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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael: Respeito

RESPEITO

Para melhor sedimentar nossa reflexão sobre esse valor humano inicialmente recorro ao site “significados” onde encontro a seguinte definição: “Respeito é um dos valores humanos que fundamentam a vida em sociedade. Seja em relações interpessoais ou em vista de normas, regras ou de um poder instituído…”

Na sequência busco as frases a seguir transcritas com seus respectivos autores: “Acima de tudo, respeitem-se.”, Pitágoras; “Respeite a si mesmo e os outros respeitarão você.”, Confúcio; Não há nada mais desprezível do que o respeito baseado no medo.”, Albert Camus; “Somente através do autorrespeito podemos alcançar o respeito dos outros.”, Fiódor Dostoiévski; “O respeito pela vida é a base de todos os outros direitos, incluindo a liberdade.”, João Paulo II; “Não consigo conceber uma perda maior do que a perda do respeito próprio.”, Mahatma Gandhi e ”A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.”, Franz Kafka.

Percebam que na maioria das frases que escolhi para apoio da reflexão o respeito ao outro nasce depois do respeito a cada um de nós, ou seja, sem nos respeitarmos teremos dificuldades para respeitar alguém. Isto tem se tornado uma constante nos dias atuais. O politicamente correto imposto por interesses alheios tem gerado uma espiral negativa sobre a forma que olharmos para nosso interior. Sem narcisismo precisamos nos amar, gostar do que fazemos e termos orgulho de ser quem somos, com nossas imperfeições, medos e limites.

Quantas vezes produzimos alto excepcional, não os interpretamos com o zelo adequado e damos valor a produção “meia boca” de terceiros. Carecemos reler o que praticamos com isenção, sem empáfia, mas, com justiça. Este valor humano, que promove uma convivência harmoniosa, nos cobra muito pouco para ser exercido em plenitude e nos devolve muito quando o praticamos espontaneamente, sem medo ou obrigação.

Crônica de Ademar Rafael: Julgamento social

JULGAMENTO SOCIAL

Este tema tem causado prejuízos irreparáveis para pessoas expostas com notícias, muitas vezes desprovidas de verdade, nas diversas redes sociais e captadas como verdades plenas pelos usuários de tais plataformas que além de compartilhar, julgam e sentenciam pessoas inocentes ou com minúsculas participações nos eventos relatados.

Para melhor assentar nossa reflexão sobre o assunto permitam-me recorrer a fundamentos legais ou convencionais para figura do julgador em júri popular. O Tribunal do Júri é entendido como “uma instituição jurídica especializada na apreciação de crimes dolosos contra a vida, com participação de cidadã/os que após ouvirem os acusadores e defensores decidem sobre a culpabilidade ou inocência da/o acusada/o,  respondendo quesitos preparados pelo Juiz.” Percebam que este mecanismo busca inserir a participação popular em julgamentos, visando dar um sentido democrático ao processo de julgamento.

Diferente desta estética legal o julgamento social tem influência direta de fatores alheios ao que de fato aconteceu, principalmente por não haver oitiva das partes, e por carregarem vieses relacionadas com preconceitos, ideologias e pelo instinto de julgarmos de forma diferentes da que exigimos ao sermos julgados.

Esse fenômeno social – normalmente desacompanhado de conceitos relacionados com a empatia e a compaixão, alimentados por mensagens postadas em redes sociais, por notícias não apuradas corretamente e por outros meios existentes nas tecnologias disponíveis – são estimulados por práticas nocivas, promovidas por grupos antagônicos, que visam destruir tudo que existe do outro lado. Na esmagadora maioria das vezes os julgadores sociais são manipulados por pessoas que se promovem, assumem posições de destaque inclusive vencendo pleitos eleitorais e que empossados nos cargos disputados seguem sua saga em destruir os oponentes a qualquer custo. Que tal julgarmos menos?

Crônica de Ademar Rafael: É de casa

É DE CASA

Com este texto, neste dia que o nordeste brasileiro realiza uma das maiores manifestações culturais com seu aguerrido povo, quero prestar uma homenagem ao amigo poeta, filósofo e professor Genildo Santana pelo seu último trabalho, o livro “Celeste Vidal: Uma vida na ditadura brasileira”.

A obra é uma adaptação de Trabalho de Pesquisa para obtenção de certificado em Pós-graduação de História do Brasil feito pelo autor com extremo zelo em 2015 e agora  apresentado para o mundo em forma de livro. Precisa ser lido e discutido pelas gerações atuais tão carentes de boas e confiáveis informações sobre parte da nossa história que os poderosos tentam contar de outra forma.

Como todo trabalho acadêmico que merece este nome o texto é iniciado com um passeio sobre a histografia da ditadura “civil-midiática-militar”. Essa terminologia nos remete ao uma abordagem pouco utilizada e que demonstra com extrema clareza que sem o apoio de uma elite viciada em benefícios, uma imprensa venal e subserviente, uma estrutura militar teleguiada por orientação advinda dos Estados Unidos de América este período escuro que cobriu nosso país por décadas não teria acontecido.

