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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARMORRENDO PELA BOCA

A incontinência verbal tem levado muita gente a arrepender-se do que falou pelo resto da vida. Outros, continuam soltando “asneiras” em proporção geométrica. Esta crônica reproduz frases atribuídas aos três últimos brasileiros que ocuparam o cargo de presidente da república, aqui publicadas nos exatos termos em que estão disponíveis nas plataformas virtuais.

O príncipe FHC produziu, segundo as fontes pesquisadas, as seguintes pérolas: “Se a pessoa não consegue produzir, coitada, vai ser professor. Então é aquela angústia para saber se o pesquisador vai ter um nome na praça ou se vai dar aula a vida inteira e repetir o que os outros fazem.”; “O valor médio dos benefícios da Previdência Social cresceu e tem que ser mantido. Para isto é preciso fazer a reforma, para que aqueles que se locupletam da Previdência não se locupletem mais, não se aposentem com menos de 50 anos, não sejam vagabundos num país de pobres e miseráveis.”; “Os brasileiros são caipiras, desconhecem o outro lado, e, quando conhecem, encantam-se. ”…

O sindicalista Lula, de acordo com os textos pesquisados, afirmou: “Vamos trabalhar para ganhar as eleições. Não é uma eleição fácil. É como time de futebol. Quando o time está ganhando de um a zero, de dois a zero, quando o time está ganhando, recua, não quer mais fazer falta, pênalti, fica só rebatendo a bola. E quem está perdendo vem para cima com tudo, e é com gol de mão, de cabeça, de chute, de canela. Não tem jogo ganho ou fácil.”; “Apanhamos muito e perdemos companheiros, companheiros de qualidade, que tinham muita pressa e acreditavam que as coisas podiam ter sido feitas de anteontem para ontem. Isso tudo serviu de lição para nós. Apanhei muito, plantei e agora estamos podendo chupar os frutos.”; “Quando se aposentarem, por favor, não fiquem em casa atrapalhando a família. Tem que procurar alguma coisa para fazer.” …

Dilma, também, conforme pesquisa, disse: “O meio ambiente é uma ameaça para o desenvolvimento sustentável.”; “Aonde não há estado, parceria e organização empresarial, a tendência é que ações criminosas se desenvolvam mais e substituam as ações do estado e da sociedade”, “Temos que combater o uso de jovens pelo crime organizado. (…) Não podemos aceitar que o crime organizado substitua o Estado e a sociedade.”; “Nós não vamos colocar uma meta. Nós vamos deixar uma meta aberta. Quando a gente atingir a meta, nós dobramos a meta.”…

Adicionalmente e para encerrar registramos o pensamento de Donald Rumsfeld, Secretário de Defesa de George W. Bush, falando sobre o Afeganistão em 2002: “Existem dados conhecidos. Existem coisas que sabemos que sabemos. Existem incógnitas conhecidas. Ou seja, coisas que agora sabemos que não sabemos. Mas existem também incógnitas desconhecidas. Existem coisas que não sabemos que não sabemos”.

A atriz Cláudia Rodrigues, na pele de Ofélia sempre afirmava: “Só abro a boca quando eu tenho certeza!”, as personalidades acima observaram este enunciado? O julgamento fica a cargo de cada leitor e de cada leitora.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELO PODER DA PARCERIA

Na leitura de um livro sobre convivência harmônica tomei conhecimento da obra “O cálice e a espada”, escrita pela socióloga Riane Eisler e enquanto lia referida publicação fui informado de outra da mesma autora, intitulada “O poder da parceria”.

Inicialmente, quem é Riane Eisler? Trata-se de uma judia que na infância foi arrancada da Áustria, para fugir dos nazistas; criou-se em Cuba e graduou-se em sociologia nos Estados Unidos, para onde se mudou antes de revolução promovida pela turma de Fidel.

O que “O poder da parceria” tem de especial? Além de uma mensagem perfeita sobre convivência sem dominação, é uma obra que traz às claras a necessidade de fazermos nossa parte no enfrentamento às mentiras dos que se acham dono do mundo.

Com o livro e as palestras pelo mundo, a renomada ativista social oferta a cara para receber bofetadas por narrar os estragos promovidos pelas grandes companhias de comunicação ao centralizar e manipular informações; cita os danos causados pela produção massificada de armas por empresas como General Eletric, General Dynamics, Hughes e outras, sediadas principalmente nos Estados Unidos, na França e na Rússia; relata como as organizações Nestlé, Dow Chemical, Chevron, Conoco e outras manipulam variáveis da cadeia alimentar mundial, com foco nos lucros em detrimento do prejuízo à saúde dos consumidores de alimentos industrializados na forma de “commodities”…

Seguindo a lógica da publicação, em lugar de registro proibindo a utilização do conteúdo, existe a seguinte mensagem: “Você está autorizado a reproduzir as tabelas seguintes e repassá-las para outras pessoas. Os materiais nesta seção têm o intuito de ajudar a incorporar a parceria à sua vida e ao mundo”. No material disponibilizado estão diversas sugestões para que os conceitos sobre parceria sejam debatidos, ampliados e aplicados na vida cotidiana.

