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Crônica de Ademar Rafael

SEM CONTESTAÇÃO?

A submissão quanto aos atos e ao estilo de gestão de autoridades dos Estados Unidos da América–EUA, por nativos de nações que deveriam ser independentes, nos obriga ouvir palavras de advertência  em lugar de apoio quando uma autoridade brasileira se coloca, corretamente, em posição contrária.

Em recente entrevista o presidente da República Federativa do Brasil ao ser questionado se utilizaria o “princípio de reciprocidade” caso seu colega americano colocasse  pacote de tarifas sobre as importações brasileira disse: “É lógico. O mínimo de decência que merece um governo é utilizar a lei da reciprocidade”. No mesmo dia ouvi de uma economista que respostas com este teor deveriam ser evitadas. Qualquer pessoa livre e dotada do mínimo de bom senso tem todo direito de discordar da crítica da analista uma vez que a aplicação de tal princípio é legítima na relações internacionais.

Helimara Moreira Lamounier Heringer e Juventino de Castro Aguado, em artigo sobre o assunto afirmam: “Nas relações internacionais, a reciprocidade impõe condições à força vinculativa, à interpretação e ao funcionamento dos tratados… Em geral, as regras de interpretação dos tratados evoluíram do costume para um ‘tratado formal sobre tratados’. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 22 de maio de 1969, codificou o Direito Internacional consuetudinário referente aos tratados…”

No mesmo artigo, com muito acerto sob meu ponto de vista, destacam: ”Portanto, a priori, no âmbito do Direito Internacional, a reciprocidade se vincula aos tratados internacionais e à sujeição de uma nação a estes. Entretanto, nas relações internacionais, esse princípio pode ser evocado a despeito dos tratados, sempre que uma nação se vê em desvantagem e necessita proporcionar e assegurar-se de um tratamento idêntico.” Esta correta abordagem ampara o direito de um país lançar mão do “princípio de reciprocidade” em defesa dos seus interesses. Negar esse direito é assumir que tudo que vier do EUA não pode ser contestado.

Crônica de Ademar Rafael

MEDOS IRRACIONAIS

Recentemente ao ler o livro “Os sete medos da alma”, de autoria de Bertani Marinho, que aborda os medos da velhice, da doença, da  solidão, da pobreza, do escuro, de castigo por erros praticados, da morte julguei interessante no nosso diálogo de hoje destacar os três primeiros sobre os quais a sociedade tem mais ingerência do que quem os enfrenta.

Medo da velhice. Os principais motivos para crescimento deste medo nos dias atuais, sob meu ponto de vista, são: a) O idoso ser percebido como  entreve social  por representarem custos elevados nos sistemas de saúde e previdenciário. Na saúde em função das demandas crescentes e na previdência motivado pelo aumento da expectativa de vida; b) A opção das famílias pela internação dos pais e avós em ambientes impróprios com a  alegação que falta tempo e habilidade para cuidar deles; e c) O costume de ocidente em ignorar suas experiências, de não os ouvir adequadamente.

Medo da doença. Aqui avaliamos que os dois principais motivos são: a) Custo elevado dos Planos de Saúde, negação de tratamentos preventivos e exames tempestivos pelos sistemas de saúde públicos e privados; e b) Verdadeira extorsão quanto aos preços dos medicamentos, a indústria  farmacêutica tem mais força que os órgãos fiscalizadores, assim como requisição de exames por parte dos médicos.

Medo da solidão. Os motivos citados na alíneas “b” e “c” do tópico sobre Medo da Velhice, são os principais indutores do medo da solidão. Inexiste, no formato adequado, ambientes familiares ou espaços comunitários que possam mitigar a sensação de abandono que o idoso sente ao não serem ouvidos, ao serem descartados dos eventos sociais pelos descendentes, amigos mais jovens e autoridades constituídas.

As percepções acimas enumeradas são baseadas em depoimentos que escutamos, observações diretas e leituras sobre o tema. Sei que muitos discordam de algumas delas, que outros possuem lista maior. Cada uma e cada um carrega sentimentos sobre tais medos. Cuidemos dos idosos.

