Por Rinaldo Remígio*
Na semana passada, ao ver uma antiga imagem de Afogados da Ingazeira publicada pelo amigo Fernando Pires, resolvi, juntamente com o amigo jornalista e editor deste blog, meu amigo Junior Finfa, prestar-lhe mais uma homenagem.
Fiz isso porque vejo em Fernando Pires uma preocupação genuína com sua terra natal. Ele não se limita a publicar fotografias. Fernando informa sobre os acontecimentos da cidade, registra a chegada de novos afogadenses ao mundo, noticia a partida daqueles que nos deixam e, sobretudo, preserva a história de sua gente.
Ao longo dos anos, tenho destacado seu trabalho porque reconheço o valor daqueles que dedicam parte da vida a guardar a memória coletiva de um povo. E sei que Fernando não está sozinho nessa missão.
Tenho o privilégio de conhecer muitos jornalistas, radialistas, historiadores, pesquisadores e comunicadores ligados a Afogados da Ingazeira e ao Pajeú. Poderia citar nomes como Tereza Amaral, Magno Martins, Pedro Araújo, Celso Brandão, Nill Júnior, Wanderley Galdino, Elias Mariano — este, um apaixonado pela história do futebol sertanejo — entre tantos outros que, cada um à sua maneira, vêm construindo histórias e deixando importantes legados para as futuras gerações.
Ao lembrar desses nomes, não poderia deixar de mencionar o saudoso amigo Anchieta Santos. Sua partida deixou uma grande lacuna na comunicação pajeuzeira. Com profissionalismo, dedicação e amor pela região, Anchieta ajudou a contar a história de nossa gente e deixou marcas que o tempo não apagará.
Da mesma forma, recordo com carinho e gratidão a figura do professor Waldecy Meneses, um dos meus mestres de História. Homem culto, apaixonado pelo conhecimento e pela comunicação, Wildecy também deixou um grande legado para o Vale do Pajeú. Ao longo de sua trajetória, formou gerações de estudantes, comunicadores e profissionais que encontraram em seus ensinamentos inspiração para seguir seus próprios caminhos.
Muitos dos que hoje atuam no rádio, na imprensa, na educação e em outras áreas do conhecimento tiveram a oportunidade de aprender com ele. Seus ensinamentos ultrapassaram os limites da sala de aula e ecoaram pelos microfones das emissoras da região, contribuindo para a formação de inúmeros discípulos e admiradores.
Assim como Anchieta Santos, Waldecy Meneses partiu, mas deixou algo que o tempo não consegue apagar: o legado. E talvez seja exatamente isso que diferencia algumas pessoas. Elas passam por este mundo, cumprem sua missão e seguem adiante, mas suas ideias, exemplos e ensinamentos permanecem vivos na memória daqueles que tiveram o privilégio de conviver com elas.
Volta e meia escuto de alguns familiares e amigos:
— Remígio, meu amigo, por que você gosta tanto de trazer assuntos do passado à tona?
Outros dizem:
— Você fala demais para explicar uma coisa simples!
E ainda existem aqueles que concluem:
— Vamos pensar para frente!
Nessas horas, apenas sorrio.
Sorrio porque compreendo que nem todos enxergam a importância da memória. Talvez por não serem historiadores, pesquisadores ou simplesmente apaixonados pelas histórias das pessoas e dos lugares.
O passado não existe para nos prender. Ele existe para nos ensinar.
Quando conto a trajetória da minha família, de Afogados da Ingazeira, de Petrolina, de Minas Gerais ou de tantos personagens que cruzaram meu caminho, não estou vivendo ontem. Estou ajudando a preservar experiências que podem ensinar algo às gerações de hoje e de amanhã.
Na condição de historiador, professor, administrador e contador, aprendi que nenhum povo constrói um futuro sólido sem conhecer suas origens. As grandes nações preservam seus documentos, seus monumentos, suas fotografias e suas histórias porque sabem que a memória é um patrimônio tão valioso quanto qualquer riqueza material.
Vejo muitas pessoas preocupadas apenas com o amanhã. E isso é importante. Mas também acredito que quem desconhece o caminho percorrido corre o risco de repetir erros já cometidos.
Por isso continuo escrevendo, pesquisando e registrando fatos. Continuo ouvindo os mais velhos, conversando com pessoas que guardam lembranças preciosas e valorizando aqueles que se dedicam a preservar nossa história.
Se isso é ser prolixo, aceito a crítica com serenidade.
Prefiro ser lembrado como alguém que ajudou a preservar histórias do que como alguém que permitiu que elas desaparecessem com o tempo.
Tiro o chapéu para Fernando Pires e para todos aqueles que ajudam a manter viva a memória de Afogados da Ingazeira, do Pajeú e de Pernambuco. Afinal, preservar a história não é viver do passado. É garantir que as futuras gerações conheçam suas raízes, valorizem sua identidade e compreendam o caminho percorrido por seu povo.
A história de um povo não é feita apenas por governantes ou por grandes acontecimentos. Ela também é construída por professores, jornalistas, radialistas, fotógrafos, escritores e pesquisadores que dedicam suas vidas a registrar fatos, guardar documentos, preservar imagens e transmitir conhecimentos.
Por isso, enquanto alguns me aconselham a esquecer o passado e olhar apenas para frente, continuarei fazendo o que sempre fiz: valorizando a memória, reverenciando aqueles que deixaram bons exemplos e registrando histórias que merecem ser contadas.
Afinal, o futuro se constrói para frente, mas seus alicerces estarão sempre fincados no passado.
*Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia.








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