Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

CRÔNICA DO ADEMAR RAFAEL

Sabedoria de taxista

Tenho um hábito antigo que é ao entrar em um táxi puxar conversa com o motorista sobre futebol e política. Destes diálogos sempre tiro grande lições. Este texto focará questões políticas.

Já ouvi taxista dizer que Maluf caso roube é por ser portador de “cleptomania”, não o faz por necessidade. “Ele é um homem rico doutor”, disse-me o eleitor malufista. O taxista da capital bandeirante com um pouco mais de tempo teria mudado meu ponto de vista sobre o ex-governador paulista.
Recentemente em um trajeto de mais ou menos quinze quilômetros um taxista bateu todos recordes de informações sobre política nacional. Ao entrar no táxi lotação ele já estava conversando com os outros passageiros, não precisou provocar o assunto.
O cidadão em pouco mais de cinco minutos falou sobre Joaquim Barbosa, o Santo do Supremo; comentou sobre a negligência da presidente Dilma no caso da compra da refinaria nos Estados Unidos e destacou o patrimônio do filho de Lula, incluindo o cachê de Roberto Carlos na propaganda do Friboi.
Durante a parada teve tempo de dizer que a solução será Aécio Neves. “Este sim vai acabar com estas esmolas das bolsas diversas e criar somente uma no valor de um salário mínimo”, garantiu o taxista. Segundo seu ponto de vista o neto de Tancredo impedirá que o Brasil seja transformado em uma nova Cuba.
Enquanto caminhava até o trabalho pensei: Como uma desenvoltura desta este taxista está habilitado para ser um comentarista político de um jornal da televisão e porque não o editor? Pense em um cidadão com resposta para tudo, de forma rápida e contundente, Arnaldo Jabor que se cuide. 
O motorista, verdadeiro “the flash” vocal, de forma pragmática me fez ver que a comunicação tem que ser rápida e certeira, não temos tempo para conversas demoradas. Pena que a viagem foi rápida, não houve espaço para uma perguntinha sobre a copa do mundo de 2014. Tenho certeza que os gastos com estádios e as chances do Brasil seriam detalhados em fração de segundo.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Quem são os donos dos rios?
A disputa entre cariocas e paulistas que foi alimentada por muito tempo pelas partidas entre o Santos de Pelé x e o Botafogo de Garricha e Flamengo x Corinthians, donos das maiores torcidas do Brasil, ganha um novo componente, o Rio Paraíba do Sul.
O conflito hídrico causado pela perspectiva de utilização das águas do rio para abastecer o sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento da região metropolitana de São Paulo, está dando contornos para disputa entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
As autoridades do Rio de Janeiro partiram para briga em favor do rio que eles desviam para abastecer a capital e cidades do entorno e que eles poluem em Resende, Barra Mansa, Campos e outras cidades e que se acham donos.
O governo de São Paulo afirma que tem direito em utilizar as águas do rio uma vez que em seu território ele nasce. Seria bom ouvirmos a voz dos “intelectuais” paulistas que fizeram editoriais contra a transposição do São Francisco, fazendo coro com os nossos vizinhos Bahia e Sergipe.
Os ambientalistas de plantão defendem que as águas dos rios devem correr para o oceano e a população que crie mecanismos para suprir suas necessidades básicas, para eles a preservação está acima das carências humanas.
A falta de investimento no setor e os desperdícios do precioso líquido nas residências são os principais motivos da crise, culpar falta de chuva é ter pouca criatividade.
A sorte é que os “tucanos”, governantes de São Paulo desde a era Mario Covas, por serem dotados de poderes quase “divinais” encontrarão o caminho para solucionar o problema. Estamos em ano eleitoral período em que as habilidades multiplicam-se. Esquecida a briga cariocas x paulistas x ambientalistas fica uma certeza: A culpa é de São Pedro, com ele está a chave do céu o do registro que libera a água.
Por :Ademar Rafael 