Crônica de Ademar Rafael

ACOLHIMENTO

Quando buscamos uma definição para palavra “acolhimento” encontramos entre outros conceitos: “ato ou efeito de acolher”, “ação de aproximação”, “estar com”, “estar perto de”, ou seja, uma “atitude de inclusão”. Essa atitude implica, por sua vez, “estar em relação com algo ou alguém”.

Trazemos o preambulo acima para validar a linha de pensamento que julgamos aderente com fatos ocorridos em nossa região quando pessoas ligadas a cultura regional acolheram o cantor, compositor e apresentador de programa de televisão Renato Teixeira. Pelo que acompanho na múltipla carreira da autor de “Romaria” arisco-me a dizer que ele ficou muito feliz com o que viu e ouviu, como grande pesquisador que é.

Após uma apresentação emblemática na festa dos cento e dez anos do poeta Lourival Batista em São José do Egito, onde Renato Teixeira, Maciel Melo e Jessier Quirino reeditaram um encontro realizado em São Paulo no ano passado, o músico paulista literalmente “pegou a viola” e percorreu vários municípios do Pajeú em Pernambuco e do Cariri na Paraíba.

Aqui quero destacar as visitas às residências de Paulo Matricó e Zé de Cazuza, passeio na Serra do Giz, comunidade Quilombola Leitão da Carapuça, com rodada de conversas e apresentações contemplando arte, música, poesia e roda de coco com o grupo de Coco Negras e Negros do Leitão da Carapuça, patrimônio Vivo de Pernambuco.

Cabe destacar ainda evento na casa de Sandrinho Palmeira, prefeito de Afogados da Ingazeira, onde se apresentaram, entre outros, os músicos Gustavo Pinheiro, Edierck José, Edinho Oliveira, Leandro Cavalcante e os poetas Diomedes Mariano e Jessier Quirino. Durante o circuito Augusto Martins, Alexandre Moraes e outros ativistas culturais apresentaram
versões sobre nosso potencial no universo da cultura raiz. Em Afogados da Ingazeira o périplo foi encerrado com visitas ao Cine Teatro São José, a Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, ateliê do artista plástico Edierck José e ao Museu do Rádio, único em Pernambuco.

Crônica de Ademar Rafael

O CAOS DO CAOS

Certa vez em uma atividade de sala de aula perguntei aos aprendizes sob o ponto de vista individual, sem consultas a qualquer fonte, qual seria sua definição para Administrar.  Uma das respostas obtidas guardo comigo por entender que representa de forma simplificada um conceito válido. A resposta foi: “Transformar o caos em ordem.”

Esta tem sido missão impossível na esmagadora maioria das cidades brasileiras no tocante o trânsito  urbano. A lista de culpados é infinita, medidas corretivas tem listagem imensa e soluções podemos contar nos dedos de uma mão.

Umas das definições para Municipalização de Trânsito é: “… integrar-se ao Sistema Nacional de Trânsito e assumir as responsabilidades pela gestão do tráfego local.” A Confederação Nacional de Municípios – CNM, utilizando informações da Secretaria Nacional de Trânsito – SENATRN, informa em março do ano passado que somente 33,93% dos municípios brasileiros realizaram o processo de integração.

Entendo, no entanto, que a distância entre “realizar o processo de integração” e solucionar o caos é maior que a distância entre à praia do Seixas na Paraíba e o Rio Moa no Acre. É comum verificarmos de leste a oeste, de norte a sul do Brasil que a municipalização foi eficiente somente no que se refere a cobrança de multas.

Pelo que vejo nas ruas não me arisco em atestar qual o estágio deste processo em nossa querida Afogados da Ingazeira. Mas uma coisa é certa a cidade é detentora de um dos piores sistema de mobilidade urbana que conheço. Classificar como ”O caos do caos” não é exagero. Tenho certeza que o assunto incomoda os gestores públicos e entendo que é hora de agir.

A importância de Afogados da Ingazeira para região do alto Pajeú não permite que fiquemos reféns das dificuldades. Julgo que o momento é agora, esperar só agrava a complicada situação. Ação imediata, se for com medidas duras e impopulares que seja. Omissão é pecado grave!

