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CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

RAFAELOS PARLAMENTOS

Diante da nossa mania de apontar o dedo em direção às Câmaras de Vereadores, às Assembleias Legislativas, à Câmara dos Deputados e ao Senado para denegrir a imagem de tais instituições em época de votações de alto interesse do executivo, movidos pelas denúncias de favorecimentos aos parlamentares, nesta penúltima crônica de 2014 convido os internautas para uma reflexão sobre como operam os parlamentos no Brasil e no mundo.

Neste mesmo espaço em 18.03.13 na crônica “O xerife virou inspetor de quarteirão” fiz alusão à forma que ocorreu a votação das propostas do Presidente Abraham Lincoln, conforme cenas do documentário “Lincoln, de 2012”.

Nesta oportunidade transcrevo texto do livro “Como a picaretagem conquistou o mundo – Equívocos da modernidade”, de Francis Wheen. Ao narrar à votação que selou a queda do trabalhista James Callaghan e levou a conservadora Margaret Thatcher ao poder.

Assim escreveu o repórter do Reino Unido: “O debate foi precedido por barganhas febris e, em muitos casos, burlescas. Depois de conquistar os nacionalistas galeses na última hora, mediante a promessa de um novo projeto de compensação para os mineradores de carvão que sofrem de doenças pulmonares… O Ministro do Trabalho, Roy Hattersley, deu a Frank Maguire, deputado independente por Fermanagh e South Tyrone, três garrafas de uísque e a promessa de uma investigação sobre os preços dos alimentos na Irlanda do Norte. Alguns unionistas do Ulster tentaram sem sucesso trocar seus votos pelo compromisso da construção de um dispendioso gasoduto para o gás natural sob o mar da Irlanda”.

Em referida obra Wheen afirma que a Dama de Ferro antes de assumir o posto recitou palavras de São Francisco de Assis oportunas para o momento, segundo seu juízo de valor.

Da forma que na crônica de março de 2013 apresentei dados comprovando que o “mensalão” não foi criação da dupla Marcos Valério e Eduardo Azeredo agora apresento fatos que garantem que a paternidade da politica “dando que se recebe” não é do nosso parlamento, conforme mencionou o Deputado Roberto Cardoso Alves, líder do Centrão na época de Sarney.

Precisamos entender que o parlamento é o universo dos debates, das negociações, dos acordos e das trocas de favores. O problema é que nossos parlamentares, alguma vezes, têm exagerado na dose de favores e as compensações algumas vezes são impublicáveis em ambientes onde a moral se faça presente. Neste momento vamos perdoar nossos “negociadores” e orar para que sejam franciscanos na cobrança da fatura.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

PLANOS DE SAÚDE

Os planos de saúde no Brasil jogam por terra uma das máximas do mundo dos negócios que afirma: “O negócio é bom quando é bom para os dois lados”. Esta teoria foi perfeitamente adaptada por Celso Russomanno para angariar votos, via programa popular em que as operadoras de planos de saúde têm presença contumaz.

O mercado de plano de saúde possivelmente é o único setor da economia que é ruim para os quatro lados. As operadoras dizem que o sistema está em fase de exaustão, os usuários enchem os PROCONS e as ouvidorias de reclamações, as clínicas e os médicos dizem que o sistema é péssimo e a ANS – Agência Nacional de Saúde reconhece as deficiências e fica brincando com as operadoras. Suspende a venda de determinados planos, autoriza comercialização dos mesmos com nova roupagem e assim a roda gira.

Para tentar entender vamos aos números. Em 2013 o sistema que conta com algo próximo a mil operadoras faturou R$ 108 bilhões em mensalidades e contrapartidas de 50 milhões de usuários. Segundo dados oficiais as despesas das operadoras ficaram em torno de R$ 90 bilhões no mesmo período.

Em uma economia que cresceu somente 2,3% ao ano quem explora uma atividade com lucro de 16,6% no mesmo horizonte temporal – R$ 18 bilhões (R$ 108 – 90) -, alegar exaustão é algo estranho. Outro fato que causa perplexidade é o em 2014 o setor continua crescendo em faturamento e número de adesões. Que crise é esta amigas operadoras?

Para os usuários o sistema é bruto. No dia 31.07.14, por volta de 11h30min, fui a uma grande clínica na cidade de Porto Velho-RO para marcar uma consulta com um especialista utilizando meu plano de saúde. A atendente comunicou que teria vaga no dia 20.08.14. Perguntei: “Se for pagamento em dinheiro?”. Ela respondeu: “Temos vaga hoje às 14 horas”. Esta situação é repetida, com maior ou menor prazo em todo país.

