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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

PREVENIR OU REMEDIAR?

Movidos por comodidade, preguiça, omissão, falta de interesse ou outros posicionamentos muitas vezes deixamos de agir tempestivamente para solucionar problemas pequenos que por falta das medidas corretivas se agravam. Deixamos muitas coisas para depois ou buscamos atacar os efeitos e não as causas. A arte de postergar faz parte do nosso estilo de vida pessoal e profissional.

Na abordagem do tema o autor e palestrante americano Dan Heath publicou o livro “Upstream – A busca para resolver os problemas antes que apareçam”. É uma publicação que pode encaminhar corretamente a resposta para indagação inserida como título desta crônica.

Entre vários pontos registrados no livro destaco inicialmente as três barreiras que o autor apresenta como entraves reais para tomarmos decisões em tempo hábil e evitarmos um estrago maior. A primeira é a cegueira, quando assumimos que não enxergamos como problema ou consideramos o fato como inevitável. A segunda é a falta de propriedade, traduzida na famosa frase “Esse problema não é meu”. A terceira e última é a pratica de cavar um túnel, momento que dizemos: “Não consigo lidar com isto agora.”, também conhecido como “Jogar debaixo do tapete”.

Como com pouco esforço podemos ver que tais barreiras alcançam boa parte das justificativas existentes para não agirmos na hora certa, terceirizarmos o problema ou deixarmos para que o tempo resolva a questão. Na minha vida profissional quando enfrentei os problemas com foco nas causas vi os resultados aparecerem e os problemas sanados. Na vida pessoal, na maioria das vezes, deixei como estava para não agravar, hoje percebo que errei, poderia ter evitado muito desgaste.

Na parte final do texto Dan Heath deixa duas dicas especiais: “Seja impaciente para ação, mas paciente para os resultados” e “O macro começa com micro.” Seguir a primeira dica é um bom começo, concordam?

Crônica de Ademar Rafael

AMIGOS DE QUINCAS RAFAEL – IV

Em 1972 quando viemos residir em Afogados da Ingazeira meu pai sugeriu que em qualquer dificuldade imediata eu deveria procurar os seus amigos de infância, entre estes estava Décio Campos da Silva, seu Décio como era conhecido.

De onde vinha esta certeza do apoio? Da confiança que meu saudoso pai tinha no grupo de que estamos divulgando na última segunda feita de cada mês, neste semestre. Não houve necessidade e urgência para recorrer a estes amigos, mas a certeza da existência desses anjos da guarda dava certa segurança para o jovem advindo de Jabitacá.

Seu Décio foi uma liderança em Afogados da Ingazeira, construída com solidez pela forma como tratava todos. Como Inspetor de Trânsito ou empreendedor ele tinha enorme capacidade de criar soluções e ser bom conselheiro. Nos deixou com menos de 50 anos, na vida entre 1923 e 1972 deixou exemplos a serem seguidos. Ficaram conosco seis filhos, sendo três homens e três mulheres e Dona Zabezinha.

Lembro do dia que fui com meu pai esperar o cortejo com o corpo de Seu Décio, nas imediações do Sítio Barro Branco em Iguaracy. No trajeto Quincas Rafael falava emocionado sobre a salutar amizade entre os dois, nesta viagem tive mais um incentivo para criar a manter amizades.

Tenho o privilégio de ter convivido e ser amigo de Reginaldo, que também nos deixou, Ednaldo e Luciano. A eles nas vezes que recorri foi plenamente atendido, a amizade do nossos pais teve a sequência lógica.

A prepotência encontrada em muitos gestores e funcionários públicos com atuação na área de trânsito quer nas ruas, estradas ou unidades de atendimento – nos dias atuais -, é diametralmente oposta aos
procedimentos de Seu Décio. Era respeitado pelos pares em função do carinho que tinha por cada colega.

Crônica de Ademar Rafael

ARREPENDIMENTO

Com certa frequência dizemos ou ouvimos de outras pessoas as frases “Não me arrependo de nada” e “Faria tudo do mesmo jeito”. Acontece também com certa regularidades que tais afirmações perdem o vigor com o tempo. Algum momento estas mesmas ponderações ao serem submetidas ao crivo dos seus autores são modificadas, a maturidade nos leva a mudar o pensamento em relação aos nossos comportamentos anteriores.

No livro “O poder de se arrepender – Como avaliar o passado para seguir em frente” o autor americano Daniel H. Pink, desmistifica a tese de que arrependimento é para os fracos, ao afirmar categoricamente: “O arrependimento nos torna mais humanos”, “O arrependimento nos torna melhores” e “O arrependimento me dá esperança”. O escritor pondera com muita nitidez que a prática do arrependimento é salutar.

