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Últimas publicações do quadro “Pajeú”

Depois das urnas, o compromisso com a população

Passadas as eleições, com os palanques desarmados, a vida segue seu curso. A alegria dos vencedores e a frustração dos que esperavam outro resultado fazem parte da democracia. Agora, é tempo de respeitar a escolha das urnas e concentrar as atenções nas responsabilidades de quem recebeu a confiança popular.

O Blog do Finfa parabeniza os eleitos e reafirma seu compromisso com a informação, o debate responsável e o acompanhamento das ações públicas. O encerramento de uma disputa eleitoral marca o início de uma nova etapa de cobrança e participação cidadã.

Voltamos ao mundo real: o da família que precisa equilibrar o orçamento, do trabalhador que procura emprego, do paciente que aguarda atendimento e do jovem que busca oportunidades. Essas necessidades permanecem depois que as bandeiras são recolhidas. É diante delas que as promessas de campanha deverão demonstrar seu valor.

Quem foi eleito assume o dever de governar para todos, inclusive para aqueles que fizeram outra escolha. Saúde, educação, segurança e infraestrutura são direitos da população. Atender a essas demandas exige planejamento, competência, transparência e respeito ao dinheiro público.

Aos cidadãos cabe permanecer atentos. O apoio eleitoral não pode impedir a cobrança, assim como a oposição não deve impedir o reconhecimento dos acertos. Uma sociedade democrática precisa de eleitores capazes de avaliar seus representantes pelos resultados, sem abrir mão do senso crítico.

O voto concede uma oportunidade de governar, acompanhada da obrigação de prestar contas. Quando a confiança é frustrada, o eleitor tem o direito de rever sua escolha e buscar outro caminho nas eleições seguintes. A alternância de poder é legítima, e nenhum governante está acima da fiscalização da sociedade.

Também é necessário superar as hostilidades que a campanha possa ter provocado. Divergências políticas não justificam agressões, rompimentos familiares ou desrespeito entre amigos. O debate público ganha qualidade quando ideias podem ser confrontadas com firmeza, sem que a dignidade das pessoas seja atingida.

Desejar que os eleitos façam uma boa gestão é desejar melhores condições de vida para a população. Isso é plenamente compatível com uma imprensa independente e uma cidadania vigilante, capazes de reconhecer avanços, apontar falhas e exigir correções.

Seguiremos acompanhando os acontecimentos, ouvindo a sociedade e cobrando o cumprimento dos compromissos assumidos. A responsabilidade de informar permanece todos os dias, muito além do período eleitoral.

Os palanques foram desarmados. As necessidades da população continuam. É hora de trabalhar, prestar contas e transformar promessas em resultados.

Júnior Finfa/Editor 

Desempenho eleitoral de Lula e Flávio Bolsonaro nos 17 municípios do Pajeú.

Por: Izilda Sampaio

Nos 17 municípios da região do Pajeú — Afogados da Ingazeira, Calumbi, Carnaíba, Brejinho, Itapetim, Ingazeira, Iguaraci, Flores, Quixaba, Tabira, Triunfo, Tuparetama, Solidão, São José do Egito, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Terezinha e Serra Talhada —, o Presidente Lula venceu nos dois turnos da eleição.
No primeiro turno, Lula obteve 153.341 votos, passando para 173.263 votos no segundo turno, um acréscimo de 19.822 votos, correspondente a 12,93%. Já seu opositor, Flávio Bolsonaro, passou de 39.430 para 41.220 votos, registrando um aumento de 2.923 votos, equivalente a 4,54%.

Os números demonstram que Lula apresentou um crescimento percentual significativamente superior ao de seu adversário entre os dois turnos.

Outro dado relevante é a evolução do desempenho de Lula nos municípios da região. No primeiro turno, oito dos 17 municípios registraram percentual de votação inferior a 80% para o presidente. No segundo turno, esse número caiu para apenas três municípios, indicando uma ampliação de seu percentual de votos na maioria das localidades.

