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Crônica de Ademar Rafael: É de casa

É DE CASA

Com este texto, neste dia que o nordeste brasileiro realiza uma das maiores manifestações culturais com seu aguerrido povo, quero prestar uma homenagem ao amigo poeta, filósofo e professor Genildo Santana pelo seu último trabalho, o livro “Celeste Vidal: Uma vida na ditadura brasileira”.

A obra é uma adaptação de Trabalho de Pesquisa para obtenção de certificado em Pós-graduação de História do Brasil feito pelo autor com extremo zelo em 2015 e agora  apresentado para o mundo em forma de livro. Precisa ser lido e discutido pelas gerações atuais tão carentes de boas e confiáveis informações sobre parte da nossa história que os poderosos tentam contar de outra forma.

Como todo trabalho acadêmico que merece este nome o texto é iniciado com um passeio sobre a histografia da ditadura “civil-midiática-militar”. Essa terminologia nos remete ao uma abordagem pouco utilizada e que demonstra com extrema clareza que sem o apoio de uma elite viciada em benefícios, uma imprensa venal e subserviente, uma estrutura militar teleguiada por orientação advinda dos Estados Unidos de América este período escuro que cobriu nosso país por décadas não teria acontecido.

De forma didática Genildo nos apresenta a base do golpe, as formas de torturas utilizadas para sua sustentação, explicado o que era feito e como era feito. Apresenta com exemplar detalhamento, o “Pau-de-arara”, a “Cadeira de Dragão”, o “Choque elétrico”, a “Geladeira” e a “Pressão psicológica”.

A cereja do bolo no entanto é a parte do livro em que o autor fala sobre a professora, poetisa e guerreira Celeste Vidal. Em um texto leve que somente os poetas são capazes do produzir Genildo apresenta uma mulher de fibra e defensora dos direitos socais, que apesar das torturas sofridas “nos porões da ditadura”, seguiu sua luta, jogando gestos dignos e poesias,  com a nobreza reservada apenas para pessoas de valor moral e que podem ser tratadas como “gente”. Obrigado poeta, viva a liberdade.

Crônica de Ademar Rafael: E que lições

E QUE LIÇÕES

Tenho o hábito de presentear as pessoas com livros mas receber livros de presente é algo que me deixa muito feliz. Primeiro pelo gesto e segundo pela certeza que temos sempre o que aprender. Recentemente meu genro Alan me presenteou com o livro “As seis lições” de autoria do economista Ludwig Von Misses, que nasceu em 1881 em Lviv- Império Austro-Húngaro. A obra foi editada com o conteúdo de palestras na Universidade de Buenos Aires – UBA em 1959.

Neste livro o pensador discorre sobre Socialismo, Capitalismo, Intervencionismo, Inflação, Investimento estrangeiro e Política e ideias de forma densa e com argumentação perfeita, diferente das abordagens sobre estes mesmos temas nos dias atuais. A abordagem tem perfeita sintonia com a linha de pensamento da Escola Austríaca de Economia também conhecida como Escola de Viena uma vez que se alicerça na corrente econômica que defende a liberdade individual e o livre mercado.

É importante ressaltar que os fundamentos defendidos pela referida escola possuem argumentação e lógica, diferentes da visão míope da atualidade que tenta levar a superficial leitura de direita x esquerda para o mundo da economia. As principais características de Escola de Viena são: “Individualismo Metodológico; Livre Mercado; Teoria do Valor; Ciclos Económicos e Ação Humana”. Percebam que são temas diversificados que se unem para formar uma teoria com profundidade em cada variável e não com a superficialidade que tentam imprimir os “falsos gurus” de plantão, principalmente nos “Podcasts” bancados por interesses impublicáveis.

Entre os economistas da Escola Austríaca de Economia destacamos seu fundador Carl Menger, com sua significativa contribuição para teoria da oferta e da demanda; Ludwig Von Misses, com sua respeitada obra  “Socialismo: Uma Análise Econômica e Sociológica“, de 1922 e Friedrich Hayek, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1974 e defensor da liberdade individual e do livre mercado. Viva os bons livros.

