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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

EXTREMOS

Desde que iniciei minha atividade como cronista neste espaço tenho como principal propósito trazer temas que possam promover reflexões, sem apresentar versões definitivas. Todas postagens permitem a avaliação isenta de cada leitora e cada leitor. Em nenhuma delas afirmo estar apresentando a expressão da verdade única.

Assim procedo por entender que numa convivência harmoniosa necessário se faz ouvir o outro lado e saber que o mundo real tem extremos e miolo, afinal como sabemos o rio não é formado apenas pelas margens, precisa do leito central para exercer sua missão. Se os extremos se fecham deixa de ser rio, ao se alargarem demais transformam o rio numa lagoa.

Nunca havia lido mensagens tão contundentes contra essa equivocada opção para a vivência nos extremos, com polarização em níveis elevados, que o mundo tem experimentado. Eis que tive acesso ao livro “Ciberpopulismo – Política e democracia no mundo digital”, de autoria do jornalista argentino Andrés Bruzzone doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo-USP.

Esta rica publicação sobre o assunto traz afirmações duras como: “Polarização é quando duas convicções opostas ocupam todos os espaços do debate político” – “Pluralismo democrático exige
confrontação e debate. Em toda sociedade há necessidades contraditórias que precisam ser resolvidas, e a democracia é o sistema de governo que permite encontrar soluções negociadas aos conflitos.” – “As vozes do meio são abafadas pelos”.

Concluída a leitura da obra podemos ver os impactos negativos que o crédito excessivo dado para as postagens das ferramentas de comunicação em massa têm promovido em todo mundo, no Brasil temos exemplos cujos resultados deixamos de detalhar por respeito a cada um de vocês. Que tal procurarmos ouvir mais e impor menos?

Crônica de Ademar Rafael

FURTUNA E RIQUEZA

Na primeira década deste século, para atender uma demanda interna do grupo que eu trabalhava, elaborei um curso de curta duração sobre Educação Financeira. Era uma abordagem com conteúdo básico que sugeria como deve os gastar bem as nossas disponibilidades financeiras.

No curso eram apresentados conceitos sobre consumo responsável, endividamento dentro da capacidade orçamentária. Várias atividades práticas eram realizadas e cada participante saia com uma planilha para organizar suas finanças via planejamento financeiro.

Dos colegas de trabalho e demais alunos que recebiam as informações como atividade extra curricular, no caso de faculdades que atuava como professor, sempre ouvia depoimentos sobre situações que criaram dificuldades para honrar os compromissos assumidos, na esmagadora maioria para quitar aquisições fora da capacidade de pagamento.

Recentemente, Zé Carlos, meu amigo e colega aposentado do Banco do Brasil me presenteou com o livro “A psicologia financeira – Lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade”, de autoria de Morgan Housel. A aparente complexidade do título é desmistificada pelo autor em um texto leve e de fácil compreensão.

Como um olhar mais aprofundado sobre tema, ligando ao comportamento, o escritor emite avisos importantes, define conceitos e dá dicas importantes. Destaco duas ponderações inseridas no livro e que definem as palavras que formam o título desta crônica. “Fortuna é algo escondido. É receita não gasta. A única forma de acumular fortuna é não gastar o dinheiro que você tem.” – “Riqueza tem a ver com rendimento atual. Não é difícil identificar pessoas ricas. Elas com frequência se esforçam para serem notadas”. Percebam, quem tem fortuna é discreto, os ricos gostam de ostentação. Escolha o grupo que você quer fazer parte, mesmo com o pouco que tem.

Crônica de Ademar Rafael

EDUCAÇÃO PLENA

Ao lançar seu olhar para educação na Campanha da Fraternidade a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB repete neste ano de 2022 abordagens dos anos 1982 e 1998. O tema escolhido foi: “Fraternidade e Educação”, o lema: “Fala com sabedoria, ensina com amor”. Tais enunciados guardam perfeita coerência com a linha de pensamento deste cronista, em 14.02.22 na crônica “É o amor” falamos sobre práticas educacionais baseadas no amor.

Na revista publicada pela CNBB-NE2 a entidade chama atenção para fatos que agravam a situação indesejável da educação em nosso país. Destaca a “Agitação Social”, a ”Fadiga Pandêmica”, a “Ditadura da Tecnologia” e “Vítimas da Pandemia”. Negar que tais fatores geram impactos negativos no sistema educacional e tentar esconder um realidade palpável e perceptível a olho nu. Para fazermos escolhas capazes de mudar o rumo da educação no Brasil a CNBB indica que precisamos: “Escutar”, “Discernir”, “Agir” e “Contemplar”. É claro que por mais força que tenham estas práticas solução não virá sem a mudança de postura dos governantes, dos pais, e de todos que atuam no sistema educacional.

A título de ilustração registro um fato que presenciei durante uma visita que fiz a um amigo que coordena uma unidade escolar em Recife. O educador, durante nossa conversa, foi abordado pelo pai de um aluno sobre a necessidade de intensificar e manter regularidade nas atividades extra classe. Isto mesmo, o pai veio solicitar que as atividades para o aluno desenvolver em casa fossem feitas com regularidade e em volume capaz de manter o jovem atento às suas responsabilidades escolares.

