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Crônica de Ademar Rafael: Os donos de tudo

OS DONOS DE TUDO

Muitas foram as comemorações de quem ficou no “bem bom”, no dia seguinte do sepultamento, pelos nossos representantes no parlamento, da Medida Provisória que tentava tributar aplicações financeiras e ativos virtuais isentos ou com baixa tributação e com altos rendimentos.

Aqui quero analisar a avaliação de  uma gestora de recursos de terceiros, com registro na Comissão de Valores Mobiliários – CVM para distribuição de  produtos financeiros em parcerias de alto nível, veiculada na grande imprensa. Diz  a matéria: “A Câmara dos Deputados retirou de pauta a Medida Provisória nº 1303, inviabilizando sua votação antes do fim da sua validade, que se encerrou ontem. A decisão, com 251 votos favoráveis e 193 contrários, representa uma derrota para o governo e uma boa notícia para o investidor.” Neste ponto destaco a parte final que trata de decisão em favor dos investidores. São personagens que dorme sonos profundos no berço esplêndido da especulação financeira, da agiotagem oficial. Seus olhos enxergam somente dividendos e lucros.

Na sequência aponta o texto: “A medida era considerada essencial pela equipe econômica, pois poderia gerar R$ 17 bilhões em arrecadação adicional para o governo em 2026, ano eleitoral. O texto propunha mudanças na tributação de investimentos, fintechs e compensações tributárias, e chegou a incluir a taxação de produtos amplamente utilizados pelos investidores, como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs.” Estes títulos ganharam privilégios fiscais numa época que os recursos necessários para financiar o agronegócio e a construção civil, pelas vias convencionais, eram insuficientes. Portanto precisavam atrair investidores.

O grande problema é que historicamente no Brasil o transitório em favor dos ricos vira permanente e o que deveria ser permanente em favor dos pobres sofre para ser transitório. Os valores são invertidos para que mais valores ingressem nas conta da camada de brasileiros que se jugam “donos” de tudo e querem sempre mais. Até quando?

Crônica de Ademar Rafael

SOLIDARIEDADE

Para uns pode ser um dom divino, para outros um sentimento. Em qualquer situação que seja praticada é entendida como uma união esforços por meio de ações reais que promovam o bem estar individual ou coletivo e que seja revestida de apoio mútuo e empatia. Uma coisa é certa um ato solidário cria vínculo humano e gera uma espiral de fraternidade que elimina o individualismo.

 No nosso livro sagrado é citada como ferramenta que espelha o amor ao próximo por meio do cuidado, do compartilhamento de bens e/outros gestos que tornem a solidariedade em fato real. A título de exemplo podemos apontar a parábola  “bom samaritano”. Na bíblia pode ser identificada como “Amor ao próximo”, “Compadecimento e ação”, “Compartilhamento e justiça” e “Responsabilidade mútua”. Em Deuteronômio 15:11, podemos encontrar: “Pois nunca deixará de haver pobre na terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra” e no Salmos 41:1-3, podemos ler: “Como é feliz aquele que ajuda o necessitado. O SENHOR o salva no dia da dificuldade. O SENHOR protegerá e guardará a sua vida”.

Este preâmbulo serve para invocarmos as amigas e os amigos do Pajeú para aplicarmos a solidariedade em favor do amigo Luciano de Zabezinha ou Luciano de Décio como preferir. Nosso amigo está em processo de tratamento de enfermidade grave, precisa do nosso apoio. Não tendo como ajudar na questão pecuniária  faça uma visita, fortaleça sua fé .

 Luciano merece toda atenção, sempre esteve disponível para ajudar quem lhe precisou, sua participação ativa no Alcóolicos Anônimos – AA  é um exemplo claro. No dia 05.10.25 amigos realizaram em evento na AABB – Afogados da Ingazeira-PE com reversão de valores  para o amigo enfermo. Este louvável ato precisa ser replicado no mesmo formato ou em outro tipo de ação. SEJAMOS SOLIDÁRIOS.

Crônica de Ademar Rafael

PERTO DO CAOS?

Existem algumas coisas no Brasil que teimam em não dar certo, uma delas é a educação. A prova disto é o que contém o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, publicado recentemente.

Aponta referido documento vários dados aterrorizantes neste espaço vamos tentar indicar alguns deles. Segundo a publicação a proporção de estudantes com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e Matemática caiu de 8,3%, vergonhoso índice apurado em 2013, para 7,7% em 2023. Isto mesmo de cada mil alunos apenas setenta e sete alcançam o nível avaliado como ideal. Esta medição alcança escolas públicas e  privadas. Cabe ressaltar que antes da pandemia este índice era 10,3%.

Especialistas ouvidos sobre esse fracasso seguem apontado medidas insistentemente aplicadas sem resultado prático. Destacamos aqui as seguintes: Currículo bem estruturado, materiais didáticos de qualidade e alinhados às metas de aprendizagem esperada e formação continuada dos professores. Esta receita já foi largamente testada e os efeitos positivos não são vistos nem com lupas de alto alcance.

