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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELDOM HELDER

Entre as várias opções disponíveis, optei pela leitura do livro “Dom Helder Câmara – O profeta da paz”, de autoria de Nelson Piletti e Walter Praxedes, para conhecer detalhes da vida do sábio bispo nordestino. Concluída a leitura pude perceber o quanto foi injustiçado nosso líder espiritual. Movido pelo verdadeiro sacerdócio transformava cada injustiça sofrida em matéria prima da sua luta em favor dos pobres.

Em qualquer lugar onde imperasse os mínimos valores sobre reconhecimento de alguém pelos seus feitos em favor de outrem, somente a “Cruzada São Sebastião” e o “Banco da Providência” seriam suficientes para imortalizar o seu criador. No Brasil, é diferente. Tais iniciativas serviram para que os adversários do sacerdote utilizassem sua devoção por referidas causas como alimento para os ataques e as perseguições.

Seu empenho na organização da igreja na América Latina e na criação da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil poderia ter recebido maior valorização da igreja, como instituição, e dos seus superiores em sua defesa nas horas em que foi largamente caluniado. .Morreu sem o título de cardeal. Isto, contudo, nunca serviu de obstáculo para sua incansável batalha em favor dos excluídos.

As gestões do governo brasileiro junto ao Comitê que outorga o Prêmio Nobel da Paz é de uma crueldade inarrável. O bom disto é que Dom Helder não merecia está presente na relação onde se encontram nome de personalidades que promoveram guerras em nome da paz. O mundo reconheceu sua obra, o Prêmio Nobel da Paz é minúsculo diante dela.

As hostilidades que recebeu foram convertidas em insumos para sua veemente defesa dos direitos humanos no Brasil e no mundo. Muitos que se aproximaram dele com interesses escusos nunca foram satanizados. Dom Helder injustamente foi demonizado. Nosso padre buscou como poucos irrigar a mente dos seus pares com o líquido da misericórdia, do perdão e do amor.

Sua obra não cabe em livros ou relatos humanos, tem dimensão universal. Obrigado Deus pela graça de ter sido contemporâneo de Dom Helder.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARPERTO DO CORAÇÃO

Encerro um poema que dediquei ao meu filho no se aniversário de quinze anos com os seguintes versos: “… Aprenda a cultivar rosas/Sem se ferir nos espinhos”. O Jornalista Magno Martins cumpriu à risca o conselho que dei no poema ao produzir o livro “Perto do Coração”. Considero a crônica uma manifestação poética sem amarras às rimas. Neste quesito a publicação sai da curva, extrapola com folga.

Na letra de “Tareco e Mariola” o poeta Petrúcio Amorim diz “… entre o velame e macambira…”. Foi neste hiato que Magno transitou para conceber sua declaração de amor aos pais e ao sertão.

Reservo-me ao direito de não destacar esta ou aquela crônica, uma vez que as enxergo entrelaçadas da mesma forma que o melão de São Caetano tece nas cercas sertanejas a sua toalha verde, bordada com o branco, o amarelo e o vermelho das suas flores e frutos.

Na condição de crítico ácido da política baseada nos “acertos” e na corrupção, Magno já era embaixador de Afogados da Ingazeira, como cronista ganha nova vertente na nobre missão de honrar a terra de Arruda Câmara. Seus escritos abraçam sua terra da mesma forma que a região de Ilhéus e a Bahia foram abraçadas na obra de Jorge Amado.

Do árido sertão e do corrosivo mundo da política nasce um conjunto de crônicas que nos garantem a possibilidade de um mundo melhor. A leveza dos textos difere um tudo do cenário onde foram colhidos.

Em diversos momentos o universo criado por Vinícius, Chico e Garoto na fantástica letra de “Gente Humilde” é trazido a relevo nas crônicas. Afinal nossos poetas estão cansados de ensinar: “Nas coisas simples é que encontramos o belo, o mágico e o puro”.

