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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

BRICS, PARA QUE SERVE?

Na última semana de julho-2018 novamente os governantes de Brasil,Rússia, China, Índia e África do Sul se reuniram em Joanesburgo para jogar conversa fora justificando estudo e a adoção de medidas conjuntas para enfrentar a política protecionista do dono da terra, senhor Donald Trump.

A pergunta sem resposta é: Por que o resultado de tais encontros tem peso ZERO na solução dos problemas dos países e no atendimento dos objetivos do grupo?

Apesar de ser o caminho da lógica, não encontramos resposta ao considerarmos que conforme dados de 2017 o PIB dos países que formam o BRICS (22,8 trilhões de dólares) é superior ao PIB dos EUA (20,0 trilhões de dólares) e que os consumidores dos BRICS somam mais de 3 bilhões enquanto e nos EUA são 325,7 milhões.

As respostas começam a aparecer quando detalhamos os comportamentos dos países que compõem o bloco econômico idealizado pelo economista Jim O’Neill em 2001. Em um grupo onde cada um age olhando para seu umbigo o resultado coletivo será sempre pífio.

O Brasil teima em continuar sendo uma colônia dos EUA; a Rússia busca usar o grupo para superar disputas internas e melhorar sua relação com a União Européia; a Índia quer atrair para seu país todo que possa gerar
emprego e renda para sua imensa população; a China tem como meta principal empurrar suas “bugigangas” em toda face da terra e a África do Sul, mesmo com os estragos causados durante a época da segregação
racial, pensa com a cabeça de europeu.

Desta forma os governantes continuarão torrando dinheiro e gastando tinta e saliva para produzir documentos e intenções conjuntas sem qualquer eficácia e o BRICS será sempre sinônimo de quase nada.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

INTOLERÂNCIA

Desde que comecei a convier em ambientes coletivos ouvi que “política”, “religião” e “futebol” são assuntos cujas discussões não chegam ao consenso e que os debates podem gerar conflitos intermináveis.

Assim fui tocando o vida. Sempre que referidos temas surgiam em debates eu tentava fugir, mas dependendo do ambiente sempre apresentava minha versão sem esperar ser entendido.

Ao ultrapassar as barreiras dos sessenta anos, com o poder de argumentação em declínio, não entro em discussões sobre os três assuntos. No entanto, percebo que a cada dia as opiniões conflitantes sobre “política”, “religião” e “futebol“ ganharam a companhia da “intolerância”.

Com adição deste novo ingrediente os debates estão sendo conduzidos para um universo onde a incapacidade de convergência é instalada previamente e o caldo extraído tem gosto amargo.

Por motivos diversos estamos perdendo a capacidade de, pelo menos, tentar ouvir o pensamento alheio. Entramos nas disputas verbais e escritas com juízo de valor formado e a intolerância grassa nos contatos pessoais e nos meios virtuais.

O fenômeno de comunicação popularmente chamado de “redes sociais” tem colocado tempero perigoso nas relações entre os debatedores que,munidos dos arsenais cibernéticos, apontam jatos de venenos perigosos
em todas as direções.

Uma palavra destoante do pensamento de alguém é suficiente para propagação de ofensas que extrapolam qualquer perspectiva de convivência harmoniosa entre seres da mesma espécie, classificados como humanos.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

MANOEL JERÔNIMO NETO

Nos carrancudos anos 60/70, em Iguaraci, destaca-se Manoel Jerônimo Neto, agricultor, autodidata, poeta e sindicalista por excelência.

Antecipou-se e começou a desenvolver um trabalho de organização no meio rural, fazendo ressurgir o movimento esfacelado e sufocado pela revolução de 64.

Sua voz estridente dispensava megafone e suas idéias libertárias enfrentavam a ira de proprietários de terras que viam na figura de Manoel Jerônimo uma ameaça para seu estilo de gestão, baseado no favorecimento dos grupos dominantes e na exploração de mão-de-obra barata.

No campo poético Manoel Jerônimo travava embates com outros poetas da região no memorável programa no “Terreiro da Fazenda”, comandado por Waldecy Menezes.

Convivi com ele na qualidade de estudante em Iguaraci e posteriormente como funcionário do Banco do Brasil. Nesta segunda fase nas suas defesas para o atendimento dos pequenos produtores com crédito na hora certa e sem burocracia era visível o alto grau de inteligência. Suas veementes ponderações tinham sempre o viés social e eram dosadas de muita coerência.