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Simplificar é a ordem
Em 2011 ao participar de evento sobre administração, na cidade de São Paulo, ouvi Ram Charan – referência no mundo corporativo – dizer algo muito próximo de: “Simplifiquem, simplifiquem não ha espaço no mundo atual para processos muito complexos”.
No final de fevereiro-2014 terminei de ler o livro “Ivens Dais Branco – Simples, criativo, prático”. A obra de Sérgio Vilas-Boas relata traços da personalidade e habilidades do empresário cearense que por meio do grupo M. Dias Branco leva o nome do Ceará e do Nordeste para o mundo.
Encontrar uma residência que não tenha na dispensa ou na geladeira um produto do citado Grupo Empresarial é missão quase impossível. As marcas Fortaleza, Richester, Vitarella e Pilar fazem parte da nossa vida.
Além do estilo “Ivens” de administrar o livro oferta ao leitor a oportunidade de descobrir que com criatividade, simplicidade a pragmatismo todos os grandes obstáculos transformam-se em pequenas barreiras. Tudo, no entanto, carece de ação, foco e sentido de missão.
Simplificar não é banalizar, simplificar é deixar de lado a grande teia criada pela valorização exagerada de rotinas que não levam os empreendimentos a lugar nenhum. Processo é o meio, jamais o fim.Zé Marcolino já dizia: “Santo que não me ajuda pode cair da perede”. Este pensamento do poeta de Sumé – Paraíba cabe como uma luva no mundo corporativo. Processo sofisticado sem resultado é o santo que não ajuda, portanto, deve sair de cena dando lugar a algo simples, criativo e prático.
Na casa onde nasci no Sertão de Pernambuco tinha um pequeno “engenho de pau” e a garapa de cana ia da moenda para o copo por uma canaleta improvisada. O visitante muitas vezes ao receber a bebida ficava procurando um coador. Pai dizia: “Tem que coar no beiço”. A simplicidade da estrutura e do conselho nada tirava do caldo, pelo contrário mantinha o doce e as demais propriedades calóricas do suco natural da cana de açúcar.
Por: Ademar Rafael 

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

Agricultura familiar
Por ter nascido em uma pequena propriedade rural no Sertão de Pernambuco e ter atuado durante muitos anos na concessão de crédito rural para pequenos agricultores, vejo com preocupação o abismo para onde estão levando a agricultura familiar.
Há muito tempo o Governo Federal tem “criado” políticas de gabinete para agricultura familiar cujo êxito fica no mesmo nível da produção, ou seja, muito próximo de zero.
O intelectual José Graziano da Silva, natural de “Urbana”, no Estado Illinois – EUA, que não deu conta do Programa Fome Zero do Governo Lula, hoje como Diretor Geral da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, atuou para que a ONU declarasse 2014 como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar” (AIAF 2014).
O que este fato trará de concreto para Agricultura Familiar no Brasil? Como diz o apresentador Tadeu Schmidt: NADA. Será mais um programa que morrerá da mesma forma que a semente jogada no solo do semiárido em ano de estiagem.
Os técnicos da ONU, assim como os do Governo, em sua maioria não sabem diferenciar um pé de
“coentro” de um pé de “salsa”, nunca plantaram um pé de “maxixe”, mas, munidos da autoridade que lhes foi dada criam modelos de produção alheios à realidade do campo.
Certa vez, em Barreiras, no oeste da Bahia, testemunhei um grupo de agricultores de um assentamento do INCRA jogando calcário utilizando carros de mão. Na propriedade ao lado a distribuição era feita através de máquinas munidas de computadores de bordo que, através de dados cadastrados em um GPS, definiam a quantidade exata de corretivo a ser jogada no solo. 
Nossa agricultura familiar brasileira precisa de um plano de longo prazo que contemple a lógica do que produzir como produzir e para quem produzir. Fora disto é continuar jogando semente sobre cascalho e permanecer culpando a agricultura de precisão por investir e produzir em escala crescente.
Por: Ademar Rafael

CRÔNICA DE ADEMAR RAFAEL

O crime maior
Não consigo perceber um crime maior que o trafico humano. Ter a certeza que ele existe há muito tempo e não tem prazo para acabar incomoda muito, muito mesmo.
A Campanha da Fraternidade de 2014 aborda o tema “Fraternidade tráfico humano”, sob o lema “É para liberdade que Cristo nos libertou”.
O chamamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, assim como outras campanhas na mesma direção, submete nossa atenção para um assunto que dá náuseas só em pensar. 
Tal crime existe é combatido pelas autoridades e por grupos de voluntários, mas, a força dos criminosos e os valores envolvidos superam as ações do bem.
A autora Gloria Perez na novela “Salve Jorge” abordou a questão. No folhetim as maldades da vilã Lívia Marini superaram as investidas da delegada Helô, na vida real o mal também tem sido vencedor.
Já foram instaladas Comissões Parlamentares de Inquéritos – CPI’s, sob as seguintes denominações Tráfico de Pessoas no Senado, Tráfico Humano e Tráfico de Órgãos na Câmara, contudo, como os holofotes midiáticos e os jornalistas do Brasil gostam muito mais de corrupção e escândalos financeiros do que de gente pouco destaque foi dado.
Os navios negreiros do passado foram substituídos por aviões de carreira e fretados em nossos dias, o traficado é escolhido e a operação realizada pelos grupos especializados. Nas ações o suborno manda, a omissão campeia e a brutalidade trisca no fundo do poço que o ser humano cava para ele mesmo. 
A campanha é um aviso, a solução começa somente quando a conveniência e a omissão deram lugar ao amor pelo próximo, quando o sentimento de convívio mútuo substituir a ganância e a inversão de valores. A CNBB está fazendo sua parte, se fizermos a nossa a trilha começará a ser aberta, mãos á obra.
Por: Ademar Rafael