Quixaba destacou-se como o município de melhor desempenho para Lula. O Presidente alcançou 85,33% dos votos no primeiro turno e 88,59% no segundo. Consequentemente, Flávio Bolsonaro registrou nesse município seus menores percentuais, com 11,87% no primeiro turno e 11,41% no segundo, conforme os dados apresentados.
Na outra ponta, Afogados da Ingazeira apresentou os menores percentuais de votação para Lula entre os municípios analisados: 73,01% no primeiro turno e 77,88% no segundo. Flávio Bolsonaro obteve, respectivamente, 22,98% e 22,12%.

Assim, os resultados evidenciam a predominância eleitoral de Lula nos 17 municípios do Pajeú, seu crescimento entre os dois turnos e a redução do número de municípios nos quais sua votação ficou abaixo de 80%. Quixaba se sobressaiu como seu principal destaque percentual, enquanto Afogados da Ingazeira apresentou o menor percentual de votação para o presidente, embora também tenha registrado crescimento no segundo turno. Todos os municípios da região apresentaram uma queda na abstenção no 2° turno, ficando o município de Triunfo com o menor índice (14,24%), enquanto o município de Brejinho ficou com o maior índice (20,91%). O candidato Flávio Bolsonaro, no 2° turno, teve redução do número de votos nos municípios de Calumbi e Ingazeira. É isto aí, a vontade popular prevaleceu.

Viva a Democracia!

Raio-X do TCE-PE aponta falhas graves na infraestrutura e na merenda escolar de Tabira

Blog Causas & Causos

A Segunda Câmara do Tribunal de Justiça de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) julgou, por unanimidade, a expedição de determinações e recomendações à Prefeitura Municipal de Tabira após identificar falhas estruturais e operacionais na rede de ensino pública local. A deliberação foi tomada durante a 34ª Sessão Ordinária Presencial, realizada no dia 15 de outubro de 2026. As informações foram extraídas do Inteiro Teor da Deliberação do TCE-PE, referente ao Processo de Auditoria Especial de Conformidade nº 25100803-4, sob relatoria do conselheiro Marcos Loreto.

O levantamento analisou as condições das unidades escolares entre os meses de maio e outubro de 2025. Das 19 escolas municipais, 17 foram fiscalizadas presencialmente pela Inspetoria Regional de Arcoverde (IRAR), o que representa 89,47% da rede. Com a aplicação da metodologia da Teoria de Resposta ao Item (TRI), o município de Tabira acabou enquadrado na Faixa C — patamar crítico — tanto no quesito de infraestrutura predial quanto na avaliação da alimentação escolar.

O diagnóstico técnico apontou que nenhuma das 17 escolas visitadas possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido ou laudo de potabilidade da água consumida pelos estudantes. Apesar de todas apresentarem fornecimento de água potável no momento da fiscalização, em nenhuma houve a comprovação da limpeza periódica dos reservatórios nos seis meses anteriores. Além disso, 13 estabelecimentos (76,47%) utilizavam água da rede sem a presença de filtros.

No âmbito da segurança e do saneamento básico, a auditoria registrou que 6 escolas descartavam os resíduos sólidos por meio da queima direta do lixo. Em relação aos alvarás, 4 escolas (23,53%) funcionavam sem licença da Vigilância Sanitária e 3 (17,65%) não possuíam certificado de dedetização vigente.

A acessibilidade também registrou deficiências expressivas: 52,94% das escolas em desnível com a rua tinham rampas irregulares ou inexistentes, enquanto 52,94% das salas de aula possuíam portas com vão livre inferior a 80 cm. Quanto aos banheiros, 35,71% das 14 escolas de ensino fundamental fiscalizadas não dispunham de sanitários adaptados para alunos com deficiência ou mobilidade reduzida.

Durante as inspeções presenciais, a equipe técnica identificou uma situação classificada como de risco grave e perigo iminente à segurança física da comunidade escolar:

“Escola Municipal Andréa Pires: presença de batentes com altura superior a 18 cm nas salas de aula.”

O relator enfatizou no voto que o problema gera risco direto de tropeços e acidentes graves para alunos e profissionais, exigindo intervenção imediata da administração.

