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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

AMIGOS DE QUINCAS RAFAEL – II

Dando sequência aos textos relacionados com os grandes amigos do meu pai hoje falaremos sobre o nobre Francisco Vicente Sobrinho, conhecido como Chiquinho Vicente.

É o segundo do grupo de três amigos que residiram no município de Iguaracy e estiveram presentes em boa parte das aventuras do contador de história de Jabitacá.

Desde meus tempos de criança convivi com os diálogos entre Quincas Rafael e Chiquinho Vicente. Com minha capacidade de absorção da época enxergava uma admiração e respeito mútuo não havia disputa e sim muita cooperação, um ouvia o outro com atenção dedicada aos irmãos.

O prudente, carismático e educado Chiquinho Vicente teve como principal atividade a agropecuária. Como tal foi cliente do Banco do Brasil, sempre honrando seus compromissos. Com essas qualidades e munido de extrema capacidade de fazer e manter sadias amizades foi eleito para os cargos de vereador e prefeito em sua terra. No exercício das funções nunca mudou seu jeito de ser, sua forma mansa e pacífica estiveram com ele em todas as oportunidades.

Teve como residência fixa a “Fazenda Passagem Funda”, local imortalizado na música “Que nem Vem Vem”, um dos sucessos de Maciel Melo, Lutou bravamente pela construção da Barragem do Rosário, obra
inaugurada durante seu mandato como prefeito. Em 2021 por deliberação de Assembleia Legislativa de Pernambuco a PE-282, que liga a sede do município ao Distrito de Jabitacá, seu caminho ao se deslocar da sua residência, passou a ter o seu nome. Merecida homenagem.

Chiquinho Vicente foi uma prova de que fidalguia e nobreza são qualidades inatas, quem as tem não perde em função de cargos que exerce e dos “encantos” do poder. Um exemplo que merece ser seguido.

Crônica de Ademar Rafael

TROCA INDEVIDA

Para retomar as atividades ligadas à formação jovens que buscam o primeiro emprego, em Programa conduzido pelo SENAR-PB, com preparação de material para volta das aulas presenciais tenho lido bastante sobre comportamento, mudança de atitude e adaptação.

Junto das leituras necessárias para bem executar as tarefas recebidas surge, com nitidez, a percepção que estamos, equivocamente, trocando a convivência harmoniosa pela discórdia no universo político e em áreas ligadas à família, à religião e ao trabalho, contaminando-os.

Mesmo reconhecendo as limitações naturais de um leigo em muitas destas áreas, tenho clareza que a cada dia estamos nos distanciando do perdão e nos aproximando da falta de piedade, da capacidade de ouvir e respeitar pensamentos diferentes dos nossos.

No livro “A sabedoria da transformação” a Monja Coen ao falar sobre encontros “inter-religiosos” que participa transcreve uma ponderação do 14° Dalai Lama em evento realizado na cidade de São Paulo. Diz a
Santidade Budista: “Todas as grandes religiões do mundo, com ênfase no amor, na paciência, na tolerância e no perdão promovem valores internos. Mas a realidade do mundo hoje é outra, e se apoiar apenas na ética religiosa já não mais adequado. Acredito que chegou o tempo de encontrarmos um caminho para pensar sobre espiritualidade e ética que vá além da religião.”

Se pegarmos esse pequeno texto, para uma reflexão, descontaminada dos efeitos negativos das escolhas acima citadas, vamos identificar muitos caminhos a serem construídos em cima de terra que nós mesmo arrasamos, vamos perceber que é necessário muita ação individual em nome do coletivo. As trilhas percorridas não nos levarão ao porto seguro. É imperioso que voltemos a ser seres humanos gregários, que a intolerância seja trocada pela harmonia que o sentimento do perdão retorne aos nossos corações e mentes.

Crônica de Ademar Rafael

A FOME INSISTE

No próximo mês o movimento idealizado por Betinho, o irmão de Henfil imortalizado na letra da música “O bêbado e o equilibrista” de Aldir Blanc e João Bosco, comemora trinta anos. Em setembro de 1992 as pessoas que ocuparam o Aterro do Flamengo na cidade do Rio de Janeiro estavam criando a mobilização que entrou nos registros históricos como “Ação da Cidadania contra a Fome a Miséria e pela Vida”.

O presidente Itamar Franco deu apoio governamental para o projeto. Betinho, alegando problema de saúde, não aceitou cargos no governo. Segui com na luta sem o tão sonhado crachá ou outros benefícios. Dessa mobilização inicial nasceu a campanha “Natal sem Fome” e com base no Mapa da Fome a necessidade de criar Comitês Locais. A lógica dos comitês, corretamente utilizada, tinha com base a seguinte indagação: “Como posso participar de uma campanha nacional se no meu entorno tem pessoas morrendo de fome?”

Na formação destes comitês os funcionários do Banco do Brasil, com apoio de entidades locais, dos clubes de serviços – especialmente Rotary, Lions e Maçonaria – e voluntários anônimos deram vida a milhares de base arrecadadoras de donativos e inúmeras equipes para entrega dos alimentos arrecadados. O projeto ganhou musculatura e mesmo com o falecimento do Betinho, dia 09.08.1997, continuou sua
espiral virtuosa.

Governos que sucederam Itamar Franco lançaram mão da ideia e criaram programas para assumir os encargos dos voluntários. Era a promessa que o inciso III do Artigo 3º da nossa Constituição deixaria de ser de ser letra morta. Nomes foram criados: “Bolsas, com FHC”; “Fome Zero, com Lula”, “Bolsa Família, com Dilma” e “Auxílio Brasil, governo atual”.

