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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Quem salvará Dilma?
No próximo ano, nesta época, a campanha presidencial estará entrando na fase decisiva, antecipamos agora uma versão atual sobre o pleito.
Recentemente em conversa com um político paraense que tem expectativa de ver o PT distante do Palácio do Planalto, ouvi o seguinte: “Nossa única chance é enfrentarmos Dilma com chances de vencer a disputa. A tática será levar a eleição ao segundo turno e dispararmos artilharia pesada. Dilma não tem a habilidades para suportar um tiroteio cerrado, como o que foi disparado contra Lula no segundo turno que enfrentou Geraldo Alckmin. Sua conhecida carga explosiva repetirá o destempero de Ciro, ela cometerá erros irreparáveis”.
Concluiu meu interlocutor: “Caso Dilma apareça sem chances Lula será o candidato e aí adeus vitória. O “sapo barbudo” reverte qualquer situação, tem carisma, densidade eleitoral e alto poder de convencimento”.
Eu particularmente concordo com quase tudo. Não tenho dúvida que o estopim de Dilma é de material muito mais inflamável que o do seu padrinho político. Vi, como eleitor de Ciro, a derrocada da sua candidatura após cair em armadilha preparada pela turma de São Paulo, antigos companheiros. Ficam as seguintes indagações: Lula terá saúde para enfrentar o embate? Dilma abrirá mão da disputa facilmente? Haverá união das candidaturas derrotadas no primeiro turno em favor da oposição?
O tempo se encarregará de responder tais perguntas. O problema é que cada resposta tem prazo de validade. A favor de Dilma existem os seguintes pontos: Ela tem a caneta, grande aliada nas disputas eleitorais do Brasil. Aécio não terá espaço de brigadeiro, no tempo certo, o grupo paulista apresentará o “kit maldades”. Eduardo Campos não tem densidade nacional e nem apoio pleno do partido que julga comandar. Marina repetirá a votação de 2010, seus votos são de adeptos a uma causa, não derivam de um projeto nacional.
Uma coisa é certa, o Brasil merece melhores opções.  

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

A viola e o povo.
Os organizados da 87ª festa da padroeira de Tabira – PE, Nossa Senhora dos Remédios, deram uma demonstração exemplar de preocupação com a cultura regional.
Ao inserir entre as atrações profanas o festival de violeiros a organização materializa o modelo que julgamos salutar para preservação das nossas raízes culturais. A terra de Dedé Monteiro merece e agradece atos da espécie.
No dia 13.08.13 um grande número de admiradores da cantoria de viola, de todas as idades, permaneceram atentos às apresentações até o final, numa demonstração fidedigna da perfeita sintonia entre a viola e o povo.
Sebastião Dias, prefeito e cantador de viola, fez uma apresentação especial e prometeu ampliar o apoio ao evento no próximo ano. Esta postura é sempre bem vida e inibe a banalização da cultura provocada pela contratação de artistas de renome nacional sem identificação com os valores culturais da comunidade.
As apresentações das seis duplas, do convidado especial e dos três declamadores serviram para abrandar um pouco o desconforto que o sertanejo enfrenta com a estiagem. O assunto seca esteve presente nos motes de sete e dez linhas, bem como em tema de sextilhas, estilo com o qual cada dupla de cantadores fez abertura da participação.
A dupla vencedora Rogério Menezes e Zé Viola foi merecedora do prêmio e a comissão julgadora fez justiça ao apresentar a classificação final. O ambiente de harmonia entre os participantes também merece destaque, não percebemos clima de insatisfação após anúncio dos resultados.
Quem esteve presente na Praça Gonçalo Gomes presenciou uma noite onde a cultura do Pajeú foi muito bem representada, afinal na cidade que promove a Missão do Poeta o clima é sempre favorável para os artistas das rimas. Esperamos que o exemplo de Tabira possa sensibilizar as autoridades da região no sentido de preservar o que temos de melhor, nossa invejável cultura popular.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Muito mais que um índice.
Há mais ou menos quinze anos minha filha Raissa perguntou: Pai porque você sempre vai para onde o Banco do Brasil manda? E completou: Alguns colegas meus disseram que os pais deles negaram-se ir para cidades distantes. 
Sem elementos suficientes para convencer minha filha aleguei que eu sempre fora indicado para locais que julgava conveniente trabalhar, nunca fui obrigado trabalhar onde não queria. Na minha resposta tinha muita verdade, acredito que toda cidade tem encantos que podem tornar a permanência em algo indolor.
Não exatamente nesta ordem trabalhei em Afogados da Ingazeira, Bodocó, São José do Egito e Tabira, em Pernambuco; Barbalha, Jardim e Missão Velha, no Ceará; Belém, Marabá e Rio Maria, no Pará; Barreiras, Luís Eduardo Magalhães (Mimoso do Oeste), Serrinha e Vitória da Conquista, na Bahia; Itanhomi, em Minas Gerais e Maracaju no Mato Grosso do Sul.
Em cada uma delas procurei extrair o melhor e com isto ter uma convivência harmônica no ambiente de trabalho, nas farras e na vida social. O lado bom sempre foi muito maior que o lado ruim, o primeiro eu tentava ampliar e o último procurava mitigar.
Vendo os dados da última medição do IDHM – ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO MUNICIPAL de referidas cidades, cujos resultados apresento somente nos dois extremos percebo o quanto minha leitura difere da leitura dos organizadores da pesquisa. Os números são perversos com referidas localidades e consideram apenas variáveis contempladas no estudo, isto é pouco perante o todo ali existente.
    
