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Quando a Coragem Incomoda: Por Que Temer a Fiscalização?

Por Rinaldo Remígio*

Acompanhei nas redes sociais a repercussão da carta aberta divulgada pela senhora Izilda Sampaio de Sousa Lira, ex-presidente do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB de Afogados da Ingazeira. Sua manifestação me levou a refletir sobre a importância daqueles que assumem a missão de fiscalizar, questionar e defender o interesse público.

Ao ler suas palavras, recordei uma experiência profissional. Certa vez, um colega ficava extremamente apreensivo sempre que se aproximava o período da auditoria independente da empresa. Eu costumava lhe perguntar:

— Está tudo correto?

Ele respondia que sim. Então eu dizia:

— Se está tudo correto, fique tranquilo. A auditoria existe para confirmar o que foi feito da maneira certa.

Ao final dos trabalhos, os relatórios geralmente confirmavam a regularidade dos procedimentos, e toda a preocupação dava lugar ao alívio.

Essa experiência me ensinou uma lição simples: quem trabalha corretamente não deve temer a fiscalização.

A fiscalização não é inimiga da gestão. Pelo contrário, é um instrumento de transparência, aperfeiçoamento e fortalecimento das instituições. Auditores, conselheiros e órgãos de controle exercem funções complementares, voltadas para a proteção do patrimônio público e para a correta aplicação dos recursos da sociedade.

Por isso, quando alguém que exerce função fiscalizadora afirma ter enfrentado dificuldades por cumprir seu dever, cabe à sociedade acompanhar os fatos com atenção. Não para condenar ninguém antecipadamente, mas para buscar esclarecimentos.

A pergunta continua atual:

Se tudo está correto, por que temer a fiscalização?

Fiscalizar não é perseguir. Questionar não é atacar. Solicitar esclarecimentos não é criar obstáculos. Tudo isso faz parte do exercício da cidadania e do fortalecimento da democracia.

Não conheço pessoalmente a senhora Izilda, mas sua carta demonstra firmeza de convicções e coragem para expor publicamente suas preocupações. Diante disso, penso que os órgãos de controle e fiscalização devem agir com profundidade, independência e rigor técnico, buscando esclarecer os fatos de forma transparente.

Não se trata de condenar ou absolver previamente quem quer que seja. Trata-se de apurar, esclarecer e informar a sociedade.

A melhor resposta para qualquer dúvida não é a especulação, mas a transparência. Quanto mais claros forem os esclarecimentos, maior será a confiança da população nas instituições.

Governos passam. Gestores passam. Mandatos terminam. Mas as instituições permanecem.

E elas se fortalecem quando encontram cidadãos dispostos a exercer suas funções com responsabilidade, independência e coragem.

Porque a verdade não teme a luz.

E a transparência não teme a fiscalização.

*Professor universitário aposentado, administrador, contador e mestre em Economia.

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