Crônica de Ademar Rafael

O PODER DA ORAÇÃO

Existem algumas tendências e por serem tendências não alcançam todos com a mesma intensidade que é questionarmos coisas aparentemente sem respostas.  Eu particularmente sempre desejei entender a importância da entrega total durante nossas orações toda vez que me deparei com divagações que ocorrem naturalmente.

A base do meu questionamento deriva da minhas naturais limitações e do que ouvimos. Com o juízo de valor que carrego sempre entendi que Deus, com sua extrema misericórdia,  nos permite fazer escolhas. Quer nossa atenção mas nos deixa viver, diferente dos humanos que muitas vezes exigem atenção exclusiva.

Na última semana lendo uma revista de cunho católico encontrei um texto que traz clareza para minha dúvida. O conteúdo que me refiro é de São Tomás de Aquino, extraído da sua “Suma Teológica”. De pronto o Doutor Angélico, nos ensina: “… a oração consiste na elevação de nossa mente a Deus, inflamada pela devoção e pelo fervor da caridade. Não rezamos a Deus para manifestar algo desconhecido por sua infinita sabedoria ou para mudar os desígnios de sua providência divina, mas para nós mesmos nos convencermos da necessidade de recorrer ao seu auxílio e de pedirmos tudo quanto Ele determinou, desde toda a eternidade, nos conceder pelo mérito de nossas preces.”

Em seguida, com sua sabedoria pergunta e logo responde: “No decurso de nossas orações, pareceria ilícita toda e qualquer distração, mesmo quando empenhamos nossos melhores esforços. Podemos elevar súplicas a Deus, com proveito, enquanto nossas cogitações divagam longe de sua Divina Majestade?”  – “Ninguém está obrigado ao impossível. E é impossível manter a mente atenta em algo por muito tempo sem ser subitamente levada para outra coisa. Portanto, não é necessário que a oração seja sempre acompanhada pela atenção”. O texto sabiamente sugere que devemos lutar contra as distrações voluntárias e reduzir as involuntárias. Dentro dos seus princípios cada leitura e cada leitor faça suas escolhas.

Crônica de Ademar Rafael

SEM ADJETIVOS

Na casa que nasci no Sítio Quixaba – Jabitacá – Iguaracy – PE por ser localizada às margens da estrada que nos leva a Monteiro – PB sempre erámos abordados por viajantes. Nossos pais recomendavam que não deveríamos abrir as portas para estranhos. Certa vez eu estava em casa sozinho e uma cigana bateu pedido água. Eu, na minha inocência, disse que não tinha água para lhe dar e ela disse: “Gajão um dia morrerás de sede dentro de um poço d’água”.

Narro a história acima por entender que ela tem perfeita sintonia com o sofrimento dos moradores de Afogados da Ingazeira diante da inercia total e da inoperância crônica da Companhia Pernambucana de Saneamento – COMPESA na questão do ineficaz fornecimento d’água aos usuários. Isto mesmo, não há como explicar a falta do precioso líquido numa cidade praticamente dentro da Barragem de Brotas. Um sistema usando somente a gravidade abasteceria a cidade sem zero de dificuldade.

Adjetivos aderentes a atuação da COMPESA são impublicáveis. As contas chegam com regularidade distante mais de cem mil quilômetros do fornecimento regular da água. Alguns moradores alegam que o problema ocorre por falta de ação da população e dos poderes executivo, legislativo e judiciário, discordo. O problema deriva totalmente de uma administração equivocada da COMPESA e do descompromisso com suas obrigações que tem proporções geométricas. A Inteligência Artificial, aliada aos melhores sistemas computacionais do mundo seriam ineficientes para medir essa falta de compromisso.

A empresa que existe no site não é a organização real, vejam a “Missão” ali publicada: “Prestar, de forma sustentável, serviço de abastecimento de água e esgotamento sanitário, com a promoção do bem estar e da qualidade de vida dos clientes.” Na pratica nenhuma palavra deste texto é realidade em Afogados da Ingazeira – PE. Cidade que em pleno século vinte e um tem que recorrer ao galão nos ombros e lata na cabeça para ter um pote cheio em casa. Não há esperança para solução.

