Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

ESCOLHAS

Tenho poucas dúvidas sobre a extinção da prudência provocada pela ação devastadora do mundo dos “ismos”, representado pelo consumismo, imediatismo, fanatismo, individualismo e outros. Seguido este raciocínio os ensinamentos dos nossos avós, dos quais extraímos as partículas “um pé atrás” e “de orelha em pé”, são realmente coisas do passado. Para este tipo de posicionamento não tem espaço no mundo atual.

Não temos tempo para pensar, medir os riscos e decifrar o binômio custo x benefício. Hoje é comum decidir em cima do que enxergamos como certo, não interessa a base superficial, interessa o resultado que vemos ao fazermos as escolhas. Para que estudar se as redes socias tem todas as respostas? Se a comunicação virtual decifra todos os enigmas?

O térreo fértil desse universo, quase sempre composto de areia movediça, acolhe fundamentos apresentados pelos economistas George Arthur Akerlof e Robert James “Bob” Shiller no livro “Pescando tolos – A economia da manipulação e fraude”. George e Robert, ganhadores do prêmio Nobel de Economia em 2001 e 2013, respectivamente, apontam como as pessoas estão sendo facilmente induzidas ao consumo por meio de mensagens esteticamente desenvolvidas para atrair ‘tolos’ e que representam verdadeiras “iscas”. Tais mensagens alcançam pescarias vinculadas a alimentos, medicamentos, cigarro e álcool, consumo de bens duráveis e ativos financeiros.

Na ligação entre o enunciado do início deste texto e mensagem principal do livro encontramos: “…histórias que as pessoas estão contando para si mesmas.”. Simplificando, diríamos que em nome da modernidade estamos ouvindo e seguindo apenas o que nos interessa, estamos deixando de lado o julgamento aprofundado. Damos atenção a mídia e aos especialistas em marketing de massa. A hora nos remete ao lema dos escoteiros: “Sempre alerta” ou o ditado popular “Prudência e caldo da galinha não fazem mal a ninguém”. As escolhas são suas, os prejuízos também.

Crônica de Ademar Rafael

ANALFABETISMO

Muito próximo de comemorar dois séculos da sua independência o Brasil tem, entre outras, aquela que considero a sua maior dívida social: O analfabetismo crônico. Em todas as campanhas políticas o tema educação entra na pauta, depois da posse ficam os projetos para o setor jogados na última gaveta dos ricos gabinetes. A prioridade some.

Todas as tentativas fracassadas foram anunciadas como a solução definitiva para este problema que gera muitos outros. Quando o regime militar instalado em 1964 criou o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, por meio da Lei 5.379, de 15.12.1967, prometeu “… a alfabetização funcional e a educação continuada de adolescentes e adultos.” Muita propaganda oficial, muito dinheiro gasto e pouco resultado. Ao ser extinto em novembro de 1985 o MOBRAL deixa a cena como enorme fracasso. Segundo dados oficiais durante sua existência o Programa alfabetizou de forma superficial apenas 37,5% da meta original que era de 40 milhões de brasileiros, esbarrou em 15 milhões.

Para não correr o risco de ficar retido na malha burocrática citarei alguns outros nomes que o poder central deu aos diversos programas de alfabetização. Com a extinção do MOBRAL o Governo Sarney criou o Projeto Educar, 25.11.1985. Fernando Collor por meio da Lei 8.209,de 12.04.1990, colocou um ponto final no programa criado pelo seu antecessor. Em 2003 foi criado o Programa Brasil Alfabetizado – PBA, seu objetivo: “Promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos e contribuir para a universalização do ensino fundamental no Brasil.” O fracasso continua.

Provando que é possível a Fundação Banco do Brasil criou o Programa BB-Educar, com ele mais de 100 mil brasileiros deixaram a escuridão do analfabetismo. Porque tal programa não é replicado pelo governo. Dizem os pessimistas que não há interesse dos “donos do poder” na solução do problema. Alegam que o analfabetismo mantém a dependência. Será?

Crônica de Ademar Rafael

ALÉM DO DINHEIRO

A literatura nos brindava com uma relatório da lavra de Graciliano Ramos direcionado ao Governador de Alagoas, narrando fatos da sua gestão como Prefeito de Palmeiras dos Índios – AL (07.01.1928/10.04.1930).

Em recente viagem ao Pajeú recebi a obra “Pedro Pires Ferreira, Meu pai”, de autoria de Nevinha Pires e editado pela família, neste ano. Na publicação encontrei uma prestação de contas de mandato do eterno prefeito tabirense. A seguir alguns pontos para que determinados políticos deixem de invocar a falta de dinheiro e que com ações corretas cumpram suas obrigações. Com atitudes corretas o dinheiro deixa de ser o foco único.

Podemos aprender muito sobre humildade, honestidade, atenção, limites, prioridade, etc. com estas citações: “Se cometi faltas contrariando os princípios da democracia, do direito e da ética administrativa é porque ignorei a maneira certa e legal de proceder”; “Uma coisa não se dirá: é que eu tenha me aproveitado do poder para perseguições mesquinhas ou com ele me beneficiado para enriquecimento de meu patrimônio particular”; “Sei que não solucionei os problemas da minha terra, todavia, não os deixei relegados ao esquecimentos” e “Procurei sempre aplicar a
prática administrativa, atendendo em primeiro lugar às necessidades mais urgentes.” Vejam que o líder não culpou a falta de dinheiro, citou atos.