As clinicas e os médicos alegam que os valores pagos pelos planos de saúde não cobrem os custos. Os médicos abrem o jogo: “Como posso deixar de atender um paciente que paga R$ 350,00 por uma consulta para atender um usuário de um plano que repassa R$ 40,00? Tenho custos elevados”.

A Agência Nacional de Saúde tem uma vinculação promíscua com o setor, é menor que a força dos fiscalizados, diz que fiscaliza e nada faz. Suspensão de vendas de planos não atinge o bolso das operadoras o volume de recursos dos planos contratados continua ingressando no caixa.

Uma coisa é certa os usuários têm razão plena em reclamar, os médicos têm razão parcial. Quanto às razões das operadoras e da ANS? Decida você caro leitor.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

ademarATÉ QUANDO?

Sempre que são realizadas as provas dos famigerados ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes e ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio é o mesmo “lengalenga”.

São questões burramente respondidas, quesitos e mais quesitos anulados pela indústria de cursinhos e vazamento de temas de redação, gabaritos e outros. Um dia entenderei porque o Ministério da Educação continua insistindo em “coisas” tão manipuláveis como os “exames” em questão.

As faculdades e as universidades brasileiras buscam de forma “criminosa” estimular seus alunos a demonstrarem, durante as provas do ENADE, uma capacidade que não têm. São cursinhos, atividades de nivelamento, seminários e outros mecanismos para tentar fazer o que deveria ter sido feito durante os cursos: Formar bons profissionais.

Para alcançar a nota CINCO vale tudo e muito mais. Ao ser publicado o edital com as regras a “corrida maluca” é iniciada. As gráficas imprimem provas anteriores, provas com similaridades extraídas de concursos públicos, apostilas, simulados e outras ferramentas. A ordem geral é: Decore e faça uma boa prova, sua instituição de ensino deve ficar bem na foto.

A compensação vem de vários formatos. São prêmios, notas adicionais em provas regulares, viagens, descontos em mensalidades. A criatividade não tem limite. O Ministério da Educação tudo sabe e nada faz para impedir.

No caso do ENEM o estrago é maior. O certame é a porta de entrada para grande número de faculdades e universidades brasileiras e é pré-requisito para adesão a programas do governo dentro e fora do país.

Já fomos classificados para ingressar em cursos superiores pelos “vestibulares unificados”, provas regionalizadas, vestibulares autônomos da cada instituição e outros modelos. Hoje o ENEM dar as cartas.

Nos grandes centros os cursinhos jogam os estudantes em programas de imersão, com cem, duzentos alunos aglomerados em espaços que cabem menos da metade e tome “lavagem cerebral”, tome conteúdos de origem duvidosa. A receita é: Seja gênio somente no dia da prova, depois é empurrar o curso com a barriga e fazer um nivelamento para o ENADE.

Nada disto invalida o ingresso dos bons alunos, aqueles que se prepararam, em cursinhos sérios, por meio de metodologias testadas, contudo joga no mesmo ambiente alunos preparados e alunos que decoraram um conteúdo para passar em um certame manipulável. Vamos incentivar os cursinhos com sentido de missão que buscam formação e não apenas aprovar uma legião de analfabetos funcionais, gênios da decoreba.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