Crônica de Ademar Rafael

DESISTIR JAMAIS

Ao realizar treinamentos para desenvolvimentos de atividades deparei-me com o livro “Obstáculo é o caminho – A arte de transformar provações em triunfo”, nele o escritor e pensador Ryan Holiday revela ações que de fato transforma adversidade em vantagens. Inspirado pelo “estoicismo”, antiga filosofia grega que entre outros ensinamentos sugere que com persistência e perseverança é possível suportar dores e superar contratempos, saindo fortalecido das provações que aprecem em nosso caminho. O custo das escolhas é muito bem apresentado na obra.

O autor com leveza faz a ligação entre antigas práticas com o momento atual da sociedade e destaca o dano causado quando escolhemos parar diante de um obstáculo em vez de agirmos para transformar esse impedimento, muitas vezes super dimensionado, em aprendizado. Provoca cada leitora e cada leitor com ponderações como esta frase do empresário húngaro Andy Grove: “Empresas ruis são destruídas pela
crise. Boas empresas sobrevivem às crises. Grande empresas se aprimoram com elas.” Nos texto fica claro que esta frase direcionada para empresas é aplicável aos seres humanos, concordo plenamente com esta
tese.

Além de apresentar inúmeros exemplos de personalidades que preferiram agir diante de uma adversidades Holiday indicada um modelo eficaz para encararmos os problemas do cotidiano. O método que aqui denomino como Sistema PAV é traduzido pela aplicação de três variáveis controláveis por cada ser humano. Quais são elas? Percepção, Ação e Vontade.

Vejam que nenhuma delas depende de terceiros. De forma prática o autor nos diz que tudo começa pela “maneira que encaramos os nossos problemas”, segue com a “nossa atitude” e encerra-se com “o cultivo e
vontade interior..”. Em nenhum momento o escritor afirma que a tarefa é fácil, contudo, nos prova que a paralização que muitas vezes utilizamos é a única trajetória que não nos leva a superar as dificuldades. Nisto
acredito e tenho exemplos diversos.

Prefeito Fredson Brito autoriza asfaltamento de mais três vias em São José do Egito

O prefeito Fredson Brito autorizou o asfaltamento de mais três vias em São José do Egito, no Sertão do Pajeú. Estão sendo beneficiadas duas no bairro Planalto — a Avenida Adalberto Veras e a Rua Conselheiro Rosa e Silva — e uma no Centro, a Rua Raimundo Eufrásio.

Os recursos são fruto de convênio federal firmado com a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). O investimento é de R$ 1,5 milhão e vai asfaltar 13.500 m² de vias urbanas.

As equipes já estão trabalhando na Avenida Adalberto Veras, no Planalto. A obra de infraestrutura está bem adiantada e deve ampliar a mobilidade, a segurança e a circulação de moradores e motoristas na região.

Durante vistoria ao asfaltamento no Planalto, o prefeito Fredson Brito comemorou a conquista e destacou a chegada dos recursos federais ao município: “São José do Egito está ganhando mais mobilidade, chegou mais asfalto, e temos muito a agradecer ao nosso presidente Lula, pois esse é um recurso federal pra melhorar nossa vida”, afirmou o gestor.

Com mais três ruas entrando na lista de benefícios, São José do Egito segue avançando na melhoria da malha viária urbana.

O asfalto chega às ruas, mas o que fica é a transformação na vida de quem mora nelas.

Sebastião Oliveira vota em Serra Talhada neste segundo turno

O deputado estadual eleito Sebastião Oliveira exerceu seu direito ao voto, neste domingo (25), em Serra Talhada, no Sertão pernambucano, durante o segundo turno das eleições.

“Votar é exercer a cidadania. É um direito conquistado que precisa ser valorizado por todos”, destacou Sebastião Oliveira, que vai exercer seu quarto mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Blog do Finfa 14 anos de história, credibilidade e gratidão

Hoje é um dia muito especial para todos nós que fazemos o Blog do FINFA. Celebramos 14 anos de uma caminhada construída com trabalho, dedicação, perseverança e, acima de tudo, compromisso com a verdade e com os nossos leitores.

