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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

A SUPERAÇÃO DO PRÍNCIPE

Na cidade de Florença, Itália, existe um monumento do século XVIII, obra de Innocenzo Spinazzi, que carece de atenção redobrada em virtude de risco de ruptura.

O que motiva fenômeno? É que Niccolò Machiavelli, morador no local, pode sofrer convulsão ao descobrir que sua teoria “o fim justifica os meios” está sendo utilizada por políticos e juristas no Brasil de forma muito acima da sua imaginação.

Exatamente isto, os ensinamentos de Maquiavel no “O príncipe” foi elevado a um patamar que supera tudo que ocorreu nos quatrocentos e noventa anos que nos separa da morte do político da Toscana.

Onde podemos perceber a extrapolação da tese?

Nas justificativas dos sábios Ministros do Tribunal Superior Eleitoral – TSE ao pouparem a Chapa Dilma x Temer da cassação.

Nas ponderações dos Advogado de Temer e dos Deputados de base durante as votações do parecer de Zveiter na Comissão de Constituição e Justiça – CCJ da Câmara.

Na troca dos membros da CCJ, e nas compensações via emendas parlamentares e cargos na esplanada para os deputados aliados com o Palácio do Planalto.

No pronunciamento de Lula após a sentença do Juiz Federal de primeira instancia Sérgio Moro.

No teor das delações que proliferem no Rio de Janeiro, em Brasília e Curitiba.

No discurso de Aécio na volta ao Senado, após despacho de Ministro do Supremo.

Na carreira que vai o livro “O príncipe” será o piso para nossos governantes e juristas. O teto? Dependerá do “fim” a ser perseguido.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

REPETIÇÃO DE ERRO?

Por pertencer a geração que assistiu a derrocada do setor agropecuário no final de década de 1980 e início da década de 1990, em virtude da oneração dos capitais com inserção da Correção Monetária nos empréstimos rurais, posso afirmar que a mudança da taxa de juros nas operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES tem tudo para jogar o setor produtivo numa nova aventura.

Em novembro de 1994 o governo editou uma Medida Provisória criando a Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP para corrigir operações de investimentos com recursos do BNDES. Esta medida trouxe um certo conforto para os tomadores e deu estabilidade para o setor.

Como a TJLP é fixada pelo Conselho Monetário Nacional e divulgada até o último dia útil do trimestre imediatamente anterior ao de sua vigência os devedores sabem o custo financeiro em horizonte temporal razoável para
tomar decisões.

O governo atual com o discurso de que o país precisa deixar de suportar os efeitos negativos dos subsídios nas operações de crédito do BNDES mudou a regra ao editar a Medida Provisória 777 criando a Taxa de Longo Prazo – TLP vinculada a títulos públicos remunerados com taxa SELIC, ficando seu custo próximo de referido índice de correção.

Tendo presente que a Taxa SELIC e definida pelo Comitê de Política Monetária – COPOM colegiado submisso aos interesses do governo via Ministério da Fazenda a instabilidade que antes inexistia passa a ganhar vigor a partir de 01.01.2018, data que entra em vigor a TLP.

Após as reuniões do COPOM em 25/26.07.17 a taxa SELIC estava fixada em 9,25% ao ano e a TJLP estava fixada em 7,0% ao ano. Uma elevação de 2,25% (32% da taxa anterior) no custo do capital tem imenso poder de corrosão sobre os ganhos de uma empresa.

Até quando nossos governantes vão escancarar o Brasil para investidores externos e especuladores e trancar para empresários locais?

 

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

HISTÓRIAS REPARTIDAS

Depois de brindar os amantes da boa leitura com o poético “Perto do Coração” o jornalista Magno Martins presenteia seus leitores com “Histórias de Repórter”, cuidadosa coletânea sobre os bastidores da sua ação jornalística.

Na publicação fica clara e relação que a esmagadora maioria dos nossos governantes exige da imprensa. Quando pretendem que suas ideias e seus projetos alcancem o grande público ficam dóceis e atendem os jornalistas com esmero. Este procedimento vem de longe e é destacado por Samuel Wainer no livro “Minha razão de viver – Memórias de um repórter”, ao detalhar a entrevista a ele concedida por Getúlio Vargas na fazenda “Santos Reis” onde se encontrava no exílio voluntário.

No entanto, quando seus interesses são contrariados ou quando detém altos índices de popularidade rejeitam qualquer tentativa para atender profissionais de imprensa antes paparicados.

Numa época em que as mensagens curtas dos blogs substituem as grandes reportagens e as entrevistas estruturadas uma publicação com a riqueza de detalhe apresentada pelo jornalista afogadense ganha relevância histórica.