Crônica de Ademar Rafael

ESCURIDÃO TOTAL

Ao buscarmos o significado de “transição”, entre outros podemos encontrar “passagem do velho para o novo” é essa a finalidade daquilo que costumeiramente é chamado de “transição de governo”. Período em que o futuro gestor tenta identificar a situação atual do ente que administrará junto ao gestor que ocupa o cargo, conforme sugere regras legais.

Invariavelmente ouvimos “lenga-lenga ou mimimi” sobre a transição em determinado município ou estado dessa falida “Federação” conhecida como Brasil. Fica sem resposta os motivos que levam um gestor a negar acesso às informações para as comissões nomeadas na forma da lei. Aumenta essa dúvida quando constatamos que tais gestores que agora negam os dados em passado recente reclamaram da prática. Isto mesmo, os gestores atuais que se disseram vítimas hoje se vingam.

Essa maléfica prática além de ferir de morte regras legais sugere a falta de compromisso de gestores públicos com assuntos de interesse coletivo, imagino que estas figuras se acham acima das leis e do que podemos chamar respeito com seus pares. O pior disto tudo é que Governo Federal, Tribunais de Contas, entidades que cuidam da transparência em órgãos públicos gastam muito dinheiro editando regularmente cartilhas e outras publicações com roteiros sobre “transição de governos”. Referidas informações, muito bem catalogadas, são ignoradas de leste a oeste, de sul a norte desse país cujo sistema político está submerso pelos esgotos da falcatrua e do jeitinho brasileiro.

Em uma dessas cartilhas encontrei a seguinte sequência: “1º passo: Instalar a equipe de transição – 2° passo: Preparar relatórios – 3° passo: Disponibilizar informações e 4º passo: Publicar os documentos para encerrar a transição.” Cada passo deste é seguido de ricas informações sobre a sua importância para que os novos mandatários iniciem a gestão com informações básicas e necessárias. Mesmo assim muitos não se sensibilizam e negam fornecer dados relevantes para o processo. Nossa falida nação é campeã em criar e desrespeitar regras.

Crônica de Ademar Rafael

VIVER VIVENDO

O escritor coreano Byung-Chul Han no livro “Sociedade Paliativa”, em uma abordagem que nos remete a fazer uma reflexão sobre o estilo de vida que estamos conduzindo e sobre o impacto dessa escolha em nossa caminhada, nos desafia a entender o fenômeno que nos faz abraçar a “sobrevivência individual” e nos afasta de “vivência coletiva”.

A obra traz mensagens contundentes, transcrevo a seguir fragmentos que destaquei durante a leitura: “Deve-se opor à luta pela sobrevivência o cuidado a ‘boa vida’. A sociedade dominada pela histeria da sobrevivência é uma sociedade de mortos-vivos. Estamos vivos demais para morrer e mortos demais para viver. No cuidado exclusivo com a sobrevivência nos igualamos ao vírus, esse morto vivo que apenas se multiplica, ou seja, sobrevive sem viver”.

O vírus  que o escritor se refere é o vírus que causou a pandemia provocada pela COCID-19, esta ligação com “coronavírus” não é por acaso muitos humanistas acreditavam que após a pandemia a sociedade tomaria rumo diferente no tocante ao viver harmonioso e que a sociedade  mundial seria contaminada com um surto empático. Nada disto aconteceu o isolamento praticado durante o período crítico da doença  acelerou o processo de individualização. Neste ponto Byung-Chul Han nos coloca diante do fenômeno da comunicação social por ele qualificado como “Infocracia”, outro livro que nos convida a pensar sobre as escolhas da sociedade.

Seguindo o raciocínio do individualismo e da histeria acima especificados o famoso escritor israelense Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens e Homo Deus”, no livro “Notas sobre a pandemia”, alerta: “O maior risco que enfrentamos não é o vírus, mas os demônios interiores da humanidade: o ódio, a ganância e a ignorância…Podemos optar por compartilhar o que temo em vez de apenas acumular para nós mesmos.”  Em resumo precisamos “viver vivendo” que nada mais é do que deixar que os outros também tenham a qualidade de vida que queremos para nós.