De forma didática Genildo nos apresenta a base do golpe, as formas de torturas utilizadas para sua sustentação, explicado o que era feito e como era feito. Apresenta com exemplar detalhamento, o “Pau-de-arara”, a “Cadeira de Dragão”, o “Choque elétrico”, a “Geladeira” e a “Pressão psicológica”.

A cereja do bolo no entanto é a parte do livro em que o autor fala sobre a professora, poetisa e guerreira Celeste Vidal. Em um texto leve que somente os poetas são capazes do produzir Genildo apresenta uma mulher de fibra e defensora dos direitos socais, que apesar das torturas sofridas “nos porões da ditadura”, seguiu sua luta, jogando gestos dignos e poesias,  com a nobreza reservada apenas para pessoas de valor moral e que podem ser tratadas como “gente”. Obrigado poeta, viva a liberdade.

Crônica de Ademar Rafael: E que lições

E QUE LIÇÕES

Tenho o hábito de presentear as pessoas com livros mas receber livros de presente é algo que me deixa muito feliz. Primeiro pelo gesto e segundo pela certeza que temos sempre o que aprender. Recentemente meu genro Alan me presenteou com o livro “As seis lições” de autoria do economista Ludwig Von Misses, que nasceu em 1881 em Lviv- Império Austro-Húngaro. A obra foi editada com o conteúdo de palestras na Universidade de Buenos Aires – UBA em 1959.

Neste livro o pensador discorre sobre Socialismo, Capitalismo, Intervencionismo, Inflação, Investimento estrangeiro e Política e ideias de forma densa e com argumentação perfeita, diferente das abordagens sobre estes mesmos temas nos dias atuais. A abordagem tem perfeita sintonia com a linha de pensamento da Escola Austríaca de Economia também conhecida como Escola de Viena uma vez que se alicerça na corrente econômica que defende a liberdade individual e o livre mercado.

É importante ressaltar que os fundamentos defendidos pela referida escola possuem argumentação e lógica, diferentes da visão míope da atualidade que tenta levar a superficial leitura de direita x esquerda para o mundo da economia. As principais características de Escola de Viena são: “Individualismo Metodológico; Livre Mercado; Teoria do Valor; Ciclos Económicos e Ação Humana”. Percebam que são temas diversificados que se unem para formar uma teoria com profundidade em cada variável e não com a superficialidade que tentam imprimir os “falsos gurus” de plantão, principalmente nos “Podcasts” bancados por interesses impublicáveis.

Entre os economistas da Escola Austríaca de Economia destacamos seu fundador Carl Menger, com sua significativa contribuição para teoria da oferta e da demanda; Ludwig Von Misses, com sua respeitada obra  “Socialismo: Uma Análise Econômica e Sociológica“, de 1922 e Friedrich Hayek, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 1974 e defensor da liberdade individual e do livre mercado. Viva os bons livros.

Crônica de Ademar Rafael: Hora e vez da poesia

HORA E VEZ DA POESIA

Até a última década do século passado  a poesia popular era divulgada por meio das seguintes fontes: A cantoria de pé-de-parede, os apologistas, os festivais, programas de rádio e cordéis comprados nas feiras livres. Livros sobre poesia eram raros e as fontes produtoras os poetas profissionais.

Com advento das gráficas rápidas e da internet a divulgação foi ampliada e começaram surgir poetas amadores com boas produções, mesmo assim o alcance continuava sendo restrito. Nos últimos anos as mídias sociais promoveram verdadeira revolução no setor. Poetas amadores assumiram posições de destaque e os poetas profissionais ampliaram seus contatos ao incluíram as redes sociais na divulgação de sua bela arte.

Atualmente percebo como real o título desta crônica, as lacunas existentes estão sendo ocupadas. Poetisas e poetas profissionais e amadores estão entregando aos apologistas elevado estoque de boas poesias. Os grandes aliados nessa empreitada são as plataformas digitais. Programas semanais são gerados e colocadas à disposição dos interessados com extrema competência. Entre diversos outros programas destaco. O programa “Prosa de Mestre” apresentado pelo poeta Edmilson Ferreira e “Podcast Nordestino” comandado por Artur Vilar. A contribuição que tais produções tem dado para poesia popular não é possível medir facilmente.

Podemos citar ainda outros casos exitosos. O trabalho da Poetisa Lúcia, uma paraibana que reside em Leme – SP, é digno de aplausos. A professora Lúcia participa ativamente dos grupos “Desafios Poéticos” e “Cordel da Hora” e movida pela inquietude poética e pela missão abraçada em defesa da poesia popular utiliza espaço individual no “Facebook”, “Instagram”, “Tik Tok” e “YouTube” para publicar seus poemas e estrofes isoladas. A ação desenvolvida pelo poeta Marcos Silva, da cidade de Custódia – PE, que por meio do programa “Bisaco do Cordel”, com extensão ao “Facebook” e “YouTube” tem dado apoio irrestrito para poesia. Viva a poesia popular, ela é cultura raiz.