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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELOUTRA OPÇÃO DE TURISMO

Garimpando nas livrarias de João Pessoa encontrei uma bela joia: o livro “Turismo Sertanejo”, do pernambucano Giovanni Seabra. A obra faz uma transparente comparação entre o turismo baseado em grandes investimentos hoteleiros, os chamados resorts extraídos de modelos utilizados nas ilhas do pacífico e no caribe e turismo rural, fixado no modelo de hotéis fazenda e pequenas pousadas.

O autor apresenta dados que provam a segregação causada pelo primeiro modelo e a inclusão promovida com aplicação do segundo. Fica evidenciado no texto que o potencial a ser explorado no interior do Nordeste poderia transformar-se em confiável geração de emprego e renda tal como foi feito na região de Poconé, no Mato Grosso e no interior de Goiás.

As festas do interior são detalhadas pelo autor nas citações sobre eventos de grande porte como o São João de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE), a Missa do Vaqueiro em Serrita (PE), a Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, situada no distrito de Fazenda Nova, município de Brejo da Madre Deus (PE) e a Guerra das Espadas em Cruz das Almas (BA).

O turismo religioso é destacado desde a Cruz da Menina, memorial e centro de romaria construído no munícipio de Patos (PB), a festa de Santo Antônio de Barbalha (CE) e os grandes centros de romarias de Bom Jesus da Lapa (BA), Canindé do São Francisco e Juazeiro do Norte (CE).

Ao circuito das águas das regiões de Lençóis, Luís Eduardo Magalhães e Barreiras (BA) e dos entornos dos rios São Francisco e Parnaíba são adicionadas as vertentes turísticas dos rios temporários, com destaques para o famoso Riacho do Navio, Rio Pajeú, Rio Jaguaribe e outros. Também no grupamento das águas nordestinas são mencionados os grandes açudes Poço da Cruz (PE), Coremas (PB), Orós (CE) e Açu-São Rafael (RN).

Os parques e as reservas naturais são esmiuçadas pelo autor nos detalhamentos do Vale do Catimbau, em Buíque (PE), Chapadas de Ibiapina e do Araripe (CE), Parque dos Dinossauros e Pedra da Boca (PB), Serra da Capivara e Sete Cidades (PI) e Chapada da Diamantina (BA).

Não ficaram de fora as rotas específicas, direcionadas para o Raso da Catarina (BA), o Cariri paraibano, o Agreste pernambucano, Pedra do Reino em São José de Belmonte (PE), o vinho e as frutas nas cidades Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande e Petrolina (PE) e Serra Talhada (PE) com o Museu do Cangaço, o Triângulo CRAJUBAR – Crato, Juazeiro e Barbalha (CE) -, o sertão Central do Ceará e Mossoró e Apodi (RN).

Feiras livres, artesanato e culinária são debulhados na obra. O livro é uma viagem deslumbrante, o assunto uma fonte de renda pouco explorada.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

RAFAELMADRE TEREZA DE CALCUTÁ

Responsável por uma das mais fecundas obras em favor das pessoas abandonadas pelos sistemas vigentes, por várias décadas, Madre Tereza fez com que a luz gerada nas ruas de Calcutá desse clarão a muitas mentes pelo mundo ao formar uma legião de voluntários para ações humanitárias.

No livro “Pelas ruas de Calcutá” Madre Tereza relata para Robson Pinheiro, não somente parte da sua trajetória no mundo. alerta-nos para pontos polêmicos, sobre os quais temos muita habilidade para fugir em nome do “politicamente correto”. Neste texto destacamos:

No capítulo 2, sob o título: “Seguir a Cristo é muito mais agir que pregar”, ensina-nos a Madre Tereza: “Às vezes falamos de políticas públicas, vemos coisas horríveis serem feitas, nos sentimos lesados, roubados, mas… que fazemos contra isto? Que realizamos para melhorar a situação? Muitos cristãos não querem se envolver na política, pois julgam a participação política antagônica aos ensinamentos de Cristo. Contudo, caso permaneçam sem se envolver, como mudarão a situação? Apenas falando dela dentro de suas igrejas e templos? A saúde está sendo tratada com descaso, mas e eu? Qual o meu papel em tudo isto?” Julgo que passou a hora de respondermos as indagações acima, o resto é debate sem serventia.

O capítulo 7 aborda o complexo tema dinheiro, com a epigrafe: “Bem-aventurada seja a força do dinheiro”. Aqui Tereza dos Pobres afirma: “Acho que o cristão ou o religioso, de modo geral, ainda não fez as pazes com o dinheiro nem consegue ainda ver quanto de progresso e bem pode ser feito à humanidade como o potencial que ele oferece. É certo que mal utilizado, os recursos financeiros podem promover tanto fracasso espiritual nas pessoas quanto estimular os mais vis comportamentos, inclusive a guerra e outras pragas que assolam a humanidade, mas por que associar sempre o dinheiro a coisas negativas?” Chega de hipocrisia, sem sermos escravos do dinheiro vamos utilizá-lo em proveito de causas nobres.