Não tenho dúvidas que se outros pais seguissem esta linha do pensamento e com inserção do amor nas escolas poderíamos nos mover em direção ao lugar que possibilita tirar a educação do estágio atual. Ao entendermos que educação é um sistema que extrapola a sala de aula, que nasce da ação integrada da escola, da família e da comunidade avançaremos.

Crônica de Ademar Rafael

EDIERCK JOSÉ DA SILVA

O município de Carnaíba, berço do poeta e compositor Zé Dantas, deu de presente ao Pajeú – entre tantos outros -, mais um artista completo. Sem qualquer viés de bairrismo sempre o qualifiquei como nosso Leonardo da Vinci, quando acionadas as teclas relacionadas com música, escultura e pintura.

Pode existir outros, minhas limitações não permitiram alcançar outra pessoa que domine com propriedade estas três áreas de produção artística. Edierck é um músico que transita entre o clássico e o popular, tocou com músicos talentosos como Canhoto da Paraíba, Nenel Liberalquino e Djalma Marques; pinta quadros com características que abraçam os estilos bizantinos assim como os encontrados em obras de pintores do nível de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti e cria esculturas em madeira e outros com estilo próprio, utilizando vasta lista de materiais. Consegue transformar o tronco de uma árvore cortada pela mão humana numa obra prima. A praça Arruda Câmara expõe algumas delas.

Mesmo com essa intensa carga de talento é uma figura desprovida de vaidades e detentor de uma educação admirável. Nunca vi Edierck levantar a voz ou agredir alguém. Com a mesma sensibilidade que aciona as cordas do violão trata as pessoas. Sua residência em Afogados da Ingazeira, além de ser um local com alta carga de energia positiva, é seu atelier e espaço para exposição de muitas das suas várias criações. Até as portas são obras de arte. Pena que pouca gente valoriza seu talento da forma que merece, muitos até ignoram esse imenso potencial.

Durante muito tempo a tela do meu computar era uma foto de um dos seus quadros. As pessoas que viam a pintura perguntavam de onde era o pintor. Quando eu falava que era um filho do Pajeú todos expressavam sua surpresa e passavam a fazer observações sobre a obra, relatando características que eu desconhecida.

Em evento realizado na “Budega com prosa”, para lançamento do livro “A mensagem e o verso”, de minha autoria em parceria com Celso Brandão,Edierck chegou de mansinho e fez um verdadeiro conserto antes das declamações. Os que tiveram o privilégio de ouvir o repertório apresentado foram para casa com leveza na alma. Foi uma verdadeira aula de cumplicidade com um projeto cultural. Onde estiver sendo realizada uma reunião que trate de cultura lá ele estará dando apoio.

Casado com a também educadíssima Olegária, pai de Edierck, Edimarck,Maíra Coracy e Erck Omar e avô de Bianca, Maria Alice e Antônio Benjamin. Dos seus descendentes conheço o primogênito Edinho, que enveredou pelo mundo da música. Esbanjando talento é uma referência em nossa região. Com densa formação acadêmica ampliou o talento que herdou do pai e como seu genitor é uma figura extremamente agradável. A galeria “Pessoas do meu sertão”, ganha muito com seu mais novo integrante. Uma das suas criações integra a Agenda-21, da ECO 92. Vida longa amigo.

Crônica de Ademar Rafael

GUERRA DE NARRATIVAS

As palavras que formam o título deste texto foram introduzidas em nosso cotidiano e são repetidas todos os dias em canais de televisão abertos e por assinatura. Tenho um conceito próprio para este fenômeno da comunicação de massas: “São versões, muitas vezes sem expressar a verdade, que assumem o lugar dos fatos”. Isto mesmo, são ponderações que se apoderam dos fatos, ligando-os aos seus propósitos.

Sem o intuito de alcançar a unanimidade quanto a sua aceitação, também tenho uma linha de pensamento sobre como surgiu este modelo. Para este cronista todo começou a tomar forma no momento que ancoras de grandes noticiários do rádio e da televisão passaram a emitir suas opiniões sobre o teor das reportagens apresentadas. Boris Casoy, com o famoso arremate: “Isto é uma vergonha” opinava sobre os fatos. Distorções, modeladas por questões ideológicas, interesses diversos vestiam referidas opiniões.

Seguindo modelos aplicados à exaustão em diversos programas sensacionalistas de grandes redes de TV aberta, blogueiros e influenciadores digitais, muitas vezes alimentadas por robôs, promovem a multiplicação das mensagens que serve de solo fecundo para fixação das narrativas nas mentes alienáveis, o estrago provocado se espalha como fogo em capim seco.

Ataques a adversários, a instituições e a países são os principais alvos da guerra das narrativas. Nos últimos anos, em todo mundo, muitos foram eleitos por força da influência que tais mensagens sobre legiões de simpatizantes e de pessoas desprovidas da capacidade de pensar.

Em 2018 o jornalista e escritor Luciano Trigo lançou o livro “Guerra de Narrativas – A crise política e a luta pelo controle do imaginário”. Esta obra traz ótimas observações sobre o tema, destacando sua proliferação

diante da polarização que reina em todos os setores da vida social, onde tudo é tratado a partir do binômio “nós” e “eles”.