Press "Enter" to skip to content

Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

DAR PARA CONFIAR?

Algumas pessoas em conversas informais ou em encontro de trabalho perguntam o que eu acho do mercado de moedas virtuais. Invariavelmente eu respondo: “Estude bem o assunto, faça testes e desconfie de notícias isoladas sobre o tema”. O que motiva não emitir uma opinião segura sobre a famosas “criptomoedas”? O cuidado que devemos ter ao emitir uma opinião sobre algo que possa trazer prejuízo ao interlocutor e as dúvidas que envolve a questão.

E o que é palpável sobre o assunto? Que o tema começou a ser debatido ainda nos anos 80 quando a criptografia entrou na pauta mundial. Que a impotência dos órgãos de controle para detectar tempestivamente os procedimentos inadequados que provocaram a crise de 2008 nos Estados Unidos e que se espalhou pelo mundo nos anos seguintes foi determinante para o surgimento das bases técnicas de um “protocolo” para cuidar das transferências de valores entre pessoas sem controle de governos ou operadores dos sistemas financeiros.

Os conceitos criados por Satoshi Nakamoto, na proposta do “Bitcoin”, foram ampliados, o assunto virou moda e a expansão foi com a velocidade da luz. Numa busca rápida na rede mundial de computadores a popular “internet” encontraremos situações em que os ganhos para os investidores são superiores de mil por cento em curto espaço de tempo. Mesmo com a garantia que as plataformas utilizadas nas operações são confiáveis, que a rentabilidade publicada é real muitas dúvidas permanecem. Precisamos vencer o medo com prudência. Investimentos com moeda virtual é um processo sem volta.

O folclore bancário narra que um fazendeiro tinha quantia significante aplicada numa agência do interior e todo final de mês exigia que o gerente fosse com ele até o cofre o mostrasse onde estava o seu rico e suado dinheiro. Para não perder o cliente o gerente atendia a exigência do correntista. Quem assim pensa e age ficará longe do mercado virtual.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

JOÃO PEREIRA DA LUZ

João Paraibano, um dos maiores talentos da cantoria de viola, é o que poderemos chamar de joia rara, cuja lapidação deu-se sob o sol escaldante das barrancas do Rio Pajeú. Quem conheceu o início de sua carreira, como reserva do programa “Quando as violas se encontram” viu que os titulares Raimundo Borges e Moacir Laurentino lhe davam o papel de coadjuvante.

Com uma perseverança invejável João foi ocupando seu espaço até chegar ao maior parceiro: Sebastião Dias. Teve como principais incentivadores meu pai, seu compadre Jotinha, Beijo e João Ézio. O alpendre da casa sede na fazenda Humaitá, de Zezinho Moura, foi palco onde amolou sua guilhotina. Sentar ao lado de João, num pé de parede ou em um congresso é das mais difíceis missões para qualquer cantador. Tive oportunidade de ver muitos poetas, que antes torciam o nariz para João, apanhar dele em todos os baiões de uma cantoria, isto, porém nunca lhe deu força para pisar em alguém, pagou, sempre, as injustiças com versos.

Citar suas maiores estrofes é missão impossível. As seguintes, retiradas do livro “Roteiro de velhos cantadores e poetas populares do sertão”, de Luís Wilson, tem o intuito de embelezar esta crônica. Na deixa de Sebastião Dias: “No meu lar criamos muito/pato, peru e galinha”, Paraibano respondeu: “Me lembro de uma vaquinha/num curral sem ter cancela/comendo uns troncos de palma/cortados numa gamela/eu arriava o bezerro/mãe tirava o leite dela”. Em outra oportunidade ele disse: “Um pé de jerimunzeiro/que a água no tronco empoça/cria força na raiz/bota flor à rama engrossa/travessa a cerca do dono/via vingar na outra roça”.

A letra P acompanha João há muito tempo. Nasceu pobre no sítio Pica-pau de Princesa Izabel na Paraíba, ganhou a alcunha de Paraibano, mora no Pajeú, e é Poeta. Portanto, peço permissão para parar.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

ESQUECIDOS PELA HISTÓRIA

É sabido que a história é contada pelos vencedores e nela cabe, quase que exclusivamente, os “amigos do rei”. Na história do Brasil existem fatos poucos relevantes que mereceram destaque assim como fatos com relevância que são levados para planos inferiores e até esquecidos.

Se fizermos uma pesquisa sobre a vida e a obra de José Lourenço Gomes da Silva – Zé Lourenço do Caldeirão (1872-1946), junto ao um grupo de alunos preparados para o ENEN poucos deles terão algo a responder.