Todos, com intuito de gerar popularidade e votos, foram incapazes de trazer a solução definitiva para o problema, os números atuais são tão alarmantes e vergonhosos como os que tínhamos há trinta anos.

Crônica de Ademar Rafael

CENTENÁRIO – ZÉ VICENTE DA PARAÍBA

Ontem galáxias “Cultura Popular” e da “Cantoria de Viola” se unificaram para comemorar o centenário do poeta José Vicente do Nascimento, nascido em Pocinhos – PB em 07.08.1922. Defendo a tese de que ninguém, além deles, tem a sublime capacidade de escrever sobre um poeta. Esses seres iluminados, que Zé de Cazuza definiu em livro como “Poetas encantadores”, são detentores de ilimitada capacidade de criação. Definir isto é missão impossível.

Mesmo com essas limitações não poderia deixar esta data passar em branco. O poeta Zé Vicente da Paraíba, que para nosso orgulho residiu no Pajeú em outras cidades de Pernambuco, conviveu com poetas de várias gerações em seus oitenta e cinco anos e nove meses de vida terrena. Conviveu com Antônio Marinho e a turma de atualmente honra a profissão de violeiro, como tanto honrou o filho de Pocinhos.

Quem foi ouvinte de programas radiofônicos sobre cantoria de viola nos anos 1960 a 2000 ouviu Zé Vicente da Paraíba ao vivo ou por meio das suas gravações, afinal ele tem participação ativa no LP “Violeiros” o primeiro do gênero, gravado em 1955 em inúmeros outros títulos.

Com o brilhantismo que caracteriza as suas ponderações, Bráulio Tavares no prefácio do livro de Zé Vicente da Paraíba “Fiz do choro das cordas da viola/o maior ganha-pão da minha vida”, obra organizada por José Mauro de Alencar e publicada em 2009, escreveu: “Querem ver o tamanho da Cantoria de Viola? Vejam este livro, pequena amostra da produção de um poeta que nem sequer é um dos mais famosos de sua arte. Quem conhece Zé Vicente, fora do âmbito dos admiradores da Cantoria? Muito pouca gente, embora – para dar só um exemplo – seus versos sobre a natureza tenham sido gravados por Alceu Valença, Marília Pêra, Ruy Maurity e outros. Zé Vicente, como tantos parceiros seus que figuram nestas páginas, foi em certo momento saudado como pioneiro por ter sido um dos primeiros cantadores a gravar seus versos no vinil. Vejam as ironias da História. O disco de vinil acabou. As gravadoras de discos estão acabando. O mercado fonográfico onde não cabia a Cantoria de Viola está desmoronando em câmara lenta até onde a vista alcança. Os improvisos e os poemas de Zé Vicente, preservados na memória de quem era capaz de entendê-los, ficaram, estão aqui, e serão passados adiante…” e arremata: “Zé Vicente, teu verso está escrito numa tinta que o tempo não desbota.”

Ler este livro é passear sobre nuvens carregadas de poesias. Como minúsculo aperitivo transcrevo a primeira estofe da música “O autor da natureza”, gravada por Zé Ramalho: “O que prende demais minha
atenção/É um touro raivoso numa arena/Uma pulga do jeito que é pequena/Dominar a bravura d um leão/Na picada ele muda a posição/Pra coçar-se depressa com certeza/Não se serve da unha nem da presa/Se levanta da cama e fica em pé/Tudo isso provando o quanto é/Poderosa e suprema, a natureza…” Poema feito em parceria com Passarinho do Norte.

Crônica de Ademar Rafael

MUDAR E UNIR, REGRAS SALUTARES.

Por ser um defensor da tese que nosso estilo de vida e nossas ações, assim como os processos das organizações, sofrem influencias externas e por isto precisam ser mudadas sempre busco ler os cenários e as tendências perceptíveis com as ferramentas que disponho.

Recentemente, ao preparar conteúdo para aulas que aplico em turmas do Programa Jovem Aprendiz, deparei-me com os processos de mudança que as empresas precisaram lançar mãos para superar os obstáculos advindos com a pandemia e logo em seguida com os efeitos nefastos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Estes novos posicionamentos, aplicáveis às organizações, podem ser trazidos para nossa vida com as adaptações cabíveis.

Para melhor entendimento destaco práticas recentemente incorporadas nos processos organizacionais e como mencionei aplicáveis em nosso cotidiano. Tais conceitos são extraídos da matéria “Da cadeia linear à circular – Quinta revolução”, publicada na revista HSM-Management número 152, assinada por Marcelo Souza.

No texto, cujo título já indica uma mudança, o executivo aponta a necessidade de enxergarmos “os resíduos como recursos”, de convivermos com a “diversidade”, utilizarmos “energias de fontes renováveis” e adotarmos “pensamento sistêmico”. Percebam que as sugestões transitam no mundo onde a competição é trocada pela cooperação. É neste universo que devemos nos colocar.

A pandemia e os obstáculos naturais do nosso tempo não permitem a individualidade como prática salutar. Precisamos unir forças, eliminar os desperdícios e ampliar nossa linha de raciocínio. Tenho insistido nisto em minha vida, levado essa mensagem aos meus alunos e trazido para reflexão neste espaço. Que tal estimularmos nossas características de “seres gregários”, transformando os pares em aliados?