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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DO ANIVERSARIANTE DESTA SEGUNDA ADEMAR RAFAEL

PARAUM PRESENTE

No final da primeira década deste século, em virtude de ocupar um cargo de Secretário Municipal de Saúde na cidade de Marabá no Pará, fui membro nato do Conselho do Idoso. Durante a cerimônia de assinatura da lei municipal que normatizava e autorizava gestões compatíveis com o Estatuto do Idoso, Lei 10.741/03, iniciei meu pronunciamento com a seguinte frase: “Desconfio de uma sociedade que carece de uma norma legal para dar o básico aos seus idosos”. Um legalista presente no evento fez, reservadamente, uma severa crítica. Afirmou: “Você como detentor de cargo público jamais poderia fazer uma avaliação negativa de uma Lei”. Para evitar polêmica agradeci a ponderação e segui em frente.

Hoje ao completar cinquenta e nove anos, portanto a um ano de ser público alvo dos benefícios do Estatuto do Idoso, mantenho meu ponto de vista quanto à necessidade de um marco legal para atender as demandas do grupo que forma a terceira idade ou a melhor idade como preferem alguns.

Atender o elenco de prioridades indicado nas diversas alíneas do parágrafo único do artigo terceiro da Lei 10.741/03, de 01.10.2003 é obrigação do poder público e das organizações privadas, mas, o que vimos no cotidiano são arranjos e remendos. Muita propaganda e pouca ação em favor dos idosos.

Poder parar o carro em local exclusivo, ocupar os primeiro lugares nas filas e ter direito as cadeiras frontais dos coletivos são prêmios que ganharei a partir do dia 23.02.2017. Estes são os favores legais que figuram entre os meus desejos; renunciarei aos que não entender como próprios para cada momento deixando que outros utilizem.

Redução dos preços dos medicamentos de uso contínuo, através de diminuição dos seus impostos, criação de programas para antecipar diagnósticos e reparação de perdas provocadas pelas “miseráveis” reformas da previdência são benefícios que aceitarei com satisfação.

A devolução pelo INSS do dinheiro que me foi roubado nas reformas realizadas por meio das emendas constitucionais nº. 20, de 15.12.1998, durante mandato do “príncipe” (FHC), nº. 41, de 19.12.2003 – setenta e nove dias após edição do Estatuto do Idoso -, quando o “sindicalista” (Lula) ocupava a presidência e 70, de 29.03.2012, sob o comando da “guerrilheira” (Dilma) seria o presente merecido ao completar sessenta anos.

Para o mercado financeiro e os especuladores internos e externos nossos governantes são cordeirinhos criados em casa na mamadeira; para os trabalhadores que alcançam a idade de aposentadoria, nossos governantes são lobos famintos. Sonho com o dia em que o Estatuto do Idoso seja revogado e em seu lugar venha o Estatuto da Vergonha na Cara, dos governantes, é claro.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELHAJA DESPERDÍCIO.

Nos anos oitenta, época da construção da Usina Hidroelétrica de Tucuruí no Estado do Pará, a CAPEMI – Caixa de pecúlio, pensões e montepios venceu a concorrência para retirar a madeira da área a ser inundada pela barragem.

Alcançada em cheio pelo famoso “caso Capemi” a Agropecuária Capemi Indústria e Comércio Ltda não cumpriu o contrato e a floresta nativa foi coberta pelas águas da represa.

A desintegração ocorreu somente com folhas e galhos, os troncos continuam submersos e seu corte, somente com utilização da robótica, é inviável no ponto de vista financeiro.

Durante a construção da Usina Hidroelétrica do Estreito, na divisa dos Estados do Maranhão e Tocantins foi aberta concorrência para manejo da madeira na área inundável e vários consórcios entraram na disputa.

Entraves burocráticos e má vontade dos representantes dos órgãos envolvidos impediram a habilitação e a definição do consórcio vencedor. Novamente a vegetação foi coberta pelas águas represadas.

No Rio Xingu, na contestada obra da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, na região Altamira no Estado do Pará o processo de remoção da floresta segue a mesma trilha burocrática e o final perceptível é o mesmo, ou seja, cobertura da mata pelo lago.

Esta riqueza jogada debaixo d’água poderia ser utilizada na construção civil (madeira nobre), na produção de carvão (galhadas) e com aplicação de tecnologia própria na confecção de MDF “Medium Density Fiberdoard” e de MDP – “Medium Density Particleboard” ou para outras finalidades gerando emprego e renda para as comunidades atingidas pelos empreendimentos.

Em outras represas construídas em nosso país pouco ou nada foi feito para evitar o desperdício, a burocracia e o pensamento ideológico geram prejuízos incalculáveis.

