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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

SOLUÇÃO DIFÍCIL

O Brasil segue o mundo numa tendência que busca validar a frase “Nada é tão ruim que não possa piorar.” Nesta crônica pretendo focar o caminho que alguns estudantes seguem em sua trajetória de aprendizado. Por volta de 1984 guardei da palestra de um educador da Universidade Corporativa do Banco do Brasil fenômeno o seguinte fragmento “No Brasil, lemos tão pouco, que tem pessoa que ao ler cinco livros se acha intelectual.”

Ao apresentarmos os casos abaixo e juntarmos a primeira frase acima destacada com a segunda vamos ver que ambas transitam com total liberdade nas estradas do saber em busca da validade plena.

Recentemente um educador deparou-se com as seguintes situações. Primeiro ato: Ao solicitar que um aluno uma atividade ouviu: “Professor passe outro tipo de tarefa uma vez que pra realizar esta é preciso ler e eu não gosto de ler.” Segundo ato: ao pedir que os alunos indicassem as dinâmicas que preferiam nas aulas recebe de um aluno a indicação de que deveriam “ter menos leitura.”

Ao tomar conhecimento das ponderações dos alunos busquei refletir sobre modelos aplicáveis para ensinar alunos que não gostar ler. Honestamente, por força das minhas limitações, não encontrei nada palpável. Mas, depois de muito pensar surgiram duas hipóteses. A primeira seria pelo método de abdução indicado na ufologia, ou seja, o aluno seria abduzido e durante o rapto receberia mensagens com os ensinamentos desejados. A segunda seria a massificação da instalação de um “chip” no celebro do aluno com as informações necessárias.

Tenham certeza que não estou sob efeito da confusão mental provocada pelo “delirium tremens”, nem deixei de tomar os remédios. Este texto deriva da minha incapacidade de encontrar uma forma de aprender ser ler, para este aprendiz são atividades interligadas. Nesta pisada a quantidade de livros indicada pelo educador será reduzida e a intelectualidade zerada.

Crônica de Ademar Rafael

ALTOS E BAIXOS DA VIDA

Recebi de um amigo, via redes sociais, um belo texto sobre os altos e baixos da vida. Destaquei os fragmentos a seguir transcritos para estabilizar os propósitos da nossa conversa de hoje. “Houve momentos em que não tinha R$10,00 para eu gastar, mas também já tive muito mais que R$1000,00 para gastar à toa. Às vezes você tem fartura, mas outras não tem quase nada. Já paguei minhas contas em dia e também com atraso. Já dei dinheiro para ajudar e também já tive que pedir emprestado. Todos nós temos altos e baixos na vida. Alguns certamente mais do que outros. Ninguém é melhor do que ninguém, e meu coração fica triste pelas pessoas que pensam que são…”

Por ter passado por momentos idênticos em minha vida, desejo fazer uma reflexão sobre o tema. E começo com algumas indagações. “Somos as mesmas pessoas na abundancia e na falta? Como reagimos diante da dificuldade e da facilidade? Temos a mesma prudência nos momentos de fartura e nos momento de escassez? Como nos apresentamos ao pedirmos e ao ofertarmos?”

Tenho certeza que muitas e muitos, iguais e mim, reagem de forma diferente em cada situação. O que nos leva a demorar entender que a vida tem rampas e batentes, ou mais batentes que rampas? Não há dúvida que, nas coisas que nos são agradáveis, a sobra é muito melhor que a falta. O tempo nos ensina a criar musculatura para suportar melhor as horas da dificuldade e da falta de recursos tangíveis e intangíveis, algumas vezes demora tanto que nos sufoca.

Que tal praticarmos o que nos ensina a bíblia sagrada em Jó? Encerro este texto com outros fragmentos da mensagem: “Não importa o tamanho da sua casa, quão novo é seu carro ou quanto dinheiro você tem em sua conta bancária. Todos nós morreremos um dia e eventualmente desapareceremos desta terra…Seja gentil com os outros…Seja humilde…” Acredito nos resultados positivos avindos das posturas sugeridas.

Crônica de Ademar Rafael

MAIOR PARCEIRO

Ao ler o livro “O jardineiro que tinha fé” da psicóloga americana Clarissa Pinkola Estés, famosa pela obra “Mulheres que correm com os lobos” encontrei o seguinte: “Essa é a parte que Deus não faz sozinho. Deus gosta de parceria. Cabe a nós completar o que Deus começou. Ninguém que esse tipo de queimada, esse tipo de fogo. Queremos que o campo fique como foi um dia, na sua beleza original, exatamente como queremos que a nossa vida seja como foi um dia”. O contexto onde o texto acima foi aplicado refere-se ao relacionamento do jardineiro com o solo.

Se olharmos o conteúdo da transcrição sob a hipótese do poder infinito de Deus iremos nos assustar, mas, se sobre ele nos debruçarmos com a perspectiva de que somos parte da criação de Deus com o reforço do sentido de missão que devemos carregar vamos descobrir que é possível sim firmamos parcerias com Deus.

