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Últimas publicações do quadro “Crônicas de Ademar Rafael”

Crônica de Ademar Rafael

JOSÉ RUFINO DA COSTA NETO

Não conheço um assunto sobre o qual Dedé Monteiro não tenha escrito. Sua obra extrapola as fronteiras do Pajeú e alcança do mais simples homem do campo ao mais exigente intelectual. É para mim ele é o maior poeta das nossas paragens. Tenho recitado “Papai Noel de casa” pelo Brasil e recebo palmas pela mensagem expressa naquele belo poema.

Sabendo que Dedé seria um dos seus mais devotados seguidor, Jesus concedeu-lhe o direito de fazer tudo com muito mais acerto do que nós, os comuns. Sua ação como cidadão é destacável, como membro do Encontro dos Casais em Cristo é louvável e como profissional nas áreas que atua é admirável. Seu jeito brejeiro e encantador fazem dele uma das pessoas cujo convívio acrescenta em tudo. A missa do poeta, homenagem a Zé Marcolino, sem ele não teria o mesmo brilho. Suas declamações recebem, sempre, merecidos aplausos calorosos.

Desde “A porca preta pelada” até sua última criação ver-se na obra de Dedé um somatório de talentos e uma mistura do hilário, do popular e do erudito. Seus poemas são múltiplos. Nas rodadas de poesias, na Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira, com Sebastião Dias, Zé Liberal e Afonso nota-se que a glosa de Dedé tem um perfume encontrado apenas nas flores campestres e é revestida da pureza da criança.

Por não ter o privilégio de sua companhia, em meu cotidiano, mato a saudade lendo e relendo o seu livro, que recebi do amigo Danizete, cujo prefácio é de Antônio de Catarina e o criador do nome é o meu conterrâneo Zé Liberal. Na leitura reencontro minha terra.

Caro Dedé, seus relatos poéticos tem a rapidez do Globo Repórter, porém o programa global por mais elaborado que seja não alcança a beleza de sua obra. Muito obrigado por tudo e continue sendo a mais brilhante estrela do nosso rincão, tu és, Dedé, imortal por natureza.

(*) – Originalmente publicado no site www.afogadosdaingazeira.com.br, como Pessoas do meu sertão XII.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

FORA DA FOTO

Em 25.04.16 na crônica O EX-VICE! escrevi: “Muitos defendem a tese que Temer representa a parte não degradável do esgoto que se transformou o Governo (PT + PMDB), após a depuração nas lagoas de decantação da Operação Lava Jato. Para este cronista o vice detém habilidades suficientes para recolocar o Brasil nos trilhos, mas, o histórico do seu partido e os “amigos” pode gerar fatos e atos capazes de colocar o país em um buraco mais profundo e mais largo. O tempo dirá.”

Agora no apagar do que resta de luzes do governo Temer o tempo prova que eu estava errado ao considerá-lo com habilidades para seguir o exemplo de Itamar Franco que colocou ordem na casa após a queda de Fernando Collor.

Diferente do meu pensamento Temer seguiu os passos do presidente Sarney. Fez um governo tão impopular que se tornou “persona non grata” no palanque do candidato do seu partido ao cargo de presidente nas últimas eleições.

Em 1989 Ulisses Guimarães não quis qualquer aproximação com Sarney e mesmo com a visibilidade obtida como presidente da constituinte e senhor das diretas ficou com algo perto de 4,4% dos votos. Na eleição de outubro último Henrique Meireles não tirou nem uma foto para “santinho” com quem o bancou no Ministério da Fazenda e ficou com apenas 1,2% dos votos.

Com esta nova derrota nas urnas o MDB tem dois caminhos: O primeiro é seguir na oposição e tentar resgatar o que resta da sigla partidária no pleito municipal de 2020. O segundo é aderir ao novo governo com o pragmatismo de sempre e permanecer na situação, mesmo com papel secundário.

Sarney, apesar do desgaste, seguiu na vida pública ao ser eleito Senador pelo Amapá. Temer deverá ter um caminho mais pedregoso, caso não seja blindado pelo futuro governo. Uma coisa é certa: Sai do governo menor que entrou.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

CRÔNICA 313

Nossa trajetória neste espaço chega à crônica de número 313. Em cada semana nossos textos são entregues com muito carinho e com o propósito de dialogar sobre assuntos diversos. Nesta oportunidade queremos trazer para dentro deste texto uma figura humana que muito contribui para nossa evolução como ser humano, como cidadão e como profissional. Trata-se de Hélio Noronha de Deus, mineiro da Carmo do Paranaíba que divide seu coração em partes iguais entre o cerrado de Minas Gerais e o sertão de Pernambuco.

Desde que aqui chegou no final dos anos 1970 o “mineirinho” como carinhosamente é chamado adotou o Pajeú como sua segunda pátria e fez muitas amizades. Por questão de limitação deste espaço destaco três. O pai do gestor deste blog Zezito Sá, Totonho Valadares e José Cerquinha da Fonseca, nosso eterno Zé Coió.