Com atestado da ampla visão de Pedro Pires e da sua correção transcrevo abaixo duas estrofes lidas nas festividades do seu centenário, inclusas no livro. Os autores, dois poetas de Jabitacá: José Severo Liberal – “Numa estrada vicinal/Numa passagem molhada/Numa cancela assentada/Numa escolinha rural/Na placa de um hospital/Nos aterros da ladeira/Na construção da ‘bueira’/Nas águas do cacimbão/Vá atrás que tem a mão/De Pedro Pires Ferreira.” e de Quincas Rafael – “Ele era Pedro Pires/No dia da eleição/Ele era Pedro Pires/Na hora da precisão/Foi tão extraordinário/Que qualquer adversário/Apertava sua mão.”

Crônica de Ademar Rafael

ANTÔNIO PÁDUA DE LIMA

Em que pese a filosofia da rua apontar em outras direções, gosto da afirmativa que alguns valores nós trazemos do berço. Este modelo é plenamente aplicável ao professor Antônio Grilo. Desde cedo soube aplicar e copiar os bons exemplos.

Nos conhecemos em 1972 numa sala de aula do querido Ginásio Industrial, além das disciplinas convencionais estudamos juntos marcenaria durante o ensino básico e continuamos no curso técnico de contabilidade. Na época ele e seu irmão José Fernandes, de saudosa memória, trabalhavam na fábrica de colchoes que ficava em frente ao depósito de Zé Mariano e pertencia ao empresário Zé dos Colchões.

Muitas vezes, quando havia entregas imediatas, eles emendavam depois das aulas e varavam madrugadas. Várias vezes, entre matéria prima e maquinas, estudamos matemática para atender exigente professor Geraldo Campos e posteriormente Durval Galdino. As demais disciplinas tirávamos de letra.

Antônio Grilo sempre teve forte ligação com o esporte, bom jogador de futebol de salão. Dominava muito bem os fundamentos domínio de bola, condução de bola, passe e chute. Nunca gostou de jogador que apenas fazia cena, o famoso “rebolador”, sempre foi adepto do futebol bem jogado e com resultado prático, ou seja, com vitórias.

Na época que assumi o Barcelona foi um conselheiro perene. Foi a primeira pessoa que me falou que o futsal precisava de mudanças. O velho sistema dois x dois estagnara em função de  repetência. A dinâmica que tal esporte tomou foi premeditada por Antônio Grilo, muito antes de acontecer.

Ficava indignado com o estrago que o Colégio Olavo Bilac de Sertânia fazia nos jogos estudantis regionais, ao abocanhar praticamente todas as medalhas em disputa. Sentenciava repetidamente: “Isto ocorre porque não nos preparamos, deixamos tudo para última hora. Eles ao concluírem uma competição continuam treinando firme para próxima.” Como era revestida de verdade essa observação.

Motivado a galgar situação financeira suficiente para proporcionar uma vida digna, lutou com dedicação, estudo e muita ação ocupou o lugar merecido como professor de educação física. Sua contribuição foi do tamanho do seu compromisso, sempre buscou aplicar boas práticas na orientações aos atletas que cuidou com extrema dedicação.

Amante da boa leitura e da poesia foi um amigo e admirador do meu velho pai, Quincas Rafael. Sabe avaliar muito bem o que é o desempenho de um cantador de viola numa cantoria pé de parede. Parabéns meu amigo você com sua simplicidade, respeito aos demais e competência é um exemplo a ser seguido.

Crônica de Ademar Rafael

A CORUJA

Na última semana de maio houve eleição e posse da diretoria do Afogados da Ingazeira Futebol Clube, nossa gloriosa “Coruja”. Em nosso país toda vez que ocorrem trocas de dirigentes ficam as indagações: O que virá de novo? Quais esqueletos serão tirados dos armários? E outras a gosto dos que assistem as mudanças.

No futebol todos sabem que quem ganha jogos são os jogadores, dirigente no máximo formam bons elencos. Em nosso Brasil muitas vezes os dirigentes personalizam tanto suas gestões que algumas vezes torna-os tão grandes quanto que as agremiações que dirigiram. Podemos citar os casos de Vicente Matheus no Corinthians, Francisco Horta no Fluminense e Alexandre Kalil no Atlético Mineiro. Gestões personalistas de tais dirigentes quebraram tabus e fizeram times vencedores.

No caso do time que muito honra Afogados da Ingazeira, permitam-me fazer os seguintes registros: Todos que acompanham o assunto sabem que fazer futebol no interior do Brasil é missão árdua, verdadeiro trabalho de Hércules. Neste cenário o dirigente precisa enfrentar o principal dilema que é separar o gestor do torcedor. Cabe a diretoria trabalhar, ao extremo, com planejamento. O orçamento, comas colunas receitas x despesas não pode sair de cima de mesa e das suas cabeças.

Amigos dirigentes do Afogados da Ingazeira Futebol Clube todos vocês são dotados de habilidades suficientes para ‘tocar o barco’, com gostava de dizer o famoso Ricardo Boechat. Sejam diligentes, acreditem no planejamento, formem bases regionais nos elencos e nas comissões técnicas, sejam transparentes com a imprensa e os torcedores, sejam criativos para arrecadar recursos e franciscanos para gastá-los.

Tenho confiança no trabalho de vocês, como torcedor e amigo coloco-me à disposição. O último lembrete: Fiquem atentos aos bastidores, neste campo pode até não surgirem vitorias, mas, com certeza surgem derrotas.