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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

TAL QUAL O BEIJA FLOR

Para melhor exemplificar a ação que comentaremos em nosso diálogo desta data, transcrevo este conhecido texto: “A fábula do Beija-flor: Era uma vez uma floresta, onde um incêndio teve início. Todos os animais fugiram para salvar suas vidas. Eles ficaram à beira do fogo, olhando para as chamas com terror e tristeza. Acima de suas cabeças, um beija-flor voava de um lado para outro em direção ao incêndio, repetidamente. Os animais maiores perguntaram a ele o que estava fazendo: – Estou voando até o lago para pegar água e usá-la no combate ao fogo. Os animais riram dele e disseram: – Você é louco! Você não vai conseguir apagar o incêndio! E o beija-flor replicou: – Estou fazendo aquilo que posso.”

Feita a leitura do fábula vamos aos atores sobre os quais falaremos hoje. É uma entidade que atua em todo mundo, fazendo um trabalho parecido com ação do beija flor, que neste ano completa cento e sessenta anos de fundação. Trata-se do Comitê Internacional da Cruz Vermelha – CICV organização criada sob influência do filantropo suíço Henry Dunant, em Genebra, no ano de 1864,com o nome Comitê Internacional de Socorro aos Feridos. A ideia nasceu após experiência vivenciada em Solferino – Itália, que originou o livro “Lembranças de Solferino”.

Para muitos estudiosos do assunto esta organização foi propulsora das Convenções de Genebra e sua ação solidária tem abrandado o sofrimento de pessoas em todo universo nestas dezesseis décadas de existência. Julgamos que a ação do CIVC se assemelha com ação do beija flor quando comparamos seu contingente dedicado a fazer o bem com as ações desnudadas de qualquer sentido humanitário promovidas pelos “senhores das guerras” com trajes de gestores de alguns países e organizações espalhadas pelo mundo, verdadeiros incendiários.

Os relatos captados no Sudão, na Ucrânia, no Afeganistão, em Karabakh e nos territórios ocupados por Israel envergonham qualquer ser dotado de civilidade. Viva o CICV, abaixo os conflitos e os desníveis sociais.

Crônica de Ademar Rafael

TODOS PAGAM

Cada um tem uma resposta pronta – baseada na ciência, no senso comum e na ideologia -, para explicar os fatos motivadores dos fenômenos ambientais que têm provocado cheias e secas em áreas que não eram expostas e tais riscos climáticos.

Por ter residido na Amazônia, precisamente sul e sudoeste do Pará, sei dos danos causados pela agressão desenfreada ao meio ambiente. Muitos rios que conheci perenes na década de 1990 hoje secam entre três e quatro meses após o período de chuvas intensas. O mesmo ocorre com rios do Pantanal que vi permanentes na metade da década de 1980.

As queimadas para limpeza de pastagens e/ou provocadas por indivíduos descompromissados com a vida harmônica entre pessoas e natureza são expressão viva da degradação moral que a sociedade tem experimentado
nos últimos anos.

O poeta Sebastião Dias nos chamou atenção há mais de 20 anos sobre os cuidados que devemos ter com o meio ambiente. Seu poema gravado por Fagner e outros cantores brasileiros sob o título “Súplica dos ecólogos” foi escutado por muitos como bela composição que é e poucos seguiram os conselhos do poeta potiguar.

Dele destacamos as duas primeiras estrofes: “Tombam árvores, morrem índios/queimam matas, ninguém vê/que o futuro está pedindo/uma sombra e não vai ter/pense em DEUS, alerte o mundo/pra floresta não morrer – Devastação é um monstro/que a natureza atropela/essas manchas de queimadas/que hoje vemos sobre ela/são feridas que os homens/fizeram no corpo dela…”

Uma coisa é imutável nesse assunto “alguns provocam os danos ambientais, todos pagam a conta de alguma forma.” Fugir dessa equação é impossível, ignorá-la é temeroso e negá-la é algo próximo da burrice.

Crônica de Ademar Rafael

Foto exclusiva deste Blogueiro, quando o então prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota, recebeu este trator, através de emenda do deputado federal Pastor Eurico. em maio de 2015

LIDERANÇA INCONTESTE

Na terceira semana deste mês perdemos um grande líder, o Deputado José Patriota nos deixou. Seu legado ficará para gerações futuras, sua ação política servirá de exemplo para os que pretendem exercer cargos públicos eletivos ou por nomeações em perfeita sintonia com o que determina o artigo 37 da Constituição Federal. Fazemos questão de citar tal dispositivo constitucional porque seus princípios – “legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência” -, sempre estiveram colados nas ações de Patriota. Arisco-me a atestar que ele por conhecer como poucos os limites orçamentários e as crescentes demandas sociais cumpria todos, mas, deva atenção redobrada para a “eficiência”. Era dotado de alta capacidade para fazer mais com menos.