BLOG DO FINFA, ANO TRÊS.
Costumo dizer, em salas de aula e em bate papos, que conheci o que é dificuldade quando, nos anos 80, administrei parte da construção da AABB de Barbalha-CE – com recursos  do Banco do Brasil – e, logo após, com meu dinheiro, administrei a construção de uma casa em Juazeiro do Norte-CE.
Esta exagerada analogia serve para tentar medir as dificuldades encontradas por Júnior Finfa ao deixar a estrutura do “blog do Magno” para, após rápida passagem pelo “Blog do Sertão”, do primo Igor Mariano, iniciar as atividades por sua conta e risco, fundando o “Blogdo Finfa”.
Desde o início, acompanho de longe a luta deste guerreiro do Sertão. Finfa tem sido repórter, fotógrafo, redator, vendedor de espaço publicitário, motorista e tantas outras atividades inerentes ao pequeno empresário em nosso país.
Os espinhos que muitos atiram em seu caminho muitas vezes furam o pé; em outras, são pisados de forma indolor e não há tempo para sentir a furada. O bom é que Júnior não os atira de volta, poucos têm capacidade de perdoar igual ao filho do Sr. Zezito Sá (in-memorian)  e de Dona Beta.
Caso um décimo das pessoas que Finfa ajudou retribuíssem com o mínimo apoio ao projeto, muita dificuldade não teria aparecido mas, gratidão é algo raro. Muitos que criticam Finfa não têm um centésimo da sua capacidade e um milésimo da sua coragem. O mundo é assim mesmo: impera a critica banal, gratuita e imerecida.
Na condição de usuário deste espaço, a cada matéria publicada vibro com o sucesso do “blog”. Todos os dias a leitura dos registros é uma das minhas primeiras obrigações.
Comemorar dois anos de um projeto dessa magnitude é para vibrar, agradecer a Deus e aos amigos leais. É transformar as críticas em energia positiva e partir na direção da primeira década de vida; e debruçar o olhar para frente e esquecer o retrovisor.
Recentemente, li um texto sobre a individualidade das cordas de um violão e o resultado da ação conjunta delas, através da ação do músico que transforma o individualismo em um trabalho coletivo, numa teia inseparável. 
Assim deve agir o meu amigo Finfa: Pegar cada fragmento das dificuldades e transformar sua soma em energia positiva. Tal energia deve mover: credibilidade, informação tempestiva, valores morais e sentido de missão.
Outros novembros virão, as dificuldades continuarão surgindo teimosamente. A diferença é que a musculatura foi criada. A coragem e o carisma, marcas registradas de Finfa, cuidarão da limpeza da trilha de sucesso.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

A RUA…

O antropólogo Roberto Da Matta, em seu livro “O Que faz o brasil, Brasil?”, traça um lógico paralelo entre a casa e a rua. Além de abordar que tais ambientes se completam ele afirma “A rua compensa a casa e a casa equilibra a rua”. Essa convivência é algumas vezes pacífica outras vezes conflituosa.

Eu, particularmente, gosto mais da rua; nela encontro a diversidade que alimenta meus sonhos, minhas tentações e fomenta o conforto que encontro em casa.

Como amante de feiras livres, depois da praia, o ambiente público mais democrático do Brasil, percebo sua perfeita harmonização com as características da rua: Trabalho e liberdade caminhando juntos.

A rua acolheu os manifestantes da “Primavera de Praga”, em 1968, na Tchecoslováquia e da “Revolução dos Cravos”, no ano de 1974 em Portugal. No Brasil poderíamos citar o movimento das “Diretas Já”, os “Caras Pintadas” da era Collor e as manifestações de 2013.

Fora da área política, destacamos o rebuliço do espaço durante o carnaval. “O galo da madrugada”, em Recife; “Os bonecos de Olinda” e os circuitos “Barra/Ondina e Campo Grande/Praça Castro Alves”, em Salvador, fazem da rua o mais eletrizante ambiente do mundo.

O cenário também recebe grande manifestações católicas como: o “Círio de Nazaré”, em Belém-PA; o “Pau da Bandeira” em Barbalha-CE, as procissões da Santa Luzia em Mossoró, Nossa Senhora da Conceição em Recife-PE e Nossa Senhora de Penha em Vitória-ES, podem ser citados como as de maior destaque.

Portanto, nada mais democrático que a rua. O perigo é quando tentam fazer de um movimento minúsculo uma coisa grandiosa. Assim foram os movimentos denominados “Fora Dilma” e “Fora PT”, após o resultado do segundo turno da eleição presidencial.

Qualquer cidadão minimamente coerente deseja imediata mudança no governo petista, contemplando os quesitos redução do aparelhamento do Estado e da corrupção. O primeiro para níveis aceitáveis e o último combater até zerar. Agora tentar via prática do “quanto pior melhor” na rua, iludindo grupos
manipuláveis é outra coisa.

Tivemos a oportunidade de mudar pelo voto, única receita apesar de comprovadamente ineficiente, não o fizemos. Agora é democraticamente esperar pelo próximo pleito. Quem pede a intervenção militar deve ter suas razões. Difícil é encontrarmos, nas experiências anteriores, nutrição para

liberdade almejada. Devagar, a rua não pode servir para este tipo de coisa.

