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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ademarVAI DAR PENALTIS

Seguindo a regra que nas decisões de futebol são cobrados tiros livres diretos quando, no segundo jogo é repetido o placar do primeiro em caso de empate, ou quando o perdedor do primeiro jogo ganha o segundo por placar igual nos próximos dias, o resultado do jogo entre as principais revistas de informações semanais três (Veja, Época e Isto É) x um (Carta Capital) será revertido e ficará um (Carta Capital) x três (Veja, Época e Isto É).

Que jogo é este, iIndagarão nossos leitores e leitoras? É o seguinte: nos últimos anos as revistas Veja, Época e Isto É, sem muito esforço encontram erros nas gestões petistas e a Carta Capital com grande esforço procura apontar pontos positivos do mesmo projeto político.

Esta luta é antiga e advém da linha editorial de cada publicação. Nada tem a ver com o olhar míope do contra ou a favor. O perigo é quando somente uma das fontes é levada em consideração. Para formar juízo de valor é necessário olhar para mais de uma janela; mirar os olhos em direção a apenas uma delas é limitar a capacidade de julgamento.

Defenderei com todas as minhas forças a liberdade de expressão e a liberdade da imprensa. Esta última deve mirar sua nobre missão não apenas no direito de publicar o que quer e sim no dever de apresentar os fatos com isenção, com liberdade e sem interferência do estado e do poder financeiro.

É fácil um jornalista ser contra a limitação que muitos governos desejam, no entanto, é muito difícil um profissional da imprensa insurgir-se contra as condicionantes impostas pelo maior anunciante do grupo em que trabalha.

No mundo capitalista, conviver com a obrigação de noticiar os fatos e não desagradar quem sustenta financeiramente o sistema é o dilema. Não sejamos ingênuos; matéria paga existe. Pode até ser a exceção da regra, mas, se faz presente no rádio, na TV e na imprensa escrita.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARRIMA E CONTEXTO

Meu grande amigo Bartó de Zé Garcia, residente em Recife-PE., no dia 17.04.2016, após registros poéticos na “domingueira” que promovemos no FACEBOOK, fez o seguinte comentário: “Não sou um entendido em poesias; mas, gosto de ver versos formando um conjunto perfeito, não só na rima, mas também no desenvolvimento do contexto. Enfim, a poesia deve trazer, literalmente, uma contribuição para quem escreve é para quem lê…”.

Discordo quando ele afirma que não é “entendido em poesia” tendo nascido na região que Rogaciano Leite classificou como: ”… terra onde as almas são todas de cantadores…”. Filho do Pajeú, já nasce doutorado em poesia, esse dom divino. No tocante as condicionantes representadas pelo binômio “rima e contexto” entendo que meu amigo tem razão plena.

Durante uma cantoria de Ivanildo Vila Nova e Raimundo Caetano recebi do poeta Zé Dantas, um exemplar do livro “Atrativos turísticos da Paraíba – Decantados em poesia”, cuja autoria é dele e de Daudeth Bandeira. Referidos paraibanos descrevem de forma exemplar particularidades de pontos turísticos, de festas regionais, da culinária e da produção artística do estado da Paraíba.

A obra é farta não somente nas informações, como também, nos quesitos “rima e contexto” título e tema desta crônica. Os autores, poetas paraibanos, fazem uma descrição rimada de cada elemento abordado cujo conteúdo desperta a atenção do turista para visitar cada região e cada cidade para ver de perto as belezas da terra de José Lins do Rego.

O livro guia, encomendado aos poetas por prepostos de órgãos responsáveis pelo crescimento e fortalecimento do turismo na terra onde o sol nasce primeiro no Brasil, reúne um conteúdo soberbamente detalhado sobre o potencial turístico do litoral ao sertão, passando pelo brejo e pela Borborema.

Nada mais coerente de que a terra que nos deu Augusto dos Anjos, Ronaldo da Cunha Lima e Ariano Suassuna, apresente-se para o turista em forma de versos, principalmente quando são perfeitos em rimas e contexto, atendendo com folga as condicionantes impostas pelo amigo Bartó.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARO EX-VICE!

Com Dilma descendo a ladeira quem emergirá na rampa com força total? A resposta é: Michel Miguel Elias Temer Lulia. Os fatos que transformarão o peemedebista em nosso presidente germinaram com o processo do impedimento, contudo, foram semeados ao longo do tempo. O solo, a água e os fertilizantes uniram-se na forma que a presidente tratou seu vice.

Até a véspera do dia 29.03.16, data do rompimento do PMDB com o governo, Dilma equivocadamente acreditou no trecho da letra da música “A Natureza das coisas”, de Irah Caldeira que afirma: “… pode acontecer tudo inclusive nada. Se avexe não…”. Dormir ao lado dos pajés do Partido do Movimento Democrático Brasileiro é correr risco incontrolável, é subestimar a capacidade deles em “invocar espíritos, e exercer seus poderes oraculares, vaticinantes e curativos”.

Muitos defendem a tese que Temer representa a parte não degradável do esgoto que se transformou o Governo (PT + PMDB), após a depuração nas lagoas de decantação da Operação Lava Jato. Para este cronista o vice detém habilidades suficientes para recolocar o Brasil nos trilhos, mas, o histórico do seu partido e os “amigos” podem gerar fatos e atos capazes de colocar o país em um buraco mais profundo e mais largo. O tempo dirá.