Para ilustrar essa crônica solicitei que o amigo Celso Brandão meu parceiro no livro “A mensagem e o verso” apresentasse uma análise sobre o tema, às luz das suas convicções. Ele prontamente me enviou o texto a seguir transcrito, por meio dele minha proposta para refletirmos. Cabe a cada uma ou cada um a conclusão que melhor esteja adequada ao momento atual de suas vidas. Eu hoje me arrependo sem traumas.

Jesus lhes respondeu: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”; Lucas 5:31-32 – “O arrependimento é a chave para uma mudança de vida. Quando nos arrependemos, reconhecemos nossos pecados e os rejeitamos, escolhendo viver de maneira diferente. Quando cremos em Jesus como nosso salvador, recebemos o perdão e a vida eterna. O pecado é como uma doença, que nos infecta e destrói. Mas o arrependimento é o primeiro passo para a cura. Jesus é o médico que salva a vida de quem se arrepende…O arrependimento nos abre a porta da eternidade, para podermos desfrutar de toda a bondade e justiça de Deus.”

Crônica de Ademar Rafael

SEM GABARITO

Quando uma pergunta é direcionada para avaliar a percepção das pessoas sobre algo, não devemos esperar por resposta única. Cada um, com seu juízo de valor, tem a resposta de sua preferência. Neste direcionamento indaguei um grupo de alunas e alunos sobre o que os motivava no exercício de um cargo em uma empresa privada. Dei como opções salário, respeito e reconhecimento.

Em um universo de trinta indagados vinte e sete responderam que seria o salário o principal fator de motivação, houve certa equivalência quanto a segunda opção entre respeito e reconhecimento, três colocaram o salário em segundo lugar dando como primeira opção o reconhecimento.

Como o público alvo está com idade entre vinte e vinte e três anos as respostas estão dentro do esperado. Nesta fase da vida quando estamos em busca da estabilização emocional, profissional e financeira. A preferência pelo salário é justificável, na medida que galgamos experiência com o avanço da idade é comum alterarmos as preferências.

Em muitos casos podemos adicionar às três opções acima o poder e o status. Em casos específicos estas duas novas variáveis ganham força e superam as demais. Convivi e fui liderado por muitos executivos que davam preferência para o poder e o status. Como são preferências pessoais não devemos criticar ou apontar opção única.

Estas escolhas sustentam os posicionamentos que muitas pessoas do nosso entorno adotam. Para se manterem nos cargos que alimentam seus “egos” fazem todo tipo de estripulias.

Nosso principal objetivo com essa reflexão é entendermos que nossas escolham podem não ter aderências com as escolhas do nossos parceiros no trabalho, na vida social ou mesmo no seio familiar. Precisamos compreender que neste tipo de assunto não existe gabarito.

Crônica de Ademar Rafael

SEPSE

O título desta crônica pode remeter a atenção da leitora ou do leitor para um órgão público do estado de Sergipe, contudo, não se refere a esse assunto e sim ao nome dado para “infecção generalizada”.

Mas, hoje não vamos falar sobre a maior causa de mortes evitáveis no mundo. Falaremos sobre o sistema político brasileiro que sob o olhar deste modesto cronista se encontra com alto nível de infecção. Não existe medicamentos capazes de combater os danos causados ao país, ao seu povo e aos interesses coletivos.

Que fique claro e evidente que não podemos nem devemos culpar cidadãs e cidadãos que disputam os pleitos eleitorais e são eleitos, concorrendo aos cargos pretendidos sob o manto da legislação vigente.

Qualquer brasileira ou brasileiro que resida no espaço compreendido entre a nascente do Ailã, no Monte Caburaí estado de Roraima, ao Arroio do Chuí, no Rio Grande do Sul e entre a Ponta do Seixas na capital do estado da Paraíba e a Serra da Contamana, na nascente do Rio Moa no estado do Acre sabe que com os mecanismos atuais jamais reduziremos o fosso social e a lama em estado de putrefação do nosso sistema.

Por meio do voto poderíamos mudar algo se não continuássemos votando nos mesmos, elegendo os de sempre. Se colocarmos os eleitos para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual em ordem alfabética encontraremos nomes de famílias que estavam nos cartazes preto e branco da época dos nossos avós.

Isto mesmo, famílias que receberam votos dos nossos avós continuam recebendo nossos votos. A proliferação de familiares na política ganha das duplas sertanejas no Centro Oeste do Brasil e é páreo duro para o cupim “coptotermes gestroi”, que povoa o mundo. Em resumo: “Votando nos mesmos, vamos continuar na mesma.” Que venham 2024, 2026…