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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

PILARES DO DOMÍNIO

Desde os tempos da Mesopotâmia, portanto há mais de cinco mil anos, que o domínio de uma nação sobre outra ou de um grupo sobre outro tem como principal base sustentação as armas e o dinheiro, podem estar juntos ou separados, ausentes nunca. Em alguns momentos a religião e a ideologia foram utilizados como atalhos para perpetuação do domínio, a estrada principal continuou sendo a dupla armas e o dinheiro, posteriormente classificado como capital.

Com estas ponderações quero expor meu pensamento de que é uma grande utopia imaginarmos que alguma coisa justa e movida pela inclusão social seja gerada a após uma reunião do G-20. Os países centrais ao oferecerem alguma migalha aos países pobres o farão em troca de reciprocidade em negócios. Decodificando: Darão com um dedo e tirarão com os outros nove. Isto mesmo, para receber uma ajuda um país firma compromissos para priorizar empresas sediadas nos países “doadores” em suas compras governamentais.

Teria sentido de justiça este tipo de ação se os organismos fizessem um levantamento das necessidades dos países pobres e as apresentasse aos donos do capital para que fossem feitas as ações sem exigência de contra partida. Fora disto é mais ou menos assim. O país rico doa as ampolas e o algodão e obrigam quem os recebe a comprar as vacinas e outros medicamentos em empresas a eles ligadas.

O jogo de cena, os discursos e os gestos de “boa vontade” destes encontros são fantasias muito bem orquestradas. Poderíamos afirmar que as compras seriam feitas com ou sem ajuda, uma vez que os países pobres pouco produzem, isto também é fato. Mas, julgar que as “doações” são movidas pelo solidariedade é muita inocência. O binômio armas e dinheiro serão sustentáculos da dominação por mais uns cinco mil anos. Quem discorda do que aqui foi abordado tem suas razões eu tenho as minhas. Não precisamos brigar por isto.

Crônica de Ademar Rafael

HISTÓRIA CLARIFICADA

O incansável pesquisador e escritor Fernando Pires, funcionário aposentado do Banco do Brasil e internauta desde os primórdios da rede mundial dos computadores, entrega para esta e para as gerações futuras uma obra digna de todos os adjetivos de qualidade. O livro “Afogados da Ingazeira – Páginas da sua história” integrará o rol das publicações obrigatórias em todas bibliotecas que queiram informar com exatidão os fatos históricos da região em horizonte temporal distante. É uma obra candidata a seguir o caminho do sucesso obtido com “Afogados da Ingazeira – Memórias.”

Aqui destaco as observações de uma amiga e três amigos e colegas do BB, sobre o livro. Elvira Siqueira nos diz: “O carinho que Fernando dedica à sua terra natal é indizível. Ele investiga, analisa, registra, com riqueza de detalhes, tudo que está a seu alcance, desde ao primeiros sinais, as primeiras casas, os primeiros eventos, como tudo começou e como foi evoluindo até chegar aos dias atuais.” Mauro Bastos atesta: “Trata-se de um livro indispensável não só aos filhos dessa terrado Pajeú, mas, igualmente, a todos aqueles que quiserem conhecer a história de uma região abençoada do estado de Pernambuco, região fértil em bravura, determinação e acolhimento.” Milton Oliveira garante: “Assim como aconteceu com o livro anterior de Fernando Pires, este se esgotará em pouco tempo. Li-o e fiquei impressionado com tantos detalhes preciosos e curiosos, que, graças a Deus, não ficarão esquecidos sob a poeira do tempo.” Célio Pereira assegura: “Desta feita Fernando Pires se vestiu
com um escafandro, e mergulhou o mais profundo para buscar o tesouro que o mar escondia há dezenas de anos, encontrado um baú de fatos históricos por demais significativos para os filhos da terrinha.” Concordo com todos.

Deixar de ler este livro é abdicar do direito de conhecer nossa história, inteligentemente ordenada, descrita em formato claro e fidedigno. O autor, com a ética que o caracteriza, conta os fatos como eles aconteceram, as “Notas do Autor” sevem para clarear o tema, jamais alterar seu conteúdo.

Crônica de Ademar Rafael

CRISTO REDENTOR, NOVENTA ANOS.

Uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, a conhecida estatura do Cisto Redentor, completou noventa anos no último dia 12.10.21. É uma pena que muitos cariocas e brasileiros sabem de “cor e salteado” cada detalhe da Estátua da Liberdade em Nova Iorque, da Torre Eiffel em Paris e de outros momentos pelo mundo, mas, nunca foram ao alto da Floresta da Tijuca para ver um dos mais belos cenário do mundo.

Qualquer um dos acesso que nos leva ao topo do corcovando, pela Barra de Tijuca, pela Tijuca, por Santa Tereza ou outros são caminhos traçados sob inspiração divina, não tenho receio em afirmar isto. Vá e comprove o que aqui está registrado. O cenário floresta, concreto e mar é único.

Para valorizar os profissionais que contribuíram para que tal obra nos seja ofertada precisamos citar o arquiteto e engenheiro Heitor da Silva Costa, vencedor do concurso do projeto; o escultor romeno Gheorghe Leonida e o escultor francês de origem polaca Paul Landowski e o engenheiro francês Albert Caquot.

Entre os políticos que exerciam cargos públicos à época da inauguração entendemos importante citar o Prefeito do Distrito Federal, o pernambucano Pedro Ernesto do Rego Baptista; o Presidente da Provincia do Rio de Janeiro, o baiano José Lino dos Santos Coutinho e o Presidente da República, o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas.

