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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

CARIDADE

De acordo com algumas passagens bíblicas é entendida como “amor”, em virtude da tradução do grego que a descreve como “amor incondicional”. Olhada por este prisma é catalogada como uma das virtudes teologais, ao se juntar a fé e a esperança. Originalmente “Fé, esperança e amor.”

Nesta reflexão que pretendo com minhas leitoras e meus leitores gostaria de deslocar esta virtude para o campo da vida prática, sem deixar de reconhecer sua vinculação com lógicas religiosas citadas no parágrafo inicial.

Entre os sinônimos de ‘caridade’ encontramos ‘piedade’, neste caso compreendido como “Compaixão pelo sofrimento de uma outra pessoa; misericórdia…”. Sem o intuito de criar polêmicas ou distorcer os significados das palavras, prefiro não considerar como ‘pena’. Ter ‘caridade’ para este cronista é se importar com o outro sem transformá-lo em vítima.

Permitam-me caminhar na direção que para fazermos ‘caridade’ na essência do gesto é dar ao outro o que ele necessita sem caracterizar uma simples ajuda, um apoio transitório ou desencargo de consciência. O beneficiário do ato de ‘caridade’ precisa sentir-se abraçado, acolhido e principalmente percebido como um irmão.

A prática da ‘caridade’ deve ser precedida de ação espontânea, nascida no nosso interior, direcionada sob o olhar do compartilhamento. Quando o ato é gerado pela força do altruísmo os efeitos para quem pratica e quem recebe são diferentes dos casos em que não passa de uma ajuda provocada por campanhas ou pelo politicamente correto.

Os que escolhem o anonimato ao praticarem gestos caridosos merecem aplausos. Mas, quando a misericórdia, com as limitações humanas, estão presentes também avalio como atitude louvável. Quem concorda?

Crônica de Ademar Rafael

PACIÊNCIA

Tenho escutado por onde passo desabafo de pessoas que se dizem não ter mais estrutura para suportar as restrições impostas pela prolongada quarentena. Todos afirmar que “os nervos à flora da pele” estão minando a sua paciência, que a irritabilidade tem tomado conta de comportamentos antes ponderados.

Com todo respeito aos depoimentos fico com a dúvida se as citadas restrições não foram somente matrizes da “gota d’água”, os recipientes já estavam cheios, o ótimo pingo apenas os fez transbordar.

Se avaliarmos nosso comportamento, antes da pandemia, vamos detectar que o paciência há muito não estava conosco. Ficamos irritados com coisas banais como demora de um elevador, de um carro de aplicativo solicitado, de um transporte coletivo e tantos outros fatores que deveriam ser literalmente ignorados em atenção a nossa saúde. Este fenômeno tem inibido nossa capacidade de pensar, criar, agir, conviver harmoniosamente e aplicar o que temos de melhor em nosso favor e em favor dos que conosco dividem os espaços comuns.

Gustave Flaubert, escritor francês, lapidou uma frase que expressa muito bem a combinação talento x paciência: “Talento significa uma enorme paciência.” É impossível colocar inverdade nessa frase.

A escritora e jornalista brasileira, Martha Medeiros na obra “Cosias da vida: Crônicas.”, nos apresenta esta impecável ponderação: “Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.” Com estas duas senhas que tal acessarmos nosso interior e inspirados pela necessidade de vivermos bem e melhor reconstruirmos, com alicerce firme, uma base que nos devolva a paciência tomada com nossa anuência na maioria dos casos.

Crônica de Ademar Rafael

FAMA

De acordo com dados disponíveis na internet a Deusa Fama, da mitologia romana, tinha como representação a figura de ‘um monstro com asas, muito agitado e de feições horríveis, com muitos olhos e diversas orelhas.’ Procurava locais de destaque e sem interrupções levava mensagens verdadeiras e falsas. Sua expectativa era estar sempre em evidência. Versões outras indicam que no entorno de onde mora perambulam multidões e espalham-se os boatos com extrema rapidez, sem importar a veracidade dos fatos anunciados, destas versões deriva o seguinte: “Rodeada da credulidade, do erro, da falsa alegria, do terror, da sedição e dos falsos rumores, fama vigia o mundo inteiro.”

