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Horácio Pires: um homem, um exemplo, um legado que o tempo não apaga

*Por Rinaldo Remígio

Há homens que constroem fortunas. Outros, constroem memórias. Há ainda aqueles raros que constroem ambos — com trabalho, dignidade e amor pela família e pela terra onde nasceram. Horácio Pires de Lima pertence, com honras, a esse último grupo.

Nascido em 14 de abril de 1937, no sítio Caiçara, distrito de Ibitiranga, em Carnaíba das Flores, filho do agricultor Joaquim Galdino e da costureira Maria das Dores, Horácio veio ao mundo no seio de uma família grande e marcada pela luta. Perdeu o pai cedo, aos sete anos, num tempo em que a ausência deixava marcas não apenas no coração, mas também no prato vazio e na infância interrompida.

Foi criado entre agulhas de costura, plantações e responsabilidades que o tempo impunha sem pedir licença. A escola da vida foi seu principal diploma — e nela aprendeu o valor da palavra, o peso do compromisso e a leveza da generosidade. Pouco frequentou salas de aula formais, mas aprendeu cedo a ler o mundo com os olhos atentos de quem sabe que cada dificuldade pode ser também uma semente.

Ao lado do irmão Jurandir, ingressou no comércio e ali fincou raízes. Começou como auxiliar, humilde e eficiente, na Loja do Povo, até se tornar sócio e, mais adiante, gestor, estrategista e referência. Era o braço forte e o olhar atento da firma Jurandir Pires Galdino e Cia., que cresceu, prosperou e ganhou filiais. Horácio estava lá: cuidando, inovando, abrindo portas, criando oportunidades.

Sua trajetória no mundo dos negócios foi marcada por coragem, intuição e um senso ético admirável. Quando a sociedade com o irmão chegou ao fim, pela divergência de visões, não houve mágoas: houve firmeza. Horácio permaneceu em Afogados da Ingazeira, com as lojas que amava administrar, e ali fez seu nome ecoar não apenas como comerciante, mas como símbolo de confiança.

Gerou emprego e renda para muitas famílias do Pajeú, sendo responsável por oportunidades que transformaram vidas. Soube dividir a riqueza com dignidade e sabedoria, sendo reconhecido como um verdadeiro empreendedor. Seu exemplo ultrapassou as portas do comércio — deixou um grande legado para sua família, mas também para toda a região.

Foi também esposo amoroso e pai dedicado. Casou-se com a jovem Telma Maria Sá Barreto Pires de Lima que conheceu ao acaso — ou por destino — e com ela construiu uma família sólida. Plínio, Patrícia, Horácio Filho e Petrúcia foram mais que filhos: foram seus parceiros de vida, herdeiros de seus valores e testemunhas do homem que foi gigante sem precisar subir em pedestal algum.

Horácio era homem de fé, de fala ponderada, de presença marcante. Sabia o nome dos clientes, gostava de estar no balcão, resolver pessoalmente, ouvir, acolher. Não era raro vê-lo ajudando discretamente quem precisava. Tinha no comércio um instrumento de vida, mas no respeito às pessoas o verdadeiro segredo do sucesso.

Faleceu em 12 de outubro de 2019, aos 82 anos, deixando não apenas uma lacuna na cidade, mas uma herança imaterial de retidão, coragem e humanidade. Há quatro anos de sua partida, a saudade não diminuiu — mas a admiração só cresce.

Sua história é, acima de tudo, uma lição: de que é possível vencer sem passar por cima de ninguém, crescer sem perder a humildade, e envelhecer deixando, como legado, não só empresas, mas exemplos.

Horácio Pires vive. Em cada esquina de Afogados, em cada memória de quem conviveu com ele, em cada valor que semeou — com silêncio, com firmeza, com amor.

*Professor universitário e memorialista

_Fonte: Blog do Finfa e Fernando Pires_

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