Os exemplos de vida da escritora dão sustentação aos métodos apresentados que encaminha o leitor para ações direcionadas aos relacionamentos consigo mesmo, com os mais próximos, com o trabalho e a comunidade, com nosso

país, com outros países, com a natureza e com o espírito. A sua caminhada dá consistência ao que está escrito.

Ao concluir a leitura do livro veio à minha mente a ação da nossa conterrânea Aline Mariano, na Secretária Municipal de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas do Recife. Desde que assumiu a função, a neta de Dona Laura Ramos, tem buscado soluções junto a parceiros públicos e privados. O seu ato de

coragem ao assumir o cargo e sua gestão tem tudo haver com o texto do livro. Deslocar-se da dominação para parceira somente com atitude, isto Aline tem.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELA VOLTA

Sempre desejei que minha volta ao nordeste acontecesse no formato fogo brando, estilo aquele utilizado para prepararmos o mungunzá e assim está ocorrendo. Não é fácil desapegar-se de lugares e pessoas que lhe deram mais que receberam, esta é minha relação com Marabá.

Uma vez tomada a decisão coloquei o carro na rodagem e ao cruzar o rio Araguaia em Araguatins – TO, o rio Tocantins no Estreito – MA e o rio Parnaíba em Floriano – PI percebi que as terras dos grandes rios estavam ficando para trás.

O reencontro com o triangulo CRAJUBAR – Crato x Juazeiro x Barbalha – CE e com Afogados da Ingazeira – PE foi a entrada; transitar no pedaço de chão com a maior concentração de poetas por metro quadrado do mundo, composto pelas cidades de São José do Egito – PE, Prata e Sumé – PB foi a “pinga” com caju para abrir o apetite e o trajeto entre Campina Grande e João Pessoa – PB foi o prato principal.

Os primeiros dias serviram para procurar a nova morada e reencontrar os amigos Zé Carlos de Neco Piancó, Inalva e filhos. No final de semana os presentes começaram a aparecer. Assistir o programa televisivo “Sala de Reboco”, com apresentação de Santana o Cantador, tendo como atração principal a cantora Liv Moraes, filha do excepcional Dominguinhos, fez com que a volta fosse carimbada com o selo de qualidade da cultura nordestina.

O melhor, no entanto, estava a caminho. O colega Zé Carlos ao visitar São José do Egito, durante a Festa Universitária trouxe-me o livro “Zé Marcolino – Conversa sem protocolo”. Em referida obra Marcos Passos, filho legítimo da terra dos cantadores apresenta um apanhado sobre Zé Marcolino, o gênio de Sumé – PB que presenteou Pernambuco com sua presença, enquanto morador em Serra Talhada, terra do Rei do Cangaço.

A leitura do livro fez com que este “cigano” fosse novamente contaminado com os causos e as coisas do nosso sertão. Os depoimentos, as letras das músicas e as entrevistas inseridas no extraordinário trabalho de pesquisa envia nossa atenção para atos e procedimentos do sertanejo. Marcolino foi, é e será o extrato vivo de cenários que não somente inspiraram suas magistrais criações como representam o que há de melhor no universo matuto: a simplicidade, a amizade e a coragem.

É magnífico descobrir que o nordeste continua, por meio da arte dos seus habitantes, sendo uma fonte inesgotável de produções artísticas superiores a soma dos “enlatados” produzidos para “artistas” fabricados por meio de estratégias de marketing patrocinadas pela mídia venal. Nada, entretanto, calará vozes do nível de Marcolino, Santana, Liv Moraes… Viva o sertão.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

ADEMARTERCEIRIZAÇÃO

Nos anos 80 os bancos particulares deixaram de receber contas de água, luz e telefone de usuários, ou seja, de não clientes. Como na época não havia os correspondentes bancários as filas nos bancos oficiais dobravam quarteirões.

Na condição de membro do Sindicato dos Bancários de Crato, Juazeiro e Barbalha fui participar de um simpósio em Fortaleza, para tratar do assunto. No encontro ouvi do representante do Banco Central que a instituição pouco poderia fazer diante da força da Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN.