Crônica de Ademar Rafael

PODER AVASSALADOR

Segundo muitos apontamentos a frase “A diferença entre o remédio e o veneno está na dose” fui pronunciada no século XVI pelo médico, alquimista e físico suíço-alemão Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, cujo pseudônimo era Paracelso. Atualmente existe um fenômeno que a recebe em plenitude. Este fenômeno é conhecido como “brain rot” – palavra do ano no dicionário Oxford,  traduzida como “Mente podre” e/ou “Podridão cerebral”.

Trazendo para nosso cotidiano nada mais é do que a dependência pelas redes socais, acesso descontrolado às tecnologias de massa ou a exaustão gerada por ver excesso de trivialidades no celular.  Sua classificação é ampla, os danos causados aos dependentes são muito maiores. Estamos nos transformando em “zumbis” tecnológicos, estamos nos movendo em direção a uma servidão nunca vista. Tudo movido por atrativos bem desenvolvidos. As doenças derivadas desse processo são inúmeras, seus efeitos são catastróficos para pessoas e sistema produtivo.

Diante da inércia total dos legisladores, o assunto é debatido no Supremo Tribunal Federal – STF em ações que buscam determinar responsabilidade das redes sociais pelos conteúdos publicados que geram ódio, criam divisões em escalas geométricas com uso de algoritmos e Inteligência Artificial – IA. O que é vendido com liberdade de expressão é de fato escravidão. Uma coisa é certa: o lado obscuro que cada ser humano tem está sendo utilizado ao extremo pelos gestores de  tais modelos.

O renomado escritor israelense Yuval Noah Harari, lançou recentemente o livro “Nexus – Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial”. Na síntese da referida obra podemos ler: “As histórias nos uniram. Os livros propagam nossas ideias – e nossas mitologias. A internet nos prometeu conhecimento infinito. O algoritmo aprendeu nossos segredos – e então nos incitou uns contra os outros. O que a IA fará?” Que tal, sem ideologias, refletirmos sobre isto agora?

Crônica de Ademar Rafael

SEM LIMITES

No final do primeiro semestre deste ano foi lançado mais um livro apontando privilégios sem limites presente no perverso, desumano e desigual sistema político brasileiro. Trata-se de “O país dos privilégios”, autoria de Bruno Carazza, funcionário público licenciado, colunista do jornal “Valor Econômico” e conhecedor das veredas tortuosas de Brasília.

Dizemos mais um livro porque desde o lançamento em 1958 de “Os donos do Poder”, de Raimundo Faoro, são sessenta e seis anos de denúncias infrutíferas. Os privilégios crescem em escala geométrica. No Brasil existem grupos não alcançados pela letra morta do Art. 5º  da Constituição Federal que diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…”. Tais grupos, na
condição de “donos do poder”, receberam, recebem e receberão tratamento diferenciado.

O escritor Carazza em 2018 publicou “Dinheiro, eleições e poder: As engrenagens do sistema político brasileiro” que escancara procedimentos inadequados acobertados pela legislação dos privilégios e perpetuados em função dos benefícios para os mesmos. O livro publicado há seis anos pode ser entendido com um preâmbulo da obra recente, uma vez que esta última se dispõe mergulhar em esgotos não alcançados pela primeira obra.

“O país dos privilégios”, anunciado como o primeiro volume de uma trilogia, aprofundou via pesquisa criteriosa no lamaçal composto pelas ”regalias e benesses” de algumas carreiras da máquina estatal com abrangências nos três poderes e indica que toda e qualquer reforma administrativa esbarra na força dos detentores de tais privilégios.

Em um país onde os cortes do orçamento abarcam somente recursos destinados ao atendimento de causas relacionadas com os excluídos mexer em privilégio é sonho inalcançável. A leitura de livros da espécie nos mantém vivos para utopicamente sonhamos com justiça social.