Crônica de Ademar Rafael: Hora e vez da poesia

HORA E VEZ DA POESIA

Até a última década do século passado  a poesia popular era divulgada por meio das seguintes fontes: A cantoria de pé-de-parede, os apologistas, os festivais, programas de rádio e cordéis comprados nas feiras livres. Livros sobre poesia eram raros e as fontes produtoras os poetas profissionais.

Com advento das gráficas rápidas e da internet a divulgação foi ampliada e começaram surgir poetas amadores com boas produções, mesmo assim o alcance continuava sendo restrito. Nos últimos anos as mídias sociais promoveram verdadeira revolução no setor. Poetas amadores assumiram posições de destaque e os poetas profissionais ampliaram seus contatos ao incluíram as redes sociais na divulgação de sua bela arte.

Atualmente percebo como real o título desta crônica, as lacunas existentes estão sendo ocupadas. Poetisas e poetas profissionais e amadores estão entregando aos apologistas elevado estoque de boas poesias. Os grandes aliados nessa empreitada são as plataformas digitais. Programas semanais são gerados e colocadas à disposição dos interessados com extrema competência. Entre diversos outros programas destaco. O programa “Prosa de Mestre” apresentado pelo poeta Edmilson Ferreira e “Podcast Nordestino” comandado por Artur Vilar. A contribuição que tais produções tem dado para poesia popular não é possível medir facilmente.

Podemos citar ainda outros casos exitosos. O trabalho da Poetisa Lúcia, uma paraibana que reside em Leme – SP, é digno de aplausos. A professora Lúcia participa ativamente dos grupos “Desafios Poéticos” e “Cordel da Hora” e movida pela inquietude poética e pela missão abraçada em defesa da poesia popular utiliza espaço individual no “Facebook”, “Instagram”, “Tik Tok” e “YouTube” para publicar seus poemas e estrofes isoladas. A ação desenvolvida pelo poeta Marcos Silva, da cidade de Custódia – PE, que por meio do programa “Bisaco do Cordel”, com extensão ao “Facebook” e “YouTube” tem dado apoio irrestrito para poesia. Viva a poesia popular, ela é cultura raiz.

Crônica de Ademar Rafael: mais vampiros que sangue

MAIS VAMPIROS DO QUE SANGUE

Em maio durante uma reunião com prestadores de serviços médicos/hospitalares para o setor público, visando identificar as causas dos atrasos dos repasses correspondentes aos serviços entregue na forma dos contratos administrativos firmados, um dos empresário fez a seguinte indagação: “Porquê os valores orçados, muitas vezes empenhado, demoram para ser liquidados?”

Mesmo percebendo que o prestador dos serviços detinha conhecimento sobre as fases de execução orçamentária de forma automática respondi: “É porque a quantidade de vampiros é maior que a de sangue.” Como a mesma rapidez que respondi vi que ele não entendeu a resposta. Este entrave na comunicação ocorreu porque no mundo corporativo os “ditados populares” não são adequados na maioria das oportunidades. Diante disto passei a traduzir o que ditado expressava.

Expliquei que o executores do orçamento público na União, Estado, Município e/outros entes públicos muitas vezes de deparam com situações onde o “urgente esmaga o importante”. Os fatores que atuam para que tal anomalia aconteça são diversos, podemos destacar dois. O primeiro e cumprir decisões judiciais, muitas delas sobre temas que o gestor deixou de observar tempestivamente e o segundo os penduricalhos em forma de salário indiretos e super faturamentos de obras e serviços com pagamentos imediatos, por questões  legais.

Sobre a primeira variável acima, não havendo procedimentos protelatórios, e o que resta é pagar e este fato atropela qualquer planejamento. A segunda variável é alimentada pela extrema capacidade que temos em criar “vampiros” para sugar os parcos recursos disponíveis. Permitam destacar alguns dos penduricalhos que  elevam verbas salariais e com elas são quitadas prioritariamente: “Auxílios alimentação, transporte, moradia, saúde, etc.; gratificações; progressões de carreiras; bônus; diárias; verbas de gabinetes e tantas outras.”  Não precisei concluir a longa lista, os empresários entenderam os injustificáveis motivos da sangria.