Os gases e os resíduos gerados pela matéria viva submersa alteram a coloração das águas e causam danos em equipamentos de geração de energia, assim como comprometem o nível de oxigênio necessário para os peixes.

Bom mesmo é a justificativa dos burocratas assentados nos órgãos que deveriam autorizar a remoção em tempo hábil. Afirmam eles: “Somos contra este tipo de matriz energética, não concordamos com a construção das represas. Portanto, autorizar o manejo seria legitimar um modelo que questionamos”. Assim sendo o desperdício continua, afinal somos um país rico.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELLOURO E ZETO

Nos dias quatro a seis de janeiro de dois mil e dezesseis, São José do Egito, Estado de Pernambuco, rendeu homenagem aos poetas Lourival Batista e Zeto em festividade dedicada aos cento e um anos do sogro e sessenta anos do genro.

Zeto, que fez sucesso individualmente e no dueto com sua esposa Bia, filha de rei do trocadilho, o nosso Louro do Pajeú, se estivesse vivo teria completado sessenta anos dedicados à liberdade e a cultura. Sua vida e suas criações poéticas e musicais carregavam pesada carga do sentimento do povo sertanejo que escolheu para animar, honrar e defender.

Quem teve o privilégio de conviver com Zeto pode afirmar que conheceu um homem desprovido de vaidades e movido pela sensibilidade. Sua obra não se limita a música e a poesia foi também representada pelo seu jeito de ser e viver e pelos ideais libertários. Jamais foi domado por conceitos ou regimes controladores.

Lourival Batista Patriota em vida teria ultrapassado a marca dos cem anos. Seu legado além da extraordinária obra é lembrado por todos que tiveram a felicidade de conviver com o esposo de Dona Helena, pela sua capacidade de defender quem o procurasse.

Em 24/12/2015, na cidade de Afogados da Ingazeira – PE, o poeta Edezel Pereira, irmão do fabuloso João Paraibano, contou-se que certa vez Lourival deu-lhe apoio moral durante uma cantoria, levou-lhe até sua residência ofertando guarida e no dia seguinte indagou se estava precisando de dinheiro para chegar ao local do novo compromisso. Assim foi Lourival, amigo nas horas incertas e solidário como poucos.

O mote de Bia Marinho, defendido nos versos a seguir, representa um retrato três por quatro dos homenageados: “Vou tentar um trocadilho/Embora eu não faça igual/Mas vou lembrar Lourival/E Zeto aquele andarilho/Marinho, de Zeto, é filho/Mas de Lourival é neto/Genro de um sogro completo/Sogro de um genro de ouro/101 anos de louro/60 anos de Zeto”, da lavra de Dudu Morais e “Dois poetas engenhosos/Pernambucanos legítimos/Que em diferentes ritmos/Foram vates valorosos/Mil aplausos calorosos/Receberam como afeto/Sempre com público seleto/Com elegância e decoro/Cento e um anos de Louro/Sessenta anos de Zeto”, produzido por Gregório Filomeno de Menezes.

Na programação deste ano mais uma vez artistas e público produziram uma mistura rica de cultura que somente o céu egipciense é capaz de produzir. Os filhos e netos de Lourival e de Zeto que se apresentaram não repetiram a arte dos pais e avô, trouxeram uma arte com cara nova e brilho antigo. Talentos herdados e ampliados com traços contemporâneos.

O evento promovido pelo Instituto Lourival Batista, no início de cada ano está inserido na programação cultural da terra da poesia da mesma forma que estão a Festa dos Reis, do Padroeiro São José e Festa Universitária.

Nós, eternos amantes da poesia e da cultura do sertão, ficamos agradecidos e na espera do evento de 2017.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELNOVOS TALENTOS

Tenho muita simpatia pelos livros em formato de coletânea, pelo simples fato de ser um modelo que promove inserção de novos talentos no mundo das publicações, não provoca exaustão e deixa um gostinho de quero mais.

Na véspera do último Natal recebi o presente que mais gosto: um livro. Naquela oportunidade, o poeta e cronista Danizete Siqueira de Lima, também colaborador deste blog, às quartas-feiras, ofertou-me a coletânea “Antologia das Quartas às Quatro II”, organizado por Geraldo Ferraz e Salete Rego Barros. É literalmente uma obra de “A” (Alexandre Santos) a “Z” (Zélia Prímola).