Quando iniciamos este projeto, em Afogados da Ingazeira, no coração do Sertão do Pajeú, tínhamos um propósito muito claro: levar informação com responsabilidade, credibilidade e respeito às pessoas. O tempo passou, os desafios foram muitos, mas jamais perdemos de vista essa missão.

Ao longo desses 14 anos ininterruptos, acompanhamos acontecimentos políticos, econômicos, sociais e culturais, registramos histórias, divulgamos conquistas e demos voz à nossa gente. Com sede em Afogados da Ingazeira, ultrapassamos as fronteiras do Pajeú e de Pernambuco, chegando aos mais diversos lugares do Brasil e do mundo por meio da rede mundial de computadores.

Mas nenhuma caminhada se constrói sozinha. Por isso, neste momento de celebração, quero expressar minha mais sincera gratidão aos nossos leitores, amigos, colaboradores, anunciantes, patrocinadores e parceiros, que acreditam no nosso trabalho e contribuem diariamente para a continuidade deste projeto.

Cada acesso, cada mensagem, cada informação compartilhada e cada demonstração de confiança representam um incentivo para continuarmos firmes na missão de informar.

O Blog do FINFA não é apenas um veículo de comunicação. É também um espaço de memória, de valorização da nossa gente e de compromisso com a história do Pajeú.

Chegar aos 14 anos é motivo de alegria, mas também de renovação de responsabilidades. Seguiremos trabalhando com independência, seriedade e respeito, conscientes de que a credibilidade é o maior patrimônio de quem faz jornalismo.

A todos que fizeram e continuam fazendo parte desta história, o meu muito obrigado!

Que venham novos anos, novas histórias e muitas notícias para contar. Porque informar com responsabilidade é, antes de tudo, respeitar o leitor.

Júnior Finfa
Editor do Blog do FINFA
Afogados da Ingazeira – PE

O presente de Raquel Lyra para Tuparetama

Por: Joel Gomes Pessoa – Vereador de Tuparertama

A governadora Raquel Lyra, que mentiu para todos os pernambucanos de que a Compesa não deixaria de ser pública, como acalento aos tuparetamenses, fechou o Escritório (Loja) da Cia. Pernambucana de Saneamento no município. Um belo presente aos que necessitam de algum serviço da concessionária.

Se houver necessidade, o cliente deverá dirigir-se ao posto da Compesa em São José do Egito, ou seja, arcara com as despesas de transportes além do incômodo de espera e outros desalentos, como fila para atendimento.

Não se ouviu nenhum gemido por parte dos seus aliados de Tuparetama a respeito do fechamento do posto de atendimento na cidade. Um “pio” não foi dado e nenhum comentário foi feito pelo ex prefeito Sávio Torres e muito menos pelo atual, Diógenes Patriota. Silenciaram com o ato de Raquel Lyra e em defesa da população nada foi dito ou lamentado pelos seus defensores e apoiadores no município. A governadora Raquel Lyra, além do aumento da tarifa de água agora em novembro/2026, presenteou o povo com essa maléfica ação.

Quando tentaram fechar a Comarca de Tuparetama, lutamos com todas as forças, buscamos apoios de ex Desembargadores e atuais, Deputados e amigos e hoje, graças aos esforços conjuntos, nossa Comarca está de pé e atendendo os jurisdicionados.

Quanto a Compesa, subitamente recebi a notícia do fechamento e, evidentemente, por ser adversário dessa má gestora estadual, sequer teria sido recebido por ela ou por seus comandados, no entanto, seus solidários amigos de Tuparetama, calaram-se, sucumbiram-se no silêncio por parte dos que haveriam de gritar em defesa do POVO.

 

Irmãos

Por: Milton Oliveira

Quando Deus criou a humanidade, teve o generoso cuidado de dar ao homem algumas pessoas indispensáveis ao seu engrandecimento pessoal e moral, no afã de facilitar a caminhada na estrada da vida.

