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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELA BOLA

Nos tempos da minha juventude havia uma mensagem de alerta aos motoristas que dizia: “Atrás de uma bola sempre vem uma criança”. Posteriormente, de forma pejorativa foi alterada para: “Atrás de uma bola sempre vem um fiscal”, outras versões vieram e a “bola” continuou migrando para os bolsos dos corruptos, em formato de propina.

Com este escândalo da FIFA podemos propor nova redação: “Atrás de um evento esportivo vem propina”, no futebol o resultado é detalhe, as negociatas fazem mais gols que os artilheiros.

Nada, no entanto, é novo no processo. O jornalista inglês Andrew Jennings ao publicar “Jogo Sujo – O mundo secreto da FIFA – Compra de votos e escândalo de ingressos”, editado no Brasil pela Panda Books trouxe uma narrativa clara sobre as “brincadeiras” dos cartolas. Juca Kfouri, que escreveu uma mensagem na primeira contra capa do livro, produziu diversos artigos sobre o tema e da mesma forma do inglês o que ganhou foram vários processos na justiça.

Agora, sob as garras da grande águia, a bomba estourou. O FBI, que representa muito mais os interesses dos americanos do que uma instituição em busca da limpeza no futebol, está contribuindo para que a sangria seja estancada. No que vai dar? É muito cedo para avaliarmos.

Qualquer pessoa de bom censo sabe que a maior lavanderia de dinheiro sujo na atualidade opera nos esportes em geral, o futebol é um deles. Os jogos olímpicos, os grandes certames são controlados por “investidores” e “fundos de investimentos” cujos recursos têm origens pra lá de duvidosas. As grandes redes de comunicação do todo mundo, os cartolas, as casa de apostas e os
“empresários” dos esportes caminham no mesmo lamaçal.

Quanto o tetracampeão Carlos Alberto Parreiras afirmou que no futebol o gol era “detalhe” tinha em mente apenas o que ocorre no campo do jogo. Sua tese deriva da percepção que o condicionamento físico, as estratégias e o pragmatismo superam o ponto alto do futebol. Desconhecia nosso treinador que de fato o gol virou detalhe o importante está fora das arenas esportivas e
chama-se DINHEIRO.

Para não fugir da norma geral, aplicável em todos os casos de denúncia de corrupção, o presidente Joseph Blatter afirma que nada sabe, que foi traído e que fechará os dutos por onde a corrupção desvia os recursos da entidade. Tenho ligeira desconfiança que ele aprimorou seu discurso no país que organizou o último campeonato mundial, conhecido como Copa do Mundo.

O jogo está no início, teremos o tempo normal, os acréscimos, a prorrogação e os pênaltis. Mudará é o local da disputa, saem as arenas entram os tribunais.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ademarÉ POSSÍVEL SOBREVIVER?

O indiano Ram Charan, uma das maiores autoridades no mundo da administração, ao escrever “Ruptura Global – Liderando seu negócio através da grande transformação do poder econômico mundial” menciona uma série de eventos que deslocou o consumo e as oportunidades dos negócios para um grupo de países capitaneados pela China, Índia, Brasil, Indonésia, México e África do Sul.

Sugere o competente consultor que os líderes das empresas globais precisam olhar não apenas para as oportunidades em tais mercados e sim dedicar especial atenção para as particularidades de cada região e contemplar variáveis ali existentes para não correr o risco de ver seus empreendimentos serem substituídos por outros que através da ação de executivos que ao respeitarem as culturas e atenderem as necessidades locais conquistam a preferência dos consumidores e usuários dos seus produtos e serviços.

Sugere o renomado autor que os negócios carecem de identificação com o universo onde inserido. As alianças estratégicas são destacadas como fatores de sucesso e ratifica que carreira solo está em fase de extinção. Contudo, o
indiano valoriza as estruturas locais e recomenda a cooperação como vetor capaz de ampliar os negócios gerados nas pequenas empresas locais.

Nos anos setenta e oitenta Valdemar dos Arados em uma empresa familiar produziu implementos agrários que venciam com certa facilidade a concorrência com a famosa marca Tatu. Fui operador de arados de Valdemar e
posso testemunhar que eram mais resistentes e produziam muito mais que os arados da empresa paulista. Quem viveu nas lides do campo no querido sertão do Pajeú com certeza ratifica minhas palavras.

Na cidade de Jardim, no Estado do Ceará, o senhor Helvécio passou a fabricar, nos anos 80, o famoso “picolé do Jardim” e venceu a concorrência de Maguari e da Kibon. Depois de trinta anos continua abrandando o calor dos moradores do Cariri cearense com seus picolés e sorvetes. Comprovei isto na viagem que fiz para aquela região em janeiro último.