Por:Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

O PRODUTO E A EMBALAGEM
No domingo 26.10.14, enquanto esperava o desenrolar da votação do segundo turno, fui a uma livraria e comprei “O lado B dos candidatos”, publicação assinada pelos jornalistas Chico de Gois e Simone Iglesias.
Traz referida obra detalhes sobre os comportamentos de Aécio, Dilma e Marina na “vida humana” como disse Zé Marcolino em uma das suas criações. Tais comportamentos são divulgados somente se agregarem valor à imagem pública, em crivo dos marqueteiros da cada um.
No livro poderemos ler as dissimulações de Aécio, as brutalidades de Dilma as dúvidas de Marina e outros traços das suas biografias não trazidas ao público em geral por serem politicamente incorretos. 
Após a leitura podemos afirmar com toda certeza: O que nos apresentam os marqueteiros é um produto manipulado, maquiado e encoberto com uma embalagem moldada sob medida para cada oportunidade. Ou seja, o produto é detalhe, importante mesmo é como ele será visto.
Neste ponto a grande imprensa, que luta bravamente pela total liberdade de expressão, fecha muito bem seus olhinhos e ajudam na construção de um produto desprovido de qualidade tal qual às “chinelas japonesas” dos anos 60.
Foi assim que compramos Collor, Pitta, o “Galegin dos ói azul” e tanto outros. Uma vez colocados em uso percebemos que fomos enganados, ai é tão tarde quanto à morte de Inês. 
Existe cura para manipulações do gênero? Somente com vergonha na cara dos postulantes poderíamos mitigar os riscos. Como esta substância é incompatível com o DNA da esmagadora maioria dos nossos governantes sobra somente à delação não premiada de um ex cônjuge ou de um antigo aliado. Voltamos, portanto para estaca zero, isto é, descobriremos somente após a posse.
Casos da espécie nos remetem a um diálogo sobre a demissão de executivo de uma grande organização, detalhado no livro “Quem”, de Geoff Smart e Rady Street. Ao indagar sobre o real motivo da sua demissão o executivo ouviu do Presidente do Grupo: “Veja bem, contratei seu currículo. No entanto, infelizmente, o que recebi foi você”.
Outra saída é utilizar o método que uma sofrida eleitora da periferia de uma cidade de médio porte no interior do Brasil lançou mão. Após várias tentativas ela foi finalmente atendida pelo prefeito com um humor comparável aquele que acompanha uma “ressaca” de uísque falsificado. Ao notar a diferença ela disse: “Quero ser atendida por este aqui” e sacou da bolsa uma fotografia do prefeito durante a campanha, onde ele aparece sorridente e abraçando todo mundo e entregou ao mutante. Difícil é chegar até o eleito.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

