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Crônica de Ademar Rafael

IMAGEM EMPRESTADA

Em mais um pleito eleitoral, desta feita, para prefeitos e vereadores nosso país caminha na lama fétida de um sistema cronicamente viciado e movido por interesses impublicáveis. Para não cansar a leitora e o leitor hoje iremos focar somente na prática história de um candidato “tomar emprestada” a imagem de alguém para que sua chapa ganhe competitividade.

Muitos estudos apontam que Tancredo ao “aceitar” Sarney como seu vice o fez por saber que era a única forma de alcançar os votos dos dissidentes do moribundo regime militar; que Collor “engoliu” o nome de Itamar ao descobrir que o birrento político daria credibilidade ao seu intento de assumir a presidência da república; que Lula viu em Zé Alencar o personagem que o levaria ao eleitor de centro, mesmo entendimento ao escolher Alckmin no último pleito…

Nosso regime é tão fajuto que o vice, visto pelo cabeça de chave como um entrave após a vitória, é jogado ao eleitor como o adereço que faltava na chapa. Traduzindo: Para ganhar é importante, para governar e dispensável.

Muitos aceitam ser vice, mesmo sabendo da rejeição após o êxito eleitoral, motivados pela expectativa de ganhar visibilidade para pleitos futuros ou somente pelo status e salário. Isto mesmo, se vendem com interesses outros. A falta de dignidade dita a regra.

Sempre ouvimos em época de montagem de chapas das eleições majoritárias as seguintes ponderações: “Fulano tem que colocar uma mulher em sua chapa.”; “Sicrano precisa de alguém experiente como vice, é muito novo e não inspira confiança no eleitor.” “Beltrano só tem chance se colocar uma pessoa com perfil moderado.”

No caso de suplentes de senador a fedentina é maior. Fiquemos por aqui em busca de chapas que entre os postulantes exista algo em comum que o projeto político contemple ambos não seja de mentira.


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1 Comentário
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HELIO NORONHA
20 dias atrás

Boa crônica. Ouso complementar: isto ficou muito pior depois que FHC fez a jogada macabra da reeleição… desde então, o candidato já entra no primeiro mandato pensando no segundo! e aí, tem que engolir os “acordos” que nada mais são que “jogos de interesses”.