Crônica de Ademar Rafael: O Guardião

O GUARDIÃO

Permitam um desabafo: “Fico incomodado ao ler e ouvir ponderações sobre o perfil do Cardeal que ocupa o trono de Pedro.” Para mim ser conservadora, liberal, progressista é um detalhe. Vejo com importante ser o guardião dos princípios da doutrina cristã.

Tenho certeza que minha percepção sobre o tema nada alterará no pensamento desse mundo doentio, onde as barreiras ideológicas e socias tentam e muitas vezes conseguem impor suas infundadas regras. Mas, – por entender este espaço como uma plataforma livre para exposição de ideias sem preocupação com aceitação plena, nível de discordância ou algo parecido -, trago o assunto para reflexão.

Durante o conclave entre os dias sete e oito deste mês, cada um apresentou sua lista de favoritos destacando traços dos perfis ideais. A escolha recaiu sobre um Cardeal que nasceu nos Estados Unidos da Amárica – EUA, que exerceu grande parte da sua ação missionária no Peru e é alinhado com algumas propostas do seu antecessor.

Sobre Robert Francis Prevost – Leão XIV após a escolha muito foi escrito, tem análises para todos os gostos. Prefiro esperar e torcer para que seja o grande guardião da doutrina cristão que em esforço extremo poderia ser resumida como: Ação direcionada à história de Jesus Cristo – vida, morte e ressurreição – promessa de vida eterna, crença e amor a Deus e amor ao próximo.

Neste recorte do pronunciamento após o anúncio do seu nome como sucessor de Francisco encontramos algo que nos remete a doutrina cristã:

“…Deus ama todos, e o mal não vai prevalecer. Todos estamos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com o Deus que está entre nós. Somos discípulos de cristo. O mundo precisa de sua Luz. A humanidade precisa Dele como a ponte entre Deus e o amor. Nos ajudem a construir com diálogo com encontro para sermos um único povo sempre em paz. Obrigado papa Francisco…”. Que Deus lhe proteja Leão XIV.

Crônica de Ademar Rafael: Terror no trabalho

TERROR NO TRABALHO

Passado cento e vinte e um anos do lançamento do livro “A Ética protestante o Espírito do Capitalismo”, na qual o sociólogo Max Weber utilizou a frase: “O trabalho dignifica o homem” resta-nos a certeza que os interesses econômicos e ganância jogaram no lixo o que representa essa expressão. Durante o século passado e no século atual muitos atos e fatos transformaram o enunciado de Max numa letra morta. A lista de exterminadores da ideia é grande, seus nomes e conceitos são diversos.

Um deles é popularmente conhecido como assédio moral abordado no ano de 1998 pela psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen no livro “Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano” lançado no Brasil em 2000. O tema foi replicado na primeira década desde século por Hirigoyen em “Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral” e no livro “Violência, saúde e trabalho: uma jornada de humilhações” de autoria da médica, professora e pesquisadora Margarida Maria Silveira Barreto.

Estas publicações e outras tantas abordando o assunto estiveram presentes em muitos debates,  foram exaustivamente estudadas mas o resultado prático foi quase nulo. No caso brasileiro, com a flexibilização das regras trabalhistas, a banalização da mão-de-obra com terceirizações e quarteirizações assédio moral é café pequeno. O mês de maio é iniciado com o feriado dedicado ao trabalhador, data comemorada em função de eventos ocorridos em 1886 em Chicago, Estados Unidos, que promoveram o episódio conhecido como “Tragédia de Haymarket”.

A grave situação foi tema da reportagem de capa da revista “Carta Capital” número 1380, de 07.05.25. Seu título é chocante: TRABALHO INSANO – explodem as notificações de transtornos mentais dos empregados, vítimas da precarização e da pressão por desempenho”. Na matéria a repórter Fabíola Mendonça com o impactante subtítulo “Engrenagem enferrujada” aponta situações dignas de filme de terror e fatos desumanos. Dados coletados do “Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho” são cruéis e justificam o avanço da “Síndrome de Burnout”. Abaixo a escravidão!

