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Quando um gigante nos chama de grande

Por Rinaldo Remígio*

Há momentos na vida que não se medem por títulos, diplomas ou homenagens. Medem-se pela generosidade de quem já alcançou o topo e, mesmo assim, encontra tempo para estender a mão aos que seguem escrevendo suas histórias.

Foi exatamente esse sentimento que experimentei ao ver o professor, doutor honoris causa pela UFPE, poeta e cantador Dedé Monteiro, uma das maiores referências da poesia popular nordestina, ler uma crônica de minha autoria e, ao final, pronunciar palavras que guardarei para sempre na memória:

“Grande Deinha, grande Rinaldo Remígio, grande Ademar Rafael, grande Antônio Mariano, grande Júnior Finfa!”

Confesso que li essas palavras com o coração tomado pela gratidão. Não porque me considere grande, mas porque elas vieram de alguém cuja grandeza dispensa apresentações.

Dedé Monteiro construiu sua trajetória com talento, inteligência, sensibilidade e um profundo compromisso com a cultura nordestina. Sua voz ecoa nas cantorias, nos festivais, nas feiras e nos palcos do Brasil, levando consigo a riqueza da poesia improvisada e da tradição sertaneja. É um daqueles artistas que representam não apenas a si mesmos, mas toda uma cultura que resiste ao tempo e continua encantando gerações.

Receber dele uma referência tão generosa é um privilégio de quem sabe o seu verdadeiro tamanho. Os verdadeiramente grandes costumam agir assim: engrandecem os outros sem diminuir a própria história.

Minhas crônicas nasceram com um propósito simples: preservar memórias, homenagear pessoas, registrar legados e valorizar aqueles que ajudaram a construir a história de nossa gente. Saber que esse trabalho encontrou eco na sensibilidade de um mestre da poesia é uma recompensa que ultrapassa qualquer expectativa.

Figurar ao lado de nomes como Ademar Rafael, Antônio Mariano, Júnior Finfa e do inesquecível Deinha faz-me sentir apenas um aprendiz, alguém que procura contribuir, por meio das palavras, para que histórias importantes não sejam esquecidas.
Afinal, a verdadeira grandeza não está em ser chamado de grande. Está em reconhecer que ainda somos pequenos diante daqueles que fizeram da arte, da cultura e da simplicidade um legado para o povo nordestino.

Obrigado, Dedo Monteiro.

Suas palavras não aumentaram a minha estatura. Apenas reforçaram a certeza de que vale a pena continuar escrevendo, enquanto houver pessoas como você, capazes de transformar um simples gesto de reconhecimento em uma lembrança que o tempo jamais apagará.

*Professor universitário, administrador, contador, historiador e mestre em economia!

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