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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Administradores
No dia da eleição que elegeu Fernando Collor para Presidente de República um amigo sociólogo afirmou: “Hoje, independente do resultado da eleição, começa um novo ciclo no Brasil. Em cinquenta anos teremos um país decente, primeiro a organização política, em seguida a massificação do ensino superior, depois o resgate de valores morais perdidos”.
Passados vinte e cinco anos percebo que a receita do meu amigo não foi absorvida em sua plenitude. A organização política caminha em passos lentos, a massificação do ensino superior tem ocorrido de certa forma, o problema maior tem sido o resgate de valores morais, que permanece adormecido.Aquifalaremos do segundo item. É inegável que a massificação do ensino superior tem acontecido por meio do ensino à distância, semipresencial e presencial, por todo país temos opções para nossos jovens e adultos ingressarem em uma instituição de ensino superior.
Alguns discutem a qualidade do que é ensinado, tenho plena convicção que muito depende do aluno. Esta “estória” de falta de base é desculpa. Metendo a cara nos livros barreiras serão rompidas.
Uma das áreas em que a massificação aconteceu foi a administração, existem várias opções. Atualmente os cursos de administração contam com mais de oitocentos mil alunos matriculados e, conforme dados oficiais, os Conselhos Regionais de Administração alcançaram a marca de 343.477 profissionais registrados em janeiro de 2014.
O dia do administrador 09.09 foi oficializado através da Lei 12.967, de 06.05.2014. O dia era comemorado tradicionalmente em função a data da Lei 4.769, de 09.09.1965, que regulamentou a profissão.
Resultado de pesquisa recentemente realizada pela Consultoria “Universum” entre fevereiro e maio deste ano, com 13.477 estudantes aponta a preferência dos acadêmicos por empregos em grandes organizações, no entanto, as empresas de pequeno e médio porte estão recebendo esta mão de obra qualificada na condição de empregados e empreendedores.
Estudos revelam que os empreendimentos gerados por administradores recém-formados crescem e caminham em direção à perenidade. Os fantasmas que rondam as organizações estão pouco a pouco eliminados por meio de práticas administrativas contemporâneas e aderentes as particularidades deste importante universo empresarial.
O binômio teoria x prática pode e tem contribuído para criação do país decente que meu amigo profetizou em 1989. Parabéns administradores do BRASIL.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

A dona do mundo
A Rede Globo, cujo volume de críticas a um governo qualquer tem escala inversamente proporcional ao montante dos recursos por ela recebidos em cotas de propaganda governamental, resolveu endurecer nas entrevistas exibidas no Jornal Nacional com os principais candidatos à presidência da república.
Revendo cada entrevista fique curioso para ver se Patrícia Poeta teria a mesma desenvoltura caso fosse indagada sobre a negociata das Organizações Globo x NBC-Time-Life, nos anos 60.
Da mesma forma desejaria ver a contundência de William Bonner ao responder sobre os nebulosos negócios da Rede Globo com a FIFA e a CBF, tão bem detalhados por Amaury Ribeiro Júnior (Ex-repórter do Jornal O GLOBO) e três colegas no livro “O lado sujo do futebol”, especialmente no capítulo oitavo, denominado “Tela Quente”.
Somos, sem dúvida, um país singular. Parte da imprensa, sob o manto de uma liberdade a seu favor, sente-se acima do bem e do mal e nesta condição formula a pauta que acha conveniente. O direcionamento das entrevistas foi para um lado que nada acrescenta ao processo, serviu somente para “encurralar” os entrevistados.
Talvez seja por isto que não temos um projeto de longo prazo para o país, os candidatos nas campanhas são preparados para responder sobre denúncias novas e requentadas relacionadas com seu passado e de aliados. Ao tomar posse viram porta vozes de servidores que caíram nas malhas do denuncismo que tanto agrada a imprensa nacional.
Tem sido assim. Uma denúncia rende mais audiência que a cobertura de um evento. Uma pauta apimentada supera um debate sobre planejamento estratégico. Quanto mais desconfortável para o entrevistado melhor.