É possível afirmar que Patriota entrou na política pela porta do sindicato. Contudo, é necessário dizer que em sua privilegiada visão as entidades associativistas devia extrapolar a estética estatutária e lutar pela ampliação da dignidade humana, preservação do meio ambiente e harmonização dos interesses coletivos. Sua ação desde cedo se aproximou da tese levantada pelo advogado paranaense Casemiro Lacorte, ao falar sobre os objetivos de um sindicato: “O sindicato não se limita a tratar dos problemas coletivos, decorrentes do exercício da própria profissão, mas igualmente se preocupa com a condição social dos trabalhadores enquanto cidadãos, estando aí a ação sindical direcionada para questões extra profissionais”. Esta tese foi ampliada pelo nosso líder na ação sindical, no executivo, no legislativo e na Associação Municipalista de Pernambuco – AMUPE.

Um experiente político do estado do Pará me disse: “Ademar o prefeito de Afogados da Ingazeira, falando sobre o não cumprimento do pacto federativo pela União, foi tão coerente e assertivo que não deixou espaço para questionamentos.” Patriota estudava com profundidade cada assunto a ser debatido, tinha argumentos incontestáveis e por isto era respeitado pelos seus pares e pelos adversários. O vácuo deixado por ele demorará de ser ocupado, carecemos de um herdeiro para esse rico patrimônio.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

PARA QUE VIEMOS AO MUNDO?

Com convicção poucos têm resposta exata para a indagação acima. Sua alta complexidade faz com que eu me esforce pouco em encontrar uma resposta satisfatória. Recentemente ao ler uma publicação sobre a vida de São João Maria Vianney, encontrei uma abordagem que me levou a fazer uma reflexão sobre o tema que julgo ter vaga em nosso diálogo semanal.

Inspirado em Eclesiastes 39:19 – “Dai flores como o lírio, exalai perfume e estendei graciosa folhagem” – Alfred Monnin, S.J. assim escreveu: “Não sejais flores efêmeras, que o sol ver nascer e morrer. Produzi frutos; que estes frutos sejam cheios de sementes…Como um gérmen acalentado que brota, que se torne uma  bela flor, uma grande árvore; ao cair nos corações retos, que cada um destas palavras se entreabra, fertilizada pela reflexão, pela oração e pelo calor da alma! Que dela nasça um caule novo; que esse caule desdobre seus ramos, seus tesouros, seus frutos de hora e santidade.” 

Para continuarmos precisamos de nova indagação. Como seguir o que propõe o autor? Acredito que uma das formas para produzirmos frutos é utilizamos os dons que Deus nos deu em favor de outra pessoa.

A frase atribuía a Mahatma Gandhi “Quem não vive pra servir não serve pra viver?”  é vista como  pensamento radical. Mas, agir em consonância com ela é o caminho a ser seguido pelos que desejam não ser uma “flor efêmera” sendo uma flor que ingressa na espiral positiva de produzir frutos, sementes e novas árvores. Este ciclo virtuoso permite  a quem o constrói afirmar: “Minha vinda ao mundo serviu para servir, foi dedicada a atos que promovem harmonia, justiça social…”

Tive o privilégio de conviver com pessoas que se enquadram entre as flores não efêmeras, com o aprendizado herdado de cada uma delas tenho me esforçado para seguir o exemplo, a missão é árdua mas entendo que não posso desistir. Vale muito a pena seguir nessa trilha.zz

Crônica de Ademar Rafael

ALTO CUSTO

Em recente conversa sobre as eleições de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos ouvi as seguintes frases: “Os partidos ‘Y’ e ‘Z’ deram R$ 800 mil para campanhas de dois municípios, os demais estão esperando a distribuição das siglas para alavancarem as ações de campanha”; “O deputado federal deu R$ 300 mil para campanha, acho muito pouco”; “No município ‘X’ estão distribuindo R$ 200 reais pra cada eleitor, tem eleitor que já recebeu tal valor de mais de um candidato”; ”Bem feito, na relação com políticos desonestos os eleitores precisam usar as mesmas armas” .

Frases parecidas são escutados por todos os municípios do país. O que mudam são os valores, os nomes do doadores e o quantitativo das agremiações partidárias que fizeram o famoso ”racha”. Ora se os fatos são normais porque então merecem destaque em nosso diálogo de hoje?

Entendemos que a aceitação dessas práticas sem questionamentos é, sem dúvida, um dos fatores que colocaram a atividade política no lamaçal. O formato de financiamento das campanhas, sem qualquer transparência ou critérios defensáveis e a compra x venda de votos sem qualquer penalidade aos respectivos atores é o retrato fiel do sistema eleitoral brasileiro.

Não é segredo para ninguém que a doutrina jurídica brasileira acata a tese de que o costume é uma fonte de direito. Se este costume é legal ou ilegal isto é detalhe, depende de quem aplica. Caso os benefícios nos alcancem
tudo perfeito, se nos prejudicar reclamamos baixinho pois no momento seguinte podemos mudar o nível do julgamento.

Assim sendo os custo das campanhas – visíveis e invisíveis, por dentro ou nos caixas dois, três… -, em cada pleito são maiores. Quem banca esse custo precisa reaver os valores investidos. Essa “ciranda do pecado” segue sua escalada sob o olhar inerte de um estado omisso e sócio do modelo. A união, os estados e os municípios desprovidos de recursos financeiros e de valores morais seguem em direção ao fundo do poço.