Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

OS TROPEIROS

Os consumidores que hoje fazem compras pelo comércio eletrônico e recebem os produtos em casa jamais podem esquecer quem fazia este serviço em condições adversas: Os tropeiros. O livro “Tropeiros – Viajantes e aventureiros”, de Cândida Vilares e Vera Vilhena, assim os define: “…a lendária figura do tropeiro, que unificou o Brasil com suas tropas de mulas levando, pelos caminhos da época, mercadorias, novidades e costumes…”. Este foi o formato utilizado pelos tropeiros nos sertões do Brasil.

No sul eram eles que conduziam as boiadas. Esta pratica foi estendida para Minas Gerais, Goiás e região do Pantanal, onde recebem o nome de comitivas. Para o estilo gaúcho, transcrevo uma das estrofes de “Tropeiro Velho” da autoria de Teixeirinha: “Sentado à beira do fogo/Sentindo o peso da idade/Tão triste o velho tropeiro/Quase morto de saudade/Oitenta anos nas costas/Sempre lidou com boiadas/Mas nunca em suas andanças/Deixou um boi na estrada…”. As músicas “Menino da Porteira”, de Luiz Raymundo e Teddy Vieira de Azevedo, “Chico Mineiro”, de Francisco Ribeiro Barbosa e Joao Salvador Perez e “Comitiva Esperança”, de  Almir Sater, destalham a atividade no sudeste e centro oeste.

Em nosso nordeste não encontro melhor texto para definir os tropeiros do que esta estrofe da música “Tropeiros da Borborema”, autoria de Raimundo Asfora e Rosil Cavalcante, gravada por diversos intérpretes e eternizada por Luzi Gonzaga: “Estala relho marvado/Recordar hoje é meu tema/Quero é rever os antigos tropeiros da Borborema – São tropas de burros que vêm do sertão/Trazendo seus fardos de pele e algodão/O passo moroso só a fome galopa/Pois tudo atropela os passos da tropa/O duro chicote cortando seus lombos/Os cascos feridos nas pedras aos tombos/A sede e a poeira o sol que desaba/Ó longo caminho que nunca se acaba!…”

A “Amazon” e o “Magalu” nos levas aos produtos, os tropeiros nos leva à história, vamos viver na comodidade e preservar o “TROPEIRISMO”.

Crônica de Ademar Rafael

A MAGIA DE JUNTAR LETRAS

Para não ficar perdido no cipoal de notícias diárias procuro ler com assiduidade o “Blog do Finfa”, o “PE notícias blog” e o “Blog do Magno”. Sempre faço as leituras diárias ouvindo na Rádio BAND o programa antes pilotado pelo inesquecível  jornalista Ricardo Boechat. Após esta preliminar, entro tema central deste texto que é dedicado ao nosso conterrâneo Magno Martins. Jornalista que carrega consigo a capacidade de, com muita magia, juntar letras e formar palavras, frases e textos.

Com intensa carga de trabalho e com uma pandemia ele tirou da cartola outro livro para nos brindar. Trata-se de “A dor da pandemia – Crônicas”, livro inicialmente lançado somente por meio virtual. Um ser humano que tem obrigações com um “Blog do Magno”, conectado 24 horas; um programa de rádio (Frente a Frente) e um jornal (O poder) e que durante uma pandemia consegue produzir algo deste tamanho tem que ter habilidades “mandraquianas”. Julgo que apesar da sua extrema capacidade criativa Magno Martins de alguma forma busca forças na arte de Mandrake, personagem criado por Lee Falk (Leon Harrison Gross). Nós, que tomamos a vacina do COVID, tivemos o privilégio de ler as histórias de quadrinhos do mágico.

O livro é um presente para os amantes de textos extraídos da alma. Nele Magno, entre muitas outras coisas, fala no Poço de Benedito, no misto de Zé de Preta, no Bar de Zé Panqueta, no Savoy; na falta que nos fazem pessoas como Joãozinho Alves e Antônio Mariano; cobra as alegrias dos carnavais e das festas juninas antes da pandemia; enaltece a obra de Milton Oliveira; declara amor ao sertão com suas particularidades, seus poetas e, no extremo, ao seu pai Gastão, sua mãe Margarida e seus filhos.

Poderia citar o que narram José Nêumanne e José Mucio Monteiro, no prefacio da obra. Mas, com forças que consegui comum mágico de um “circo mambembe” ouso com esta crônica destacar o último filho de Magno Martins. Obrigado amigo, que venham outros e se vá a pandemia.

Crônica de Ademar Rafael

DIOMEDES LAURINDO DE LIMA

Uma das minhas teorias, sem comprovação cientifica, assegura que o mundo é formado por três grupos de pessoas. O primeiro é formado pelos que dependem totalmente da luz dos outros, o segundo é constituído por indivíduos que sem a luz de outros iluminam pouco e o terceiro é representado pelos que têm luz própria, brilham em todas as situações.

Nosso amigo Diomedes faz parte do terceiro grupo. Poderia ser conhecido como o sobrinho de Aniceto ou como o irmão de Danizete. Seu brilho corroborou com minha teoria. Desde cedo firmou-se como Dió, com o tempo incorporou o Mariano, nome da família da sua mãe. A forma de tratar as pessoas, a capacidade de decidir com acertos e sua honestidade deram-lhe as variáveis necessárias para se firmar.

A poesia sempre fez parte da sua vida e o potencial neste campo foi descoberto pelos amigos o por poetas com muitos anos de estrada como foi o caso de Ivanildo Vila Nova. Relutou para ingressar no time dos cantores de viola. Não consegui fugir da arte, foram muitas participações em cantorias realizadas na região. A cada participação ganhava confiança e o incentivo de amigos fizeram com que ele desse início a sua vitoriosa carreira. As primeiras premiações e os embates com poetas como João Paraibano, Sebastião Dias, Valdir Teles e tantos outros de fora do Pajeú mostraram que Ivanildo tinha razão. No pé de parede não envergonha ninguém e com a caneta assume a posição de grande poeta de bancada.