A partir desta insustentável base verificamos em nosso cotidiano que muitos que conseguem a fama, pelo “milagre” das redes sociais, de “realitys shows” ou produções manipuladas nos esportes, na música e outros setores buscam por meios aqui impublicáveis manterem-se no local de destaque que, muitas vezes, chegaram sem merecimento.

Para estes, que se julgam “deuses e deusas”, o livro “Fonte de Luz”, Divaldo Franco pelo Espírito de Joanna Ângelis, traz e seguinte aviso: “Porque a vida terrestre é formada por elementos transitórios, a fama de um dia transforma-se em amargura no outro, e o abandono dos seus apaniguados impõe alucinação àquele que triunfou por um momento e desceu do pódio para cedê-lo ao competidor que o substitui…”

Destinada aos que recorrem a meios indevidos para manutenção do pódio, com sabedoria o compositor Mauro Duarte de Oliveira, na música “Lama”, eternizada na voz de Clara Nunes, traz este alerta: “… Por isto não adianta estar/No mais alto degrau da fama/Com a moral toda enterrada na lama.”

Não há erro nenhum em lutar e conseguir o lugar de destaque que seu talento e seus esforços éticos permitem, o erro está na defesa de tal posição, sem respeitar as regras. Sem limites e com ganância extrema.

Crônica de Ademar Rafael

ICQR É REALIDADE

As iniciais acima correspondes a Instituto Cultural Quincas Rafael, entidade que apresentamos em nossa crônica de 01.03.21 e que, após vencer as barreiras burocráticas, está pronta para cumprir sua missão.

De acordo com o Artigo 5º do seu Estatuto, devidamente registrado para expedição do CNPJ, tem “como finalidade principal a promoção de iniciativas e trabalhos de natureza educacional, cultural, social e de pesquisa e desenvolvimento, que promovam a divulgação de eventos relacionados com a cultura regional.”

Para cumprir seus objetivos compromete-se o ICQR perseguir as seguintes finalidades, nos termos do Parágrafo Único do artigo acima: a) promover eventos relacionados com a educação, a arte, a história, a literatura, a música e outras manifestações culturais; b) montar, manter e conservar biblioteca e acervo de mídias audiovisuais, bem como de outros meios de divulgação de seus objetivos; c) desenvolver, cultivar e aprofundar relações educativas, culturais e sociais com instituições nacionais e estrangeiras que tenham objetivos assemelhados; d) contratar ou realizar diretamente, pesquisas educativas, culturais e sociais; e) desenvolver campanhas de divulgação e difusão das atividades do Instituto; f) buscar recursos para os projetos educativos, culturais e sociais, nas leis de incentivo fiscal existentes e outros instrumentos legais, por meio de convênios e/ou contratos de parcerias; g) captar recursos financeiros junto aos órgãos públicos e privados, empresas e entidades, nacionais e estrangeiras, para viabilização dos serviços e atividades desenvolvidos pelo instituto ou aqueles que venham a ser realizados em regime de parceria com outras instituições ou pessoas físicas; h) utilizar serviços de terceiros, por meio de contratos de natureza civil, comercial ou trabalhista, tendo sempre em vista os objetivos e finalidades do Instituto sem, contudo, criar vínculos empregatícios; i) expedir certificado reconhecendo a atuação de pessoas físicas e jurídicas no auxílio e apoio aos objetivos do ICQR; j) promover exposição permanente, em formato de museu, ou temporárias de objetos pessoais que compõem a história da região; k) incentivar a preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável; l) participar do desenvolvimento sistemático de atividades de Responsabilidade Social do ICQR, através da promoção da assistência, orientação social, geração de trabalho e renda, via treinamentos em sal sede ou com seu apoio e m) promover a realização de cursos, estudos, palestras, debates, simpósios e eventos técnicos e científicos em nível básico presenciais e/ou virtuais de capacitação.