Honestamente estou em dúvida se os entrevistadores globais são oriundos da Dinamarca, da Nova Zelândia e da Finlândia e se os entrevistados pertencem às populações do Afeganistão, da Coréia do Norte e da Somália, extremos da corrupção mundial, conforme levantamento da entidade Transparência Internacional.
Por saber que a isenção da Rede Globo pode ser comparada com a Eurico Miranda ao apitar um “imaginário” jogo entre Vasco da Gama x Flamengo na decisão do Campeonato Brasileiro, fico na espera das entrevistas no Jornal da Note e no Bom dia Brasil.
Um país que tem como defensores da ética e da moral prepostos das Organizações Globo está longe da luz no fim do túnel.
Por: Ademar Rafael,

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Esquina do Brasil III – Boa Vista
O que a mensagem de um comissário do Gol, postada no dia 01.05.13 e o diálogo da personagem Maria Marta, na novela Global “Império” no dia 24.07.14 tem em comum? A indelicadeza de definir Roraima como “o fim do mundo”. Nas duas oportunidades houve uma enxurrada de mensagens contrárias aos inoportunos textos e as redes sociais bobaram. Cada um, ao seu modo, expressou a indignação ao ver o Estado onde mora receber uma qualificação com a cara do preconceito vigente em nosso país.
O cronista Júnior Brasil, em texto de 29.07.14 sob o título “Isto tudo é uma novela só!” cidades@jornalderoraima.com.br – com muita ironia trata o caso da globo como um deslize na trama, citando inclusive que a fala da “socialite” tinha como direção o Monte Roraima, onde está o garimpo e não o Estado. Cita, ainda em sua crônica que em 1912 o escritor britânico, Conan Doyle, ao ambientar seu livro “O Mundo Perdido” no Monte Roraima antecipou a lógica de Agnaldo Silva, autor da novela global. Escreveu: “… se garimpo parece um absurdo para muitos, imaginem dinossauros andando pela região, como colocou o escritor…”.
Na verdade Roraima não é o fim do mundo e sim o começo do Brasil, no Estado está localizado o Monte Caburaí, extremo norte do país. 
Aprendemos erradamente nos livros de geografia que era o Oiapoque. No início da década de 1930 o Marechal Rondon já indicava que o Monte Caburaí estava acima do Oiapoque. O fato foi reconhecido pelo Ministério de Educação em 1998 após trabalho conjunto das forças armadas, IBAMA, FUNAI, EMBRAPA, Universidade Federal de Roraima e outros órgãos oficiais, tal estudo ratificou Caburaí fica 84 km mais ao norte do que o Oiapoque.
Sua capital Boa Vista é uma bela cidade as margens do Rio Branco. Seu centro comercial lembra uma cidade do interior nordestino onde o pequeno comércio ocupa maior espaço que as lojas das grandes redes nacionais. Nela a indústria dos shoppings ainda não chegou, duas plantas estão em construção como previsão de inauguração para o final deste ano. Também não é visível a especulação imobiliária, várias cidades com potencial econômico inferior e menor população estão muito mais povoadas de prédios. Os empreendimentos imobiliários estão em fase de gestação na capital dos roraimenses.
Em Boa Vista comi como se estivesse no nordeste e fui muito bem recebido pelo primo Alecssandro Tunu, filho de Tuparetama e dono da Espetaria e Chouparia Chão de Brasa, bela estrutura de bar e restaurante situada no coração da capital do Estado onde o Brasil começa.

Por:Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Esquina do Brasil II – Rio Branco
A acolhedora Rio Branco é a prova irrefutável que valeu a pena a luta dos seringueiros nordestinos e dos indígenas, sob a liderança do gaúcho Plácido de Castro, para anexar as terras acreanas ao território brasileiro em luta com o exercito boliviano, cujo litígio foi solucionado com o famoso “Tratado de Petrópolis” que imortalizou o Barão do Rio Branco.
Pena que seguimos na contra mão da história. Enquanto nossos concorrentes passaram a explorar o negócio da borracha no formato industrial nós continuamos a raspar os seringais com instrumentos da era medieval.
Caso seguíssemos a rota do desenvolvimento talvez Xapuri fosse hoje um polo industrial em vez de ser a “Meca” de ecologistas adeptos das ideias de Chico Mendes e seguidores de Marina Silva.
