*Por Rinaldo Remígio
Alguns homens passam pela vida como páginas de um livro que se fecha. Outros, como Geraldo Magela Campos, escrevem capítulos inteiros no coração de uma cidade — e ali permanecem, como memória viva que educa, inspira e emociona.
Nascido em 5 de dezembro de 1934, filho de José Braz da Silva e Rosa Campos da Silva, Magela era de Afogados da Ingazeira como o próprio Sertão: firme, acolhedor, discreto e necessário. Cresceu em meio a irmãos queridos e à simplicidade de uma época em que estudar era um privilégio e ensinar, uma missão quase sagrada.
Começou os estudos com a professora Aurora de Azevedo Lopes, passou pelo Grupo Escolar Pe. Carlos Cottart e, já na juventude, abraçou a contabilidade em Serra Talhada. Mas foi como professor de matemática, de 1965 a 1992, no Ginásio Monsenhor Pinto de Campos, que encontrou sua verdadeira vocação — formar pessoas, abrir mentes, acender caminhos.
Durante décadas, Magela foi referência na sala de aula. Muitos ainda se lembram da sua paciência, da lousa bem escrita, dos exemplos simples com que explicava problemas complexos. Para muitos jovens sertanejos, ele foi ponte entre o sonho e a realização, entre a dúvida e o entendimento. Mais que fórmulas e números, ensinou ética, disciplina e respeito.
Homem de múltiplas vivências, também foi alfaiate, comerciante e político — eleito vereador na década de 60, quando a política ainda tinha cheiro de rua de barro e conversa na calçada. Foi diretor do CSU, referência de ação social, e também esteve à frente de um bar, onde convivência e amizade eram os ingredientes principais.
Casou-se com Maria Istela Neves, com quem teve quatro filhos, que herdaram seu amor pela educação e seu compromisso com a comunidade. Sua casa foi lar e escola, mesa farta e biblioteca silenciosa.
Concluiu o curso superior aos 46 anos, exemplo de que nunca é tarde para aprender. Aposentou-se como professor estadual em 1991, mas seu nome já estava gravado em cada aluno que saiu daquela escola de cabeça erguida, com um caderno cheio de sonhos.
Faleceu em 25 de outubro de 2004, aos 69 anos, e desde então, Afogados da Ingazeira guarda um silêncio respeitoso quando se fala em seu nome. Porque Geraldo Magela foi mais do que um professor — foi mestre de vida.
Sua história é lição que não cabe em prova, mas mora na gratidão de quem aprendeu a ser gente sob sua orientação.
Hoje, ao lembrar seus 90 anos de nascimento e mais de 20 anos de sua partida, celebramos não apenas o homem, mas o legado que ele deixou. A cidade segue em frente, mas sempre carregando no peito a honra de ter tido um filho tão digno, tão generoso, tão essencial.
*Professor universitário aposentado e memorialista
Fontes de informações: Blog do Finfa e Fernando Pires










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