No período de 06 a 14.08.21, durante as festividades em louvor a Nossa Senhora dos Remédios a padroeira de Jabitacá, serão apresentados detalhes sobre o ICQR. A Diretoria Executiva conta com ajuda de todos que defendem nossa história, destaco nesta oportunidade todo apoio recebido do titular deste blog desde as primeiras ações em favor da entidade aqui apresentada. Para informações sobre a abrangência do projeto acessem www.institutoicqr.org ou enviem e-mail para institutoicqr@gmail.com

Crônica de Ademar Rafael

JOSÉ VANDERLEY GALDINO MARQUES

Este sertanejo, ora incluso na galeria “Pessoas do meu sertão”, poderia entrar para história como a pai de Yane Marques, destacada atleta do pentatlo moderno, medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres, ouro em duas versão es dos jogos Pan Americanos e vencedora de várias competições nacionais e internacionais. No entanto, além deste merecido destaque, vamos dar clareza para outras habilidades de Vanderley Galdino.

Vários leitores e várias leitoras desta coluna semanal não tiveram o privilégio de assistir nos campos e nas quadras a performance de Vanderley. Garanto era um espetáculo de categoria nos desarmes, sem dar pancadas, nos passes perfeitos e em finalizações impecáveis. Jogou em praticamente todos os times de Afogados da Ingazeira, com dedicação, classe e muita correção no quesito ética esportiva. Com certeza ele tem outros momentos de destaque em sua carreira futebolística. Vou limitar minha narração em duas situações.

A primeira a sua estreia no fabuloso time do Guarany, em jogo realizado no Estádio Romeirão em Juazeiro do Norte. Foi um partida para entrar na história, jogou como gente grande, demonstrou o jogador perfeito que era e calou a boca de muitos torcedores e da crítica esportiva da época. Para este cronista Vanderley jogava um futebol que transitava entre o sentido de marcação de Ardiles, campeão mundial pela Argentina e a condução de bola de Falcão, do Internacional, Roma, São Paulo e Seleção.

A segunda foi jogando futebol de salão pelo Barcelona, time que treinei, em jogo realizado na cidade de Iguaraci. Os jogadores do time base do Barcelona eram Bartó Garcia, Alex, Vanderley e Pé de Banda e seu banco de reserva era uma “grife”: Miranda, Chumbinho de Mestre Biu, Dinga de Everaldo, Dedé de Ninô, Bui de Zeca, Alírio, Dinamério. Em referida partida não podíamos contar com Alex, que não gostava de jogar fora, Bartó Garcia e Pé de Banda que faziam parte do elenco do Guarany. Vanderley e o goleiro seriam os únicos titulares. Chagamos em Iguaraci e percebemos a fria que estávamos metidos. O time era composto por quatro jogadores da cidade de Sertânia e apenas um da localidade. Ganhamos o jogo com belas exibições do nosso goleiro, de Miranda, de
Dinga de Everaldo e uma partida exuberante de Vanderley, deu um aula.

Fora dos campos e das quadras Vanderley também é craque como comunicador e narrador de jogos de futebol e circuitos de vaquejada. É, de fato e de direito, um homem com habilidades múltiplas. Conduziu com muito sucesso o programa “Pajeú Super Show” em nossa querida Rádio Pajeú. Atualmente comanda o festejado “Fim de Tarde na Fazenda”, pelas ondas da Afogados FM.

Dentre as outras muitas qualidades de Vanderly eu destaco sua dedicação e compromisso com o que se dispõe a e fazer, sua educação e suas ações em defesa do esporte e da cultura regional. Poucos pessoas conheci com tanto zelo por nossa terra e pela sua gente. Obrigado amigo.