Também no Ceará, na cidade de Nova Olinda, Expedito Celeiro não consegue atender todos os pedidos dos clientes e os calçados por ele produzidos são referência em bom gosto, conforto e durabilidade. Mesmo com Milton Neves
falando mais em sapatos rafarillo do que em futebol no seu programa “Terceiro Tempo”, no início das noites dos domingos na TV Bandeirantes, Expedito continua na liderança.

A associação das empresas com as características acima com o capital eterno é das diversas sugestões de Ram Charan para que os riscos sejam mitigados e a base econômica, a geração de emprego e de renda sejam ampliadas.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ademaraVIZINHOS DE GRITO

Quando escrevi a crônica “Sem limites” já sabia que o paraibano Jessier Quirino havia gravado um DVD com retalhos da sua obra. No entanto, não desconfiava nem de longe que a coletânea tivesse a grandiosidade que tem, mesmo reconhecendo o extraordinário potencial do autor.

Um caboclo do sertão pernambucano, atualmente morando em Marabá, preparando a mala para voltar pro nordeste ao assistir “Voltando pro nordeste” e “Perguntinha cabulosa” da uma imensa vontade de botar o pé na estrada, cruzar Pará, Tocantins, Maranhão e Piauí e na sombra de um juazeiro da beira de uma estrada do Pajeú rever as coisas citadas em referidos textos.

No conteúdo de “Parafuso de cabo de serrote” vemos uma banda da Feira de Caruaru mencionada numa velocidade que supera a corrida de um preá nas estreitas veredas dos roçados da minha terra.

Em “Mané Cabelim e a Internet” e “Matuto no cinema” o poeta Jessier Quirino prova que o formato das suas apresentações eleva sua obra para um patamar inatingível para as pessoas comuns e cria um universo onde as “estórias” catingueiras ganham a luminosidade harmoniosa de faróis de vagalumes numa escura noite sertaneja.

As participações de Xangai e Maciel Melo, nas faixas “Matança”, “Paisagem do interior”, “Rainha de todos os dias” e “Mistério da Fé”, ampliam a nordestinidade da obra com a leveza que um grupo de borboletas pousa na beirada de um barreiro, ambiente onde os três modelam suas criações.

Nas interpretações dos clássicos “Vou-me embora pro passado” e “Agruras da lata d’água” o mágico dos “causos” nordestinos molda e solda suas narrativas em um monumento cuja matéria prima é gerada exclusivamente numa das maiores indústrias de talentos do mundo, a chapada da Borborema.

As demais faixas do DVD serão omitidas nesta crônica para que a vontade de assistir a coletânea cresça igual fogo em capim seco. Porém, garanto que todas têm o gosto de uma manga madura, tirada do pé e degustada sem faca, lenço de papel ou outro adereço das etiquetas urbanas.

As Edições Bagaço, os músicos, os fotógrafos, os revisores, os projetistas gráficos e todos que contribuíram com o projeto podem adicionar em seus currículos a participação em um espetáculo que será uma referência para todos os amantes da cultura nordestina.

Amigos leitores, não fiquem somente na vontade gritem para seus vizinhos este recorte da letra “O pidido”, do menestrel Elomar: “Já qui tu vai lá prá fêra, traga de lá para mim”: O DVD “Vizinhos de Grito”, do maior decifrador dos códigos matutos e dignificador das coisas simples, JESSIER QUIRINO.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELFORA FMI

O título desta crônica é uma frase com presença garantida em todas as cidades brasileiras, durante muito tempo. O tema “fora FMI” serviu de base para inúmeros discursos de oposição aos governos e modelos econômicos.

Interessante é descobrimos que vários integrantes do governo atual que gastaram muita tinta para “decorar” viadutos e muros das cidades brasileiras convivem harmoniosamente com o atual Ministro da Fazenda, senhor Joaquim Levy, que ocupou vários cargos no FIM, durante sua permanência na organização no período de 1992 a 1999.

Nossa relação com o FMI é que pode ser qualificada como convivência entre de tapas e beijos.

Em 1944 participamos das reuniões de criação do Fundo, com ente integrante do famoso “Sistema de Bretton Woods”, composto pelo Fundo Monetário Nacional – FMI, Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento – DIRD e Organização Internacional do Comércio – OIC. Juscelino Kubitschek por discordar das restrições impostas promoveu o primeiro rompimento, isto em 1959. Durante os governos militares houve a reaproximação, com submissão aos técnicos do FMI. Em 1984 suspensão dos acordos, por falta de cumprimento de cláusulas pelo Brasil o que motivou a moratória declarada durante o governo Sarney, sob a batuta de Dílson Funaro, em 1987. Retomadas das negociações nos governos dos Fernandos Collor e Henrique, com novas submissões. Malan e sua turma foram grandes pupilos do FMI.