A alegria é mencionada no capítulo 9, sob a legenda “Não existe evangelho sem alegria”. Tereza de todos os povos registra para nossa reflexão: “Cristãos e religiosos em geral costumam colocar um fardo muito pesado sobre os ombros, como se a responsabilidade cristã fosse incompatível com a alegria, a espontaneidade ou a felicidade. (…) Muitos proíbem a música, o riso, o sorriso espontâneo, as demonstrações de alegria mais efusivas, com a desculpa de que as questões espirituais exigem seriedade. Meu Deus! Como ignorar as alegrias que a vida cristã produz e provoca naqueles que se dedicam à causa de Cristo? Alegria é coisa séria!” Sejamos seguidores de Cristo de forma indolor, deixemos que a alegria seja o principal ornamento das nossas ações.

Seríamos mais úteis se aplicássemos as lições de Madre Teresa de Calcutá.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARA LÓGICA E O DESPERDÍCIO.

Na primeira quinzena de outubro-2015 cruzei parte de semiárido nordestino ao sair de Juazeiro do Norte – CE com destino a João Pessoa – PB, passando pelo Pajeú e Moxotó em Pernambuco e pelos dois Cariris, o cearense e o paraibano. No trajeto, além do indesejável tom cinza da caatinga castigada por um longo período de estiagem destacam-se duas variáveis para combate à seca.

O primeiro os programas P1MC – Programa um milhão de cisternas e P1 + 2 – Programa uma terra e duas águas, tocados com ações conjuntas dos governos da União e dos Estados beneficiados e participação ativa da entidade ASA Brasil – Articulação do Semiárido Brasileiro, entidade que atua em Minas Gerais e nos noves estados do nordeste e parceria com a Cáritas Brasileira.

Tais projetos revestidos de simplicidade e pragmatismo estão dando respostas imediatas para problemas antes insolúveis. O envolvimento das comunidades e das famílias, sob minha capacidade de observação, é um dos grandes vetores para o sucesso dos programas.

Por outro lado o projeto de transposição do lendário Rio São Francisco assusta pela complexidade e lentidão das obras, são trechos e mais trechos com estágios diferentes e sem qualquer ligação entre as partes em execução.

Como não é novidade para ninguém tal obra é fundamentada em duas grandes frentes. O eixo norte que parte de Cabrobó – PE para reduzir os impactos da falta d’água nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, por meio dos rios Brígida (PE), Salobro e Jaguaribe (CE), Apodi (RN) e Piranhas (PB), referido canal principal terá em torno de 400 km e o eixo leste para mitigar os estragos da seca em Pernambuco e na Paraíba, através dos rios Pajeú e Moxotó (PE) e Paraíba (PB), referido canal percorrerá um distância de aproximadamente 200 km.

Sobre os benefícios e necessidade desse mega projeto qualquer pessoa de bom censo tem pouca resistência, no entanto, para um país com baixa capacidade de investimento e pouca experiência em obras com tal grau de complexidade iniciar as duas frentes simultaneamente foi uma irresponsabilidade do tamanho da obra. Com o dinheiro gasto até agora, sem que nada esteja perto do fim, sugere claramente que se todas as energias operacionais e financeiras tivessem sido direcionadas para o trecho menor (eixo leste) poderíamos está com parte do problema resolvido.

Caso os programas relacionados com as cisternas seguisse a mesma loucura da transposição, com a construção simultânea da sua totalidade estaríamos hoje com alguns milhões de buracos espalhados pelo semiárido e com um número muito menor de cisternas prontas.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELCANTORIAS EM AFOGADOS

Morei em Afogados da Ingazeira numa época que se um apologista desejasse ouvir um belo pé-de-parede tinha que se deslocar para uma cidade da região, especialmente, Tabira, São José do Egito, Santa Terezinha, Imaculada, Jabitacá ou Tuparetama.

Quando perguntávamos aos poetas porque eles não iam até nossa cidade eles afirmavam: Como se lá não tem público? Contestávamos: Tem sim. Para esse evento vieram de lá “x” pessoas. Era um verdadeiro contra censo, havia gente nas cantorias fora e não tinha público para atrair uma cantoria em nossa casa.

Antônio Mariano assumiu a prefeitura e resolveu enfrentar o problema. Apoiou Beijo na realização do primeiro congresso de violeiros em Afogados e promoveu cantorias, entre as quais destacamos três: Zé Feitosa x Moacir Laurentino, no Cine Bom Jesus, Moacir Laurentino x Ivanildo Vila Nova, no Senzala e Moacir Laurentino x Sebastião da Silva, no ACAI.