Em qualquer lugar que Hélio comigo se encontrava transmitia notícias do meu Pajeú como que aqui estivesse residindo. Se por acaso eu estivesse vindo em direção ao nosso em direção ele fazia um pedido. Dê um abraço em Totonho e visite Coió. A notícia do seu falecimento eu soube através de Hélio.

Para este cronista Hélio foi muito além de um colega de trabalho no Banco do Brasil, foi um grande incentivador para que eu produzisse poemas e crônicas. Sempre viu em mim um talento muito acima do que existe. Como meu superior me fez enxergar que mesmo no mundo das finanças é possível enxergarmos as pessoas e tratá-las com dignidade e respeito. Obrigado meu amigo, obrigados leitores e leitoras deste espaço.

313 é o numero cabalístico que o “mineirinho” carrega consigo. Chegou a ter um carro com esta placa. Por isto queremos encerrar narrando que foi no ano de 313 que Constantino, através do “Édito de Milão”, estabeleceu a neutralidade do Império Romano nas questões cristãs e cessou as perseguições. O imperador filho de Helena implementou a tolerância que Hélio Noronha de Deus sempre defende e aplica.

Por Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

CONTAGEM REGRESSIVA

Os três últimos parágrafos da crônica “O escritor e a biblioteca”, publicada neste espaço em 02.10.2017, discorreram sobre o museu que será instalado na antiga “Casa de Pedra”, em Jabitacá – Iguaraci – PE.

É chegada a hora de iniciarmos o processo. No próximo ano vamos tratar das questões relacionadas com a burocracia, em 2020 realizaremos audiências públicas com o projeto original para receber críticas, ser emendado e colocado em prática. Esta ordem foi invertida uma vez que o entendimento inicial previa as audiências públicas como primeira ação. A previsão é que em 2021, quando comemoramos o centenário do mentor da idéia o poeta Joaquim Rafael de Freitas – Quincas Rafael, faremos a inauguração do espaço com a estrutura disponível e o acervo até então captado e catalogado.

Nesta fase embrionária utilizaremos a massa crítica disponível na Universidade Federal de Pernambuco e em outras entidades com atividades relacionadas do o assunto, existentes em nossa região. Entusiastas da preservação da história de nossa região serão convocados, este museu será de interesse coletivo e como tal a participação será a principal argamassa.

Em 2019, simultaneamente com a solução dos aspectos burocráticos, utilizaremos os espaços dos blogs regionais e das emissoras de rádio da região. Neste ponto merece destaque a plena adesão do comunicador Nill Júnior ao ser abordado sobre o tema durante a festa da Padroeira de Jabitacá, no dia 15.08.2018. Bateremos em muitas portas, as que se abrirem serão plenamente utilizadas.

Sabedores das dificuldades que encontraremos e conscientes da importância do museu para resgate e preservação da nossa história, não mediremos esforços para que o cronograma acima seja cumprido e a contagem regressiva funcione como fator motivacional. Opiniões e sugestões, neste primeiro momento, podem ser enviadas para aherasa@yahoo.com.br, com a epígrafe MUSEU.

Por: Ademar Rafael

Crônica de Ademar Rafael

LAURA RAMOS DE BRITO*

Na época de sua morte o poeta João Paraibano escreveu em uma de suas estrofes os seguintes versos “A senhora não deve a Afogados, Afogados é que deve pra senhora”. Além da beleza métrica a mensagem espelha,
com muita nitidez uma verdade: Dona Laura realmente fez muito por Afogados.

Como colega de sala de aula de Bila, amigo de Antônio e de Heleno e funcionário de Aniceto tive a honra de conviver na residência de Dona Laura. Mãe exemplar saiba quem eram os pais dos amigos e das amigas
dos seus filhos e das suas filhas.

Os genros e noras eram tratados como filhos e filhas, ai de quem fizesse uma injustiça com um dos seus. Com respeito, porém com muita veemência, ela defendia sua família.

Era o ponto de equilíbrio e o calmante para Zé Mariano na hora em que ele pretendia punir um dos filhos caso cometesse um desvio, sob sua ótica.

No comércio conhecia pelo nome todos os clientes e sempre perguntava por outro membro da família ao encontrar um amigo. Tinha invariavelmente uma palavra de apoio para quem a procurasse. Desconheço um caso de uma pessoa que tenha batido em sua porta e ficado ao relento.

Foi a grande conselheira e confidente de Antônio Mariano, falecido em agosto último. Em 83 levei uns amigos do Ceará para conhecer Afogados e Antônio, após uma bela rodada de cerveja no clube campestre, nos levou a sua casa para que os cearenses conhecessem Dona Laura, apresentando-a como o grande esteio da sua carreira política.

Em suas compras de presentes, ao final de cada de ano, Dona Laura incluía todos os seus funcionários, com os quais dividia sua farta mesa.

Assim defino a eterna Dama da Manoel Borba.

*) – Originalmente publicada no site www.afogadosdaingazeira.com.br, como Pessoas do meu sertão XI.

Por: Ademar Rafael