Entendo perfeitamente que quando preservamos a natureza, respeitamos os direitos e espaços alheios, apoiamos um semelhante necessitado, amparamos uma pessoa que nos pede ajuda…estamos sendo parceiros de Deus na grande obra que é fazer o bem, sem pensar somente em nosso benefício estamos materializando a parceria que Deus nos invoca.

Da mesma forma julgo que quando provocamos destruição dos bens da natureza, atropelamos os direitos e espaços de terceiros, e negamos apoio aos que precisam de uma ação em seu favor… estamos jogando fora a convocação feita por Deus para que dele sejamos parceiros.

Qualquer um tem o direito de achar que esta viagem que estou fazendo com esta abordagem está fora da razoabilidade que é pura utopia ou algo parecido. Eu, com minhas convicções, sigo entendendo que temos algo
mais importante para fazer no mundo, defendendo a tese que Deus não nos deu inteligência para usarmos exclusivamente em nosso benefício e sim para que com nossa ações alcancemos o bem coletivo. Isto é parceria.

Crônica de Ademar Rafael

RESULTADO ZERO

Em junho de 1972, na cidade de Estocolmo – Suécia, houve a primeira grande reunião para tratar do assunto “Meio Ambiente”, foram mais de um centena de países, cento e treze para ser exato, e quatro centenas de organizações governamentais e não governamentais. Já se foram cinquenta e dois anos e a situação a cada ano fica mais grave.

Para que cada uma leitora e cada um leitor tire suas conclusões, transcrevo a seguir os objetivos da reunião pioneira sobre o tema a) Discutir as mudanças climáticas e a qualidade da água; b) Debater soluções para reduzir os desastres naturais; c) Reduzir e encontrar soluções para a modificação da paisagem; d) Elaborar as bases do desenvolvimento sustentável; e) Limitar a utilização de pesticidas na agricultura; e f) Reduzir a quantidade de metais pesados lançados na natureza.

As propostas indicadas na alíneas “a” e “b” continuam sendo discutidas e debatidas, no entanto, as ações efetivas citadas nas alíneas “c/f” são tímidas, pálidas e sem resultados palpáveis. Quem mais agride menos apoia. Bilhões foram gastos, muitos cartas de intenções impressas, muita conversa, muito boicote e pouca ação efetiva. Os efeitos estão batendo em nossas portas. Catástrofes surgem em cima da nossa omissão, no próximo ano em Belém-PA mais dinheiro jogado fora

O resultado também beira zero ao medirmos soluções dos princípios da Declaração sobre o Meio Ambiente Humano: “Descarte correto de substâncias tóxicas – Apoio à luta contra a poluição – Prevenção à poluição em mares, utilização legítima do mar – Garantia de ambiente seguro para assegurar a melhoria da qualidade de vida – Assistência financeira e transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento – Melhoria das políticas adequadas dos estados-membros da ONU – Gestão racional dos recursos naturais em benefício de toda a população – Investimento em educação e pesquisa – Eliminação completa das armas de destruição em massa, como bombas nucleares”. Até quando?

Crônica de Ademar Rafael

MODO BRASIL

Em pleno século XXI muitos gestores públicos brasileiros seguem em seus cargos como se imperadores fossem, isto é, governam com poderes soberanos, colocando seus interesses acima dos interesses do país, dos estados e dos municípios.

Na última semana de janeiro muitas notícias circularam a respeito de atividades desenvolvidas pela Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, com utilização do “modo Brasil” e distante das atribuições previstas na Lei 9.983, de 07.12.1999. Em respeito aos profissionais que atuam na agência, dotados de habilidades compatíveis com as atividades a seu cargo, não tenho intuito de entrar em detalhes sobre procedimentos, mas sugiro uma reflexão se dispositivos legais foram ignorados, se informações foram manipuladas, se objetivos foram desviados, etc.

Ao criar o órgão a Lei acima indica: “Art. 3º Fica criada a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN, órgão de assessoramento direto ao Presidente da República, que, na posição de órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência, terá a seu cargo planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de inteligência do País, obedecidas a política a as diretrizes superiormente traçadas nos termos desta Lei. Parágrafo único. As atividades de inteligência serão desenvolvidas, no que se refere aos limites de sua extensão e ao uso de técnicas e meios sigilosos, com irrestrita observância dos direitos e garantias individuais, fidelidade às instituições e aos princípios éticos que regem os interesses e a segurança do Estado.”

Referido dispositivo legal define, com extrema clareza, outras competências para ABIN, que carrega consigo traços do Serviço Nacional de Informações – SNI, instituído pela Lei 4.341, de 13.06.64 para servir ao regime militar. Esta herança não invalida a importância da ABIN no fornecimento de dados confiáveis ao Presidente, no mundo da tecnologia a inteligência não pode ser descartada.