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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael: Trio de ouro

TRIO DE OURO

No minúsculo prazo de dez dias o Brasil perdeu três figuras de destaque no mundo do jornalismo, da escrita e da luta contra os que usam o poder e a força para negar direitos aos que não fazem parte do seu seleto grupo. A lacuna deixada por eles jamais será ocupada. Candidatos aparecerão, mas a falta de talento e dignidade os impedirão de assumir os tronos.

O primeiro que nos deixou no dia 24.08.25 foi Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, conhecido como Jaguar. Este cartunista foi funcionário do Bando do Brasil, contudo o sistema bancário era muito limitado para caber tanto talento. Foi um dos fundadores do jornal “Pasquim”, publicação que nasceu após edição da famigerado Ato Institucional Nº 05 – AI-05 e que deu muita dor de cabeça ao defensores do regime ditatorial. Trabalhou nos jornais “A notícia” e “O dia”, neste último assinava crônicas e charges sob o título “O boteco do jaguar”. Escreveu o livro “Confesso que bebi” e criou, entre outros, os seguintes personagens “Sig”, “”Gastão” e “Bóris”.

No dia 30.08.25 partiu o escritor, cronista e humorista gaúcho Luís Fernando Veríssimo. Este em todos os veículos de comunicação que passou, entre os quais “Estado de São Paulo”, “O Globo”, “Zero Hora” e revistas semanais, deixou uma marca difícil de ser superada, por carregar um estoque ilimitado de cidadania, humor, crítica e muito acerto quanto ao uso correto da nossa língua. Criou personagens que fazem parte da nossa história: “O analista de Bagé” e “A velhinha de Taubaté”, criador de frase antológicas, aqui destaco três: Vou morrer sem realizar o meu grande sonho: não morrer nunca.” – “Conhece-te a ti mesmo, mas não fique íntimo.” – “A vida é a melhor coisa que eu conheço para passar o tempo.”

O último a deixar o Brasil mais pobre foi a jornalista italiano Mino Carta no dia 02.09.25. Deste sou fã de carteirinha. Fui assinante das revistas “Senhor”, “Isto É” e “Carta Capital” nas versões impressas. Seus textos não carregavam somente informações tinha muita cidadania, ira contra os negadores dos direitos aos excluídos e consciência política.

Crônica de Ademar Rafael: O vírus ataca novamente?

O VÍRUS ATACA NOVAMENTE?

Nas operações de crédito do sistema financeiro existe um fenômeno que se espalha como um vírus. Este fenômeno é conhecido como “inadimplência” e segundo analistas de plantão está rondando o ambiente econômico ligado ao agro negócio.

Existem motivos reais para isto? Sim. Citarei três, entre diversos: a) Estímulos para o segmento durante a pandemia: b) Problemas climáticos nas safras de 2022/23 e 2023/24: e c) Queda e/ou estabilidade nos preços das “commodities” e a simultânea alta dos insumos, parte em função da guerra Rússia x Ucrânia.

Tal inadimplência tem alterado a rotina de sono dos executivos do Banco do Brasil – BB e dos investidores que dependem dos dividendos do banco para rentabilizar seus investimentos. Este fato também é real, o Banco do Brasil é responsável por mais de cinquenta por cento da carteira de crédito rural do Brasil. Como restante é diluído entre diversas instituições o seu impacto no balanço do BB pode ser devastador.

Particularmente vejo uma luz amarela, não enxergo a luz vermelha que alguns setores da imprensa estão vendo. Contudo, é necessário uma ação rápida dos credores para evitar que o vírus se espalhe e que saia do controle. Mecanismos para isto existem diversos, para utilizá-los na dosagem adequada carece ser identificado o real motivo da inadimplência.

Para evitar o pior e impedir o “efeito manada” os bancos, à frente o Banco do Brasil, devem aplicar os mecanismo da boa prática bancária, cobrando dos que podem pagar e negociando com os empresários rurais atingidos por fenômenos adversos. Com este posicionamento tempestivo os credores podem evitar a formação de “conluios” para criar situações que promovam “facilidades” nas negociações para beneficiar devedores “espertos” causando prejuízos ao tesouro nacional. Este filme do passado pode voltar às telas em benefícios de quem não merece.

Crônica de Ademar Rafael: A força da mudança

A FORÇA DA MUDANÇA

No dia 15.08.25 recebi com muita alegria um telefonema de Divaldo Salvador, empreendedor visionário mineiro radicado em Marabá-PA que descobriu cedo a importância da verticalização da cadeia do minério de ferro, para o desenvolvimento regional e agregação de valor. Conversamos sobre poesia, crônicas, “Ócio criativo” e mudança.

Hoje nossa reflexão será sobre esse processo que assusta e está presente em nossas vidas em diversos formatos. Existe verdade na frase de Veve Calazans e Nilton Alecrim “Pedra que muito se muda não cria limo jamais…” na letra “Pedra que não cria limo” gravada por Alcione e inspirada em “Pedra que muito rola não cria limo”, atribuída a Públio Siro, 85 – 43 a. C. e assim como em “A única constante na vida é a mudança” atribuída a Heráclito, séculos VI e V a. C. Tais verdades são identificadas em cada contexto. No caso dos compositores quando falam sobre quem muda de amor rotineiramente e no texto do filósofo quando assegura a certeza das mudanças.