FALSOS DEUSES

Carlos Drummond, em crônica datada de 23.02.1980 para o Jornal do Brasil, gastou tinta para responder uma das malícias desta praga que chamam VEJA. Assim desculpou-se dos seus leitores: “A revista Veja tirou ilações maliciosas do livro de Micelli, mas isto não altera a verdade do que foi exposto acima. Tenho dito, e desculpem os leitores este capítulo de menor interesse”.
Tenho a mesma sensação ao tentar escrever sobre o preconceito orquestrado “de vez em quando e de quando em vez”, como musicou Gonzagão, por uma minoria sulista contra os nordestinos. Perdoem-me por ocupar o tempo de vocês com assunto tão irrelevante.
No entanto, como nunca fugi da luta, toco no assunto criando uma missão para esta parte da população dos estados sulistas que se julgam superiores. Por ser nordestino já fui discriminado em Maracaju, no Mato Grosso do Sul em 1985 e em Mimoso do Oeste, na Bahia em 1998, por minúscula parte de sulistas que residiam em tais regiões. Nos dois casos com trabalho obriguei-os a mudar de opinião. Como essa gente acha que são deuses vou dar para eles doze trabalhos, tal qual recebeu e executou Hércules o herói da mitologia grega.
Volto e debater como eles na hora que for apresentado um vivente nascido do lado de lá que possa ser equiparado a Ariano Suassuna (Dramaturgo), Rogaciano Leite (Poeta), Mestre Vitalino (Artesão), Luiz Gonzaga (Músico), Paulo Freire (Educador), Celso Furtado (Economista), Dom Helder Câmara (Religioso), Delmiro Gouveia (Empreendedor), Dais Gomes (Autor), Rachel de Queiroz (Escritora), Glauber Rocha (Cineasta) e Chico Anísio (Humorista). 
Considerando que eles podem levar tempo para cumprir a tarefa vamos mudar o rumo dessa prosa. Recebi da amiga Leni CD (Em canto e poesia), autografado pelos “mininodebia”, gravado no Teatro Santa Isabel. O mesmo espaço que em 1948, durante o I Congresso Regional de Cantadores de Viola – idealização de Rogaciano Leite e Ariano Suassuna-, assistiu a plateia vibrar com as peripécias dos cantadores do Pajeú agora viu o público ir ao delírio com Marinho, Greg e Miguel. Os convidados adicionaram um tempero que somente existe no nordeste: Arte limpa e pura.
É possível que estes falsos deuses que discriminam o nordeste e os nordestinos caso ouçam as músicas inseridas no referido CD mudem de opinião e passem a respeitar a terra que, como ensinava Quincas Rafael: “Pode viver sem precisar de ninguém”. 
Ouvindo e não mudando de opinião o melhor jeito de aumentar a inveja dessa “gente” é continuar dando exemplos. As figuras acima assim procederam. Concorrer com eles é impossível: SOMOS MUITO MELHORES.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Oportunista de plantão.
A revista de administração e negócios “HSM Management” promove todos os anos em novembro, na cidade de São Paulo, o maior encontro sobre tais assuntos denominado “Expo management”.
O tema central da Expomanagement-2014 é “Capitalismo Consciente: Mais do que uma estratégia ou modelo de negócio, uma arma contra a crise”. Uma das autoridades mais festejadas no evento é o ex-presidente americano Al Gore que ministrará palestra como título: “Cenário – Não olho para o passado, olho para o futuro”.
Com extrema coerência o folder principal do encontro assim define Al Gore: “É hoje um dos mais poderosos defensores da consciência ambiental nos Estados Unidos e continua liderando a campanha para educar o mundo sobre mudanças climáticas”.
Qualifico a definição como coerente ao verificar que tal “cidadão do mundo” quando esteve no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro durante a ECO-92, estava mais preocupado na campanha da sua chapa para governar os Estados Unidos em companhia de Bill Clinton. Aqui tirou fotos e fez caras e bocas quando a canadense Severn Cullis-Suzuki, com apenas 12 anos, alertou o mundo e principalmente os EUA sobre os crimes contra a humanidade, gerados através de práticas nocivas ao meio ambiente.
Exercendo o cargo de vice-presidente da nação mais rica do mundo, entre janeiro de 1993 e janeiro de 2001, Al Gore assistiu seu país fazer todo tipo de boicote para o Protocolo de Quioto e todos os outros movimentos dele derivados, mas, ao perder a eleição de presidente para George Bush em 2000 passou a defender o meio ambiente com uma veemência de dar inveja a Chico Mendes.
Rodou o mundo, escreveu livros, deu palestras, lançou o documentário “Uma verdade Inconveniente” que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Mudou de lado e na Rio + 20 era outra pessoa, pena que não teve forças para, em casa, convencer Bush ou Obama na adesão aos princípios delimitados no protocolo de Quioto que desde 1997 é criticado pelas autoridades americanas.
Seu último livro “O futuro” virou livro de cabeceira de ecologistas tão oportunistas e imediatistas quanto ele. Tudo que está registrado na publicação deve ser aplicado imediatamente por todos os países do mundo, exceto os EUA. Os americanos tem o direito de escolher a hora de ingressar no sistema. Ou seja, o livro sugere para os americanos o obriga para o resto do mundo.
O tema central do evento da HSM é real e fará parte do mundo dos negócios nos próximos anos, a palestra do agora ecologista Al Gore é oportunismo puro.^
Por: Ademar Rafael,

