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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

NOSSAS PRIORIDADES

Pela escassez de recursos, o brasileiro comum sabe como poucos escolher prioridades, todo mês precisa fazer sua relação do que vai comprar, do que vai pagar e do que vai deixar “para depois”. O poder público no Brasil, assim entendido a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, também por falta de dinheiro elege SUAS prioridades. A palavra “suas” está em caixa alta para demonstrar que a prioridade escolhida atende interesses do poder e dos amigos do poder. O que interessa ao bem comum passa muito longe. Ontem, hoje e sempre.

Está decidido que no curto prazo não haverá o censo do IBGE, historicamente realizado a cada dez anos. Serve, segundo dados do site do Instituto para o poder público ter “… subsídio para formular e avaliar políticas públicas, bem como para planejar ações de impacto sobre a sociedade. São informações que podem auxiliar o processo de tomada de decisão e gerar benefícios a toda a coletividade.” Como pode ser atestado, por meio das informações do censo o governo define políticas pulicas.

Oficialmente a não realização do levantamento domiciliar de 2020 foi em função da pandemia, foi prorrogado para 2021. Pelo mesmo motivo e pela falta de dinheiro foi novamente suspenso. Seu custo gira em torno de R$ 2,0 bilhões e geraria empregos para mais de 200 mil brasileiros. Se olharmos superficialmente o orçamento da união teremos elementos para afirmar que o problema não é falta de recursos e sim de prioridades. Nosso olhar alcançou somente as rubricas orçamentárias abaixo.

Com VERBA PUBLICITÁRIA o governo federal nos últimos quatro anos gastou R$ 1,54 bilhões (2017 R$ 507 milhões – 2018 R$ 430 milhões – 2019 – R$ 312 milhões e 2020 R$ 294 milhões). Com o FUNDO PARTIDÁRIO o gasto foi de R$ 4,908 bilhões no mesmo período (2017 R$ 721 milhões – 2018 R$ 1,716 bilhões – 2019 R$ 437 milhões e 2020 R$ 2,034 bilhões). A este último valor se faz necessário somar R$ 1,28 bilhões relativo ao custo da eleição de 2020, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Crônica de Ademar Rafael

A MÚSICA

Convivi com pessoas que se não estivessem ouvindo uma música não tinham inspiração para produzir com a intensidade que seus cargos exigiam, o som ambiente as moviam. Tinha três grupos: Os dos fones de ouvido; os dos radinhos de pilhas e os do som ambiente.

Todos nós, com as exceções que em tudo há, tem uma ou algumas músicas de preferência. Eu, particularmente, tenho muitas. Uma coisa é certa, sem os exageros do vício, gosto de ouvir músicas. Isto herdei do meu pai desde o tempo que ouvia Rádio Pajeú, as músicas tocada no programa o “Terreiro da Fazenda”. Para abrandar as tensões do momento atual, vamos ouvir música e tirar reflexões positivas nas mensagens nelas impressas. As preferência precisam ser respeitadas, entendo que música não tem pátria.

A irmã Diana Milena Devia Burbano, EP, no artigo “Silêncio sinfônico”, publicado na Revista Arautos do Evangelho de fevereiro-2021, magnificamente escreveu: “Dentre as variadas manifestações artísticas que as civilizações foram desenvolvendo ao longo do História, a música foi, desde logo, uma das mais eloquentes. Com efeito, a variedade de sons, quando bem harmonizados, é capaz de manifestar aquilo que só se percebe com o coração e muitas vezes não é transmissível por palavras. São certos sentimentos e imponderáveis que só existem nas região mais recônditas da alma humana.” Em templos religiosos desde o século VI as músicas auxiliam no alívio dos nosso medos.

A maravilhosa Roberta Miranda nos diz na letra da “Majestade o Sabiá”: “Ah! Tô indo agora prum lugar todinho meu/Quero uma rede preguiçosa pra deitar/Em minha volta, sinfonia de pardais/Cantando para a majestade, o sabiá. A majestade, o sabiá.” Existirá musica melhor?

A música tem importância muito além do que imaginamos, em várias bacias leiteiras a música é utilizada durantes as ordenhas. Garantem os pecuaristas que relaxadas as matrizes bovinas produzem mais leite.

Crônica de Ademar Rafael

ALEXANDRE JOSÉ LIRA DE MORAIS

Defendo com unhas e dentes que a cultura popular não aceita desaforo de tecnocratas e de falsos intelectuais. Quando este tipo de gente tenta manipular a cultura em favor dos seus interesses ou limitá-la ao que diz sua cartilha ideológica a rebeldia é automática. Com intensidade maior que a tentativa de domá-la a cultura assume as peraltices do “Saci Pererê”, quebras as argolas e ganha a rua.

O cineasta Rosemberg Cariry, no começo da década de 1980, publicou “Cultura insubmissa: Estudos e reportagens”. Neste livro um inconformado Rosemberg chama atenção para muitos elementos entrelaçados entre a cultura e a consciência popular e clama apoio para sua tese da “cultura de resistência”.

Na junção do que escrevi inicialmente com as teses do livro acima citado encontro o incansável trabalho de Alexandre Morais. Desde cedo ele busca e encontra a essência da cultura popular nos diálogos com o mundo, a feira livre e a praça pública são seus laboratórios.