Nossa falta de atenção com a lógica desenvolvimentista deixou de criar, a partir de Rio Branco, uma saída para o Pacífico. Nossos vizinhos andinos acatariam o projeto e nossos produtos agropecuários do Mato Grosso, de Rondônia e do próprio Acre passariam a ter uma competitividade invejável. 
Se no passado deixamos de materializar o sonho de ligar o Brasil ao Pacífico, nos dias atuais incentivamos o consumo dos produtos asiáticos, livremente comercializados na cidade de Cobija-Bolívia. Rio Branco continua isolada pela incompetência do governo central, poderia ser um corredor de exportação e não apenas um centro consumidor.
Encontrar bolivianos e peruanos nas ruas de Rio Branco e tão comum como encontramos paraibanos na feira de Tabira. A convivência entre os três povos é harmônica e está inserida no cotidiano da capital dos acreanos. Um detalhe interessante é que os jovens dos países vizinhos muitas vezes chegam “fardados” com as camisas do Flamengo, do Barcelona e também da Seleção Brasileira.
A capital do Acre, por meio do Palácio Rio Branco e do Memorial aos Autonomistas, apresenta-nos marcos históricos e grande acervo de “apetrechos” usados na exploração da borracha e nas batalhas em favor da autonomia do território. Através do Mercado Velho e da Ponte Metálica remete-nos ao passado e por via das Pontes Novas e do Portal da Maternidade devolve-nos ao presente.
Salta aos olhos, ainda, na cidade cortada pelo Rio Acre o Projeto OCA, ambiente onde são ofertados serviços de interesse coletivo e a Biblioteca Pública, com rico acervo cultural, aberta ao público.^

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Esquina do Brasil I – Porto Velho
A cidade de Porto Velho, capital de Rondônia, fundada há um pouco mais de 100 anos é uma cidade com várias particularidades e muitos encantos. Nesta crônica vamos demostrar que existe, na região, um Brasil que merece ser desvendado e de onde poderemos extrair belas lições.
O complexo formado às margens do majestoso Rio Madeira representado por várias construções antigas e pelo museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré narra a história de um investimento que custou muitas vidas, altos custo para o tesouro e que deixou uma obra inacabada e com pouca serventia, a cara do Brasil.
O mercado de produtos regionais e ervas medicinal assim como as ruas em volta comprovam a importância dos rios na formação das cidades da região amazônica, tudo ou quase tudo gira em torno deles.
Porto Velho é uma cidade com vários sotaques e passa atualmente por alto índice de crescimento econômico, principalmente em função da Usina Hidroelétrica de Jirau. Sua população é composta de descendentes dos imigrantes das demais regiões do país que vieram para região no período da fundação e durante a expansão ocorrida na construção da rodovia Cuiabá-Porto Velho-Rio Branco, obra iniciada por JK nos anos 60 e asfaltada somente no início da década de 80.
No entanto quero registrar dois fatos positivos que ocorreram no curto espaço de tempo (25/28.07.14) que estive na capital dos rondonienses, tirem suas conclusões caros leitores. 
Em virtude ter antecipado em três horas o horário da chegada, na recepção do hotel fui autorizado entrar no apartamento uma vez que o funcionário, de forma não convencional afirmou: “Pode subir para o quarto reservado que darei entrada no horário marcado”. Este tipo de atenção para com os clientes é raro, normalmente o hóspede fica na recepção esperando o horário, foi gratificante o atendimento recebido.
Peguei um coletivo e pedi para avisar no ponto próximo do Shopping. Ao chegar ao final de linha a cobradora descobriu que eu não havia descido e prontamente disse: “Espere um pouco que na volta eu aviso”. Para minha surpresa o motorista colocou-me em outro ônibus, pela porta da frente e avisou ao colega que desse o alerta no ponto por mim solicitado. 
Pela forma que fui tratado nas duas situações minha passagem pela “Pérola do Madeira” ganhou um contorno especial. O cidadão foi reconhecido como tal, os valores pecuniários envolvidos viraram detalhes insignificantes. Estas lições poderiam ser utilizadas por prestadores de serviços similares no Brasil que se julga superior.
Por: Ademar Rafael