Crônica de Ademar Rafael

QUANTO PIOR MELHOR

O ano de 1989 com o retorno das eleições para Presidente da República, sob as bençãos de “Constituinte  Cidadã” promulgada no ano anterior é para muitos a volta da democracia. Respeitando todos que pensam dessa forma eu discordo. Para mim o que houve foi um rearrumação do sistema político, com manutenção de privilégios crônicos com a falsa proteção do voto popular.

O que vi nesses trinta e seis anos foi de fato a proliferação de falsos líderes, a manipulação de massas sob orientação de marqueteiros muito bem remunerados com dinheiro público e/ou oriundo de propinas e o aparecimento de uma oposição que não honra o nome. Nos casos de alternância dos “mandarins de plantão” esse grupo tido como oposição provoca baderna, cria obstáculos e chantageia os governantes com práticas que me nego a citar, em respeito as leitoras e as leitoras e  leitores desta coluna semanal.

Para ilustrar o significado do termo oposição recorri à  Inteligência Artificial – IA, e transcrevo a resposta sem qualquer alteração: “Em política, a oposição refere-se aos partidos ou grupos políticos que se colocam em oposição ao governo em vigor. A oposição tem como função principal criticar e questionar as políticas do governo, apresentar alternativas e fiscalizar a atuação do poder executivo. Além disso, a oposição desempenha um papel importante na defesa da democracia, assegurando que o governo não agilize de forma arbitrária ou que viole os direitos dos cidadãos.”

Na essência seria isto, mas, se destacarmos “apresentar alternativas” e “defesa da democracia” veremos que estes dois deveres são habilmente e propositadamente ignorados pelos que se dizem opositores. Tais posicionamentos ocorrem na União, nos Estados e nos Municípios. Alguns  fatores citados pela IA e não destacados às vezes acontecem, contudo, quando mergulhamos nas variáveis que motivaram a ação correta encontraremos respostas impublicáveis. Pobre Brasil, até quando?

Crônica de Ademar Rafael

MAIOR MANDAMENTO

Seguindo ensinamentos bíblicos vamos encontrar que o maior mandamento se expressa pelo “AMOR”. Mateus 22:37 indica “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento” e em 22:39 registra “Ame o seu próximo como a si mesmo”. 

Para nossa reflexão trazemos o enunciado acima e  as ponderações abaixo e atribuídas ao Papa Francisco: “Da ferida do lado de Cristo continua a correr aquele rio que nunca se esgota, que não passa, que se oferece sempre de novo a quem quer amar. Só o seu amor tornará possível uma nova humanidade”; “Entre tantas coisas que passam, o Senhor quer nos recordar o que ficará para sempre: o amor, porque ‘Deus é amor’” e “Quem é da luz não mostra a sua religião, e sim o seu amor.”

Recentemente me deparei com a frase “Amor não é o que sentimos, amor é o que doamos”, como que levado por uma força superior me desloquei  em direção a letra do Padre José Weber em hino muito conhecido que afirma: “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão…”. Isto mesmo, Jesus não somente pregou sobre o amor, praticou-o em sua plenitude.

Para melhor fixar nosso pensamento sobre o tema transcrevo as frases a seguir. com seus respectivos criadores: O amor não se vê com os olhos, mas com o coração”William Shakespeare; “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção” – Antoine de Saint-Exupéry;  “Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor”Vladimir Maiakóvski e “A medida do amor é amar sem medida”  Santo Agostinho.

Uma questão sobre o amor fica resposta. “O que nos leva a renunciar ao amor e abraçarmos ideias contrárias?” Fundamentos para deixarmos de seguir essa tendência tortuosa temos de sobra não os observamos por motivos indefensáveis. Que tal amarmos mais?