Ideais defendidos por Manoel Jerônimo fortaleceram-se com o arremedo de volta da democracia, contudo, sofreram com ações dos governos entreguistas, no tocante a divisão de rendas. A subida do PT ao poder com certeza deu-lhe alegrias, a ruptura da mesma forma trouxe tristezas.O eco de qualquer grito do campo e em toda ação pelo direito a um pedaço de terra terá fragmentos da voz do nosso líder sindical.

(*) – Publicada originalmente no site www.afogadosdaingazeira.com.br, como Pessoas do meu sertão IX

Crônica de Ademar Rafael

AFOGADOS 109 ANOS

Ao participarmos das comemorações dos cento e nove anos de Afogados da Ingazeira, além de revermos amigos, contatamos que nove pontos merecem maior destaque. Tais fatos serão agrupados em blocos de três em virtude da correlação.

No primeiro grupo gostaríamos de destacar a parte relacionada com a décima quarta Expoagro. O zelo com área de exposição dos animais, o padrão racial do rebanho e a integração entre os organizadores e expositores são pontos que saltam à vista do observador exigente.

No grupamento dois destacamos a entrega dos títulos de cidadão afogadense para Professora Luiza Tadeia, educadora com relevantes serviços prestados na cidade no tocante e educação, e para o casal Patrícia Queiroz Farias e Sebastião Duque Cajueiro, com dedicação exemplar na área de administração de unidades de saúde na média e alta complexidades; a outorga da Medalha Dr. Orisvaldo Inácio para seguintes personalidades: Professor Luiz Alves, comunicador do Programa “Vida de Gado” Antônio Martins, radialista José Tenório, responsável pela Pastoral Carcerária Lourdes Leandro e comerciante Aniceto Elias de Brito e a participação ativa dos vereadores nos eventos, demonstração que Executivo e Legislativo superam os conflitos naturais quando o assunto é de interesse da comunidade.

Os três últimos pontos que merecem destaque são: a atenção data aos artistas locais e regionais na grade de shows, poucos eventos no nordeste deram tanto espaço para música de raiz como foi dado na festa de nossa cidade; a entrega da Unidade de Saúde para comunidade do Bairro Sobreira e da primeira parte da reforma da área de passeio na Avenida Rio Branco.

Parabéns para Afogados da Ingazeira, para os expositores e organizadores da Expoagro e para ao poder público.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

OS SANTOS, OS ZÉS E UMA MUSA.

Na noite de São João, no bairro Santo Antônio, no Pátio de São Pedro uma “nativa” de São José do Egito cantou divinamente músicas dos compositores Zé Dantas e Zé Marcolino. Bia Marinho encantou os presentes com uma apresentação digna de aplausos intermináveis.

De pés descalços, soltou os cabelos e a incomparável voz em favor da autêntica música nordestina. A banda, cujos filhos Greg e Miguel faziam parte, serviu de espaço para que o “o arco íris musical do Pajeú” demonstrasse toda sua exuberância e brilho.

Depois do show, em Afogados da Ingazeira, este cronista em conversas com amigos amantes da boa música afirmou o que ratifico nesta crônica. Temos salvação: “Enquanto vozes como a de Bia Marinho estivem ecoando pelos palcos de vida a música de raiz será eternizada”.

Na abertura do show a nossa “sabiá” interpretou a música “Caldeirão dos mitos” com uma intensidade tão elevada que se Bráulio Tavares e Elba Ramalho estivem na plateia teriam chorado de emoção. A beleza da interpretação não cabe em uma crônica composta somente de adjetivos.

A revoada sobre obras de Zé Dantas e Zé Marcolino ratificou a escolha que o dona da linda voz do Pajeú fez desde o início da sua carreira, ao lado de Zeto: “Defesa da nossa música com a garra que uma mãe defende seu filhote das garras de um predador”.

Foi ao Pátio de São Pedro com a certeza que assistiria a um espetáculo superior, não apenas por causa do reconhecido talento de Bia. Numa postagem que ela fez pela manhã do dia 23.06.18, carregando as baterias com o neto Zé, ficou evidente que a atmosfera estava pronta. Seria outra apresentação onde os não iluminados teriam somente que aplaudir e agradecer a Deus por está ali, naquele momento. Bia, que São José, São Pedro, São João e Santo Antônio protejam você e seus Zés.

Por: Ademar Rafael