às necessidades mais urgentes.” Vejam que o líder não culpou a falta de dinheiro, citou atos.

Com atestado da ampla visão de Pedro Pires e da sua correção transcrevo abaixo duas estrofes lidas nas festividades do seu centenário, inclusas no livro. Os autores, dois poetas de Jabitacá: José Severo Liberal – “Numa estrada vicinal/Numa passagem molhada/Numa cancela assentada/Numa escolinha rural/Na placa de um hospital/Nos aterros da ladeira/Na construção da ‘bueira’/Nas águas do cacimbão/Vá atrás que tem a mão/De Pedro Pires Ferreira.” e de Quincas Rafael – “Ele era Pedro Pires/No dia da eleição/Ele era Pedro Pires/Na hora da precisão/Foi tão extraordinário/Que qualquer adversário/Apertava sua mão.”

Crônica de Ademar Rafael

ANTÔNIO PÁDUA DE LIMA

Em que pese a filosofia da rua apontar em outras direções, gosto da afirmativa que alguns valores nós trazemos do berço. Este modelo é plenamente aplicável ao professor Antônio Grilo. Desde cedo soube aplicar e copiar os bons exemplos.

Nos conhecemos em 1972 numa sala de aula do querido Ginásio Industrial, além das disciplinas convencionais estudamos juntos marcenaria durante o ensino básico e continuamos no curso técnico de contabilidade. Na época ele e seu irmão José Fernandes, de saudosa memória, trabalhavam na fábrica de colchoes que ficava em frente ao depósito de Zé Mariano e pertencia ao empresário Zé dos Colchões.

Muitas vezes, quando havia entregas imediatas, eles emendavam depois das aulas e varavam madrugadas. Várias vezes, entre matéria prima e maquinas, estudamos matemática para atender exigente professor Geraldo Campos e posteriormente Durval Galdino. As demais disciplinas tirávamos de letra.

Antônio Grilo sempre teve forte ligação com o esporte, bom jogador de futebol de salão. Dominava muito bem os fundamentos domínio de bola, condução de bola, passe e chute. Nunca gostou de jogador que apenas fazia cena, o famoso “rebolador”, sempre foi adepto do futebol bem jogado e com resultado prático, ou seja, com vitórias.

Na época que assumi o Barcelona foi um conselheiro perene. Foi a primeira pessoa que me falou que o futsal precisava de mudanças. O velho sistema dois x dois estagnara em função de  repetência. A dinâmica que tal esporte tomou foi premeditada por Antônio Grilo, muito antes de acontecer.

Ficava indignado com o estrago que o Colégio Olavo Bilac de Sertânia fazia nos jogos estudantis regionais, ao abocanhar praticamente todas as medalhas em disputa. Sentenciava repetidamente: “Isto ocorre porque não nos preparamos, deixamos tudo para última hora. Eles ao concluírem uma competição continuam treinando firme para próxima.” Como era revestida de verdade essa observação.

Motivado a galgar situação financeira suficiente para proporcionar uma vida digna, lutou com dedicação, estudo e muita ação ocupou o lugar merecido como professor de educação física. Sua contribuição foi do tamanho do seu compromisso, sempre buscou aplicar boas práticas na orientações aos atletas que cuidou com extrema dedicação.

Amante da boa leitura e da poesia foi um amigo e admirador do meu velho pai, Quincas Rafael. Sabe avaliar muito bem o que é o desempenho de um cantador de viola numa cantoria pé de parede. Parabéns meu amigo você com sua simplicidade, respeito aos demais e competência é um exemplo a ser seguido.

Crônica de Ademar Rafael

A CORUJA

Na última semana de maio houve eleição e posse da diretoria do Afogados da Ingazeira Futebol Clube, nossa gloriosa “Coruja”. Em nosso país toda vez que ocorrem trocas de dirigentes ficam as indagações: O que virá de novo? Quais esqueletos serão tirados dos armários? E outras a gosto dos que assistem as mudanças.

No futebol todos sabem que quem ganha jogos são os jogadores, dirigente no máximo formam bons elencos. Em nosso Brasil muitas vezes os dirigentes personalizam tanto suas gestões que algumas vezes torna-os tão grandes quanto que as agremiações que dirigiram. Podemos citar os casos de Vicente Matheus no Corinthians, Francisco Horta no Fluminense e Alexandre Kalil no Atlético Mineiro. Gestões personalistas de tais dirigentes quebraram tabus e fizeram times vencedores.

No caso do time que muito honra Afogados da Ingazeira, permitam-me fazer os seguintes registros: Todos que acompanham o assunto sabem que fazer futebol no interior do Brasil é missão árdua, verdadeiro trabalho de Hércules. Neste cenário o dirigente precisa enfrentar o principal dilema que é separar o gestor do torcedor. Cabe a diretoria trabalhar, ao extremo, com planejamento. O orçamento, comas colunas receitas x despesas não pode sair de cima de mesa e das suas cabeças.

