CNN – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu alta hospitalar nesta sexta-feira (24) após passar por procedimentos médicos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta manhã.
Sem intercorrências, as intervenções ocorreram na cabeça e no punho. Ele retirou uma queratose (acúmulo de pele) no couro cabeludo e, conforme os médicos, a ferida é um tipo comum de tumor. O material foi enviado para biópsia.
Já no punho, Lula fez uma infiltração para tratar uma tendinite no polegar direito.
Mesmo com após a alta, a agenda de Lula desta sexta-feira (24) está esvaziada. O retorno do presidente para Brasília está previsto para ocorrer no domingo (26).
O presidente sai do hospital sem restrições, apenas com a orientação de utilizar um chapéu para proteger o local onde houve a retirada da lesão.
Ainda conforme o cardiologista Robero Kalil, os procedimentos realizados nesta sexta-feira não atrapalharão a campanha pré-eleitoral de Lula.
Cirurgias de Lula
A queratose é considerada uma alteração da camada mais superficial da pele (camada córnea), com hipertrofia e aspectoes escamoso ou verrucoso. Há três tipos da condição: a queratose actínica, a seborreica e a folicular.
A actínica surge normalmente em áreas expostas ao sol como face, orelhas, couro cabeludo (em calvos), colo, dorso das mãos e antebraços. Quando localizada nos lábios, são chamadas queilite actínica.
A CNN conversou com a dermatologista Ana Carolina Sumam, que explica que este é o tipo mais preocupante. “A queratose que mais nos preocupa é a queratose actínica, pois ela pode evoluir para câncer de pele. Trata-se de uma lesão diretamente relacionada à exposição solar acumulada ao longo da vida.”
Indivíduos com pele mais clara, cabelos loiros ou avermelhados e olhos claros, como os azuis ou verdes, tendem a ter maior propensão ao surgimento dessas lesões. Elas geralmente se manifestam como manchas avermelhadas ou levemente amarronzadas, com uma textura áspera.
Já a queratose seborreica é uma alteração cutânea não-maligna, normalmente de formato circular ou assimétrico, com tonalidade que varia do castanho ao marrom-escuro ou preto, e superfície de aspecto verrucoso. Surge com maior frequência na face e no tronco, podendo aumentar de tamanho e tornar-se mais saliente. Em geral, está associada a fatores genéticos.
Por fim, a queratose folicular manifesta-se por meio de pequenas máculas avermelhadas ou esbranquiçadas, observadas sobretudo nos braços, pernas, nádegas e bochechas. Elas são decorrentes do acúmulo de queratina nos folículos pilosos e deixam a pele com uma textura áspera e seca. Costuma atenuar-se com o passar dos anos, havendo indícios de predisposição genética.
Sintomas
A queratose pilar pode surgir em qualquer fase da vida, sendo mais frequente na infância. Entre as manifestações mais comuns, destacam-se:
- Pequenas elevações indolores, geralmente localizadas na face externa dos braços, coxas, bochechas ou nádegas;
- Pele seca e de textura áspera nas regiões afetadas;
- Tendência de agravamento em períodos de clima mais seco ou com baixa umidade do ar;
- Aspecto de “lixa” ao toque, semelhante à pele arrepiada.
Tratamento
Ceratose seborreica: Por serem lesões benignas, frequentemente não necessitam intervenção, exceto em casos de desconforto ou prurido. Quando indicado, o tratamento pode ser realizado por crioterapia, eletroterapia ou cauterização química, procedimento ao qual o presidente Lula foi submetido.
Ceratose pilar: A abordagem baseia-se no uso de agentes ceratolíticos, como o ácido salicílico, associado à hidratação adequada da pele.
Ceratose actínica: Por se tratar de lesões pré-malignas, recomenda-se tratamento. A escolha terapêutica varia conforme o tamanho e a profundidade das lesões. Entre as opções, estão: crioterapia com nitrogênio líquido; curetagem associada à eletrocoagulação; uso de cremes tópicos, como 5-fluorouracil (5-FU), que também atua em lesões subclínicas; imiquimode a 5%; mebutato de ingenol; e excisão cirúrgica com encaminhamento para exame anatomopatológico, especialmente quando houver suspeita de carcinoma espinocelular.









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