Em um país que despreza seus registros históricos uma obra com esta característica apresenta-se como verdadeira relíquia e fonte de pesquisa para neófitos da profissão.

De forma exemplar, Magno apresenta fatos angariados na sua convivência com protagonistas nos cenários políticos e artísticos nos últimos trinta anos, dando clareza a detalhes mantidos a sete chaves em seu rico arquivo particular.

O livro, com a linguagem que caracteriza o blogueiro pernambucano, merece ser arquivado junto da obra de Sebastião Nery “A eleição da reeleição” por narrarem “pérolas” dos nossos políticos e serem assinadas por corajosas figuras do jornalismo nacional.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

UM TERÇO DE UM SÉCULO

No final do mês de julho ao passar por uma banca de revista deparei-me com a edição comemorativa da Revista Seleções de “Reader’s Digest”, publicação criada em 1922 por Lila Bell Wallace e Dewit Wallace, em Nova York e que chegou em nosso país em fevereiro de 1942.

No final dos anos sessenta e início dos anos setenta Seleções foi importante para minha formação de leitor compulsivo, meu pai recebia todo mês e indicava leituras em cada publicação.

Na edição especial de aniversário foram replicadas matérias publicadas durante os setenta e cinco anos, aqui destaco: “Como o Brasil abateu um invasor”, de Lois Mattox Miller, publicada no primeiro número que atesta os resultados positivos de sanitaristas brasileiros nas lutas contra os mosquitos Aedes aegypti (Osvaldo Cruz) e Anopheles gambiae (Barros Barreto); “Santos Dumont, pai da Aviação”, de Marion Lowndes, inserida originalmente na publicação de dezembro de 1942validando o invento do nosso conterrâneo e “O maior arranha céu do mundo”, de J. D. Ratcliff, publicada em setembro de 1969, sobre as torres do World Trade Center de Nova York.

Transcrevo um dos textos replicados na edição comemorativa em cada uma das sessões que mais gosto de Seleções: “Flagrantes da vida real – EM UMA ESTARADA de mão de dupla, vi um painel eletrônico no meio da pista que me chamou a atenção. Achei que podia ser alguma informação importante sobre desvios ou fim da pista de mão dupla, por isto dei uma olhada. Mas o aviso dizia: Preste atenção na estrada (Helen Lam, Canadá, 2010)”, “Piadas de Caserna – EM PRINCÍPIOS de 1944, um grupo de aviadores americanos estava alojado numa hospedaria chinesa em Kweilin. O empregado da casa, Cha, vinha nos acordar de madrugada para missões de combate como o aviso: Vamos! Chegou a sua hora! (Cap. J. M.O., 1950)” e “Rir é o melhor remédio – CONHECEMOS um
cavalheiro que, após um exame completo, ouviu do médico esta sentença: Muito pouco sangue em sua corrente alcoólica (Collier, 1954)”. Referida revista informa de verdade, que venha o centenário.

Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

AGRESSÃO EXTREMA

A agressão é uma prática indefensável e por isto impossível convivermos pacificamente com ela. Registros históricos marcam situações que os agredidos não detinham quaisquer elementos de defesa.

No livro bíblico, em Mateus 02,16-18, está descrita a matança das crianças por ordem de Herodes, após não receber as informações que esperava dos reis orientais.

Na idade média as agressões às crianças são facilmente identificadas em relatos sobre o trabalho infantil que chegou ao pico na época da Revolução Industrial.

A foto da menina Kim Phuc com o corpo todo queimado em função de ataques durante a Guerra do Vietnã, causou indignação a todos que tiveram acesso a imagem publicada em julho de 1972.

Em agosto de 2016 a guerra civil da Síria apresentou ao mundo a fotografia do pequeno Omran Daqneesh, após bombardeio na cidade de Aleppo. Com advento da internet referida imagem chocou o mundo.

Na guerra civil urbana enfrentada diariamente pelos moradores das grandes cidades do Brasil, o tiro que atingiu Arthur na barriga da mãe, por força de tiroteio na favela do Lixão, em Duque de Caxias, Estado do Rio de Janeiro, supera toda e qualquer crueldade.

Procurar os motivos que expõem crianças a eventos da natureza dos citados acima é perda de tempo, cada um com o sentimento interior encontrará uma resposta diferente.

Dificilmente chegaremos a um ponto que nos encaminhe para que fatos da espécie sejam evitados. Os casos de ontem somam-se aos de hoje e aos que virão amanhã e, nessa pisada, continuaremos teimando em buscar uma resposta que atenda as expectativas das vítimas e seus familiares.

Teremos condições de reverter este quadro ou vamos continuar assistindo as agressões? O dano é das crianças, o pecado da raça humana.

Por: Ademar Rafael