Registro aqui duas estrofes do poema “Reconhecimento”, que dedicou a Dona Zezinha sua mãe. É um dos mais belos trabalhos poéticos que conheço: “Aprendi a seguir todo conselho/Atirado por sua boca mansa/O seu jeito materno era o espelho/Me mostrando a feição da segurança/Numa noite invernada de janeiro/Se eu estivesse brincando no terreiro/Você ia correndo pra o oitão/Me pegava nos braços, me acudia/Com um trapo de saco me cobria/Se molhava na chuva, mas eu não.” – “De nós dois qual que mais se prejudica/Quando o tempo disser que nos venceu/Eu partindo primeiro, você fica/Você indo primeiro, fico eu/De uma forma ou de outra o quadro é triste/Eu prefiro partir, porque existe/Quem precisa aliar-se ao seu partido/Todo imposto saudoso é alta taxa/Seu eu perder-me na ida, Deus me acha/Se eu ficar sem você estou perdido.” Assim como o soneto “Eu quisera” – “Eu quisera um país sem escopeta/Sem revolver, sem bala, sem canhão/Sem gatilho quebrando a espoleta/Sem acumulo de gente na prisão – Sem molambos de roupas na maleta/Dos mendigos da triste emigração/Onde os pobres e pretos do planeta/Fossem vistos sem discriminação… – E ao invés do fuzil que mata e pesa/O rosário, o altar, o templo, a reza/E um não para a guerra, um sim pra paz… – Com espaços pra grandes e pequenos/Todo mundo feliz, morrendo menos/E a palavra de Deus valendo mais.”

Na “Budega com prosa”, projeto tocando com sua família, Dió pratica duas das suas muitas habilidades: Atende bem e recita poesias dele e de parceiros. O menino da Barra de Solidão tem muita luz. Viva a poesia.

Crônica de Ademar Rafael

O FUTURO É DECIFRÁVEL?

O “futuro” é um dos temas mais escorregadios em nossos diálogos em salas de aula, reuniões nas empresas e atuações em consultorias.

A frase “Não podemos prever o futuro, mas podemos cria-lo” é atribuída a Peter Drucker, um dos maiores pensadores de administração de toda história. “O futuro tem muitos nomes. Para os débeis é o inalcançável. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade”, esta frase é atribuída a Victor Hugo, romancista francês.

Sem forçar a barra podemos encontrar conformidades entre as duas frases? Acredito que sim. Buscar oportunidade e criar são ações que transitam na mesma estrada. Nesta estrada a pesquisa, o estudo, a assimilação e a ação são as placas de sinalização.

A revista HSM Management, edição 144, de Janeiro/fevereiro-2021, é dedicada ao tema “Como enxergar futuros” e em um dos diversos artigos sobre o assunto a futurista Martha Gabriel, autora de “Você, eu e os robôs”, apresenta o cone do futuro. Por meio dele e com utilização do potencial para ir além do momento presente ela indica as possibilidades detalhadas a seguir, com pequenas adaptações.

“Futuro absurdo – Impossível, não vai acontecer nunca; Futuro possível – Requer conhecimento futuro, poderia acontecer; Futuro plausível – Depende do conhecimento atual, pode acontecer; Futuro projetado – É a extrapolação do presente; Futuro provável – São as tendências atuais, deve acontecer; e Futuro preferível – Inclui julgamento de valor, quero que aconteça.”

Como membro de colegiado que analisava investimentos, para alocação de recursos, estudei muitas tendências do futuro, garanto que com as ferramentas adequadas, muito estudo é possível enxergarmos o futuro, criando mecanismos para enfrentá-lo de forma indolor. Ação imediata!

Crônica de Ademar Rafael

OS VAMPIROS

O livro “Suzana e o mundo do dinheiro”, traduzido e adaptado por Severino de Morais, de original do holandês Wim Dierckxsens, tem similaridades com “O mundo de Sofia” publicado por Jostein Gaarder. Ambos apresentam dúvidas de jovens perante o mundo, Suzana quanto a economia e Sofia no tocante a filosofia. A jovem Suzana, inspirada no humanismo do avô, questiona o que levam os adultos e verem o mundo pela lente do dinheiro, do valor das coisas e não das pessoas.

Traz a obra uma abordagem interessante ao focar as críticas nos “vampiros”. Seres que na natureza se alimentam basicamente do sangue alheio e no mundo das finanças sustentam-se não apenas do sangue dos outros. Ao seu cardápio são somadas a exploração por meio do capital e a banalização do valor das pessoas. Nossa reflexão é saber quantos “vampiros” nos sugam diariamente e que estão em nossa família, no trabalho, na sociedade que vivemos e nos demais setores que impactam nossa liberdade de nossa perspectiva de um mundo justo socialmente.

Essa exploração é antiga, o Livro Sagrado entre outras citações menciona em Mateus 23-4: “Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los.”

Como agir então? Entendo que para mudar o mundo, precisamos mudar nós mesmos antes. Neste ponto sugiro três posicionamentos: a) seguir a frase atribuída a Mahatma Gandhi “Quem não vive para servir, não serve para viver.”, da qual o Rotary se apropria para incentivar ações dos companheiros; b) ouvir São Francisco quando ele diz: “…. Pois é dando que se recebe…”; e do livro maior, em Mateus 20-28: “Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate em favor de muitos.” Acredito que pelo exemplo podemos reduzir o número dos “vampiros”, mesmo correndo o risco de sermos sugados.