Crônica de Ademar Rafael

TRAIÇÃO

Durante as comemorações da Semana Santa – cujo eixo principal é o julgamento, a morte a ressureição de Jesus-, sempre vem à tona o que pedimos extrair como reflexão na traição de Judas. Fato sobre o qual  o SITE “Respostas bíblicas” inicia sua abordagem com o seguinte texto: “Jesus foi traído por Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos. Judas entregou Jesus aos seus inimigos por trinta moedas de prata. A traição de Judas foi um pecado terrível e ele acabou cometendo suicídio.”Na sequência cita o que escreveram Lucas, Marcos e Matheus.

Sem alongar o debate sobre a traição acima, nosso propósito hoje é demostrar como esse tema tem evoluído em nosso país e verificar que sua aplicabilidade tem sido largamente ampliada sem dó ou piedade.

Poderíamos focar nas traições de Dom Pedro Primeiro à Princesa Leopoldina ou na traição feita à Tiradentes pelos parceiros da Inconfidência Mineira, no entanto, preferimos trazer para nossos dias deslocar nosso olhar para uma região conhecida como o Planalto Central onde esse “pecado” é praticado durante vinte e quatro horas todos dias.

Em Brasília os eleitos para o executivo e o legislativo traem seus eleitores e suas promessas das campanhas sem quaisquer cerimônia, encontrar uma exceção é missão impossível. Também na Capital Federal os indicados para cargos em ministérios, segundo e terceiros escalões e diversos tribunais traem o que fora ajustado com seus indicadores em progressões geométricas.

Essa mania brasileira é estendida para estados e municípios, possivelmente é a única prática federativa rigorosamente cumprida, diferente do pacto federativo ignorado por todos. Sobre o tema Marcos Caruso escreve a peça “Trair e coçar é só começar” na segunda metade da década de 1980. A peça de sucesso virou filme e foi inserida em nosso cotidiano político. Arisco-me a dizer que futebol, carnaval e traição são  três das variáveis intocáveis da nossa cultura. Alguém duvida?

Crônica de Ademar Rafael

A GRANDE MINA

São inúmeras as críticas sobre o orçamento público a maioria destinada à sua limitação para suprir as demandas sociais. O problema é que tal limite é imposto por quem deveria cuidar dos recursos. Para não irmos muito longe vamos falar nos últimos cinquenta anos. Em 1983 José Carlos de Assis escreveu “A chave do tesouro”, no ano seguinte “Os mandarins de república”, obras que detalham os crimes e os criminosos. Posteriormente tivemos o escândalo dos “anões do orçamento”, a “a compra de votos para aprovação da emenda da reeleição para cargos do executivo”, o “mensalão”, etc. A pérola da coroa no entanto foi o “orçamento secreto”.

Esta criatividade dos nossos políticos, de cara, esmaga o Artigo 37 da Constituição Federal – CF, na sequência vai triturando tudo que relaciona com o zelo pelo patrimônio público. A farra foi denunciada pela imprensa e por órgãos de controle sem qualquer efeito prático. Tímidos freios de arrumação vieram após intervenção do Supremo Tribunal Federal – STF. Mesmo assim segue com o “jeitinho brasileiro” extraindo muito minério.

O cômico dessa história é a Câmara dos Deputados editou uma cartilha chamada “Entenda o orçamento” que em seu tópico cinco “O que é responsabilidade fiscal?”, responde: “…Além disso, a LRF introduziu novas responsabilidades para o administrador público (chefes de Poderes, de órgãos e outros ordenadores de despesa) com relação aos orçamentos da União, dos Estados e municípios. Algumas dessas responsabilidades são: executar o orçamento de forma planejada e sustentável, observando metas fiscais previstas para vários exercícios…”

 

O artigo 37 de CF e este anunciado acima são cumpridos? Não. No último dia oito de abril o Jornal do Comércio de Pernambuco traz essa manchete na primeira página: ”Tendência é de cada vez mais recursos na mão de assembleias”, ou seja os deputados estaduais estão copiando seus colegas federais. Até quando a mina será explorada para fins nada republicanos? Um deles financiar campanhas por meio de emendas. Uma coisa é real começou na União e chegou aos Estados e Municípios.