Dom Limacêdo alerta para os riscos do avanço do extremismo e do fascismo e divide fiéis
Por Betânia Santana
A homilia proferida por Dom Limacêdo Antônio da Silva na Catedral do Senhor Bom Jesus dos Remédios, em Afogados da Ingazeira, agitou os bastidores políticos do estado e dividiu a comunidade católica nas redes sociais.
No domingo, o religioso cobrou coerência democrática, criticou a subserviência a símbolos estrangeiros, condenou a misoginia e o negacionismo do feminicídio e alertou para os riscos do avanço do extremismo e do fascismo pelo Poder Legislativo.
A celebração foi transmitida pelo YouTube da diocese e registrada pelo blog de Nill Júnior. Para o bispo, posições como essa não representam partidarização, mas sim o cumprimento do dever pastoral de formar consciências e defender as conquistas sociais e históricas da população.
Essa firmeza no altar tem custado caro ao líder religioso, que se tornou alvo de críticas promovidas por setores conservadores e pela ala mais ligada à direita. Outros episódios deixaram evidente o acirramento desse embate na região.
Em agosto deste ano, Dom Limacêdo enfrentou uma onda de reações adversas nas redes sociais após liderar uma caravana inter-religiosa pela democracia no Sertão, iniciativa que reuniu centenas de pessoas, entidades civis e movimentos populares, o que levou opositores a acusá-lo de “militância de esquerda” e de desvirtuar a missão da Igreja.
Antes disso, na missa de Natal de 2025, o bispo, nomeado em outubro de 2023 pelo papa Francisco, já havia provocado mal-estar ao usar o Evangelho para reprovar os atos de vandalismo do 8 de Janeiro, os acampamentos montados em frentes a quartéis e as constantes contestações às urnas eletrônicas.
Alheio às investidas, Dom Limacêdo costuma dizer que o contraditório faz parte do ambiente democrático e sinaliza que a fé, no Pajeú, continuará intrinsecamente conectada à realidade social do país.










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