Outro dado do anuário que merece atenção é o caso do Estado de São Paulo, detentor da maior rede de ensino e do maior volume de recursos para o setor. A queda do nível adequado medido para disciplina Matemática caiu dos 7,2% de 2013 para 4,9% em 2023. Fatos desta espécie nos estimula a perguntar se estamos perto do caos.

Destaca também o documento que a infraestrutura das escolas seguem com números assustadores. Das quase cento e oitenta mil unidades escolares apenas 79% recebem coleta regular de lixo, somente 48,2% estão ligadas a rede pública de esgoto. Na região norte os dados envergonham, no Acre apenas 62,9% recebem água potável com regularidade e em Roraima nada menos que 27,7% das escolas não tem instalações sanitárias. Nesta pisada permito-me dizer: “O caos está bem ali.”

Crônica de Ademar Rafael: administrador

ADMINISTRADOR

Sigo a opção de não escrever sobre determinado assunto no calor das emoções, assim sendo apenas hoje escrevo sobre a profissão que exerci e sobre a qual empresto minha experiência na formação de jovens em atividades desenvolvidas pelo SENAR-PB.

No último dia nove os profissionais de administração comemoraram sessenta anos da profissão de Administrador no Brasil, conforme Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965, lei esta que estabelece regras e diretrizes para o exercício da profissão, define atividades privativas dos administradores e normatiza o do Conselho Federal de Administração – CFA e os Conselhos Regionais de Administração – CRA.

Perguntei o que é o administrador para uma das plataformas de Inteligência Artificial – AI e transcrevo, com adaptações, a resposta recebida: “Um administrador é um profissional que gerencia e supervisiona recursos, processos e pessoas em uma organização para alcançar objetivos e metas específicas. Aqui estão algumas responsabilidades comuns de um administrador: 1. Planejamento: Desenvolver planos e estratégias para alcançar objetivos; 2. Organização: Organizar recursos e processos para implementar planos;3. Direção: Dirigir e motivar funcionários para alcançar objetivos; e 4. Controle: Monitorar e controlar processos e resultados para garantir que os objetivos sejam alcançados. Habilidades de um administrador: Liderança: Capacidade de liderar e motivar equipes; Comunicação: Capacidade de se comunicar de forma eficaz com funcionários, clientes e stakeholders; Análise: Capacidade de analisar problemas e desenvolver soluções; e Tomada de decisões: Capacidade de tomar decisões informadas e eficazes.”

Entendo que a resposta traz de forma resumida o que de fato é um Administrador e apresenta de forma resumida suas responsabilidades e principais habilidades. Adiciono, contudo, que valores morais, ética, aprendizagem contínua e humildade acompanham o bom administrador.

Crônica de Ademar Rafael: Tudo posso

TUDO POSSO

A citação bíblica “Tudo posso naquele que me fortalece”, Filipenses 4:13, foi e é vergonhosamente adaptada por algumas autoridades brasileiras que usam o “tudo posso” na hora que almejam algo que não lhes pertence de fato ou de direito. Sempre arrumam um “jeitinho brasileiro” para tomar posse do objeto de desejo.

Por isto mesmo não fico surpreso ao ver “puxadinhos” que membros dos três poderes utilizam para de criar benefícios e lançar mão e pés em algo que se julgam merecedores. Estão em tramitação no parlamento duas propostas com os pomposos nomes Proposta de Emenda à Constituição – PEC da “blindagem” e da “anistia”. Apenas entendo que não seria necessário o desgaste que supostamente enfrentarão para aprovar tais postulações. Ao meu juízo de valor para atingir e superar tais objetivos bastaria “encomendar” interpretação compatível nas regras em vigor.

Tenho visto algumas interpretações de leis em favor de “iluminados” que superam com folga a linha do ridículo. Em processos judiciais e administrativos as teses levantadas e sustentadas são de uma criatividade ímpar. A imputação de um crime não depende da forma que ele foi praticado e sim de quem o praticou. Defesas e decisões de alcançam crimes eleitorais são dignas de sentirmos ânsia de expulsão forçada e involuntária do conteúdo do estômago através da boca, causada por contrações enérgicas dos músculos abdominais. 

A forma que foi esticada a teoria “domínio do fato”, na fase de julgamento dos crimes praticados por agentes públicos no escândalo nacionalmente conhecido como “Mensalão” levou o seu teórico, o alemão Claus Roxin, a dizer que houve “… uso indevido da sua teoria do domínio do fato porque o Brasil a aplica de forma distorcida, transformando-a num ‘disfarce teórico’ para dispensar a necessidade de provas concretas em condenações.” Por isto defendo o tese que não precisa aprovar PEC para “blindagem” ou “anistia”, basta usar a lei máxima “TUDO POSSO”.