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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

CARIDADE

É consenso que nos períodos do natal, quaresma, outras datas simbólicas ou diante de catástrofes elevamos o nosso pensamento para prática da caridade. Portanto, cabe a seguinte pergunta: Nos dias não alcançados por tais épocas deixamos de lado nossos propósitos caridosos?

A resposta pode ser “sim”, “depende” ou “não”. Cada pessoa dosa seu comportamento relativo à caridade com a medida do seu coração. Sendo assim não podemos ter resposta única. Nossa reflexão é se a prática da caridade precisa sem invocada e deve obedecer o modelo automático?

O conceito a seguir transcrito indica é que é caridade. “Do latim ‘caritas’, caridade é uma virtude teologal da religião cristã que consiste em amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. Trata-se, portanto, de um amor sem segundos interesses.” Ao partir do princípio que a ‘caridade’ junto com a ‘fé’ e a ‘esperança’ forma o trio de virtudes teologais sempre vinculo a sua prática à minha formação religiosa.

Do livro “O diálogo”, considerado a síntese do pensamento de Santa Catarina de Siena retiro os seguintes fragmentos: “Nenhuma virtude tem valor sem a caridade, no entanto é a humildade que forma e nutre a caridade” – “…as virtudes se fundamentam no amor pelos outros; é da caridade que as virtudes recebem a vida” – e “Convence-te de que a caridade está intimamente unida à paciência; impossível perder uma delas sem perder a outra”. 

Em qualquer busca que fizermos sobre as pessoas mais caridosas do mundo ou do Brasil vamos encontrar pessoas milionárias e famosas que muitas vezes usam a caridade como forma de fixar suas imagens no mundo da fama. Neste ponto entendo que a frase judaica A caridade deve ser anônima. Do contrário é vaidade” é aplicável. Mas este não é o intuito desta crônica, sua mensagem principal é fazer uma invocação: “Vamos praticar a caridade todos os momentos da vida, sejamos caridosos.”

Crônica de Ademar Rafael

FOTO COM FILTRO

Tem sido comum em nosso país vermos agentes públicos com mandatos eletivos, indicados, nomeados ou concursados nas três esferas União, Estados e Municípios e nos poderes Executivo, Legislativo  e Judiciário abdicarem aos princípios básicos da Administração Pública: “Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”, adormecidos no Artigo 37 de Constituição Federal em favor da popularidade e da quantidade de seguidores nas plataformas virtuais.

Esses falsos defensores da democracia fogem da alternância do poder e dormem abraçados com a perpetuação nos cargos no modelo das “capitanias hereditárias”. Uma leitura rápida pode ligar estes comportamentos à questão da reeleição nos cargos do executivo, no entanto um mergulho profundo no tema não encontra amparo para esta justificativa hipótese nos demais cargos.

Assusta-nos verificar que a essa pratica é alimentada pela percepção de uma sociedade doente, que mede o desempenho dos gestores pelos níveis de popularidade e pelo quantitativo de seguidores nas redes sociais, com isto os princípios acima enumerados pulam do estágio “adormecidos” para o patamar  “mortos”.  A vulgaridade banca a nociva prática.

Todas as vezes que vejo elevados gastos com campanhas publicitárias de agentes públicos, especialmente do Executivo e Legislativo, assim como a excessiva exposição em redes socais percebo numa “foto com filtros” a cara de um projeto de nação que tudo permite em favor dos seus mandatários. Os custos de  tais publicações sugam os recursos restritos e impedem que sejam usados em favor dos brasileiros.

Em minha opinião, respeitando as opiniões contrárias, entendo que a polaridade perseguida deveria ter origem numa gestão de acertos e jamais dependerem de reiteradas mensagens nos diversos canais das mídias socais. Não é este o entendimento das autoridades, uma pena.

Crônica de Ademar Rafael

TRAGÉDIAS NA TRAGÉDIA

Qualquer ser humano com o mínimo de bom senso não concorda com o posicionamento que pessoas sem cargos eletivos, políticos e jornalistas estão adotando diante dessa tragédia que atingiu o povo gaúcho. É inadmissível vermos pessoas sem o mínimo de sensibilidade no coração manipular fatos, politizar e banalizar o sofrimento das vítimas e das ações empreendidas pelos governantes para abrandamento da catástrofe. Neste texto cito três situações que incomodam.

A primeira são as postagens das redes sociais que abordam a situação com sentimento preconceituoso, narrando depoimentos de pessoas do sul em relação aos nordestinos. Ora essa discriminação indefensável não pode ser utilizada em um momento da angustias e perdas. Esse posicionamento separatista sempre houve e continuará existindo com ou sem calamidades em qualquer dos territórios envolvidos. A briga Sul x Norte é vergonhosamente histórica.