As cidades melhores classificadas no IDHM foram Belém (0,746), Maracaju (0,736) e Barreiras, suas classificações no âmbito nacional foram, respectivamente: 626º, 876º e 1.266º. No outro extremo encontramos Bodocó (0,565), Tabira (0,605) e Jardim (0,614), cujas classificações nacionais respectivas são: 4.941, 4.029 e 3.820. Índices são manipuláveis, pessoas nem sempre. Viva as pessoas e a individualidade de cada cidade.


Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

A evolução da festa da padroeira de Jabitacá.
Como é maravilhoso perceber quando nosso entorno muda e preserva o essencial, ganha nova roupagem e mantém núcleo intacto. Estes fenômenos pude ver durante a festa de Nossa Senhora dos Remédios, na versão cento e dez.
As banquinhas que outrora tinham bolo caseiro, piabas assadas em fogões feitos com latas de querosene e bebidas, no máximo cinco variedades, foram trocadas por barracas que vendem espetinhos, bebidas em lata, garrafa, coquetéis feitos na hora com frutas e bebidas ao gosto dos fregueses, red bull e tantos outros insumos “cachacistas” como diria Dias Gomes.
Outra grande evolução que percebi no domingo, dia 11.08.13, foi a troca das cavalhadas (argolinhas) que empresário rural de família tradicional de Jabitacá promovia por um evento organizado por diversos Moto Clubes de cidades nordestinas. 
Os jogos de argolinha herdados dos tempos medievais, identificados em eventos promovidos por Maurício de Nassau e praticados por cavalheiros do sertão, sob a batuta de Antônio Teixeira, perdeu espaço para motos de todas as matizes, as alegorias e adereços das cavalhadas foram permutados por bandeiras, lenços, roupas de couro e medalhas. Não nego gostei muito do evento que os amantes dos veículos de duas rodas nos proporcionaram. 
A preocupação com a segurança é um ponto a ser destacado na apresentação dos membros dos diversos moto clubes. Neste quesito registro nota máxima com louvor. É de extrema importância verificar que aspectos relacionados com segurança estão em pauta.
Ultrapassada a parte profana posso afirmar que é emocionante percebermos que o respeito para com as cerimônias religiosas continua como nos tempos idos. Verificar as pessoas assistindo as celebrações na praça e na calçada da igreja como se estivessem no interior do templo é algo a ser destacado, salta aos olhos.  Os devotos de Nossa Senhora dos Remédios merecem um aplauso fervoroso, do tamanho da sua fé.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Jabitacá merece respeito
Uma das coisas mais gratificantes para um poeta é poder anunciar o sentimento de inconformidade dos seus pares em seus escritos, nesta condição esta crônica foi produzida.
Que fique claro e cristalino que não tenho nada contra Iguaraci e seu povo. Naquela cidade tive o privilégio de fazer o exame de admissão e estudar o primeiro ano do segundo grau. Isto, contudo, não me impede de ser leal na missão recebida.
Quincas Rafael, no poema JABITACÁ anuncia, entre outras verdades. ”As Varas pode viver sem precisar de ninguém”. Sei que o mundo cooperativo conspira em favor do bem estar, assim como sei que o mundo que segrega depõe contra a equidade. O povo combativo de Jabitacá jamais se conformará com injustiça isto seria o mesmo que ignorar as memórias de Seu Pereira, de Zé Teixeira, de Manoel Rafael, de Paulo Rato e de tantos outros que lutaram em favor deste pedaço do sertão.
As pessoas simples de Jabitacá não querem migalhas, cargos ou favores dos governantes. Os moradores humildes de Jabitacá querem respeito, dignidade e tratamento igual. Uma transferência de um servidor, uma pequena obra embargada pela burocracia ou um entulho não retirado em tempo hábil fere de morte direitos que deveriam ser defendidos pelas autoridades constituídas.
Em um país onde ter a posse e todos os direitos sobre um ser humano, na época da escravidão, ter suas finanças confiscadas, no governo Collor, dizer que está agindo na forma da LEI pode até ser legal. Indaga-se, no entanto, se o ato é moralmente defensável.
Quando Jabitacá luta contra tudo e todos pela sua emancipação, não o faz contra Iguaraci, procede em favor de ideais que jamais podem ser esmagados. O povo de Jabitacá, guiado pela luz da padroeira Nossa Senhora dos Remédios, com a lucidez de Padre Antônio, seu guia espiritual por tantos anos e conduzindo o pensamento solidário e libertário de Quincas Rafael espera, com altivez, receber o tratamento previsto na Constituição Federal dos governantes do Município, do Estado e da União.

Por: Ademar Rafael