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

SEM CULPA
Encerradas as eleições de 2014 e apurados os resultados existe um “ser” que não poderá ser acusado de nada: O eleitor.
Neste pleito a matéria prima colocada à disposição do eleitorado foi de baixíssima qualidade, com tais produtos nada de bom poderá ser produzido. 
Quem for eleito para presidente terá que superar não somente a famosa “herança maldita”, dela mesmo no caso de vitória de Dilma e da antecessora se o vencedor for Aécio. Sofrerá muito mais para domar a péssima safra de governadores eleitos e o mais conservador congresso de todo ocidente.
O sistema político brasileiro está tão falido quanto os Estados e Municípios. Para criar ambiente favorável quem assumir o cargo maior da nação deverá promover uma ampla reforma política e administrativa, de preferência concomitantemente e nos primeiros meses do mandato. Como? O problema será dele e dos aliados. O preço? Prefiro não comentar.
Enquanto continuarmos com este sistema eleitoral viciado, manipulado e que privilegia “enganadores eternos” e grupo de vampiros que sugam o sangue da nação é impossível sonhar com dias melhores.
Sem um projeto de país e um pacto federativo sem esmolas aos Estados e Municípios seremos um território governado por oportunistas e um povo refém de bolsas, cotas e outros adereços populistas.
Existe solução? Claro que sim, passa pela profissionalização das máquinas da União, dos Estados e dos Municípios, pela formação de alianças estratégicas com as academias e pelo reforço de escolas profissionalizantes na área de gestão pública.
Isto leva tempo e alguém precisa dar o ponta pé inicial, difícil é encontrar governante com esta visão. Para os maus políticos a dependência atual é o melhor dos mundos. Estadistas não foram disponibilizados para os eleitores, sem eles continuaremos ouvindo a mesma cantiga: Promessas infundados durante a campanha e desculpas depois de eleito.
Na mesa principal das nações desenvolvidas e humanizadas por varias vezes já colocaram uma cadeira para o Brasil, nunca conseguimos entrar no ambiente, sentar à mesa nem pensar.
Saímos do terceiro mundo, não ingressamos no segundo o podemos cair para o quarto. Esta é a realidade. Quando damos um passo no social voltamos vinte na escala do desenvolvimento, bancamos um ócio nada criativo.
A única certeza é que em 2018 novos salvadores aparecerão, que naquela oportunidade venha algo melhor, 2014 a chance foi ZERO.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Outra mentira.
Um das mais cruéis mentiras nessa campanha eleitoral é essa “estória” de Banco Central Independente. Não há como defender uma tese desta, seria o mesmo que o país abrir mão de uma das mais legítimas ações de governo: Cuidar da moeda.
Vá ao Banco Central do EURO com tal proposta, solicite posicionamento parecido para o guardião das libras esterlinas ou faça sugestão similar ao FED, (não poderia ter nome melhor “fede” muito cada deliberação sua) o Banco Central dos EUA. Com certeza ouviria a seguinte indagação: Como podemos imaginar que o cuidado com a estabilidade monetária e financeira da nossa economia seja exercida independentemente da vontade política do governante?
Para recuperar suas economias os países ricos utilizam os mecanismos disponíveis em seus Bancos Centrais, neles são executadas as diretrizes econômicas, não tem como ser diferente. O elástico fica nas mãos das autoridades monetárias, jamais de terceiros. 
Até mesmo a sonhada autonomia é difícil, prometer independência é brincar com a inteligência alheia. A ingerência promíscua que existe no Brasil é que representa o problema, isto tem que mudar, falta coragem e disposição política.
O Banco Central do Brasil desde sua fundação sempre foi utilizado em favor de projetos políticos pessoais e partidários. Assim fizeram os militares, assim procedeu Sarney para garantir a vitória nas eleições de 15.11.1996, desta forma agiu Itamar para eleger o Príncipe FHC, este utilizou a política cambial para o projeto da reeleição, Lula ao colocar Henrique Meireles na presidência do BACEN o fez para garantir a governabilidade, Dilma segue a mesma receita visando ganhar a eleição.
Em todos os casos depois das vitórias os governantes mudaram a orientação e o Banco Central executou a nova ordem trazendo prejuízos para o país. Temos um sistema financeiro de vanguarda, falta força política para que o Banco Central tenha ação em favor do país e nunca em favor de interesse menores, isto é muito diferente de independência apesar da tentação de assim pensarmos, principalmente pela reiteradas opiniões na imprensa econômica neste sentido.
De forma geral as funções típicas do Banco Central são: Monopólio de emissão; banqueiro do governo; banco dos bancos; supervisor do sistema financeiro; executor da política monetária; e executor da política cambial e depositário das reservas internacionais. Vejam quem decide as políticas é o governo o Banco Central somente as executa.
Tais registros servem para defendermos a tese da “mentira” que representa essa balela de independência, uma vez que o governo é que deve ter uma política de Estado, com foco no longo prazo. Como este caminho tem sido esquecido pelos nossos governantes é melhor iludir o eleitor desatento com uma promessa que ilude, mas está muito distante de ser a solução e não serve para o caso.
Vergonha na cara senhores candidatos, chega de tentar enganar o povo.
Por: Ademar Rafael