Khalil Gibran, distante da sua Bsharri no Líbano, escreveu uma obra universal, Magno Martins, longe e perto da sua Afogados da Ingazeira em Pernambuco, do jeito sertanejo oferece um recado onde coisas belas, que alimentam a alma, são expostas. Cabe aos leitores extrair a essência.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARZÉ LEZIN – 30 ANOS

Poucos brasileiros saberiam identificar o passageiro Nairon Oseas Alves Barreto numa daquelas chamadas para embarque imediato nos aeroportos. Saber que o viajante retardatário é um dos maiores humoristas do Brasil, o paraibano Zé Lezin, é missão para reduzido número de fãs.

Este cidadão, nascido na cidade cortada pelo Rio Espinharas a famosa Patos, Estado da Paraíba, está com um show em cartaz pelo Brasil em comemoração aos trinta anos de carreira. Sucesso de público e crítica.

Conheci seu trabalho por meio de CDs de procedência duvidosa, vendidos por camelões em bancas de postos de gasolina e rodoviárias espalhadas pelo nordeste. Na “Escolinha do Professor Raimundo” vi sua cara pela primeira vez e em um encontro de administradores do Banco do Brasil, em setembro de mil novecentos e noventa e oito, na cidade de Salvador assisti a seu show.

Iniciou sua carreia humorística com o nome de Zé Paraíba no ambiente acadêmico da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, onde concluiu os cursos de Comunicação Social e Direito. Ao ingressar na escolinha comandada por Chico Anísio trocou o nome para Zé Lezin. Suas participações no programa “Show do Tom” também foram emblemáticas.

O grupo da UFPB, os bares e os teatros serviram de laboratório para o ingresso em programas de rádio e de TV, atuou nos dois veículos de comunicação na cidade de Recife, Pernambuco. Na Rádio Clube e na TV Guararapes da capital pernambucana sedimentou a carreira.

Entre as suas principais produções destacamos o programa “A bodega do Zé”, os espetáculos/shows “O peru do Zé Lezin” (2005), “Zé Lezin na Copa e na cozinha” (2006), “O Fim da CPMF – Contribuição Para Minha Família”, “A Fuleragem de Zé Lezin”  e “A Volta para os que Não Foram” (2008) e os DVDs “Zé Lezin com plateia VIP” (2005) e “Zé Lezin da Paraíba” (2008). Também merece relevo a peça intitulada “Em briga de marido e mulé ninguém mete”, onde a relação conjugal é discutida pelo humorista paraibano e pelo ator pernambucano Jeison Wallace.

Seu estoque inesgotável de piadas alcança os tipos sertanejos, o futebol, a política e outros assuntos com invejável competência. Manter-se em atividades por trinta anos não é fácil em um país onde o destaque para o humor inteligente e criativo é muitas vezes e substituído pelo besteirol.

No encerramento das suas apresentações costuma deixar uma mensagem para reflexão do público. No ano passado o recado denominado “Humor Total – Zé Lezin Mensagens do Natal 2015” fez grande sucesso nas redes sociais.

Viva o humor inteligente, viva a terra nordestina que gera talentos em série.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELCRITIQUE MENOS

Para que você não venha ter frustrações enquanto critico contumaz do comportamento alheio e com a soluções dos problemas, seja brando com:

Pessoas que reclamam do calor ligam uma central de ar na temperatura mínima e cobrem-se com um edredom.

Pessoas que comem pão integral, tomam leite desnatado, café com adoçante e tomam uma Coca-Cola de seiscentos mililitros numa sentada.

Pessoas que reclamam da corrupção vigente nos poderes executivo, legislativo e judiciário das escalas federais, estaduais e municipais e declaram-se de cor parda para obter vantagens em concursos, nas cotas destinadas aos afros descendentes.

Pessoas que condenam a violência do trânsito e fazem ultrapassagens pelo acostamento, param cima das faixas de pedestres, avançam sinais vermelhos, dirigem falando ao telefone…

Pessoas que enchem seus carros e suas residências com adesivos relacionados com ensinamentos cristãos e se negam a dar um olhar de misericórdia para um irmão que carece de uma ajuda.

