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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael: Controles controlados?

Dois recentes escândalos registramos na contabilidade de fraudes do Brasil expõem a fragilidade dos controles de operações/ações rastreáveis cujas possibilidades de inadequação às normas são identificáveis por ações tempestivas e isentas de controladores compromissados com as suas responsabilidades.

Os escândalos são o caso do Banco Master e a liberação de empréstimos consignados no INSS para incapazes, inclusive beneficiários com idades inferiores a dois anos. O que falhou em cada caso? Os sistemas de métricas dos procedimentos que aqui prefiro chamar de “Controle Interno” e que ostenta o sofisticado nome de “compliance”, cuja tradução livre do inglês é “conformidade”. Ou seja os setores que atestariam se determinados procedimentos estariam dentro das regras.

Nos dois casos podemos identificar sem susto ocorrências de situações em que os controles estão controlados pelos gestores para não cumprirem suas obrigações que seria dar ou não conformidade aos processos. Por isto que o título desta crônica é “controles controlados”. Depois dos estragos feitos INSS e  Banco Central adotaram medidas corretivas que na realidade são remédios tardios para males que poderiam ter sido evitados.

O que mais assusta é verificarmos que o tema controle é abordado no Brasil desde 17.03.1964, com a edição da Lei 4.320, ratificado nas Constituições de 1967 e 1988 e reforçado 27.04.1994 com a criação da Secretaria Federal de Controle Interno – SFC hoje vinculada à Controladoria Geral da União – CGU, com atribuições previstas no Artigo 74 de Constituição Federal.

 Da mesma forma detectada nos dois casos aqui narrados “Controles Internos” da União, Estados, Munícipios e demais entes públicos são falhos. A maioria dos gestores brasileiros não gostam de serem controlados, preferem poderes amplos e sem restrições. Pobre Brasil.

Crônica de Ademar Rafael: Força coletiva

FORÇA COLETIVA

 Uma entidade de defesa dos interesses de funcionários do Banco do Brasil e do banco em relação aos desmandos de políticos inescrupulosos ao comemorar seus quarenta anos publicou uma cartilha que aborda o tema da força das ações coletivas.

 Nesta primeira crônica do ano quatorze dessa parceria que mantenho com o BLOGDOFINFA vamos trazer esse assunto para nosso debate semanal, destacando a manipulação de tal força deslocando das ações em favor do bem coletivo para favorecimento de um grupo minúsculo e muitas vezes de um único personagem.

Temos assistido nos últimos anos movimentos populares que se tornaram atos cujos esforços são direcionados em favor de um falso defensor dos direitos dos manifestantes. Vemos grupos de fanáticos que saem às ruas com bandeiras e palavras de ordem cujo conteúdo muito bem elaborados por profissionais das mídias sociais que em verdadeiras lavagens celebrais estimulam a banalização de verdades e adoração às mentiras.

O que mais assusta nesses movimentos é um tipo de cegueira coletiva que alcança cada manifestante deixando-os à mercê dos manipuladores. Retirar membros dessa legião do universo paralelo que ingressaram devolvendo-os para o mundo real não é fácil, muito esforços são necessários e os resultados são muito abaixo do ideal.

Acredito que a ausência de lideranças confiáveis, a descrença de boa parte da população, a vulgaridade e a banalidade que campeiam mentes desprotegidas são as argamassas que sustentam esses fenômenos sociais. O aparelhamento de instituições, a falta de caráter de gestores públicos e privados e a superficialidade das relações transformam-se em colunas de sustentação do sistema perverso que impera em todo mundo. Uma coisa fica clara: “Quem se deixa enganar não pode ser tratado como inocente útil, entram no jogo de forma espontânea.”

Crônica de Ademar Rafael: Cegueira ou egoísmo?

CEGUEIRA OU EGOÍSMO?

 Na última semana de outubro em um dos grupo de WhatsApp que participo circulou uma postagem de uma poetisa e  professora nordestina que atua no interior de São Paulo destacando sua alegria por convencido uma pessoa que a política de cotas não é um favorecimento indevido e sim um política pública que tenta reparar dano causado pelo sistema de privilégios que impera em nossa país desde a época do império.

Atuar buscando o convencimento de figuras que condenam a política de cotas não é tarefa fácil, seguir tentando carece de persistência, paciência e devoção pelas causas socais.  O teor das abordagens das pessoas que condenam políticas inclusivas – entre as quais as cotas para ingresso em cursos superiores, empregos e em outros acesso negados – nos estimula a fazer a pergunta que serve de título deste texto. Tenho clareza que em todos os casos existe uma das variáveis e algumas situações as duas.

 A mentes dos que se declaram contra políticas de inclusão social quase que invariavelmente pensam assim: “Se um benefício é em meu favor é por merecimento, se o beneficiário for para um brasileiro que por algum motivo não teve as mesmas chances que eu é um favorecimento indevido. É uma prática que coloca um incompetente numa vaga que pertence a quem integra meu grupo social.”

