*Por Rinaldo Remígio
Há famílias cuja história se entrelaça com a história de uma cidade. E há pessoas cuja presença, mesmo após a partida, permanece ecoando nos gestos, na memória afetiva e na identidade de todos que conviveram com elas. Assim é a trajetória de Seu Hermenegildo Marinho dos Santos, o inesquecível Seu Minel, de Dona Erotides e de toda a família Marinho — uma linhagem marcada por valores, trabalho e profundo senso de humanidade.
Nascido em 1º de setembro de 1919, na serena Serra da Sebastiana, em Carnaíba, Seu Minel veio ao mundo carregando a simplicidade e a força dos sertanejos. Filho de Jacob Marinho dos Santos e Herculana Maria da Conceição, aprendeu cedo que dignidade se planta no dia a dia, com trabalho, respeito e palavra honrada. Cresceu entre roçados, escola e labuta, moldando o caráter que o acompanharia por toda a vida.
A juventude levou a família para Afogados da Ingazeira, onde as oportunidades eram maiores e onde o destino lhe reservava seu grande amor. Trabalhando ao lado do pai no comércio, conheceu Erotides Pires Ferreira, a jovem que, em 5 de dezembro de 1948, se tornaria sua companheira de jornada, sua parceira constante, sua força mansa e firme. A partir daquele dia, o casal formou um alicerce de vida pautado por afeto, comunhão e propósito.
Dessa união nasceram Almir (i.m.), Fernando, Maria Elane, Solange, Rejane, Erotides Filha, a querida Tidinha (i.m.) e Hermenegildo Filho, o querido Nenel — cada qual trazendo no olhar e nos modos os valores cultivados em casa: o respeito ao próximo, o amor ao estudo, a lealdade, a humildade e a importância de manter a família sempre unida.
Em minha própria trajetória, tive o privilégio de conviver com alguns deles.
Fernando Pires, por exemplo, marcou minha formação profissional enquanto fui menor aprendiz do Banco do Brasil. De trato impecável, educado e sempre disposto a ensinar, ele refletia — como um espelho nítido — as lições herdadas do pai. Nenel e Tidinha, meus colegas no Colégio Normal Estadual, também carregavam no comportamento sereno e amistoso a marca indiscutível da educação familiar que receberam.
Mas a figura de Seu Minel ultrapassava o círculo doméstico. Comerciante respeitado, conduziu com maestria a tradicional Casa Marinho, situada na Praça Domingos Teotônio, um ponto de referência comercial e social na cidade. Seu senso de organização, ética e justiça transformou o estabelecimento num verdadeiro símbolo de confiança.
Como se não bastasse, nutria dotes variados: músico habilidoso, tocava clarinete na Banda Padre Carlos Cottart; atleta, defendia com garra o time local; líder comunitário, atuou na diretoria do saudoso ACAI, contribuindo para o brilho esportivo e social de Afogados da Ingazeira.
Seu lar, na imponente Avenida Rio Branco, era espaço de convivência exemplar — uma casa que recebia amigos, acolhia familiares e respirava serenidade. Ali, ao lado de Dona Erotides, construiu uma família respeitada, admirada e profundamente integrada à vida cultural e social da cidade.
No dia 28 de março de 1988, uma segunda-feira silenciosa, Seu Minel encerrou sua jornada terrena aos 68 anos. Foi sepultado no Cemitério São Judas Tadeu, mas sua partida não apagou sua presença. Pelo contrário: ampliou-a.
Seu legado permaneceu — nas histórias contadas, na admiração dos que o conheceram, no exemplo reproduzido por filhos, netos e todos aqueles que cruzaram seu caminho.
Porque homens como Seu Minel jamais deixam apenas lembranças; deixam raízes.
E mulheres como Dona Erotides, tão firme quanto afetuosa, eternizam essas raízes, nutrindo a família e mantendo vivo o espírito de união.
Hoje, ao revisitar essa trajetória, reconhecemos que a família Marinho continua sendo uma referência de solidez moral, trabalho honrado e amor sincero — um patrimônio afetivo de Afogados da Ingazeira.
E assim seguirá:
Seu Minel, Dona Erotides e sua família continuarão sendo lembrados com respeito, carinho e profunda admiração.
Um legado que o tempo não apaga.
*Professor universitário e memorialista!
Fonte: Fernando Pires, filho!













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