Por não bastarem os pais, exclusivamente – que são as maiores dádivas divinas –legou os irmãos, com os quais se aprende o real significado da parceria, da confiança e do amor.

Se você é filho único e se considerar fora do contexto, entenda que irmãos não são só os de sangue, gerados dos mesmos pais; aqueles que a vida nos dá, às vezes, são melhores do que esses.

No tempo de criança, os irmãos brigam motivados por qualquer banalidade, em especial quando um resolve revelar uma traquinice do outro à mãe. São através das contendas pueris que se fortalecem os sentimentos fraternos e se compreende que o corpo de um irmão se alonga até o outro, formando um organismo pleno, apesar da diversidade de físicos, caráteres e opiniões.

Irmãos são almas gêmeas que a vida jungiu com os laços do amor. São anjos deixados na Terra para fazer a felicidade dos mortais.

Desde pequenos, conhecemos o ensinamento bíblico de que devemos amar-nos uns aos outros como o Pai nos tem amado. Tal instrução não se limita, apenas, à célula familiar; todas as pessoas que estão ao nosso redor são irmãos a quem devemos deferir respeito, compreensão e amor.

É, justamente, através da pureza do coração que se alcança a felicidade, a abundância de afeto eficaz a afastar as sensaborias comuns no dia a dia, fazendo com que, nos páramos terrestres, possamos usufruir das venturas celestes.

Entretanto, é com tristeza e decepção que sabemos da existência de irmãos que se odeiam. Alguns chegam ao descomedimento de exterminar a vida do outro, vida que eles tinham obrigação moral de defender e honrar. São criaturas inferiores que não conseguem entender que a vida passa – infalivelmente, passa – e, na última estação da estrada, temos de depositar o que restou do corpo cansado, na esperança de que seja possível usufruir sossego ao longo da eternidade.

Como não é permitido voltar no tempo e consertar falhas pretéritas, nada mais se pode fazer em benefício de quem não deu chance ao amor; restar-lhe-á o desgosto de ter sido estúpido, suportando a responsabilidade dos seus atos nefandos.

Sabemos que, ao longo da vida, os desentendimentos entre alguns irmãos versam sobre herança (leia-se bens materiais) e dinheiro, como se fosse possível levar essas coisas quando a morte chegar. Lamentavelmente, há quem defira excessivo valor à pecúnia e a imóveis, esquecendo-se da virtude, da fraternidade e da caridade, comuns aos homens pródigos de amor.

Só é possível crescer aos olhos de Deus e dos homens aqueles que amam seus pares como se verdadeiros irmãos fossem.

Amar é ser o outro.

Bem se expressou o ativista norte-americano Martin Luther King: “O amor é a única força capaz de transformar um inimigo em amigo.”

Iguaracy: Onde o sol nasce com nome e propósito

Por Rinaldo Remígio*

“Ao povo de Iguaracy
Cidade que tenho laço
Feito com amor de mãe
E a resistência do aço.
E como diz Maciel:
‘Isto vale um abraço’.”
— Ademar Rafael Ferreira

Rinaldo Remígio — professor universitário aposentado e memorialista.

Os versos do meu amigo e irmão poeta Ademar Rafael Ferreira abrem esta matéria traduzindo o sentimento que me une a Iguaracy: um laço de afeto, de origem materna e de resistência sertaneja.

Há cidades que conhecemos pelas estradas, outras pelos livros, e algumas que carregamos dentro de nós antes mesmo de compreender a dimensão de nossa própria história. Iguaracy reúne, para mim, esses caminhos: é terra de memória, cultura e trabalho, mas também o chão onde estão fincadas minhas raízes maternas.

Foi nesse município do Sertão do Pajeú que nasceu minha genitora, Maria de Lourdes Mendes Gomes (in memoriam), filha do saudoso vaqueiro Joaquim Mendes da Silva (in memoriam), meu avô materno. Ele residiu durante muitos anos no sítio Mandacaru, atualmente propriedade do meu querido mano, professor Reginaldo Remígio. Por isso, escrever sobre Iguaracy é também prestar uma homenagem à minha família e reconhecer o lugar de onde veio parte dos valores que orientaram minha caminhada.