Sou, sem qualquer dúvida, um exemplo claro da força da mudança. Em minhas atividades laborais passei por duas dezenas de cidades, seis estados e quatro das cinco regiões brasileiras. Em cada localidade busquei, e consegui na maioria da vezes, mesclar os saberes anteriores com os novos saberes e com o reforço da massa crítica tomar decisões assertivas. Nessa empreitada contei com a habilidade de adaptação, respeito pelos valores cultuais de cada região onde estava e a certeza que podemos melhorar em cada mudança. Mudar sem extrair da mudança os benefícios é perda de energia.

O imobilismo e a inércia servem apenas na hora que buscarmos recarregar as baterias para um novo deslocamento. A frequência das mudanças pode ser dosada com nossa capacidade. Portanto, saibamos colher os frutos cujas sementes foram semeadas pelos que nos antecederam e tenhamos capacidade de semearmos para os que virão depois da nossa passagem.

Crônica de Ademar Rafael

O ERRO ESTÁ NA FORMA

Mais uma vez destaco que esta ponderação não espera alcançar concordância de todos em função do direito que temos para discordar de argumentos de terceiros, sem impedir que eles sejam manifestados. Estou gozando de plena saúde mental não estando, portanto, em “estado psicótico”. Defendo a tese que todo e qualquer país, movido pelos seus interesses, pode atribuir a tarifa que bem entender para entrada de
produtos e serviços de outras nações em seu território, tudo com base em fundamentos econômicos e ciente de que o país que sofreu a taxação tem direito de aplicar a Lei da Reciprocidade.

O pacote imposto ao Brasil pelos Estados Unidos da América – EUA, perante este entendimento tem amparo. O que está errado é sua vinculação a atos do poder judiciário da nação coirmã. A citação na
famosa carta de temas como anistia, decisões do Supremo Tribunal Federal – STF pelo colegiado ou por um dos seus membros e outros assuntos desconectados das relações institucionais e comerciais é onde
está o erro. São “muletas de barro” para tentar justificar o injustificável e sustentar o insustentável.

Mas isto não é de agora, o EUA sempre utilizaram sua força bélica e econômica para impor suas ideias mundo afora. Historicamente a diplomacia americana nunca passou de um “moleque de recado” da
indústria bélica e de teses que os americanos se sentem no direito defender em seu proveito. Isto ocorre porque na esmagadora maioria dos países existem nativos que com uma “submissão canina” aceitam tudo
que vem da nação que se julga xerife do mundo.

Os EUA, suas empresas e investidores cobram das nações cada centavo de dólar que dizem ter perdido em transações dos diversos tipos, mas, nunca ouvi falar de uma indenização feita por eles para nações ou
investidores que perderam recursos nas Crises de 1929 e 2008 provocadas por eles com os seus fajutas controles. Portanto, ratifico, o erro do pacote está na forma e não no conteúdo.

Crônica de Ademar Rafael: Justiça

JUSTIÇA

Nos dias atuais é comum ouvirmos pessoas que em seus discursos pregam a aplicação de justiça aos seus oponentes e quando são pela justiça alcançados começam um “mi-mi-mi” interminável apontando que foram injustiçados. Esse fenômeno é mundial, no Brasil é repetido em muita frequência. Mas o que nos motiva a querermos a mão dura e pesada da justiça sob a cabeça dos nossos adversários e sobre nossas cabeças queremos a mesma justiça com a leveza de um minúsculo fragmento de uma pluma de algodão? Talvez seja nossa mania de acharmos que nossos direitos estão acima dos direitos dos demais.

Para tentarmos entender o imbróglio vamos definir o que é justiça e o que direito. A Inteligência Artificial – IA nos responde que Justiça é: “… justiça refere-se à aplicação equitativa e imparcial das leis, buscando assegurar que todos os indivíduos sejam tratados de forma justa e igualitária, respeitando seus direitos e promovendo a ordem social. A justiça envolve a distribuição equilibrada de bens e encargos, bem como a compensação de danos e a restauração de relações.” Também a Inteligência Artificial – IA nos diz que direito é: “…conjunto de normas e princípios que regulam a conduta humana em sociedade, visando a justiça, a igualdade, a segurança jurídica e a proteção dos direitos fundamentais. Ele define deveres e direitos, estabelece limites para ações e mecanismos de resolução de conflitos, sendo um elemento essencial em todas as esferas da vida”.

Ao analisarmos friamente tais conceitos podemos verificar que tanto justiça como direito estão submetidos a limites e restrições, portanto, é uma visão míope tentarmos enxergar que os dois são aplicáveis com a mesma intensidade para todos ou com privilégios para alguns, inclusive nós. Precisamos, ao meu ver, aplicar o pensamento de São Tomaz de Aquino que define a justiça como: “…a disposição de dar a cada um o que lhe é devido.” e por extensão ao que pensa Santo Agostinho sobre o tema: “…onde não há justiça não pode haver verdadeira sociedade.” Chega de justiça seletiva e que tem lado, que cada um receba sua cota.