No campo religioso temos obrigação de citar os membros do Círculo Católico. Entidade que deu vida ao projeto, tantas vezes deixando pelos caminhos da burocracia e das dificuldades de tocar projetos de interesse coletivo, o comando foi do Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, paulista de Espirito Santo do Pinhal, que nos deixou em 1942. Que em seu centenário o Cristo Redentor tenha motivos para festas, este ano a pandemia e o rosário de crise que comprime o pescoço do Brasil não permitiu uma festa digna. Torcemos.

Crônica de Ademar Rafael

ISAIAS ALMEIDA DE SIQUEIRA

Se alguém me pedisse para definir o sertanejo acima com uma única palavra eu não teria dúvida, esta palavra seria DISPONIBILIDADE. Em minha vida encontrei poucas pessoas com este perfil. Pessoas que estão sempre disponíveis para atender outra, sem condicionar a nada.

Tive o privilégio de trabalhar com Isaias no Banco do Brasil de Afogados da Ingazeira do dia 29.06.1977 até 15.01.1982. Foram dias de aprendizado que, mesmo com os excessos por mim praticados à época, guardo muitos destes ensinamentos até os dias atuais.

Permitam-me citar três desses exemplos: Primeiro – Cumpra suas obrigações no tempo hábil e não permita que seus serviços sejam questionados pelos seus superiores; Segundo – Respeite todas as pessoas, dando-lhe tratamentos diferenciados não pelos cargos que ocupam e sim pela necessidade do momento; e Terceiro – Seja um profissional colaborativo, ajude o colega que requer seu auxílio em determinada tarefa.

Tive a sorte de descobrir que este posicionamento era a matriz do conceito que Isaias gozava na agência e na comunidade. A correção dos seus atos era a alça de sustentação da sua vitoriosa carreira no cargo que exerceu com muito zelo e dedicação plena.

Reservado nunca se metia onde não era chamado, no entanto ao ser invocado estava com o corpo e a alma ao dispor do solicitante. Nunca vi o Velho Zaia gritar com ninguém, seu tom de voz, acompanhado por um meigo sorriso, é sua grande marca.

Sua casa serviu a amparo para muitos colegas recém chegados. Ser recebido em sua residência por ele ou Luzinete é ter acesso a um tratamento digno, revestido de muito carinho e fraternidade. Seus de filhos João Ricardo, Isabel e Ana Augusta e seus netos podem ser orgulhar de um pai e avô que, na sua simplicidade, é um grande exemplo.

Certa vez, por volta de doze horas da noite de um sábado, fui acordado por um colega de uma agência da região que precisava assinar um requerimento de férias em função de problema com família influente da cidade onde trabalhava. Corria risco de vida caso esperasse pela segunda feira. Com o colega fomos a casa de Isaias e ele, prontamente, nos levou até a agência e nos entregou o modelo do requerimento. O documento foi preenchido, conferido e assinado. Em nenhum momento questionou o motivo da pressa, sua descrição não permitia perguntas.

Poderia estender esta homenagem ao cidadão, limitei seu conteúdo aos atos do colega bancário para valorizar a ação de um profissional no exercício do seu cargo com compromisso, desprendimento e ajuda ao próximo. Colegas que conviveram com Isaias por mais tempo são portadores de lembranças que o tempo não apaga. Obrigado amigo.

Crônica de Ademar Rafael

PAULO FREIRE, CEM ANOS

Por entender que pessoas que não enxergam a servidão como uma deformação da sociedade são as mesmas que não se esforçam para absorver ideias libertárias este texto não pretende entrar nesse debate, busca jogar luz na obra do educador pernambucano Paulo Reglus Neves Freire, que tanto lutou em defesa da justiça social no mundo.

As teorias do grande pensador e defensor de libertação pela educação, são estudadas e utilizadas em diversas partes do mundo. No Brasil por motivos ideológicos são contestadas. Faz parte do nosso jeito de ser. Este fenômeno é histórico e alcança outros que se aventuraram na defesa da liberdade ou a inclusão social. As críticas que Paulo Freire fez no tocante a utilização da educação convencional, baseada em conceito para ele não adequados, e os métodos por ele propostos são utilizados como ponto de discórdia. Descaracterizar e contestar os fundamentos do educador é prática comum de diversos gestores da nossa falida educação de massa.

Apresento a seguir estrofes feitas para cordel coletivo alusivo ao centenário de Paulo Freire: “Paulo Freire antológico/Quando o ensino mudou/E em Angicos testou/Seu projeto pedagógico/Trazendo formato lógico/Popular, funcional/Ganhou fama mundial/Por que era inovador/PAULO FREIRE FOI DOUTOR/DA JUSTICA SOCIAL – Condenou com veemência/A Educação bancária/Com ideia libertária/Defendeu com coerência/O conceito de docência/Com caráter universal/Do filho do industrial/Ao filho do lavrador/PAULO FREIRE FOI DOUTOR/DA JUSTICA SOCIAL – Sua tese cristalina/No mundo é respeitada/No Brasil é criticada/Por olhar a campesina/Secretário de Erundina/Em São Paulo, capital/E o Cortella genial/Foi dele o sucessor/PAULO FREIRE FOI DOUTOR/DA JUSTICA SOCIAL – No que nos deixou escrito/Tratou de libertação/Pedagogia, opressão/Medo, ousadia e conflito/Também falou de atrito/De mudança, capital/Libertação cultural/Dando a leitura valor/PAULO FREIRE FOI DOUTOR/DA JUSTICA SOCIAL.” É legitimo discordar das minhas ponderações, ignorar a importância do educador talvez não o seja.