Mas, afinal quem foi Zé Lourenço do Caldeirão? Trata-se caro leitor e cara leitora de um paraibano de Pilões de Dentro que ao chegar em Juazeiro do Norte – CE nos anos finais do século XIX passa a seguir Padre Cícero, participa de um grupo de penitentes e torna-se beato.

Conquista a confiança do Padre Cícero e dele recebe a missão de fundar uma comunidade agrícola nas imediações da cidade do Crato – CE, inicialmente no “Sítio Baixa Grande” e posteriormente no “Caldeirão”. Despertou a ira de fazendeiros locais e preocupação dos governantes pelas similaridades com a comunidade que Conselheiro criou em Canudos – BA e pelo êxito que a comunidade alcançou. Na grande seca de 1932 a fome passou longe do “Caldeirão”.

A morte do Padre Cícero, a reivindicação da área da comunidade pelos Salesianos e medo dos governos com a surgimento de um novo “Canudos” sacramentaram e total destruição da comunidade. Com expedições em setembro de trinta e seis e maio de trinta sete, a última com uso de bombardeio aéreo, a comunidade foi destruída.

Zé Lourenço que não ficou entre os mortos mudou-se para fazenda “União” região Exu – PE onde veio a falecer. Sua história precisa ser resgatada, ignorar seus feitos é negar outro massacre do poder.

Historiadores e pesquisadores da ativa, eis aí um tema a ser plenamente estudado.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

LEVADOS PELOS OUTROS

O palestrante José Luiz Tejon Megido, no primeiro capítulo do seu livro “Guerreiros não nascem prontos” apesenta uma tese de Daniel Goleman, autor da obra “Inteligência Emocional”, na qual fica evidenciado que apenas onze por cento das pessoas são engajadas; que dezenove por cento tendem a acompanhar o primeiro grupo; que cinquenta por cento são “turistas”, levam a vida na mesmice e que vinte por cento torcem agem para nada avance, são os “detonadores”.

O escritor e humanista Fernando Moraes no capitulo cinco do livro “O que te move”, cita a Teoria da Espiral do Silêncio, defendida pela socióloga alemã Elisabeth Neumann, que assegura a adesão das pessoas a uma opinião da maioria para evitar serem taxadas de ignorantes e não ficarem isoladas.

Ao juntarmos e teoria de Neumann com a tese de Goleman chegaremos fácil ao entendimento de que é maior a tendência para que as pessoas façam adesão ao pensamento dos “turistas” e dos “detonadores” do que dos engajados.

Não ficam muitas dúvidas sobre a convergência entre a lógica dos
manipuláveis pelas ideias da maioria com o pensamento dos que vivem na mesmice. A acomodação é a base da ação destes grupos.

A materialização da tendência joga o mundo para a vala comum. Os que preferem a sombra jamais ficarão expostos, seu lema é seguir a correnteza fugindo das corredeiras e principalmente das cachoeiras, o universo de alto risco e alta movimentação é exclusivo dos engajados.

Sabedores disto os manipulados de plantão agem nas redes sociais e nos meios de comunicação de massa atraindo os que nadam de braçadas na Teoria Espiral do Silêncio e deles fazendo o atrativo para novas adesões. Os levados pelos outros crescem em escala maior que os realizadores.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

SOM QUE INCOMODA E AGRIDE

Na engraçada versão de Erasmo Carlos a música “Calhambeque” fala sobre o conserto do “cadilac” e do sucesso que fez o “calhambeque”. Em cada estrofe há o registro do puro e elegante “bip bip”.

Nos dias atuais a sonora e convidativa buzina transformou-se em tragédia para dos ouvidos alheios e ferramenta para medição do alto grau de estresse dos motoristas.

Para utilização exagerada do equipamento não há respeito nem nas situações de descida ou subida de um idoso ou uma mãe com um filho de colo no veiculo parado, segundos são suficientes para acionamento da buzina.

A prática não deve ser vista somente como falta de capacidade de convivência em ambiente coletivo, no popular: “Falta de educação”, é também uma infração de trânsito.

O Código de Transito Brasileiro em seu artigo quarenta e um define que o uso da buzina deve ocorrer em situações de advertência a pedestres e/ou condutores, com a finalidade de evitar acidentes.

O mesmo marco regulatório, no artigo duzentos e vinte sete, que trata a infração como leve e estipula o valor da multa, esclarece que o acionamento deve ser breve, em horários específicos, longe de locais que careçam de silêncio e em altura compatível com a legislação.

O que vemos nas cidades e nas estradas é um festival de som que incomoda e agride. Muitas vezes parece uma disputa para ver quem buzina mais alto e por maior espaço de tempo.

Este, como outros casos de cidadania invertida, não será resolvido com leis e multas. O remédio é educação, educação e educação.

Por: Ademar Rafael