Quebrado o encanto, com os poetas João Paraibano e Sebastião Dias deixando de ser azarões em festivais vieram outras grandes cantorias. Houve fartura e os espaços Bar do Luiz de Ernesto, Senzala, Gruta da Praça, ACAI e AABB recepcionaram grandes nomes da cantoria. O povo apareceu com força.

João Paraibano, sabedor dessa dificuldade inicial, separou a data de onze de outubro de cada ano para realizar um grande encontro de violas na cidade que honrou morando e defendendo com seus “puros e venenosos” versos.

O evento tomou forma e por ser uma data fixa foi reconhecido pelos cantadores e pelo público como a “data de João”. O poeta de Princesa Isabel, com sua extraordinária humildade, soube angariar fundos, público e cantadores para o encontro. Ganhou pouco ou nenhum dinheiro com o evento, a gratificação era inserir Afogados da Ingazeira no calendário poético nacional. Missão cumprida durante sua trajetória terrena.

O reconhecimento da obra de João, a emoção com sua partida precoce e a coragem da família e amigos fizeram com que o encontro permanecesse. Em 2014 o brilho continuou, mas, no dia 11.10.15 na AABB os cantadores Jorge Macedo x Severino Pereira, Zé Carlos Pajeú x Zé Viola, Edmilson Ferreira x Antônio Lisboa, Diomedes Mariano x Sebastião Dias e Rubens do Valle x Evaldo Severino, cantaram para uma plateia menor que as dos anos 70.

Caso excluíssemos os visitantes, os familiares dos poetas, os organizadores o grupo Afogadense somado não dava três pessoas por cada cantador, isto mesmo, o público interno não chegava a 30 pessoas. Será que vamos ter que reeditar o mote: “Afogados da Ingazeira, precisa versos também.” Espero que não. A memória de João Paraibano, os esforços empreendidos há quarenta anos e a cultura não merecem.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ADEMARPAQUISTÃO E NÓS, HÁ ALGO EM COMUM?

Registros históricos indicam que a área do atual Paquistão foi habitada desde a época dos sumérios, 5.000 antes de Cristo, que por volta do ano 2.500, povos integrantes da civilização do Vale do Indo ocuparam o mesmo território, que no período compreendido entre os anos 321 e 185 antes de Cristo pertenceu ao poderoso Império Maurya e que integrou o Império criado pelo Xá Nader, o “Napoleão da Pérsia” entre os anos de 1.736 e 1.747.

Somente em 1.947 com a solução criada pela Liga Muçulmana e pelo Congresso Nacional Indiano para superar os conflitos entre os hindus e mulçumanos, o Paquistão foi desmembrado do território indiano, apesar da oposição de Gandhi, grande líder espiritual hindu.

Desde sua criação o país asiático nunca teve um longo período sem lutas por questões religiosas e poucas vezes experimentou um regime democrático de governo. As primeiras eleições nacionais foram realizadas em 1970, isto é, 23 anos depois da sua criação. Desde 1971, posse do primeiro ministro eleito nas primeiras eleições até os dias atuais, os períodos de instabilidade política do Paquistão ganharam dos períodos estáveis com muita sobra.

Eis que durante o regime Taliban, cuja grafia também pode ser Taleban, Talibã ou Talebã, surge a menina Malala Yousafzai para rogar o direito das meninas estudarem e/outros direitos básicos que o regime não permitia. Em função da sua luta foi baleada em 09.10.12 e salva em um Hospital de Londres.

Em 12.07.13 Malala fez um discurso na ONU onde clamou por educação gratuita para todas as crianças do mundo, ou seja, sua luta extrapolava os limites do seu amado Paquistão e entrava na esfera mundial. A ativista paquistanesa dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 2014 com o indiano Kailash Satyarhi que, no estilo de não violência de Gandhi, liderou vários movimentos em favor das crianças.

No livro “Eu sou Malala – A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã” traz um registro sobre um assunto que conhecemos de perto, não deve ser mera coincidência. Registra a autora: “Os políticos costumam aparecer só em época de eleição, prometendo estradas, eletricidade, água tratada e escolas, e dando dinheiro e geradores para as pessoas influentes, que chamamos de interesseiros e que devem instruir suas comunidades sobre como votar.”

Percebam caros leitores e leitoras lá como cá o método é o mesmo, inclusive, sobre o sumiço deles após os pleitos, Christina Lamb, autora da obra deixa claro que após eleitos “… não tínhamos mais notícias deles nem de suas promessas.” 2016 se aproxima será que a história será repetida?

Por: Ademar Rafael