Por Rinaldo Remígio
Desde o ano passado, o amigo e poeta Ademar Rafael vinha me pedindo para homenagear, através de crônicas, algumas personalidades do nosso querido Pajeú. Entre os nomes lembrados, sempre aparecia o do Sr. Andrelino Lucas da Silva. Nesta semana, fui presenteado pelo amigo e historiador Fernando Pires com uma excelente narrativa biográfica sobre este homem que deixou sua marca na história de Afogados da Ingazeira.
Paraibano de Monteiro — terra que também deu origem à família Remígio — Andrelino nasceu em 3 de dezembro de 1927, filho de João Paulino Falcão e Etelvina Maria de Jesus. Desde cedo conheceu a dureza da vida sertaneja, trabalhando na agricultura ainda adolescente.
Já rapaz, chegou a Afogados da Ingazeira, onde iniciou sua caminhada como vendedor ambulante, conquistando amizades, respeito e credibilidade. Homem de visão empreendedora, partiu para São Paulo em busca de novos horizontes e, ao retornar, trouxe consigo ideias modernas para o comércio e o transporte regional.
Em 1957, assumiu a gerência da Autoviação Princesa do Agreste em Afogados da Ingazeira e teve a ousadia de solicitar a criação de linhas de ônibus ligando a cidade a São Paulo e ao Recife. O pedido foi aceito, tornando Andrelino um verdadeiro pioneiro do transporte coletivo regional nos anos 1950.
Mais do que transportar passageiros, ele aproximou famílias, encurtou distâncias e ajudou a conectar o Pajeú ao restante do Brasil.
Nos anos seguintes, também atuou junto à Autoviação Progresso, à Itapemirim e fundou a empresa de turismo ANLUSITUR, consolidando seu nome no setor empresarial da região.
Mas acima do empresário existia o homem de família. Casado com Maria de Lourdes Lucas da Silva, construiu um lar sólido e deixou como maiores heranças os filhos Angela Ninfa, Nafra Maria, Andréia Maria (in memoriam) e Andrelino Filho, além de um legado de dignidade, trabalho e respeito ao próximo.
Andrelino pertenceu àquela geração rara de sertanejos que prosperaram sem perder a simplicidade e o respeito pelas suas raízes.
Faleceu em 24 de janeiro de 2017, mas sua história permanece viva nas estradas, nas lembranças e na gratidão de um povo.
Porque homens como Andrelino Lucas da Silva não transportavam apenas pessoas.
Transportavam sonhos.
Professor universitário aposentado e memorialista.
Fonte das informações e foto: Fernando Pires.










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