Amigos dirigentes do Afogados da Ingazeira Futebol Clube todos vocês são dotados de habilidades suficientes para ‘tocar o barco’, com gostava de dizer o famoso Ricardo Boechat. Sejam diligentes, acreditem no planejamento, formem bases regionais nos elencos e nas comissões técnicas, sejam transparentes com a imprensa e os torcedores, sejam criativos para arrecadar recursos e franciscanos para gastá-los.

Tenho confiança no trabalho de vocês, como torcedor e amigo coloco-me à disposição. O último lembrete: Fiquem atentos aos bastidores, neste campo pode até não surgirem vitorias, mas, com certeza surgem derrotas.

Crônica de Ademar Rafael

NOSSAS PRIORIDADES

Pela escassez de recursos, o brasileiro comum sabe como poucos escolher prioridades, todo mês precisa fazer sua relação do que vai comprar, do que vai pagar e do que vai deixar “para depois”. O poder público no Brasil, assim entendido a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, também por falta de dinheiro elege SUAS prioridades. A palavra “suas” está em caixa alta para demonstrar que a prioridade escolhida atende interesses do poder e dos amigos do poder. O que interessa ao bem comum passa muito longe. Ontem, hoje e sempre.

Está decidido que no curto prazo não haverá o censo do IBGE, historicamente realizado a cada dez anos. Serve, segundo dados do site do Instituto para o poder público ter “… subsídio para formular e avaliar políticas públicas, bem como para planejar ações de impacto sobre a sociedade. São informações que podem auxiliar o processo de tomada de decisão e gerar benefícios a toda a coletividade.” Como pode ser atestado, por meio das informações do censo o governo define políticas pulicas.

Oficialmente a não realização do levantamento domiciliar de 2020 foi em função da pandemia, foi prorrogado para 2021. Pelo mesmo motivo e pela falta de dinheiro foi novamente suspenso. Seu custo gira em torno de R$ 2,0 bilhões e geraria empregos para mais de 200 mil brasileiros. Se olharmos superficialmente o orçamento da união teremos elementos para afirmar que o problema não é falta de recursos e sim de prioridades. Nosso olhar alcançou somente as rubricas orçamentárias abaixo.

Com VERBA PUBLICITÁRIA o governo federal nos últimos quatro anos gastou R$ 1,54 bilhões (2017 R$ 507 milhões – 2018 R$ 430 milhões – 2019 – R$ 312 milhões e 2020 R$ 294 milhões). Com o FUNDO PARTIDÁRIO o gasto foi de R$ 4,908 bilhões no mesmo período (2017 R$ 721 milhões – 2018 R$ 1,716 bilhões – 2019 R$ 437 milhões e 2020 R$ 2,034 bilhões). A este último valor se faz necessário somar R$ 1,28 bilhões relativo ao custo da eleição de 2020, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Crônica de Ademar Rafael

A MÚSICA

Convivi com pessoas que se não estivessem ouvindo uma música não tinham inspiração para produzir com a intensidade que seus cargos exigiam, o som ambiente as moviam. Tinha três grupos: Os dos fones de ouvido; os dos radinhos de pilhas e os do som ambiente.

Todos nós, com as exceções que em tudo há, tem uma ou algumas músicas de preferência. Eu, particularmente, tenho muitas. Uma coisa é certa, sem os exageros do vício, gosto de ouvir músicas. Isto herdei do meu pai desde o tempo que ouvia Rádio Pajeú, as músicas tocada no programa o “Terreiro da Fazenda”. Para abrandar as tensões do momento atual, vamos ouvir música e tirar reflexões positivas nas mensagens nelas impressas. As preferência precisam ser respeitadas, entendo que música não tem pátria.

A irmã Diana Milena Devia Burbano, EP, no artigo “Silêncio sinfônico”, publicado na Revista Arautos do Evangelho de fevereiro-2021, magnificamente escreveu: “Dentre as variadas manifestações artísticas que as civilizações foram desenvolvendo ao longo do História, a música foi, desde logo, uma das mais eloquentes. Com efeito, a variedade de sons, quando bem harmonizados, é capaz de manifestar aquilo que só se percebe com o coração e muitas vezes não é transmissível por palavras. São certos sentimentos e imponderáveis que só existem nas região mais recônditas da alma humana.” Em templos religiosos desde o século VI as músicas auxiliam no alívio dos nosso medos.

A maravilhosa Roberta Miranda nos diz na letra da “Majestade o Sabiá”: “Ah! Tô indo agora prum lugar todinho meu/Quero uma rede preguiçosa pra deitar/Em minha volta, sinfonia de pardais/Cantando para a majestade, o sabiá. A majestade, o sabiá.” Existirá musica melhor?

A música tem importância muito além do que imaginamos, em várias bacias leiteiras a música é utilizada durantes as ordenhas. Garantem os pecuaristas que relaxadas as matrizes bovinas produzem mais leite.

