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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Retrospectiva 2013
Final de ano é hora de fazermos uma retrospectiva. Para este texto usei a numerologia 2013 = 6 (2+0+1+3) e minha percepção sobre seis ocorrências destacáveis no ano que se encerra, extraídas de fatos reais, sem ordenação quanto ao grau de importância.
Iniciamos com a sensação de que a impunidade começa a ser banida no Brasil com a execução das penas impostas aos condenados pelo Supremo na Ação Penal 470, popularizada como Mensalão. Foi o começo, há muito campo a ser percorrido.
Destacamos queda do mito “EUA” perante seus aliados diante da comprovação de espionagem pelo mundo, sob as ordens do xerife do universo. Foi a constatação do que todo mundo sabia e não queria dizer por total omissão aos “ianques”.
Registramos o “pulo de cerca” do Governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Após anos sob às ordens do comandante Lula rebelou-se nas eleição de Recife ao eleger uma “ponte”, “poste” quem elege é o ex patrono. O roçado petista pode ter perdido um operário o mundo politico, com certeza, ganha um rebelde com causa: A Presidência de República.
Assistimos no Rio de Janeiro, sob orientação espiritual do carismático Papa Francisco, a Jornada Mundial da Juventude. O novo pontífice demonstrou seu jeito diferente de tratar os católicos. Ao substituir Bento XVI o argentino deu outra cara ao catolicismo. 
Vimos protestos de diversos tons, exigindo um amontoado de coisas. Positivo nos movimentos foi a ausência de lideranças formais e a espontaneidade. Como ponto negativo identificamos a presença de “agentes”, pagos por não sei quem e sob proteção de máscaras, que causaram destruição em patrimônios públicos e privados. O movimento durante a Copa das Confederações acendeu a luz amarela, alguns políticos entenderam a mensagem. 
Encerramos com a perda de Mandela, este sim um líder acima dos interesses mesquinhos dos países centrais e do capitalismo cruel. Suas causas e seus ideais aproximam sua figura de líderes da estatura de Gandhi e Martin Luther King Jr. Que venha 2014…

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

O difícil retorno
Há algum tempo fui procurado por uma mãe que solicitava uma cadeira de rodas para seu filho que em função de um tiro ficou paraplégico. Durante a conversa a mãe angustiada fez o seguinte relato: “Meu filho era uma pessoa comportada, temente a Deus e trabalhadora. Não sei como, passou a consumir das drogas, alterou seu comportamento e chegou a envolver-se com o crime, através de pequenos furtos. Deixou de trabalhar e passou a agredir toda família. Segundo a polícia apurou foi baleado numa guerra entre grupos rivais.”.
Em seguida a sofrida mãe desabafou: “Seu Ademar, pode parecer uma loucura, mas, eu prefiro ver meu filho numa cadeira de rodas perto de mim do que curado no mundo das drogas.”.
Na época debati o assunto com algumas mães que trabalhavam comigo e todas foram unânimes em afirmar que para uma mãe o sofrimento de ver um filho “desgarrado socialmente” e longe dos seus ensinamentos pode leva-la a ter um comportamento supostamente egoísta. Tudo é feito em nome de um amor impossível de ser medido.
Em novembro estive em Brasília, fiquei hospedado em um hotel próximo do Conjunto Nacional e tive oportunidade de assistir terríveis cenas de degradação de seres humanos. Durante a madrugada é comum ver grupos de usuários de drogas transformados em verdadeiros farrapos humanos; no decorrer do dia podemos ver alguns deles “desmaiados” pelas ruas.
As cenas levaram minha lembrança para o diálogo travado com a mãe do cadeirante e uma certeza tomou conta da minha consciência: Enquanto nossas autoridades ficarem discutindo se o flagelo das drogas é um problema de saúde pública ou um problema social a solução não virá.
O retorno difícil do mundo das drogas será possível quando houver uma união entre o carinho extremado dos familiares, uma política pública séria e a vontade dos viciados. Algo fora disto é pregar no vazio. Ação imediata.

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Perdi meus ídolos
No início dos anos 70, época que eu estudava no Ginásio Industrial, movido por ideais de Dom Francisco e de outros mensageiros da liberdade inocentemente acreditava na luta em favor de um país mais justo socialmente.
Em 1974, durante a campanha de Marcos Freire ao senado, comecei a admirar o quinteto; Cristina Tavares, Fernando Lira, Jarbas Vasconcelos, Marcos Freire e Roberto Freire.
Nos pleitos eleitorais entre 1978 e 1994 sempre votei em um deles na expectativa de que seriam guardiões da guerra contra os desníveis sociais do Brasil. No Mato Grosso do Sul no ano de 1985 fui assistir um pronunciamento de Fernando Lira na campanha de prefeitos das capitais. Naquela época vibrei com a vitória de Jarbas Vasconcelos na eleição de prefeito da capital de Pernambuco.
Hoje, 40 anos depois percebo que perdi meus ídolos. Marcos Freire foi tragado em 1987 por acidente aéreo na região que atualmente resido no Pará; Cristiana Tavares foi derrota na luta contra um câncer em 1992 e Fernando Lira faleceu no início de 2013. 
Jarbas Vasconcelos e Roberto Freire transformaram-se em porta vozes da turma de José Serra, em nada espelham os líderes que tanto admirei. Não há crime em mudar, o preço é que a identidade original fica no caminho, a segunda via costuma perder nitidez.
Hugo Chaves trocou a direita pela esquerda, o militarismo pelo populismo e morreu caricaturado de ditador. Os dois remanescentes dos meus ídolos da juventude estão em uma encruzilhada, os eleitores no próximo ano darão rumo às suas trajetórias.
Neste período, teimosamente, continuei do mesmo lado apesar de convivência cotidiana com o capital – dos outros é claro. 
Fico, portanto, com a mensagem “A pobreza é fruto da falta de acesso, à riqueza, ao conhecimento e ao poder” escrita por Juarez de Paulo, no artigo “Desenvolvimento é coisa séria”. 
Na expectativa que isto mude a utopia continua morando comigo.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