Mandacaru representa mais do que uma propriedade rural. É uma referência de pertencimento, um elo entre gerações. Ao recordar meu avô, homenageio também os vaqueiros sertanejos, trabalhadores cuja coragem e conhecimento da caatinga ajudaram a sustentar famílias e comunidades. Na história desses homens, o Sertão encontra uma parte essencial de sua identidade.

A formação de Iguaracy guarda marcas dessa vida ligada à terra. Antes da cidade, havia a área de pastagem conhecida como Logrador, associada a Antônio Rabelo. A doação de terras para o patrimônio de São Sebastião e a atuação religiosa do padre Carlos Cottart contribuíram para o surgimento do povoado. Conhecida posteriormente como Macacos e, depois, Iguaraci, a localidade conquistou sua emancipação de Afogados da Ingazeira em 20 de dezembro de 1963, passando a adotar a grafia Iguaracy.

Desde então, sua trajetória se confunde com o esforço de uma população que constrói, diariamente, as condições para viver e prosperar no semiárido. A sede, os distritos de Jabitacá e Irajaí, o povoado da Caatingueira e as comunidades rurais compõem um município de muitas histórias, unido pelo trabalho e pelos vínculos de convivência.

Na economia, a agricultura familiar, a criação de animais, o comércio e os serviços fazem parte desse cotidiano. O cultivo de milho e feijão e a criação de bovinos, caprinos e ovinos expressam a ligação do município com o campo. Por trás de cada produção estão famílias que conhecem o valor da chuva, acompanham o ritmo das estações e insistem em produzir mesmo diante das dificuldades.

Vejo nesse patrimônio produtivo possibilidades que merecem atenção permanente. Assistência técnica, segurança hídrica, organização dos produtores e beneficiamento dos alimentos podem ampliar a renda e fortalecer a permanência das famílias no meio rural. Apoiar o pequeno empreendedor e melhorar as condições de comercialização significa permitir que uma parcela maior da riqueza gerada permaneça no próprio município.

Também há espaço para desenvolver, com planejamento, um turismo apoiado na cultura, na paisagem sertaneja, na culinária e na experiência da vida no campo. As festas religiosas, os encontros comunitários e as manifestações artísticas oferecem caminhos para receber visitantes e movimentar pequenos negócios. Esse desenvolvimento precisa respeitar o ambiente e valorizar, antes de tudo, quem vive no lugar.

Na música, Iguaracy possui motivos especiais de orgulho. Maciel Melo, cantor, compositor e poeta, é uma de suas expressões mais conhecidas. Sua obra traduz afetos, saudades e experiências do povo sertanejo. Em suas canções, o Pajeú ganha voz e encontra ouvintes muito além das fronteiras pernambucanas.

Outro capítulo marcante é a ligação da cidade com a banda Trepidant’s. Embora sua trajetória tenha se desenvolvido a partir do Recife, suas raízes familiares alcançam Iguaracy, onde nasceu José Geraldo da Silva, o Geraldo Trepidant’s, um de seus fundadores. Lembrar essa origem é reconhecer a contribuição do interior para a música pernambucana e brasileira.

Na literatura e na poesia, faço questão de destacar meu amigo e irmão Ademar Rafael Ferreira, filho de Jabitacá e autor dos versos que abrem esta matéria, cuja sensibilidade e amor pelas palavras enriquecem a cultura do Pajeú. Ademar carrega uma herança especial: é filho de outro poeta, Joaquim Rafael de Freitas (in memoriam), conhecido como Quincas Rafael, que deixou sua marca na memória e na vida cultural daquela comunidade.

Ao cultivar a poesia, escrever suas crônicas e contribuir para a preservação da história local, Ademar honra o legado paterno e constrói sua própria trajetória. Sua atuação no Instituto Cultural Quincas Rafael, em Jabitacá, traduz esse compromisso com as raízes e com as novas gerações. Para mim, homenageá-lo é também celebrar uma amizade fraterna e reconhecer um homem que faz da palavra um instrumento de afeto, memória e valorização de sua gente.