Pessoas que alegam que na política só tem corruptos e nas vésperas dos pleitos eleitorais trocam seus votos por pequenos favores dos cabos eleitorais.

Pessoas que em nome de elevada cara tributária do país sonegam todos os seus impostos.

Pessoas que reclamam do lixo não recolhido pelos garis em dias de feriado e jogam por onde passam copos descartáveis, latas de cervejas e refrigerantes, caixas de sucos e outros.

Pessoas que enxergam defeitos em tudo na saúde pública e não fazem o básico da higiene doméstica para evitar doenças transmitidas pela falta dela.

Pessoas que criticam o modelo de educação das escolas, mas, não participam das reuniões de pais e mestres e não sentam com seus filhos para resolver as tarefas indicadas pelos professores, as famosas “para casa”.

Pessoas que vibram quando alguém é preso por um deslize de comportamento e ao serem acusados de algo exigem pleno direito de defesa.

Pessoas que exigem ação de seus pares em favor de um mundo melhor e não movem uma minúscula palha para tornar sua exigência em algo real.

Em resumo: Cumpra bem a sua missão. Tente contaminar as pessoas do seu ciclo da amizade com exemplos. Faça mais, julgue e critique menos.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ademarMENTIRA CRUEL

Uma das mais cruéis mentiras que nossos governantes de plantão tem repetido é a de que o sistema previdenciário do Brasil está quebrado. Tudo é feito para cumprir acordos com o mercado financeiro interno e externo e vender a ideia que as mudanças no modelo geram ajuste fiscal e sobras para honrar os serviços da dívida, nada é feito em favor dos segurados.

Se pegarmos somente as emendas constitucionais nº. 20, 41 e 70, de
15.12.1998, 19.12.2003 e 29.03.2012, respectivamente, durante os governos do príncipe (FHC), do sapo barbudo (Lula) e de coração valente (Dilma) veremos que o efeito foi devastador no bolso dos trabalhadores que contribuem com o sistema e a eficácia na solução do problema apontado ficou pertinho de zero. Tudo porque as raízes do “falado” rombo são outras.

O que realmente sugou e suga os cofres da previdência social: a) os desvios de fundos previdenciários desde sua fundação até o final dos anos oitenta. Todos sabem que as obras da Ponte Rio-Niterói, da Transamazônica e de Itaipu consumiram muitos milhões dos fundos de assistência e previdência social e nunca retornaram; b) a inadimplência; c) o pagamento de benefícios para um grupo que não atende o que determina o Artigo 40 da nossa Constituição Federal por não cumpir o caráter contributivo, isto é, não pagou pelo que recebe. O texto não deixa dúvidas: “Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo”.

A União não cumpriu, não cumpre e não cumprirá o que determina aos gestores dos Regimes Próprios de Previdência Social, nos termos do artigo primeiro da Portaria 3.922, de 25.11.2010, expedida pelo Banco Central do Brasil, por decisão do Conselho Monetário Nacional, a seguir transcrito: “Fica estabelecido que os recursos dos regimes próprios de previdência social instituídos pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, nos termos da Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998, devem ser aplicados conforme as disposições desta Resolução, tendo presentes as condições de segurança, rentabilidade, solvência, liquidez e transparência”.

Tenho um pouco de razão para ficar indignado. Sou um dos brasileiros “roubados” pelo regime oficial de previdência. Durante mais de trinta e cinco anos contribui pelo teto. Recebo de aposentadoria exatamente 39,75% (trinta e nove vírgula setenta e cinco por cento) do valor que “comprei”. Como o Código de Defesa do Consumidor não pode ser acionado e o bispo não trata destes assuntos resta-me seguir o que recomenda meu concunhado José Delvo, também vítima do INSS: “Fazer o que?”.

Por: Ademar Rafael