O circo está armado
Nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, no dia 11.10.2005, levei meu filho Sávio, então com 13 anos, para assistir Brasil 3 x 0 Venezuela no Mangueirão, Belém do Pará.
Durante a execução do Hino Nacional, emocionado meu filho falou: “Obrigado pai. Prometo que quando houver um mundial no Brasil eu retribuirei este presente levando o senhor para assistir uma partida da Seleção Brasileira”.
Estamos às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, eu por vontade própria renunciei ao direito de receber a retribuição do meu filho, por dois motivos. O primeiro é que Sávio está no penúltimo ano da faculdade de engenharia e sua principal fonte de renda é o estágio remunerado, distante dos preços de ingressos cobrados pela FIFA. 
O segundo, mesmo sendo apaixonado por futebol, não tenho estômago para me submeter às regras impostas por uma entidade externa que teima em afrontar a soberania nacional ao modelar nosso comportamento e nossos gestos. 
Com o sorteio realizado na linda Costa do Sauipe a FIFA encerra os eventos antes do mundial, portanto, o circo está armado. O número principal será realizado pelos jogadores, a plateia serão poucos afortunados, a FIFA levará o dinheiro e os palhaços somos nós contribuintes do país mais vezes campeão do mundo, que 
pagaremos a conta maior e assistiremos aos jogos ouvindo Galvão Bueno e sua turma, “Haja coração”.
Os países participantes estão distribuídos em grupos “montados” pela FIFA no belo cenário baiano, a saber: Grupo A – Brasil, Croácia, México e Camarões; Grupo B – Espanha, Holanda, Chile e Austrália; Grupo C – Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão; Grupo D – Uruguai, Costa Rica, Inglaterra e Itália; Grupo E – Suíça, Equador, França e Bolívia; Grupo F – Argentina, Bósnia, Irá e Nigéria; Grupo G – Alemanha, Portugal, Gana e EUA e Grupo H – Bélgica, Argélia, Rússia e Coréia do Sul. 
Vou cobrar do meu filho uma viagem para curtir o São João no nordeste, cabe no orçamento e não é manipulado pela FIFA.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Que a lei é a base, jamais o teto.
Tenho visto nos últimos tempos, em nome de um legalismo exacerbado, várias decisões judiciais – nas diversas instâncias – onde a lei se fez presente e a justiça não compareceu.
Quando buscamos em versões livres disponíveis na internet encontramos que LEI procede do Latim “Lex” que significa “regra, norma”. Trata-se de uma norma ou um conjunto de normas concebidas por um poder soberano para regular a conduta social e impor sanções a quem não as cumpre. No âmbito do Direito, a lei em sentido formal é um conjunto de normas jurídicas elaboradas pelas autoridades competentes para constituírem os direitos e obrigações dos indivíduos.
No mesmo espaço encontramos que DIREITO significa conjunto de normas que se divide em positivo ou natural. O direito positivo são as normas criadas e postas em vigor pelo Estado; o direito natural são as normas derivadas da natureza, ou seja, são as leis naturais que orientam o comportamento humano, os direitos fundamentais.
A JUSTIÇA, no mesmo ambiente, é o respeito à igualdade de todos os cidadãos e é um termo que vem do latim. É o principio básico que tem o objetivo de manter a ordem social através da preservação dos direitos em sua forma legal, podendo ser reconhecida como mecanismos automáticos ou intuitivos nas relações sociais, ou por mediação através dos tribunais.
Vislumbrando que os julgadores façam justiça, na condição de leigo prefiro o enunciado do Prof. Paulo Roberto Soares Mendonça: “A vinculação do juiz à lei deve ser concebida dentro da perspectiva de uma sociedade em acelerado processo de mudança e não sob uma visão inerte, estática”. 
Ao magistrado é dado o poder para julgar, sem ser conivente com procedimentos inadequados ou subserviente a qualquer ingerência externa, o mundo contemporâneo cobra decisões pautadas na legislação e revestidas de justiça. Aplicar somente lei é para o poder soberano, julgar dando equilíbrio é o caminho a trilhar.
Façamos justiça senhores operadores do direito.

Por: Ademar Rafael