 Deparei-me com esta linha de pensamento na época que estava no Banco do Brasil e quando atuei em empresas públicas e privadas após minha aposentadoria, hoje deparo-me com elas nas relações sociais. Honestamente declaro que estou perdendo as variáveis  “persistência, paciência e devoção pelas causas socais” para tentar mudar a visão dos que agem e pensam contra a ações que buscam equilibrar o jogo das oportunidade entre os ricos e os pobres nesse injusto país que moramos. Esta minha opção não deriva de omissão e sim da redução gradativa das forças para seguir na luta em favor de terceiros. Que Deus não permita que eu desista, essa luta precisa de gente por ser grande e difícil.

Crônica de Ademar Rafael: Blog do Finfa – 13 anos

 Na sexta-feira dia vinte e quatro de outubro escrevi para o titular deste espaço a seguinte mensagem: “O BLOG DO FINFA chega aos 13 anos carregando a característica da ave representada pelo TREZE no “Jogo do Bicho”: Acorda cedo e dar seu recado, a ave cantando e o Blog trazendo notícias. O sucesso conquistado é fruto de muita luta e persistência.”

Mesmo com sua simplicidade o texto foi publicado, entre tantas outras mensagens, qualificando-me como “Colaborar pioneiro”. De fato, desde o início do blog toda segunda-feira um texto de minha autoria é publicado, únicas exceções acontecem na semana do carnaval quando  a crônica é levada às leitoras e aos leitores na quarta-feira.

O sucesso do BLOGDOFINFA não é por acaso é fruto de uma trabalho árduo, persistente e insistente. José de Sá Maranha Júnior, nosso popular Finfa, pode até não ter herdado a mansidão do pai, mas, com toda certeza herdou a coragem impetuosa do tio Bante de Liliu. Sua caminhada ao criar o  BLOG do zero, angariar apoio e seguir com o projeto de forma ininterrupta não foi fácil, disto sou testemunha. Dia nenhum ouvi de Finfa manifestação sobre desistir, sempre acreditou no trabalho desenvolvido.

Para mim Finfa tem três grande habilidades, todas aderentes com empreendimento na área de comunicação. A primeira é a sensibilidade como fotógrafo, ele enxerga com “olhos de lince”; a segunda  é seu “faro para notícia” esse dom tem dado para ele a exclusividade em muitas matérias publicadas por ter chegado antes e a terceira é seu domínio sobre a comunicação verbal, microfone ou plateia não lhe assustam, sua desenvoltura neste campo é magnifica.

Com estas armas e a coragem que lhe é peculiar muitas portas foram abertas, muitas amizades construídas e muitos nãos foram ignorados ou serviram de argamassa para materialização dos seus sonhos. Por último: “Júnior tem um coração maior do que seu carismático sorriso.

Crônica de Ademar Rafael

DUPLA DE PESO

Recentemente, ao comentar uma texto do cronista e romancista Marconi Urquiza, escrevi: “Dosar as emoções e suportar as perdas sem grandes sequelas são caminhos difíceis de percorrer…Que saibamos, com
persistência, encontrar rotas menos doloridas.” O texto comentado abordava os dois assuntos. Utilizo agora o comentário como base para nosso diálogo desta data. De fato harmonizar essa dupla de peso não é tarefa fácil. Existem muitas variáveis a serem decodificadas para cumprir a missão e chegar na outra margem em boas condições físicas e mentais.

O mundo empresarial tem apontado como fator preponderante na escolha de colaboradores a capacidade que o candidato demonstra durante o processo seletivo em controlar as emoções. Este comportamento tem recebido muita atenção dos selecionadores por integrar os pilares da “Inteligência Emocional”, classificado na maioria dos textos sobre o tema como “Controle Emocional”.

Entendo que se você detém essa habilidade e de forma indolor coloca em uso de certa forma começa abrandar o impacto da perda. Quando você, de forma centrada e sem sacrifício, tem controle emocional o caminho para suportar a perda é mais largo. Caso inexista essa hipótese uma perda por menor que seja pode tomar grandes proporções e uma grande perda fugir totalmente do controle.

Nossa vida invariavelmente é constituída de fases boas, regulares e ruins. Ter a consciência que nenhuma delas será definitiva que haverá alternância entre elas, com pleno domínio emocional diante de dada momento, é fato criador da espiral positiva que nos leva a superar perdas e vencer obstáculos. Não há receita pronta, não existe gabarito único cada pessoa tem sua forma de agir. Uma coisa é certa o descontrole emocional atrapalha, controle emocional ajuda. Não resta dúvida que para superarmos uma perda precisamos ter antes o controle emocional, sem este fator a missão é muito mais difícil. Tirem suas próprias conclusões.