No final dos anos 90 manifestei-me contra as privatizações, durante uma aula de Economia na Faculdade de Administração de Governador Valadares – Minas Gerais. O professor, um jovem picado pela mosca do “neocapitalismo”, solicitou que eu apresentasse uma razão plausível que justificasse meu posicionamento. Aleguei que o problema principal era nossa comprovada incapacidade de fiscalizar e citei a experiência vivenciada nos anos 80, quando o fiscalizador apresentava-se impotente diante do fiscalizado.

Ele ponderou que as agências reguladoras dariam conta do recado. Nossas privatizações mudaram o nome para concessões e como todos sabem tais agências são balcões de negócios em favor das empresas e contra os usuários.

O projeto de terceirização em andamento (Projeto de Lei 4.330/2004) segue rota parecida, isto é, caminha para piorar o que não presta. Em um país onde a qualidade dos produtos e dos serviços é discutível – vejam as estatísticas nos órgãos de defesa dos consumidores – e onde uma reclamação a um funcionário relapso e incompetente pode ser transformado em um processo de assédio moral a flexibilização da forma proposta cheira a um retrocesso.

O que nos espera será algo próximos dos seguintes cenários: Havendo pleno emprego as empresas terceirizadas enfrentarão dificuldades para captar e locar mão-de-obra; com a taxa de desemprego em alta as terceirizadas sangrarão os trabalhadores; hospitais deixarão de atender em função de greves dos funcionários das terceirizadas que trabalham na lavanderia e empresas de ônibus reduzirão a oferta dos serviços porque as terceirizadas não fizeram à manutenção dos veículos.

A convivência entre a república sindical que se transformou nosso Brasil e os novos agentes que surgirão com modelo sugerido pelos nossos “nobres” legisladores será uma guerra em que morrerão os funcionários e a já debilitada qualidade dos produtos e serviços.

Como eu gostaria de está enganado. Com a palavra os empresários, os sindicatos, os trabalhadores, o governo e a justiça do trabalho. A expansão da Súmula 331, do Tribunal Superior do Trabalho merece atenção redobrada.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELOUTROS DESAFIOS?

Exatamente 12221 dias depois estou retornando à terra que deixei no dia 19.01.1982 para correr o mundo em busca de sonhos, trabalhos, amigos, família época que pude deparar-me com outros adereços jogados no matulão, alguns deles contra vontade. O mundo ensina e cobra alto.

Com limitações, boa dose de coragem e apoio de amigos, familiares e colegas de trabalho consigo ver que a trajetória passada teve mais acertos que erros. Esforcei-me pouco para desconstruir os rótulos de “grosseiro”, “mal humorado”, “radical” e “comunista”. De certa forma eles afastaram aproveitadores.

Tenho plena convicção que não utilizei ninguém como batente para ser promovido e não permiti ser usado como escada para os outros. Sempre defendi a justiça e a verdade como parâmetros inarredáveis na convivência social e no mundo dos negócios. Isto custou muito caro algumas vezes.

Entre os afagos hipócritas, valorizações temporárias e meus valores morais preferi, em todos os momentos, os últimos. Se houve uma coisa que nunca negociei foram minhas escolhas éticas. Isto, contudo, nunca permitiu que assumisse a condição de senhor da verdade.

O açodamento e os excessos do início da carreira foram substituídos pela prudência. A rotina das transferências deram-me uma visibilidade que a permanência numa mesma região e mesma atividade negaria. A coerência, a humildade e os estudos foram fortalecidos por princípios do Rotary e da Maçonaria e transformaram-se nos principais pilares da minha vida profissional.

Ao sair do Banco do Brasil em março de 2007 até o dia 03.07.15 desempenhei vários papéis no primeiro, segundo e terceiro setores da economia. Dediquei para cada missão recebida toda energia disponível. O insucesso e o sucesso caminharam juntos, utilizei aprendizados com o primeiro como alavancas para alcançar o segundo. Serviços bancários, metalurgia, saúde, educação, finanças
públicas, estudos de cenários e contabilidade foram áreas que atuei aplicando os métodos e conceitos que entendia com válidos.

As atividades em sala de aula, como professor ou como aluno, foram as mais gratificantes e as gestões no âmbito do voluntariado deram-me muita paz interior. As marcas positivas deixadas pelo caminho foram cunhadas com muita ajuda dos colegas de trabalho, incentivei e cobrei a participação coletiva. Provei que carreira solo tem prazo curto e que a união de forças produz resultados duradouros.

O segundo semestre de 2015 dedicarei ao ócio, em 2016 não sei o que virá. A única certeza é que ainda tenho muito para aprender e aplicar em favor das causas que acredito. Deus, como sempre, guiará a trajetória futura.

Por: Ademar Rafael