A segunda são os pronunciamentos com cunho ideológico de políticos e empresários. É preciso entender que se não quer ajudar fique em silêncio. Uma manifestação desproposital anula muitas vezes uma ação em andamento. Todos podem contribuir com atos e atitudes. Politizar, comparar ou jogar no campo ideológico o sofrimento alheio é, no mínimo,  ação desaconselhável.

A terceira são publicações de alguns órgãos da imprensa nacional, que teimam em ser seu esgoto. Charges, editoriais e pautas deslocadas do atendimento das necessidades do povo gaúcho é ato condenável. Novamente ao serem questionados citam a liberdade de expressão.

Nosso país, sequelado por desigualdades sociais históricas, não merece esse tipo de comportamento. Os gestores públicos municipais, estaduais e federal, dos três poderes precisam agir mais e falar menos. Os brasileiros exigem respeito. Abaixo o preconceito, a mentira e o descaso.

Crônica de Ademar Rafael

SEJA DONO

Neste mês que se inicia com o feriado dedicado ao Dia do Trabalho nossa reflexão de hoje será sobre a condição que cada uma e cada um deve dar no direcionamento da sua carreira. De pronto destacamos que terceirizar a ondição de sua vida profissional é caminho tortuoso. O ideal é seguir a rota definida no título desta crônica.

Se alguém perguntar de há uma receita pronta para condução do assunto eu entendo que não. Fiquei praticamente trinta anos numa única empresa, o Banco do Brasil. Nos dezessete anos que nos separa da minha aposentaria em 2007 já atuei em mais de dez atividades como funcionário de empresa pública, privada, do terceiro setor e como consultor autônomo. Esta é a maior prova que passei a ser dono da minha carreira. Sempre dando mais destaque ao cidadão do que ao profissional.

Este posicionamento não significa ser descuidado com o lado profissional é entender que cargos são transitórios e por isto não podemos nos anular como pessoa em função deles. O cidadão vai do berço ao túmulo. Este discurso repito constantemente com meus alunos. É fácil? Claro que não. Em muitos momento teremos que negociar e
renunciar, sem trocarmos nossa dignidade por cargos ou poder.

O mentor de carreiras Luciano Santos em seu livro “Seja egoísta com sua carreira” aponta caminhos a serem trilhados por quem deseja assumir o controle de sua vida profissional. Sugere, com exemplar clareza, que devemos ter sempre um plano “B”, que devemos declarar nossas intenções sem medo, que devemos buscar a pluralidade; que devemos estudar continuadamente…

Parte destas sugestões apliquei em minha vida e obtive os resultados que esperava. Talvez a minha opção por não me encartar com as alegorias dos cargos que exerci tenha facilitado minha cainhada. Sugiro: “Busque seu espaço com ética, valores morais e sendo dono da carreira”.

Crônica de Ademar Rafael

ALEGRIA

A poetisa paraibana Ceiça Sousa, para uma coletânea de glosas, sugeriu o seguinte mote: “Como é bom ser diferente/Neste mundo dos iguais”. Inspirado nesta sugestão apresento o seguinte mote: “Como é bom ter alegria/Neste mundo de tristeza”. A partir desta ponderação quero expor minha visão sobre o tema e levar cada leitora e cada leitor a uma reflexão.

Em uma das agências do Banco do Brasil que administrei havia uma telefonista que era detentora de uma alegria contagiante. Ela trazia consigo uma marca sedimentada que poderia ser lida da seguinte forma. “Seu mau humor e sua agressividade não contaminará minha alegria”. Baseado neste mantra ela superava todo tipo de situação em sentido contrário e sua forma de encarar o cotidiano.

Algumas vezes eu chegava para esta colega e repetia a frase “Tire seu sorriso do caminho/Que eu quero passar com minha dor”, que faz parte da música “A flor e o espinho”, de Nelson Cavaquinho. Ela com o seu sorriso dizia: “Passe rápido chefe”. Este posicionamento atesta que alegria extrapola a sentido dado pela psicologia e entra no estágio do estado de espírito.

Como estado de espírito encontramos a seguinte definição: “…abordagem que nos lembra que a felicidade não depende de fatores externos, mas sim da forma como interpretamos e lidamos com as situações da vida. Ela nos convida a cultivar uma mentalidade positiva, buscar o autoconhecimento e encontrar alegria e satisfação internamente”.

Assim sendo, a sugestão “Como é bom ter alegria/Neste mundo de tristeza” deve ser respondida com a percepção individual. Vejo com muita clareza algumas coisas: “Alegria é igual motivação, vem de dentro – Viver alegre não é ser insensível na forma lida no universo da tristeza e sim uma forma de viver com leveza – Terceirizar a condição de ser alegre é abrir mão de uma prática saudável”. Tirem suas conclusões com alegria.