Pai e filho representam a continuidade de uma riqueza que não se mede em posses, mas em sensibilidade, conhecimento e contribuição cultural. Na poesia de Quincas e nas palavras de Ademar, Jabitacá encontra motivos para se orgulhar de seus filhos e preservar suas histórias.

Muito bem lembrado por Ademar, registramos também nesta matéria uma homenagem ao saudoso Manoel Jerônimo Neto, pajeuzeiro que nos deixou recentemente. Líder sindical dos bons, atuou no Sindicato dos Produtores Rurais de Iguaracy, dedicando-se às causas do campo. Na lembrança de Ademar, sua atuação merece reconhecimento ao lado de lideranças como Braz Emídio, pela disposição de lutar por sua gente.

Manoel Jerônimo Neto também cultivava a poesia. Suas estrofes foram lidas por Waldeci Menezes, no programa Terreiro da Fazenda, da Rádio Pajeú, levando aos ouvintes sua sensibilidade e sua palavra sertaneja. Ao reunir a atuação sindical e o fazer poético, deixou uma contribuição à vida rural e à cultura de nossa região. Sua memória merece permanecer viva entre aqueles que reconhecem o valor de quem dedicou a voz e o trabalho à sua comunidade.

Ao lado desses nomes, existem os artistas que animam festas, os poetas que compartilham versos, os músicos que iniciam sua caminhada e os moradores que preservam histórias pela tradição oral. Todos merecem reconhecimento. Uma cidade conserva sua identidade quando oferece espaço tanto aos talentos consagrados quanto àqueles que ainda estão começando.

A fé também integra essa construção coletiva. A tradicional Festa de São Sebastião, na sede, e as celebrações das demais comunidades renovam encontros, aproximam famílias e fortalecem vínculos. São ocasiões em que a devoção se mistura à saudade dos que partiram e à alegria dos que regressam.

Na vida pública, cabe reconhecer os gestores e servidores que contribuíram, com responsabilidade, para a organização e o desenvolvimento municipal. A história administrativa reúne diferentes momentos e nomes que participaram dessa caminhada. O patrimônio público é resultado de uma construção que atravessa mandatos e pertence à população.

Atualmente, a Prefeitura é conduzida pelo médico Dr. Pedro Alves. A ele, à Câmara de Vereadores e às equipes de trabalho cabe a responsabilidade de cuidar das necessidades presentes e preparar oportunidades para o futuro. Saúde, educação, abastecimento de água, estradas, apoio à produção e valorização cultural são compromissos que precisam alcançar tanto a sede quanto as comunidades mais distantes.

Enaltecer um município significa reconhecer suas virtudes e acreditar em sua capacidade de superar dificuldades. A boa administração merece reconhecimento por seus resultados, assim como a população merece ser ouvida em suas necessidades. O progresso ganha sentido quando chega à mesa das famílias, ao atendimento de saúde, à escola e às oportunidades de trabalho.

Mas a maior riqueza de Iguaracy continua sendo sua gente: agricultores, vaqueiros, comerciantes, professores, artistas, servidores e tantos outros trabalhadores. São eles que abrem as portas pela manhã, mantêm os serviços funcionando e transmitem aos filhos o amor por essa terra.

Ao concluir estas linhas, volto ao sítio Mandacaru, à memória do meu avô Joaquim, à minha mãe Maria de Lourdes e ao vínculo preservado pelo meu irmão Reginaldo. Nesses nomes, encontro a razão mais íntima desta homenagem. E, ao lembrar amigos como Ademar Rafael, percebo que minhas ligações com Iguaracy também se fortalecem pela fraternidade e pelo amor compartilhado à memória sertaneja.

Iguaracy é parte da história do Pajeú e parte da minha própria história. Seu sol ilumina a terra; sua gente lhe dá propósito. E minhas raízes maternas me lembram que, por mais longe que a vida nos leve, há lugares que continuam morando em nós.

*Professor universitário aposentado e memorialista.