Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

AS DISTRAÇÕES

Se fizermos uma consulta a nossa memória recente, sobre um atendimento realizado por um funcionário de empresa pública ou privada, vamos nos lembrar que entre uma ação e outra o colaborador consultou o celular ou uma rede social por meio do computador utilizado durante o período dispensado para nos atender.

Este fenômeno é real um todo mundo e estas fugas figuram como principais “ladrões de tempo” da atualidade. Essa prática, além da percepção como descortesia, é o principal fato motivador da queda de produtividade nas organizações. Essa perda de energia para o correto desempenho da atividade a cargo de cada servidor extrapola a questão do desleixo com o foco e alcança, também, a baixa qualidade dos produtos e serviços. As métricas para medir o estragos são falhas e na maioria das vezes esbarra no politicamente correto.

O palestrante e especialista em produtividade Chris Bailey, publicou no Brasil em 2019 “Hiper foco – Como trabalhar menos e render mais”. Não pensem que se trata de um livro estilo “receitas de bolo” é, de fato e de direito, uma publicação com abordagem baseada em dados de várias pesquisas sérias. Para nos devolver o controle das nossas atividades com o foco necessário, produzindo de forma coerente com perfeita aderência com nossas habilidades o autor traz diversas sugestões, uma delas pode parecer exagero: “Coloque seu telefone longe do seu campo de visão”. Existem situações que esta medida extrema é a única solução. Defendo essa ação em durante realização de tarefas que exigem atenção máxima. Cada uma e cada um tire suas conclusões.

Que as mensagens do WhatsApp, Instagram, outras redes sociais e canais de vídeo nos tira o foco e aumentam nossas distrações poucos discordam. Em sua defesa existem muitas teses, quase todas desprovidas de argumentações consistentes. Cada uma e cada um avalie, o pisca alerta está ligado faz tempo, ignorar é um risco.

Crônica de Ademar Rafael

SEM LIMITES? NÃO!

Para tentarmos decifrar essa polêmica sobre Banco Central autônomo x independente, ao meu juízo de valor, precisamos entender a origem da anomalia. Um dos conceitos de autonomia é “capacidade de governar-se pelos próprios meios” e entre os conceitos de independência podemos citar: “liberdade, autonomia, autodeterminação, isenção, imparcialidade, neutralidade, soberania, insubmissão, ausência de subordinação…”.

Sabiamente os legisladores da Lei Complementar – LC nº 179, de 24.02.2021 colocaram em preâmbulo o seguinte texto: “Define os objetivos do Banco Central do Brasil e dispõe sobre sua autonomia e sobre a nomeação e a exoneração de seu Presidente e de seus Diretores; e altera artigo da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.” O que motivou a colocação da palavra “autonomia” e não “independência”? A certeza de que mutações das regras econômicas e fenômenos sociais impedem o pleno uso de “isenção, imparcialidade e neutralidade.” No mundo real agentes financeiros são mais ouvidos e atendidos do que os interesses do país.

A LC acima em seu primeiro artigo primeiro assim define o objetivo do Banco Central: “Art. 1º  O Banco Central do Brasil tem por objetivo fundamental assegurar a estabilidade de preços. Parágrafo único. Sem
prejuízo de seu objetivo fundamental, o Banco Central do Brasil também tem por objetivos zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e
fomentar o pleno emprego.” O que narra a ampliação indicada no “Parágrafo único” joga por terra a cômoda posição defendida por muitos, com interesses diversos, que o Banco Central pode definir a taxa de juros somente com a finalidade de controlar a inflação.

Assim sendo a política de juros precisa ser tempestiva, correta e dura em alguns casos, porém, jamais distante de outras variáveis como “atividade econômica e pleno emprego”. Como o Brasil precisa ser respeitado mais que os especuladores, defendo a autonomia e condeno a independência.

Crônica de Ademar Rafael

FALSA HUMILDADE

A frase a seguir, atribuída Blaise Pascal filósofo, escritor e matemático francês, serve de inspiração para nossa reflexão desta data. “A falsa humildade é puro orgulho”.

No mundo corporativo e nas ralações de amizades vez por outra encontro pessoas com vestes temporárias de cordeiros. Temporárias porque ao conseguirem o que buscam vestem a roupa real. Isto mesmo, muitas pessoas apresentam uma humildade falsa para obter benefícios, galgar posições elevadas, no mundo social e nas empresas onde trabalham.

No meio político é comum ouvirmos a seguinte ponderação: “Fulano mudou muito depois que se elegeu, antes falava com todo mundo e hoje fica trancado em seu mundo”. Este fenômeno já ocorreu com alguém do seu relacionamento? Em caso positivo tenha certeza que a humildade antes apresentada era falsa e como aponta o intelectual francês era movido pelo orgulho.