Crônica de Ademar Rafael

ALEXANDRE JOSÉ LIRA DE MORAIS

Defendo com unhas e dentes que a cultura popular não aceita desaforo de tecnocratas e de falsos intelectuais. Quando este tipo de gente tenta manipular a cultura em favor dos seus interesses ou limitá-la ao que diz sua cartilha ideológica a rebeldia é automática. Com intensidade maior que a tentativa de domá-la a cultura assume as peraltices do “Saci Pererê”, quebras as argolas e ganha a rua.

O cineasta Rosemberg Cariry, no começo da década de 1980, publicou “Cultura insubmissa: Estudos e reportagens”. Neste livro um inconformado Rosemberg chama atenção para muitos elementos entrelaçados entre a cultura e a consciência popular e clama apoio para sua tese da “cultura de resistência”.

Na junção do que escrevi inicialmente com as teses do livro acima citado encontro o incansável trabalho de Alexandre Morais. Desde cedo ele busca e encontra a essência da cultura popular nos diálogos com o mundo, a feira livre e a praça pública são seus laboratórios.

Em virtude de longo tempo que fiquei distante do Pajeú não convivi com Alexandre como gostaria. Conheci seu trabalho inicialmente através do site www.culturaecoisaetal.com.br por indicação de colega do Banco do Brasil, poetisa Scheila Patriota. Em referido espaço comecei a ver o nível do trabalho em defesa da cultura. Estando em Afogados da Ingazeira, durante as festas natalinas de um determinado ano, vi um cartaz do evento “Pajeú em Poesia” no dia 25.12. na hora eu pensei: “Esse ‘cabra’ é doido. Como fazer um evento cultural nesta data. Possivelmente irá ele e outras duas ou três pessoas.” Como foi bom ter me enganado. Cheguei ao local que estava cheio de apologistas, poetas, escritores, cantores, músicos, etc. Se pessoas fosse algo comparável com artigos a feira de Caruaru agora tinha um concorrente. Fiquei até o final e tenho gravado na memória muito do que vi naquele evento.

É impossível controlar a criatividade, a inquietude e o senso de coletividade que brota da mente de Alexandre Morais. Comparo com a cena de um turbilhão escapando de uma cachoeira. Recentemente o seu Projeto “Palco Pajeú” teve um eco no meio cultural muito superior ao do grito de Tarzan nos matinês do meu tempo de jovem.

Numa mesa de glosas, em um recital, numa banca vendendo cordéis, em um filme ou numa palestra a performance de Alexandre Morais é digna de altos elogios pela cultura que irradia. Seus projetos junto a poetas da região, seu apoio ao neófitos, sua preocupação com a inserção da poesias nas escolas nos obriga sonhar com Alexandre Morais nas feiras livres e nas praças multiplicando a cultura. Não pare meu irmão, precisamos muito do seu talento. Como referência que és, o Instituto Quincas Rafael terá um espaço reservado para você idealizar como será utilizado.

Crônica de Ademar Rafael

Pelo Exemplo

O consultor internacional sobre liderança, John Adair, no livro “Estratégias de liderança de Confúcio”, entre outras muitas sinalizações indica que a melhor maneira de liderar é pelo exemplo. Cita a convergência entre pensamento do sábio chinês, que atesta: “Governar é corrigir. Se o senhor der o exemplo ao ser correto, quem ousaria a ser
incorreto” e a frase atribuída a Albert Schweitzer, teólogo, filósofo, médico e músico alemão, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, que faleceu em 1965, com noventa anos: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros, é a única”. Esta ponderação atesta que a lógica de liderar pelo exemplo atravessa séculos, sem perder sua essência.

Esta linha de pensamento me incomodava na época que assumi os primeiros cargos de direção no Banco do Brasil. Com alto grau de miopia eu pensava: “Não tenho que me basear em nada ou ninguém para fazer o que é certo”. Não sabia eu, na minha lógica de principiante, que o exemplo seria a caminho para que não caísse em tentações. Ao me convencer da veracidade deste posicionamento tentei aplicar à exaustão. Permitam-me afirmar que os resultados foram os melhores possíveis. Quem testar, tenho absoluta certeza, chegará aos objetivos com menos esforço e descobrirá que os espanhóis têm razão ao afirmar: “Você se torna aquilo que faz.”

Em sua obra, Adair sugere que para liderar pelo exemplo o líder precisa: ”Ter entusiasmo – Ter integridade – Ser firme, exigente e justo – Ser caloroso e Ser humilde.” Por experiência própria e comprovação em várias oportunidades, atesto que tais qualidades são luzes que iluminam os caminhos dos que lideram pelo exemplo.

Validando as ponderações acima atesto que nas vezes que pude liderar pelo exemplo, em diversos cargos que exerci no setor público e privado, fui seguido pela equipe sem muito esforço. Nos momentos que fracassei neste sentido as dúvidas surgiram e o desempenho foi inferior ao alcançado nas situações em que o exemplo foi percebido pelos liderados.