Em virtude de longo tempo que fiquei distante do Pajeú não convivi com Alexandre como gostaria. Conheci seu trabalho inicialmente através do site www.culturaecoisaetal.com.br por indicação de colega do Banco do Brasil, poetisa Scheila Patriota. Em referido espaço comecei a ver o nível do trabalho em defesa da cultura. Estando em Afogados da Ingazeira, durante as festas natalinas de um determinado ano, vi um cartaz do evento “Pajeú em Poesia” no dia 25.12. na hora eu pensei: “Esse ‘cabra’ é doido. Como fazer um evento cultural nesta data. Possivelmente irá ele e outras duas ou três pessoas.” Como foi bom ter me enganado. Cheguei ao local que estava cheio de apologistas, poetas, escritores, cantores, músicos, etc. Se pessoas fosse algo comparável com artigos a feira de Caruaru agora tinha um concorrente. Fiquei até o final e tenho gravado na memória muito do que vi naquele evento.

É impossível controlar a criatividade, a inquietude e o senso de coletividade que brota da mente de Alexandre Morais. Comparo com a cena de um turbilhão escapando de uma cachoeira. Recentemente o seu Projeto “Palco Pajeú” teve um eco no meio cultural muito superior ao do grito de Tarzan nos matinês do meu tempo de jovem.

Numa mesa de glosas, em um recital, numa banca vendendo cordéis, em um filme ou numa palestra a performance de Alexandre Morais é digna de altos elogios pela cultura que irradia. Seus projetos junto a poetas da região, seu apoio ao neófitos, sua preocupação com a inserção da poesias nas escolas nos obriga sonhar com Alexandre Morais nas feiras livres e nas praças multiplicando a cultura. Não pare meu irmão, precisamos muito do seu talento. Como referência que és, o Instituto Quincas Rafael terá um espaço reservado para você idealizar como será utilizado.

Crônica de Ademar Rafael

Pelo Exemplo

O consultor internacional sobre liderança, John Adair, no livro “Estratégias de liderança de Confúcio”, entre outras muitas sinalizações indica que a melhor maneira de liderar é pelo exemplo. Cita a convergência entre pensamento do sábio chinês, que atesta: “Governar é corrigir. Se o senhor der o exemplo ao ser correto, quem ousaria a ser
incorreto” e a frase atribuída a Albert Schweitzer, teólogo, filósofo, médico e músico alemão, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, que faleceu em 1965, com noventa anos: “Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros, é a única”. Esta ponderação atesta que a lógica de liderar pelo exemplo atravessa séculos, sem perder sua essência.

Esta linha de pensamento me incomodava na época que assumi os primeiros cargos de direção no Banco do Brasil. Com alto grau de miopia eu pensava: “Não tenho que me basear em nada ou ninguém para fazer o que é certo”. Não sabia eu, na minha lógica de principiante, que o exemplo seria a caminho para que não caísse em tentações. Ao me convencer da veracidade deste posicionamento tentei aplicar à exaustão. Permitam-me afirmar que os resultados foram os melhores possíveis. Quem testar, tenho absoluta certeza, chegará aos objetivos com menos esforço e descobrirá que os espanhóis têm razão ao afirmar: “Você se torna aquilo que faz.”

Em sua obra, Adair sugere que para liderar pelo exemplo o líder precisa: ”Ter entusiasmo – Ter integridade – Ser firme, exigente e justo – Ser caloroso e Ser humilde.” Por experiência própria e comprovação em várias oportunidades, atesto que tais qualidades são luzes que iluminam os caminhos dos que lideram pelo exemplo.

Validando as ponderações acima atesto que nas vezes que pude liderar pelo exemplo, em diversos cargos que exerci no setor público e privado, fui seguido pela equipe sem muito esforço. Nos momentos que fracassei neste sentido as dúvidas surgiram e o desempenho foi inferior ao alcançado nas situações em que o exemplo foi percebido pelos liderados.

Crônica de Ademar Rafael

DEUSES E DEUSAS ATUAIS

De pronto, avisamos que este texto não tem viés de doutrinação ou cunho religioso, trata-se de alguns registros para reflexão sobre nosso posicionamento nos dias atuais.

Registros bíblicos, citações em diversos livros e filmes épicos apresentam relatos das punições que recebiam os que pertenciam a outro credo e negavam-se a cumprir rituais para os deuses locais. Os escravos, estrangeiros e obedientes a outros seres supremos sofreram duras penas ao se negarem prestar os cultos exigidos pelas autoridades.

Apenas como ilustração, sem detalhamentos, vamos mencionar três deuses/deusas em três países, na antiguidade. Egito: Rá-Atum, Osíris e Set; Babilônia:  Marduk,   Apsu e  Tiamat e Roma: Apolo, Baco e Ceres.

Sob nosso ponto de vista o que mudou dos tempos há muito idos para nosso tempo é que no passado as pessoas eram obrigadas a adorar deuses ou deusas que não tinham devoção e nos dias atuais espontaneamente direcionamos nossas energias para os deuses e deusas.

Uma pergunta que cabe. Ademar, quais são estes deuses e estas deusas? Minha bússola, resumidamente, aponta para seguintes direções: Poder, Dinheiro, Carros, Imóveis, Beleza e Redes Sociais.

Agora é minha vez de devolver uma indagação. Quais desses ou dessas você tem feito sacrifícios e de forma doentia tem prestados cultos? É possível que estejamos dedicando nossa atenção para mais de um/uma, simultaneamente. Isto tem sido regra no mundo do consumismo e da pressa para ter, em lugar de ser.

Eu com minhas fraquezas, com meus medos e minhas limitações tenho tentado reduzir a dependência com tais divindades. Não tem sido fácil. Você caro leitor e cara leitora passa por isto? Vamos refletir e agir?