Mesmo com a economia em crise, não temos tanta dependência de recursos do Fundo, preferimos as “pedaladas fiscais” que tanto enfurece o Tribunal de Contas da União – TCU, mas, ainda somos obrigados a suportar as orientações de técnicos do FMI.

O site “Arena do Pavini” publicou recentemente um leque de recomendações do Fundo para que o Brasil saia da enrascada que se encontra. Sugerem os “iluminados”: Elevação dos juros, liberação do cambio com desvalorização do real, superávit primário elevado. A receita é mesma, sua aplicação fortalece o sistema e esmaga a soberania das nações.

Em fase de crise de credibilidade interna e externa desconfio que o ex-funcionário do FMI e atual Ministro da Fazenda do Brasil, durante sua viagem aos Estados Unidos, solicitou uma ajuda dos ex-colegas em favor das medidas adotadas, por coincidência todas alinhadas com as sugestões publicadas por Ângelo Pavini.

Fica a torcida para que Joaquim Levy lembre a época que o ocupou cargo nas Divisões de Mercado de Capitais e da União Europeia. No velho continente a receita é reduzir os juros para sair da crise. Em nosso país continuamos no caminho inverso. A melhor medida para combate da inflação é subir juros e aumentar o lucro dos bancos e dos especuladores. Como sugestão para nova
“decoração” dos viadutos e muros apresentamos: “Fora receita do FMI”.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ademarDILMA NÃO LEU

Cinco anos antes da posse de Dilma em seu primeiro mandato a Federação do Comércio do Estado de São Paulo publicou a obra “Simplificando o Brasil – Uma proposta para o crescimento sustentado”. Se por acaso nossa presidente tivesse lido e aplicado algumas sugestões do utópico livro boa parte dos problemas atuais inexistiriam.

Se, com um pouco de vontade política, o governo houvesse aplicado algo do elenco de hipóteses sugeridas e relacionadas com tributação, despesas do governo e sistema financeiro, com certeza teria criado um universo capaz de evitar muitas situações embaraçosas ora vivenciadas pela governante. Contudo, mais uma vez o governo com sua reconhecida arrogância não deu ouvidos ao segundo setor.

As estripulias financeiras que os ministros da fazenda e do planejamento têm lançado mãos e pés nos últimos exercícios fiscais além do descrédito tem levado o país à beira de um precipício em que o um ímã invisível atrai o gigante para o fundo do despenhadeiro. Como evita-los? Está no livro.

O presidente Lula já afirmou em vários momentos que não gosta de ler. Dilma herdou este princípio lulista adicionando outro costume: Não gosta de ouvir. Esta ariscada combinação fomenta a maioria das causas que tem levado a popularidade da presidente para níveis capazes de confortar os Fernandos, antigos mandatários do país e campeões quando o assunto é impopularidade.

Este blog em 05.05.14 procurou ajudar Dilma ao dar algumas pistas de comportamento adequado caso fosse reeleita. A crônica “Eleições 2014 – Dilma”, entre outras coisas sugeriu que a candidata não poderia: “Ficar refém de Lula, do PMDB ou de outro partido.”, “Desqualificar as correntes contrárias ao governo sem avaliar que muita coisa está funcionando em nível abaixo das
expectativas criadas.” e “Pousar de vítima das elites e dos conservadores.”.

Como a gerentona de Lula também não leu o blogdofinfa. Está cada vez mais refém do seu patrono e dos partidos, continua confeitando seu bolo e pousando de vítima. Estes fracassados modelos de governar e se comunicar com a sociedade está jogando por terra os acertos do seu governo e dando relevo aos erros.

Um governante, com ser humano que é e às vezes pensa o contrário, tem o direito de cometer raros erros, no entanto, quando os comete tendo sido avisando sobre os riscos e os sobre outros caminhos a seguir sai do campo da arrogância e da teimosia e ingressa no universo da burrice.

Ninguém tem a receita correta para tudo, mas, as receitas de cada um – quando bem sistematizadas – podem contribuir para solução de impasses que vencem toda ação isolada advinda de pensamento único. Acerta mais na administração quem ouve e ler os seus pares. Ignorar a capacidade dos demais é uma rota que sempre conduz ao insucesso.

Por: Ademar Rafael