Na época do impedimento de Collor o vice Itamar Franco era a reserva moral. Aos troncos e barracos fez a travessia possível. Michel Temer não tem o mesmo perfil apesar de ser mais estrategista que o mineiro de Juiz de Fora. Nos dois, o instinto de vingança é parecido.

Os otimistas podem afirmar que o jogo não acabou e que no Senado o placar pode ser alterado em favor da presidente. Não defendo esta hipótese. Os altos interesses em disputa, a estagnação da economia e o desgaste do Partido dos Trabalhadores sugerem um cenário desfavorável aos atuais detentores do poder.

Espero com muita fé que este processo possa, de fato, tirar o Brasil da inércia e recolocá-lo no caminho do desenvolvimento e da paz social. O povo brasileiro merece algo melhor. Que venha o novo tempo e com ele a harmonia.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARPADRE CÍCERO

A revista Família Cristã número 963, de março de 2016, trouxe longa reportagem sobre a reconciliação da igreja com o Padre Cícero Romão Batista. Na chamada de capa registra: “A fé venceu a incompreensão, Padre Cícero, santo pelo povo, é reconciliado pela Igreja Católica”.

O processo, segundo o texto, foi reaberto no início do século XXI após o cardeal Joseph Ratzinger pedir informações ao bispo do Crato. Na época o religioso alemão exercia o cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, portanto, antes de assumir o papado em substituição a João Paulo II.

A decisão do Vaticano comunicada a Dom Fernando Panico bispo do Crato, lavrada em carta de dezembro de 2015, sob a orientação do Papa Francisco, foi festejada pelos romeiros do Padim Ciço e reparou tardiamente as penas imputadas ao sacerdote cearense.

Os algozes do Padre Cícero sob o manto da hierarquia da Igreja Católica não perdoaram a insistência do sacerdote na defesa dos fenômenos ocorridos em Juazeiro do Norte a partir do dia primeiro de março de 1889, envolvendo a beata Maria de Araújo.

O livro “Padre Cícero – Poder, fé e guerra no sertão”, do jornalista Lima Neto aponta exageros verificados na condução dos processos movidos contra Padre Cícero. O empenho de Dom Joaquim José Vieira, autoridade maior da igreja no Ceará na época, para impedir que o “milagre de Juazeiro” fosse reconhecido pela Igreja recebeu apoio de figuras destacadas do clero e da política.

O cardeal Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, que deu todo apoio a Dom Joaquim, chegou a afirmar que o caso de Juazeiro era obra do Satanás uma vez que fomentava a histeria e o fanatismo.

Com o posicionamento atual da Cúpula da Igreja Católica os processos de beatificação e santificação de Padre Cícero ganharão impulso. Como as mentes e os corações dos devotos já outorgam tais títulos ao Padim Ciço a legitimação por parte do Santo Ofício seria a vitória de fé e da devoção sobre a intransigência que acompanha muitas autoridades no clero e fora dele.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARMÉTODO CONTÍNUO

Um antigo ditado popular afirma: “A ocasião faz o ladrão”. Em nosso país as ocasiões fazem-se presentes no cotidiano, nada obstante os esforços realizados nos últimos anos para punir os faltosos. Os escândalos “Anões do Orçamento”, “Collor x PC Farias”, “Sanguessugas”, “Mensalão” e “Lava Jato” formam uma sequência de desvios de conduta sem que o subsequente seja dificultado pelas apurações realizadas no anterior.

Explicações sobre a manutenção do solo fértil para novas investidas podem ser identificadas no livro “Capitalismo de laços”, do professor Sérgio Giovanetti Lazzarini. A obra faz uma analise das ligações entre os setores públicos e privados, sob o conceito de “laços”, aqui entendidos como: “Relações entre atores sociais para fins econômicos”. Adaptado, em nosso caso, para: “Relações entre atores sociais para privilégios pessoais”.

Publicado em 2011 o livro apresenta estudos, realizados entre 1995 e 2009, onde se constata, entre outras variáveis, que as empresas campeãs em doações aos candidatos vencedores dos pleitos para Presidente da República, realizados em 1998 (FHC) e 2002 (Lula) conseguiram acesso preferencial a recursos financeiros via empréstimos subsidiados de bancos públicos ou por meio de investimentos em áreas reguladas pelo setor público.

O subtítulo do livro “Os donos do Brasil e suas conexões”, inspiram o conteúdo das pesquisas e constatações. Escreve o autor na página 45: “A relação clientelista é evidente: doações de campanha em troca de benefícios diretos ou indiretos a empresas privadas”. Por nossa conta adicionamos “e aos seus sócios e dirigentes”.

Ao deixar o Ministério da Justiça, José Eduardo Cardoso afirmou: “É difícil ser republicano neste país”. Sobre isto em 1627 o Frei Vicente do Salvador (1564-1635): “Nenhum homem nesta terra é republico, nem zela ou trata o bem comum, senão cada um do bem particular”. Esta citação encontra-se na página 12 de “A República inacabada”, de Raimundo Faoro.

Insisto que somente com coragem e vergonha na cara poderemos tapar este nocivo sangradouro por onde escapam muitos bilhões.

Por: Ademar Rafael