Necessário se faz entender que muitas vezes qualificamos como humildade a forma simples que algumas pessoas aplicam em seus atos e no seu cotidiano. Ser simples é diferente de ser humilde, a simplicidade aplicada pelos humildes verdadeiros é algo muito intenso. Em um exercício de autoavaliação eu me considero uma pessoa simples, mas, estou muito distante de ser humilde. Tendo melhorar nesse quesito, não é fácil.

No site “www.significados.com.br” encontramos: “A humildade é um sentimento de extrema importância, porque faz a pessoa reconhecer suas próprias limitações, com modéstia e ausência de orgulho.” Percebam a sintonia dessa percepção com a frase inicial. Da humildade verdadeira o orgulho passa distante, da falsa humildade ele é um aliado. Na bíblia encontramos diversos registros sobre humildade. Na vida cotidiana muitos poderosos exige humildade e não aplicam ou quanto o fazem é com extrema falsidade. Abaixo o orgulho, viva a humildade.

Crônica de Ademar Rafael

OTIMISMO EM BAIXA

No universo das minhas atividades profissionais ou fora dele tenho encontrado cada dia maior número de pessoas com níveis de otimismo próximo de zero. Ao investigarmos as causas nos surpreendemos. São diversos os fatores alegados e o que de fato amedronta é a falta de vontade dessas pessoas em mudar. Ou seja falta disposição para “girar a chave”.

Motivos para minar nosso otimismo temos, justificativas para manter o otimismo em alta dispomos. O que nos leva a escolher as opções do primeiro grupo? Cada uma ou cada um tem as respostas. Julgamos que a falta de otimismo é o caminho mais curto para pararmos ou andarmos em direção contrário à superação dos objetivos.

Acreditamos que otimismo em níveis altos é muito mais do que empolgação momentânea, está vários degraus acima de entusiasmo relâmpago. O otimismo precisa de um base sólida, não pode estar exposto aos impactos de ventos brandos, deve suportar tempestades, tal qual a casa construída sobre rochas, como nos ensina a bíblia sagrada.

A frase a seguir, lavrada pela cantora Ana Coralina, expressa sob nosso ponto de vista, como deve ser composta a base de sustentação do nosso otimismo. “Diga o que você pensa com esperança. Pense no que você faz com fé. Faça o que você deve fazer com amor!” Percebam que é traduzida por um conjunto ações cuja harmonia cria a espiral de sustentação.

Não duvidamos que as dificuldades são crescentes, as exigências em escalas geométricas e nossas energias com limites. Como escalar esses atores e fazer com que a peça teatral tenha um final feliz? Será que a “esperança”, a “fé” e o “amor” adicionados com boa dose de “atitude tempestiva” não representa um início. Precisamos ver que fatores motivacionais do otimismo não podem estar presentes apenas na largada ou na reta final, se faz presente em todo trajeto. Aparecendo somente em partes do caminho perde para dificuldades.

Crônica de Ademar Rafael

OS LOUROS SEM ESFORÇOS

Para nosso diálogo desta data vamos buscar inspiração na frase “Muito querem o perfume das flores, mas poucos se atrevem a sujar as mãos para cultivá-las”, extraída do livro “365 dias de inteligência – Para viver o melhor ano da sua história”, do psiquiatra Augusto Cury.

Sem o intuito de apontar o dedo em direção a quem quer que seja, mas com o objetivo de refletirmos sobre posicionamento adotado por algumas pessoas ao exercerem cargos ou desempenharem atividades no mundo público ou privado. Para iniciarmos precisamos responder as seguintes indagações. “O que motiva nossa atração para aderirmos o posicionamento indicado pelo famoso escritor? O que fazemos para fugir da tentação de seguimos o enunciado da frase em destaque?”

Despido de qualquer ranço de prepotência eu entendo que ao agirmos na forma mencionado pelo psiquiatra estamos caminhando pela estrada onde se encontram placas que sinalizam nosso instinto egoísta e nosso individualismo. Para não ficar preso nessa opção a rota a seguir é a do pensamento coletivo e do altruísmo. Cada um tem suas receitas. Aqui o propósito nunca foi e nem será ser exemplo. No máximo nossa pretensão caminha na direção de cuidarmos do nossos atos, pensar no todo.

Permitam-me dizer que encontro muita gente boa praticando os dizeres da frase acima em sua plenitude em vários campos de atuação. a) Na imprensa quando opta por pautas que promovem visibilidade extrema sem preocupação quanto a checagem da veracidade das informações; b) No artista famoso que aceita todos holofotes desde que desacompanhados de críticas e/ou questionamentos sobre sua obra; c) No gestor público ao julgar que o poder está acima do bem o do mal; e d) No executivo que se acha a oitava maravilha do mundo, que seu status merece deferência sem reparos. Todos querem a vitória sem suor, a fama sem exposição ao risco, o lucro com pouco esforço. No dia que aprendermos a trocar nossos esforços pelas vitórias a frase acima deixa de existir. Concordam?