Somos brindados no livro com produções poéticas dos irmãos Danizete Siqueira de Lima e Diomedes Laurindo de Lima. O primeiro com o poema “O meu, o nosso natal” e estrofes nos motes “Verso bonito e bem feito/Muito pouca gente faz”, “Uma tela pintada desse jeito/Só se ver no sertão que fui criado”, “Sou poeta nascido no sertão/Defendendo a cultura popular” e “Deus, comece a varrer a impunidade/Que a justiça da terra está carente” e o segundo com o poema “Reconhecimento”, bela homenagem do poeta Diomedes à sua querida mãe. A dupla fez bonito.

Na crônica “Um bom roteiro”, o escritor João da Silva com extrema inspiração conseguiu produzir um texto com os nomes de vários bairros da capital pernambucana numa harmoniosa viagem no tempo.

Alexandre Santos, na crônica “A visita”, nivela-se a Fernando Sabino ao relatar o incidente em uma UTI de certo hospital recifense. Relato com todos os ingredientes de um texto hilário e rico em conteúdo.

De mãos dadas com as crônicas “Depois de bar Savoy” e “Amor pelo Recife”, de Bezerra de Lemos e Colly Holanda, respectivamente, passeamos por locais inesquecíveis da cosmopolita capital de Pernambuco. Lembranças fervilham em nossa memória e nos remetem a tempos passados.

O encontro “Quarta às Quatro”, fonte de inspiração da coletânea, é relatado por diversos autores e sua grandeza cultural pode ser medida nas manifestações dos escritores.

Relatos com elevada dose de sensibilidade e pureza são apresentados por Lucide Veiga em “Historinha de Netinha”, por Maria José Araújo com sua criação sobre a “borboletinha” e por Sônia Carneiro Leão em “O amigo Rosenthal”.

O tema “amor” é abordado por Zélia Prímola. A leitura do seu texto invoca uma reflexão e sugere o quanto amar o próximo é indolor e quanta felicidade produz. Nossa gratidão aos organizadores do encontro “Quarta às Quatro” e parabéns a todos que fizeram parte da obra.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARSEMPRE ATUAIS

Existem várias personalidades da história do Brasil e do mundo que ganharam fama por meios de suas frases de efeito. Foram políticos, religiosos e escritores que eternizaram textos.

No livro “Assim falou Vargas Vila”, Ezio Flávio Bazzo menciona um texto de Eça de Queiroz, lavrado no início do século vinte para Portugal. “O país perdeu a inteligência e a consciência moral. A classe média abaste-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos estão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia e vivemos todos ao acaso. O tédio invadiu as almas e há uma perfeita e absoluta indiferença de cima a baixo”.

Este enunciado, com minúsculas adaptações, cabe de ponta a ponta no globo terrestre. O que mais chama a atenção é que não indicação de culpados. O individual e o coletivo andam juntos na desgraça.

Contudo, a citação do escritor português entrou nas preliminares da obra. Seu eixo central é o colombiano Vargas Vila, nascido em 1860 e que faleceu em 1933 em Barcelona. Jose Maria de La Concepción Apolinar Vargas Vila Bonilla é um escritor que deu pouca ou nenhuma atenção aos críticos, seus escritos possuem uma acidez acima dos limites do politicamente correto. Sua pesada
pena feriu conceitos e provocou reações de todo tipo. A seguir indico, preservando a forma que estão publicadas, três ponderações de Vargas Vila, indicados na obra sob os números doze, quarenta e cento e dois. “As aristocracias são cruéis porque são formadas por antigos escravos que se vingam.” Extraído de “Alba Roja”. “É sendo homem de partido que se chega ao poder; mas é deixando de ser homem de partido que se conserva o poder; os traidores sabem muito bem disto, e o praticam.” Fragmento de “De los viñedos de la eternidade”. “O direito ao voto me parece um direito de envilecimento; votar é abdicar; é eleger um amo; é dar-se um amo, é mais vil que suportá-lo; um homem livre não pode aproximar-se de uma urna eleitoral se não é para Quebrá-la; votar é perpetuar a vida do tirano; daquele tirano que nos escraviza e nos envilece a todos: o Estado.” Retirado de “El minotauro”.

Ao analisarmos cada ponderação do colombiano, comparando-a com o que vemos pelo mundo não há como negar que existe muita verdade. Leva-las a ferro e fogo com certeza não é aconselhável. Entendemos, no entanto, que cabem reflexões e julgamentos individuais.

Arisco-me a emitir uma avaliação sobre o texto retirado de “El minotauro”. Tenho afirmado com média intensidade que o voto isoladamente não é solução e com alta intensidade que o Estado brasileiro é perverso por ser uma cópia falsificada de outras nações. Façam suas análise amigos e amigas.

Por: Ademar Rafael