OS DONOS DE TUDO
Muitas foram as comemorações de quem ficou no “bem bom”, no dia seguinte do sepultamento, pelos nossos representantes no parlamento, da Medida Provisória que tentava tributar aplicações financeiras e ativos virtuais isentos ou com baixa tributação e com altos rendimentos.
Aqui quero analisar a avaliação de uma gestora de recursos de terceiros, com registro na Comissão de Valores Mobiliários – CVM para distribuição de produtos financeiros em parcerias de alto nível, veiculada na grande imprensa. Diz a matéria: “A Câmara dos Deputados retirou de pauta a Medida Provisória nº 1303, inviabilizando sua votação antes do fim da sua validade, que se encerrou ontem. A decisão, com 251 votos favoráveis e 193 contrários, representa uma derrota para o governo e uma boa notícia para o investidor.” Neste ponto destaco a parte final que trata de decisão em favor dos investidores. São personagens que dorme sonos profundos no berço esplêndido da especulação financeira, da agiotagem oficial. Seus olhos enxergam somente dividendos e lucros.
Na sequência aponta o texto: “A medida era considerada essencial pela equipe econômica, pois poderia gerar R$ 17 bilhões em arrecadação adicional para o governo em 2026, ano eleitoral. O texto propunha mudanças na tributação de investimentos, fintechs e compensações tributárias, e chegou a incluir a taxação de produtos amplamente utilizados pelos investidores, como LCIs, LCAs, CRIs e CRAs.” Estes títulos ganharam privilégios fiscais numa época que os recursos necessários para financiar o agronegócio e a construção civil, pelas vias convencionais, eram insuficientes. Portanto precisavam atrair investidores.
O grande problema é que historicamente no Brasil o transitório em favor dos ricos vira permanente e o que deveria ser permanente em favor dos pobres sofre para ser transitório. Os valores são invertidos para que mais valores ingressem nas conta da camada de brasileiros que se jugam “donos” de tudo e querem sempre mais. Até quando?



PERTO DO CAOS?